Caixa dos fios

28.12.09

tomar balanço para balanços

Já fiz os risquinhos da praxe na minha wich-to-do-list de 2009, agora é arranjar tempo para fazer a 2010.
[Não esquecer: 1º ponto para 2010 - arranjar mais tempo]

26.12.09

O Natal [quase] perfeito

Quando era miúda era a única criança da família chegada, primos havia muitos, afastados em km e em grau de parentesco, sempre quis ter um irmão, não aconteceu. Cresci numa família grande e no meio dos grandes, salvavam-me os meus vizinhos, a família do Sr. Engenheiro do rés-do-chão. A Dona Fernanda e o Sr. Engenheiro [não me lembro do nome do Sr.] eram pais de cinco, três raparigas, a Rita, a Catarina e a Cristina e dois rapazes, o Chico e o Zé. Elas, todas mais velhas do que eu, o Chico um ano mais velho e o Zé que tinha menos três ou quatro anos que eu.
Esta foi a minha família adoptiva durante a minha infância. Mas se foi adoptiva, também foi o meu ideal de família durante muito tempo. Para alguém que crescia numa família disfuncional e com falta de seres do mesmo tamanho, hoje não me espanta nada este ideal criado. A Dona Fernanda não trabalhava, ao contrário da minha mãe, estava sempre por perto, fazía-nos lanches de mesa posta e tricotava camisolas na esplanada do parque Eduardo VII enquanto nós, eu o Chico e o Zé esmurravámos joelhos e cotovelos na bicicleta, no skate e no carrinho de esferas em corridas até ao Marquês de Pombal. Depois do parque ajudavá-nos com os trabalhos de casa para podermos ir para o quintal jogar à bola. A casa da Dona Fernanda cheirava sempre a bolo ou a estufado e, se cheirava bem sabia ainda melhor. Nas refeições no rés-do-chão éramos muitos à mesa. Quando a Dona Fernanda ia às compras iam também os três estarolas para ajudar. Costumávamos ir ao Pão de Açucar em Alcântara, julgo que devia ser o maior supermecado de Lisboa na altura. À excepção do Zé cada um de nós levava um carrinho. Sim, as compras do rés-do-chão eram feitas em três carrinhos apinhados que quando chegávamos a casa ajudávamos a arrumar na despensa em tudo igual à do 2º direito à excepção da quantidade de bens adquiridos.
Aquela casa vivia em permanente corropio, eram as amigas da Catarina e da Cristina, as colegas de curso da Rita, as amigas de esplanada da Dona Fernanda, a empregada e eu. Ah... tinham um Cocker Spagniel cor de caramelo. Casa cheia, portanto.

E eu? Eu cresci em dois mundos completamente diferentes um do outro. Entre o sossego que cortava no 2º Dtº e a alegria e discussões de uma família numerosa.

Nas minhas memórias do Natal também figuram todos estes personagens de história real. A casa era toda enfeitada, o pinheiro vinha sempre num vaso em vez de cortado e chegava ao tecto [e se os tectos eram altos] que nós entulhavamos de enfeites e atirávamos fitas como se fossem serpentinas. Só lá passei um Natal porque a família do Sr. Engenheiro tinha por tradição ir passá-la a Vila Nova de Mil-Fontes. Era um dia triste o dia em que da janela do 2ºDtº os via a carregar os carros com malas e sacos de presentes para os só voltar a ver no Ano Novo. Mas o Natal que vivi naquela casa foi a realização do Natal do meu imaginário. A casa estava cheia, a mesa transbordava de iguarias da época, havia alegria, gargalhadas e presentes abertos ou por abrir misturados com papel de embrulho rasgado. Os presentes eram só os dos adultos, porque nós crianças só abríamos os presentes no dia 25 de manhã e eu, a correr escada a baixo de pijama porque era Natal e tinha de ir abrir os meus presentes. Eu e a Dona Fernanda acordámos os dois estarolas que faltavam e fomos para a sala repetir a cena dos crescidos na noite anterior com o cheiro de torradas e bolo à volta.

Este foi sempre, para mim o cenário idílico de Natal, não foi imaginado, foi vivido e todos os Natais me lembro do Natal da família do Sr. Engenheiro, do quão quente e colorido era.

25.12.09

a quem?

Com toda a falta de modéstia, assumo-me como uma pessoa civilizada. Como tal, e já o disse aqui n vezes, o meu espelho não mostra apenas o reflexo do meu umbigo. Mas eu, às vezes, até percebo as pessoas que se estão a marimbarporquequemvieratráséquefechaaporta, percebo, mas irrita-me. Irrita-me porque acho que se todos nós fizessemos um bocadinho que fosse, se todos pusessem o nariz de fora da bolhinha onde vivem, tudo era mais fácil PARA TODOS.
Mas como eu dizia, às vezes até percebo a capacidade de abstração de algumas pessoas, ora porque sabem à partida que ninguém faz nada ou não sabem a quem recorrer ou porque se estão literalmente nas tintas para os outros [e para si também].

Vinha eu no IC19, [que descobri hoje que se chama Radial de Sintra, mas isso agora não vem ao caso] e vejo um cão de porte médio/grande na berma do lado da estrada. Ora está escuro, está a chover, além de prever um triste fim para o pobre animal, que por si só já era pensamento suficiente para me fazer agir, prever que um carro se pode despistar e sabe-se lá mais o que poderia advir daí, resolvi telefonar para a esquadra da PSP. É claro que o sr. Agente foi muito simpático, mas também o senti à nora sem saber muito bem o que fazer ou se valeria a pena fazer alguma coisa. Eu também entendo que entre assaltantes, possíveis homícidas, violadores e agressores o desgraçado do cão a vaguear em pleno IC19 pode parecer um santinho. Poder, pode, mas se o mesmo desgraçado resolver atalhar caminho pela faixa de rodagem e além de ser atropelado ainda resultarem feridos e quiçá mortos de um hipotético acidente, o mesmo cão deixa de ser tão inóquo, ou não?

E é por estas e por outras que eu até entendo quem vê mas assobia para o lado, entendo, mas não consigo fazer o mesmo, é mais forte do que eu e só me dá vontade de desatar à estalada quando me dou ao trabalho de tentar explicar ao Sr. agente que a coisa pode correr mal e que alguém tem a obrigaçaõ de fazer alguma coisa antes e não só quando são chamados para tomar nota da ocorrência e dos números para aumentar a estatística dos acidentes em época natalícia por culpa do alcool ou do tão afamado excesso de velocidade porque que eu saiba ainda não existe estatística que contabilize o número de acidentes provocados pela inércia das autoridades. Não existe mas devia.

22.12.09

[repost]

Perceber que poucos são os momentos em que o meu pensamento não está em ti. Olhar em volta e perceber que há sempre qualquer pormenor que me leva o pensamento até a ti. Desejar ver o teu nome no telemóvel, para poder ouvir a tua voz, para nos rirmos ou mesmo ficarmos em silêncio, um de cada lado [suspirarmos juntos]. Ler uma mensagem e responder-te de imediato, provocando uma sucessão de frases que nos ecoam muito para além da leitura. Fechar os olhos e sentir o teu toque na minha pele, os teus lábios nos meus. Ouvir as letras das músicas e conseguir juntá-las ao pensamento e ao sentir da pele.

all i want for Christmas is you

17.12.09

Part-time: Rena

unfinished

Se há coisa com que lido mal é com assuntos mal-resolvidos. Não tenho pachorra. Ou bem que se resolve ou não se resolve. Eu até acho que no meu caso é trauma. Quando eu era miúda e a minha mãe me mandava arrumar o quarto eu, armada em chica-esperta, enfiava tudo para dentro do armário ao molho, a cama, puxava a roupa e endireitava muito bem a colcha e estava feito. Ou não. Por fora até parece e, por vezes, até se enganam uns quantos incautos [ou os que fingem que não vêem], por dentro é o caos. Quando eu tinha a triste ideia de fazer destas chicas-espertices, a minha mãe ao deparar-se com o cenário de tudo enfiado no armário tirava tudo cá para fora, mas tudo mesmo, não interessava se havia coisas arrumadas no seu sítio. Era tudo cá para fora e arrumar tudo outra vez e como devia ser. A cama, a mesma coisa, só que em vez de ter de puxar o lençol e cobertores direitinhos, não, tinha até de pôr o resguardo porque ela arrancava-me tudo. Claro que a minha esperteza saloia não foi repetida muitas vezes que eu de parva também só era quando me fazia.
E hoje lembrei-me disto e os assuntos mal-resolvidos não são mais do que tralhas que alguém atirou para dentro de um armário à espera que ninguém mais se lembre delas, o problema está é se alguém se lembra de abrir o armário. Melhor ainda quando o próprio abre o armário e lhe cai tudo em cima. É que mais cedo ou mais tarde é o que acaba por acontecer, por isso mais vale fazer a birra e bater o pé, que não arruma e não arruma porque não quer.

15.12.09

neura de espanador

Normalmente sou o que se pode chamar de gaja-organizada-arrumada. Tenho por hábito ter as minhas coisas arrumadas e a minha casa mesmo com os dois infantes se não estiver num brinco, rapidamente se põe, porque a coisa nunca ultrapassa os limites do aceitável [e o meu aceitável tem uma margem muito pequena]. Por isso também nunca tenho assim muita coisa para organizar. Bem sei que desde a mudança ainda tenho umas gavetas assim meio que desorientadas e papeladas que ultrapassaram os cinco anos obrigatórios à espera que eu esplhe aquilo tudo e me dedique à rasgadela do papel. Resumindo, salvo raras excepções nunca tenho aquelas fobias da arrumação e da limpeza por estar a atingir o caos da desarrumação, até porque tenho um cérebro um bocado gajo que me obriga a viver com tudo à mão de semear, e se à mão de semear é bom para desarrumar, melhor é ainda na hora de arrumar. Portanto, sei [sei, pronto] que esta fobia da arrumação e da limpeza, que me está a causar freniquitins desde que acordei, se deve a n-e-u-r-a. Sim, uma grandessíssima neura que se instalou. É tão grande que hoje, não fosse o facto de ter de ir trabalhar, acho que saía tudo do sítio para voltar a ser arrumado e limpo. É assim como uma espécie de terapia da compensação; e porque há coisas desarrumadas, fora do sítio e muito que limpar e não posso, compenso com a casa.
[mais logo à tardinha vai ser o bom e o bonito em casa, vai, vai...]

Podia dar-me para o chocolate. Poder podia... mas não era a mesma coisa.

14.12.09

Área [bruta] - a saga da mesa

Quando comprei a minha actual casa fiz uma selecção criteriosa do que levaria, até porque 4 ass. cabem em três mas com tudo apertadinho e, apertos dentro de casa, não obrigada. Dei muita coisa que tinha ou porque não ficava bem ou porque estava na hora de substituir. Com tanta "limpeza" acabei por precisar de comprar algumas coisas, uma delas, a mesa da sala. E, eu tinha uma mesa "na cabeça" e até sabia onde a encontrar, mas numa das minhas deambulações vi-a numa loja improvável. Estava alí, à minha frente, o meu sonho tornado realidade e ainda por cima com 50% de desconto, estava mesmo a gritar" leva-me contigo". Comprei-a. Mesa entregue e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-vai-ficar-tão-bem-com-o-chão. Sobreviveu ao pó das obras e serviu de poiso a toda a minha loiça enquanto me desfaziam e refaziam a cozinha. Acabaram as obras e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-fica-tão-bem-com-este-chão. A mesa era gira, ponto. Mas a mesa era também uma grande merda. Sim era de madeira, mas os pés começaram a rachar e sim era pintada de branco, mas não tinha qualquer espécie de verniz e qualquer coisa a manchava. E eu a dizer mal da minha vidinha e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-ficava-tão-bem-com-este-chão.
Email para o serviço pós venda da loja com direito a fotos e tudo a reclamar e que sim, que gosto da mesa e quero uma igual mas em condições. Reponderam que sim, que tenho muita razão, mas mesas iguais não há e perguntam se quero ficar com esta com 30% de desconto sobre o que paguei. Respondi que não e que também não queria mais nada da loja esqueçam lá o vale que não me serve para nada e por isso venha lá o dinheirinho de volta. A transportadora levantou a mesa e eu lá fui à loja pedir o reembolso. Primeiro foi a referência da bendita que dava erro no sistema, depois foram os multibancos que foram alterados e não conseguiam fazer a devolução para o meu cartão. Voltei para casa com carteira ainda leve. Passou uma semana e os senhores da loja mantiveram-se calados. Uma noite, andava eu a por a minha vida burocrática em ordem e resolvi mandar mais um email para o serviço a cliente.Não é preciso dizer que no dia seguinte me telefonaram para voltar à loja para fazer a devolução. Ontem lá fui eu, mais uma aventura para ter o dinheirinho de volta que nem me quero lembrar. Claro que o valor do transporte que paguei porque ia ficar com o artigo, esse não mo devolveram, por isso vou ali fazer mais um email para os meus amigos do apoio ao cliente e explicar-lhes que só paguei o transporte e entrega porque era suposto terem-me vendido uma mesa em condições e que a mesma era suposto estar a fazer o seu papel de tão-gira-e-fica-tão-bem-neste-chão.

[é por estas e por outras que cada vez mais sou fã da Ikea, abençoda!]

seria [ raio do pretérito imperfeito]

Hoje seria o dia D. Não é!

da época

Porque o Natal é das crianças passei o fim de semana nas compras e este ano fui beneficiada, não apanhei enchentes nem filas para pagar. Papéis e presentes espalhados pela mesa da sala, muitos embrulhos feitos [e se eu gosto de fazer embrulhos].
Recolha de presentes para anjinhos com direito a mala do carro cheia.

Logo que entregue todos os presentes ao Exército de Salvação tenho o meu Natal tratado.

11.12.09

fios soltos



A vida é feita de novelos de fios, alguns estão soltos.

De vez em quando lá me aparece um desses vadios cansado de andar a vadiar solto por aí, nessa altura acolho-o, alimento-o e dou-lhe um banho para depois o colocar no novelo respectivo junto dos fios da sua espécie. Menos um fio solto.
Mas os fios que estão nos seus novelos também se soltam, uns com autorização superior para andarem soltos, são bem comportadinhos e nunca se afastam mais do que é desejável, outros soltam-se sem ninguém dar conta e lá ficam mais uns quantos sem se saber do seu paradeiro, uns voltam, outros não.
No meio de tantos fios, também há os fios que tenho de soltar porque deixaram de pertencer ao novelo. Solto-os e muitos provocam-me uma sensação de alívio, outros uma enorme tristeza. Os primeiros, solto-os e pronto, tá feito, com últimos a história é outra, choro e faço o meu próprio luto [sim, tenho uma forma estranha de encapotar o que se passa, mas também ninguém precisa de saber o que se passa cá dentro]. Os que sou obrigada a soltar não os enterro, mas sei que nunca voltarão para o novelo.
Esta semana soltei um fio [e chorei].

9.12.09

Quase Natal - [fio solto]

E eu continuo à espera, à espera que seja este. Espero da mesma forma que esperei tantos outros. A data aproxima-se e, eu espero, acredito, acredito sempre que é este sem nunca pensar que pode não ser, isso só pensei no dia seguinte, antes mesmo de começar a acreditar que é no próximo. Agora penso que será este, acredito que seja este. Já estiveste tão perto, nesse Natal acreditei ainda mais que pudesse ser [-estiveste perto, quase lá, não estiveste?]. Não foi. Vai ser este, acredito que seja este, porque se eu acreditar muito acontece. São muitos anos a acreditar, são muitos anos a desejar o mesmo presente. Vai haver um Natal em que vai ser. Tenho a certeza.



bons hábitos à casa tornam

Ontem pela primeira vez em muitos meses, mal os deitei deitei-me também, não houve FB, FV, série ou filme que me mantivesse acordada. Ontem regressei aos bons hábitos, deitei-me e li umas páginas do livro que habita a minha mesa de cabeceira há meses. Hoje, dia de recuperar outro bom hábito, que me dá um prazer enorme, ler uma história aos meus filhos, não li uma, li duas. Adoro histórias infantis, perco-me na secção infantil das livrarias. As cores, os desenhos, as mensagens, sobretudo as mensagens, não há nada no universo infantil que me encante tanto como um livro de histórias.




mania de listar

Está na hora de fazer a lista para 2010!

7.12.09

Horóscopo das flores

Narciso [2/03 a 21/03]

Conta-se que essa flor, tão rara nos dias de hoje, espalhava-se
por todos os jardins atlantes. As pessoas que nascem sob o
signo de Narciso destacam-se por sua habilidade em se
comunicar, pela simpatia e pelo jogo de cintura que lhes
permite sair-se bem nas mais diversas situações. São pacientes
e, quando necessário, agem com uma boa dose de ousadia, o
que lhes garante sucesso em vários empreendimentos.

6.12.09

o Natal chegou cá a casa

uma questão de berço

Hoje, ao final de mais de dois anos voltei a ver o berço branco. Lá estava ele, na sala junto aos sofás, tal qual como tantas vezes o tive. Continua com o seu ar de candura que sempre lhe reconheci e que durante muitos meses antes do meu filho mais velho nascer me fez sonhar com ele ali deitado. Foi neste mesmo berço que o T. dormiu até não caber, foi neste mesmo berço que o A. dormiu alternado o seu ar de anão zangado com o de anjinho. Este berço correu a minha casa, do quarto à sala, da sala ao escritório, onde eu estivesse, estava o berço.
Se há algo que me faça saltar à lembrança o nascimento dos meus filhos é o berço branco forrado a bordado inglês.
Hoje, serve de ninho a outro bebé pequenino, mais pequenino que qualquer um dos meus, mas também confesso que já não me consigo lembrar do quão pequeninos foram e a imagem dos meus filhos deitados naquele berço parece-me cada vez mais longínqua.

Out of office

[post-lembrete para reler nas sextas-feiras em queixo de excesso de trabalho]

Dezembro - Sexta-feira

Saio do emprego à hora de almoço e vou buscar o infante mais velho à escola. Passagem por casa a correr, ele esqueceu-se da psp, eu esqueci-me do cartão médis dele. Seguimos para o McDonads, que não há tempo para mais, ele já almoçou, eu ainda não, eu como o menú habitual, ele ainda devora um cheeseburguer. Depois de engolirmos os hamburguers passamos à fase seguinte, o meu dentista, consulta em tempo record e passado 40 minutos estou cá fora. Próximo destino, a consulta de oftalmologia dele. Paramos em segunda fila na 5 de Outubro e aguardamos por presentes para anjinhos. Presentes entregues e seguimos. Ainda falta meia hora para a consulta, aproveito para ir ao banco pedir alteração de morada, depois vamos à Zara em busca de fatos de treino para as nossas "anjas", só há piroseiras, saimos com um saco com mais uns trapos para mim e um pijama de criança para oferecer. Ainda há tempo. Benetton em busca de presentes para outras duas crianças. Nada. O saco na mão continua a ser apenas o da Zara. Está na hora da consulta e lá vamos. Clinica toda xpto com direito a entretenimento para crianças na sala de espera, só não esperamos. Chamam-no para a sala de triagem. Fazem-lhe um exame aos olhos, logos de seguida aparece a médica e vamos para a consulta [devem ter sido os únicos 15 minutos de descanso que tive]. Saímos da consulta sem receita nenhuma e com proibição de uso de óculos escuros antes dos 10 anos [já estão no lixo]. Antes de nos fazermos ao caminho, paragem no carrinho de castanhas onde a boa educação foi premiada com duas castanhas extra. Dentro do carro novamente e nova paragem para recolha de mais presentes para anjinhos. No regresso ao emprego desmarcam-me uma reunião para o final da tarde e eu na entrada do IC19 viro para Alfragide. Ikea. Compramos a mesa de sala que tínhamos para comprar e mais um presente encomendado. Levantamos a mesa e paramos nos cachorros [obrigatório]. Parque de estacionamento e chego rapidamente à conclusão que quanto maior é o carro maiores são as embalagens das coisas que compro. Despejo a bagageira [não estão bem a ver a quantidade de tralha], rebato os bancos [não estão bem a ver a quantidade de migalhas entre os bancos], cadeira do T. montada à frente, uma das embalagens enfiada no carro. E agora a outra? - Pesada como o raio! Como já é meu hábito lá vou eu pedir socorro. Olho em volta e lá vem um segurança numa scooter, faço-lhe sinal e ele vem. Explico-lhe o problema. Ele olha para a embalagem e começa com a lamúria -ah e tal, que dei um jeito às costas na musculação... E eu a ver a minha vidinha a andar para trás, mas não, o sr. lá fez o papel de cavalheiro e lá pôs a dita embalagem dentro da bagageira. Toca de enfiar a tralha toda em cima das embalagens e siga. Miúdo excitadíssimo que já não andava à frente desde que eu andei com um smart roadster de substituição à quase 5 anos atrás [ele ainda se lembra de vir na Vasco da Gama de mão dada comigo, eu ainda me lembro do gozo que me dava conduzir aquele carro, parecia um kart]. Paramos em casa, largo as tralhas, as embalagens ficam, e zarpamos para a piscina que está na hora da natação. Miúdo entregue, vou à secretaria pagar a mensalidade e saio para ir buscar o mais novo. Outra criança delirante por andar à frente [- é gilo mamã]. Volto a casa. Enquanto espero pela abençoada ajuda para levar as embalagens para cima vou montado outra vez o carro. Carregamos as embalagens até casa e volto a sair. Está na hora da aula de natação acabar. Lá vamos nós, outra vez. Chegamos à piscina e o infante-pinto-molhado está aos pulos com os amigos. Prole dentro do carro e voltamos para casa. Baby-sitter à espera. Dou-lhe todas as indicações e arranjo-me para sair [aproveito e tomo uma migra aspirina que estou com enxaqueca]. Beijos às crianças e não-façam-a-cabeça-da-D.-em-água-que-já-bem-basta-a-minha e saio.
Jantar e copos com amigos. Era mesmo disto que precisava [isto ou dormir uma semana inteira longe daqui].

5.12.09

Porque existem pessoas que fazem a diferença

"BOM DIA
05.12.09

Dou-Te graças, Senhor, pela minha nora e por tantas mulheres como ela, senhoras com jeito de menina, que todos os dias correm de tarefa em tarefa entre a família e o emprego.
São heroínas dos nossos dias

Recebi dela este mail:

«Minhas amigas,

Este ano, através duma associação de solidariedade, vou fazer uma criança feliz.

A minha amiga Ana explica em anexo.
Muito resumidamente, têm uma lista de crianças carenciadas, com o presente que cada uma pediu pelo Natal.
Aderi e saiu-me a Vera, 5 anos que pedia uma boneca e uma camisola fofinha.

Quem quiser deverá enviar um mail à Ana e combinar a respectiva entrega.»

Agradecia e assinava

Respondi e de volta vieram estas palavras:

«Muito obrigada por participar. Aqui vão os dados do seu anjinho:

Maria – 5 anos que pede uma boneca e um fato de treino.

Se me enviar a sua morada mando-lhe o anjinho.»

Hoje recebi um envelope. Lá dentro um anjinho cor-de-rosa e um nome Maria.

Este anjinho não é de barro como as figuras do nosso presépio, mas que bem lá ficou.

Senhor, abençoa a Isabel e todos os que multiplicam o amor com alegria.

São estrelas que hoje nos sinalizam onde nasces,
onde estás,
onde nos estendes os Teus braços
e nos esperas.

Maria Teresa Frazão"

Muitas vezes ao tentar distribuir um sorriso por mais uma criança, sou surpreendida pela ignorância de pessoas que vivem na sua bolha e que se recusam a sair dela porque têm o espelho apontado para o umbigo, nestas alturas e, por breves momentos, perco toda a esperança na raça humana.
Depois, depois lembro-me das pessoas que sentem, das mãos que se estendem e, nessa altura, sorrio também, porque é pelo empenho destas pessoas que todos os dias algures se muda algo para melhor e é por estas mesmas pessoas que vale a pena o esforço porque todos os quantos assim sentem merecem um mundo melhor.

[Obrigada Teresa]



3.12.09

porque tem de ser dito:

357 anjinhos distribuídos

O meu muito obrigada às minhas Duendas [agora transformadas em Renas] e o meu muito obrigada a todos os quantos se quiseram juntar a nós e ao Exército de Salvação para tornar o Natal destas crianças um Natal Sorridente.

[fica prometido: fotos da montanha de presentes]



2.12.09

retrospectiva - post lamechas

Numa pesquisa do google [what else?] em busca de respostas para "mala de maternidade" fui bater à porta de um baby blog, mas não era um baby blog qualquer, "Amo-te, o meu filho e eu" onde a Cat partilhava dicas úteis e contava as tropelias do R.. Confesso que logo ali na primeira visita me prendeu, acompanhei os posts diariamente e li, li tudo até ao post zero, por arrasto conheci o "100NADA" que sigo religiosamente, se a mestra posta, eu estou lá.Por entre buscas, pela curiosidade acerca de algum perfil que comentava, pelos favoritos dos blogs que fui visitando, fui-me prendendo a alguns. Prendi-me nos alinhavos da "caixa de costura" do André, por causa do post do primeiro dia de natação, ri-me até chorar, passei o post por email. Divino! Do melhor que aquela cabecinha já conseguiu produzir. E de blog em blog fui passando e parando noutros. Cheguei ao da Lady onde li de fio a pavio "os dias de uma princesa", identifiquei-me em muitas formas de sentir com ela. Pelo meio agarrei-me a outros por onde passava [muitos ainda passo] sempre que têm um novo post, é o caso do "Dias úteis" do Pedro Ribeiro de quem sou fã, foi nos favoritos do blog dele que descobri o "Cabra de Serviço" onde comecei por prestar serviço na caixa de comentários e passei a residente. Noites a fio a fazer das caixas de comentários chat, recordo entre outras coisas que foi a altura em que os posts me sairam melhor, não foram muitos, mas para mim eram bons e diverti-me muito apesar dos tempos conturbados por que eu passava.
Mantive-me fiel atenta a muitos blogs por onde tropecei, não perco um post da "mãe galinha", " a ervilha", do "um amor atrevido", do "aliciante", do "disfruta" que conheci através da Rádio Comercial e tantos, tantos outros. Uns tropecei neles, outros tropeçaram em mim.
Foram muitos, uns mantive na bagagem, outros fecharam ou mudaram-se sem deixar nova morada.
Para cada um dos que mantenho e mesmo para os que me marcaram mas ficaram pelo caminho há sempre um detalhe de que me lembro e, pode ser uma troca de dicas para "sacar" filmes e séries que faz despoletar uma amizade, um encontro apressado para entrega de um presente para um anjinho ou um convite que gera uma sucessão de mails que começam com a frase "mas tu lês-me?". Todos têm para mim uma história que vai para além da que toda a gente pode ler, para além da história contada pelos autores, há a minha, por detrás das histórias e das fotos mais ou menos desfocadas há pessoas, há caras e se Portugal é uma aldeia a blogoesfera não é assim tão grande e a minha blogoesfera faz-se de caras conhecidas e de nomes em vez de nicks.

Aqui?

face the facts

Game Over!

[You lose!]



Os coitadinhos

Já o disse por diversas vezes, mas de facto não tenho paciência para coitadinhos e se se tratam de coitadinhos que se fazem passar por tão coitadinhos que mandam os outros fazer o trabalhinho sujo em vez de sujarem as próprias mãozinhas, então não me merecem respeito nenhum porque não passam mesmo de coitadinhos.

29.11.09

Anjinhos de Natal - Pais Natal, precisam-se!

"Há ainda 40 e tal anjinhos para distribuir e muito pouco tempo."

Ler na íntegra no 100nada

[Aproveito aqui para agradecer, não só a todos os quantos já se chegaram à frente e "adoptaram" um anjinho, mas também à Cat e à Ana que têm feito um trabalho de divulgação fantástico. Sem elas não teríamos já entregues 250 anjinhos, mas a realidade é que ainda faltam 40, por isso este nosso pedido na blogoesfera]

27.11.09

...

[não me lembro do título que queria para este post]

hoje fui tirar um sinal, nada de sério mas também não estava cá a fazer nada. Fez-me alguma confusão, afinal ele sempre cá esteve e tirarem-mo é tirarem um pedacinho de mim, enfim... pelo sim pelo não, lá foi.
Durante o procedimento do deita-na-maca-prepara-a-anestesia-[temos-de-a distrair] uma das médicas reparou numa das minhas tatuagens. Ao princípio fiquei numa de tatuagem-dermatologista, isto não é bom, mas ao que parece a Srª gostava mesmo de tatuagens e quis saber o significado dos caracteres, comecei por lhe dizer o significado dos dois juntos e expliquei-lhe que em separado cada um também tem um significado. Claro que a seguir perguntou-me qual era o de cada um e, de repente, tive uma branca profunda e não me consegui lembrar, no meio de gargalhadas [enquanto me espetavam a porra da agulha para a anestesia local, que dói como o raio, antes uma epidural] lá expliquei que ultimamente o meu neurónio que faz a pesquisa nas bases de dados está de férias e que o sustituto não dá conta do recado [falta-lhe o b se o tivesse fazia o trabalho como deve de ser]. A conversa lá continuou à volta dos meus esquecimentos até à parte em que lhes disse que estava a tomar uns comprimidos para a memória, perguntaram-me se estavam a funcionar com ar irónico, afinal eu acabara de me esquecer duma coisa tão importante como o significado de uma das minhas tatuagens, respondi que achava que sim, olharam para mim, olharam uma para a outra e a minha dermatologista perguntou-me como se chamavam os comprimidos. - Não me lembro.
Gargalhada geral.

[Nunca imaginei que tirar um sinal fosse tão divertido, espero não me esquecer.]

25.11.09

3 passos

"as grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas"




E podemos andar às voltas sobre o mesmo e, a solução ou o caminho escarrapachado alí mesmo à frente dos nossos olhos, mas teimamos em sentirmo-nos ofuscados com o medo [?] de que seja, senão o único, o melhor caminho para nos sentirmos inteiros. Insistimos em procurar alternativas [perder tempo?] em vez de avançar-mos e receber de braços abertos o que a vida nos dá, que por acaso, só por acaso, até coincide com o que queremos [ou não queremos?].
Então o que fazer para parar de andarmos em círculos sobre a solução?
- Agarrá-la, abrir os olhos para apreciar a viagem e finalmente respirar.

do contra


Enquanto chove lá fora, cá dentro sinto-me a fugir para aqui.

[ou é da falta de horas de sono ou estou mesmo a precisar de férias]

[tenho tanto sono]

Mais uma noite passada entre anjos.

24.11.09

imagem de [que] marca

trabalho nocturno

Todos os anos a cena repete-se, primeiro é a azafama da distribuição dos Anjinhos, pedidos que me chegam de todo o lado, amigos que fazem angariações preciosas [são os meus duendes], dezenas de mails recebidos e enviados, outras dezenas de anjinhos metidos em envelopes, peregrinações pelos departamentos da empresa na tentativa de angariar ainda mais "Pais Natal", depois vem a compra dos presentes, dos meus para os meus anjinhos, dos ocupados do costume que me incubem da tarefa. Compras feitas e carro atolhado de brinquedos e fatos de treino, muitos embrulhos para fazer. Incontáveis viagens de carro a levantar presentes aqui e ali [este ano parece que vou passear até Coimbra]. Carro atolhado e descarregamentos no armazém da empresa. Andar atrás dos esquecidinhos do costume que nas datas marcadas ainda não entregaram os presentes. Verificações para que nenhuma criança fique sem presente [sim, já me sairam uns quantos do bolso]. E depois... depois é olhar para aquele monte enorme de presentes antes de serem carregados para a camioneta, sorrir com vontade, sentir aquele calor que aquece a alma, sentir que valeu a pena, porque mais uma vez consegui dar o meu contributo para um Natal muito mais alegre a estas centenas de crianças.

23.11.09

sonhos

Ver alguém de quem se gosta realizar um sonho é das maiores alegrias que se pode ter, ter consciência que contribui um bocadinho para a realização desse sonho é pegar-lhe ao colo e embalá-lo como se fosse meu.

[Estou feliz por ti, muito.]

19.11.09

promessas

"Eu gostava que prometessemos um ao outro que vamos ficar juntos, que nos vamos amar mesmo quando nos odiarmos, que ninguém foge, aconteça o que acontecer, que vamos cuidar um do outro até sermos velhos e senis e, se um dia eu tiver Alzeimer tu lembras-me todos os dias quem és e o quanto te amo. "

18.11.09

sobre a adopção

(...)pensando no superior interesse da criança interditaria uma mão-cheia de paizinhos heterossexuais com que me fui cruzando vida fora. Gente normalizada, com a cabeça cheia de tralha no sótão, que faz da vida dos outros um inferno e da sua própria um chiqueiro. Não foram educados por homossexuais. Oxalá tivessem sido.

orfã

Esta noite sonhei com a minha mãe. Esta manhã ao lembrar-me [vagamente] do sonho percebi que sei ser mãe, mas que não sei ser filha. Tenho pena, mas se fosse ao contrário estava mais preocupada.

uma questão de luz

Hoje é a última noite nesta casa. Talvez por isso adio a hora de me deitar. Vou descobrindo mais coisas para empacotar e, assim, vou adiando aquele que será o meu último sono dentro destas paredes. A casa não me deixa saudades, desde que para cá vim morar que havia qualquer coisa que não me fazia sentir em casa. Até hoje não percebi o quê. Mas sei que vou ter saudades da varanda, tão aprazivel em noites como a de hoje. Vou ter saudades da varanda dos brinquedos, que permitia que o quarto dos miúdos estivesse sempre arrumado. Vou ter saudades da sala que tantas pessoas queridas albergou em jantares e almoços. Vou ter saudades da cabine de duche, de que tanto me orgulho. Vou ter saudades da cozinha, estudada até ao último detalhe, onde todos insistiam fazer sala. Vou ter saudades de algumas coisas, da casa, por si só, não.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.


publicado em 15/08/2009

E agora, passados que estão 3 meses, escrevo este post na minha verdadeira casa. Finalmente uma casa que é a minha cara, remodelada em tudo o que senti que precisava de remodelar. Transformada à minha medida. E, tal como esperei, quando abro a porta de casa e vejo o hall amarelo e branco, o chão em madeira e as portas brancas, finalmente sinto-me em casa. O meu ninho foi pintado de cores que me alegram a vida e que me aconchegam. E, finalmente o sonho tornado realidade: portas brancas e chão em madeira até na cozinha. Esta casa é muito mais do que uma casa, é o concretizar de muitas ideias que surgiram ao longo dos anos, ideias que ficaram na gaveta por medo de tentar, por falta de concenso, por uma série de razões. Finalmente saíram da gaveta e, é tão bom, depois da obra acabada, entrar em casa e sentir-me na minha casa.
Por muitas casas onde ainda possa vir a viver esta vai-me ficar sempre cravada na pele. A primeira, completamente à medida, a tela acabada do que há muito imaginava.

[Sim, é a luz, mas é também o ar.]

16.11.09

poder, podia

Até podia escrever sobre a casa de bonecas que conheci no sábado [ e o quanto, mais uma vez , nos acho parecidas na forma como vemos as coisas]. Podia escrever sobre o jantar de sábado, das memórias que se desempoeiraram com a conversa e como é bom recordar como as boas amizades começam. Podia falar do meu fim de semana de sofá e de farmville. Poder, podia, mas está a chover e não me apetece.

13.11.09

alerta sofá

Fim de semana à porta, alerta amarelo que vai estar de chuva. Eu vou estar de sofá e mantinha.

[ele há momentos em que a chuva nem me chateia... evolução]

12.11.09

Facebook vs blogs - post dedicado

Eu gosto do FB, eu estou no FB, mas hoje ao percorrer os meus fios em ligação directa e os meus fios em contacto tive saudades das noites [e tantas madrugadas] em que ia saltando de blog em blog, comentando aqui e ali, despertando até quem estava muito entretido a jogar Loops of zen. Foram muitas noites de trocas de comentos e posts postados a altas horas. Havia prémios para ganhar e para atribuir. Movimentava-me numa teia de blogs em que quase todos comentavam uns nos outros. Tive lições de economia sobre a crise e abafei muitas gargalhadas para não acordar os infantes que dormiam no quarto ao lado.
Perdoem-me os meus bloggers favoritos transformados em agricultores, donos de cafés e naufragos de ilhas paradisíacas, mas tenho saudades dos velhos tempos em que a ordem em que apareciam na minha lista de favoritos nunca se mantinha a mesma a cada refresh nocturno. Por causa dos blogs e do que vocês escreviam conheci-vos muito antes de vos conhecer. Foram das melhores surpresas que tive o prazer de ter, conhecer-vos. Agora olho para os blogs inalterados dias a fio como se fossem o banco de jardim deitado ao abandono onde em tempos, quando ainda a tinta estava intacta, aquele miúdo giro pegou na minha mão e me fez suspirar.


chefiar

Nunca desejei ser chefe de ninguém. Até há uns meses atrás tinha uma vidinha santa. Não havia mais ninguém com a minha função, por isso não havia competições nem comparações. A relação com o meu chefe é muito boa e abaixo de mim não havia ninguém. Fazia o meu trabalho e quando saía do emprego apenas tinha de me preocupar com o que eu fizera ou não. Depois baralharam-me o esquema e atribuiram-me a categoria de chefe. Chefio uma equipa de oito pessoas, assim, de um dia para o outro, quando saio do emprego, além do meu trabalho ainda tenho de me preocupar com o trabalho de oito pessoas, com o que fazem ou deixam por fazer, com a qualidade do próprio trabalho, com a competência de cada uma para a execução de tarefa A ou B, tenho de me preocupar com as faltas, os atrasos, a redistribuição do trabalho, policiar se está feito ou não. Não é fácil. Facilita em muito eu ter tido as mesmas tarefas que aquelas que chefio durante anos, dificilmente me atiram areia para os olhos. Mas os tempos são outros, o grau de exigência que tiveram comigo e que profissionalmente me fez crescer é completamente diferente do grau de exigência adoptado de há uns anos para cá. Essa mudança de atitude fez com que se criassem vícios e que algumas pessoas cultivassem uma falta de brio profissional que é essencial para prestar um bom serviço. O vento mudou de direcção novamente com as alterações que implementei, nada de mais, é muito fácil criticar outros e quando chega a nossa vez cometermos os mesmos erros. É contra essa escorregadela que travo lutas comigo mesma.
Já tive de tomar posições muito pouco politicamente correctas, mas não me podem pedir responsabilidades por ter de tomar decisões [ou pior, não tomar decisões] apenas porque alguém acima não vai gostar do que tenho para dizer, por isso digo-o, emito as minhas opiniões devidamente fundamentadas e mais cedo ou mais tarde por um assunto ou outro oiço "tinhas razão".
Até agora, com mais ou menos dores de cabeça tenho levado a água ao meu moinho, sentem-se sinais de mudança na atitude de algumas pessoas, o ambiente está mais respirável e tenho conseguido ser justa para com as pessoas, algo que considero fundamental.
Mas, infelizmente, nem tudo são rosas, e ter de cortar as pernas a alguém que tem demonstrado um empenho de louvar, custa-me, custa-me muito. Por muito válidas que sejam as razões que me obrigam a ter tal atitude, entram em conflito com o meu sentido de justiça e nestes dias, posso não me sentir a pior pessoa do mundo, mas não faz, sequer, com que sinta que estou a fazer um bom trabalho. Tenho muita pena.


10.11.09

encaixes perfeitos

Tenho aprendido ao longo da vida que não há relações perfeitas, se as pessoas não o são, dificilmente haverá um resultado perfeito quando se juntam numa relação, seja ela qual fôr. Acredito que existem encaixes perfeitos, isso é outra história. Pessoa que moldada com a sua forma, perfeitamente indistinta de qualquer outro ser, algures existirá uma outra alminha com quem encaixe na perfeição. Este encaixe, no meu ponto de vista, pressupõe complemento. Duas pessoas encaixam e complementam-se. Acredito. Mas eu também acredito em histórias de amor por isso não sou fonte fidedigna para o assunto. Adiante.
Acredito em encaixes perfeitos, mas a vida também me ensinou que de nada vale usar abafadores, a minha avó usou um toda a vida, tinha forma de bicho [não me lembro qual] e servia para tapar o bule do chá e mantê-lo quente. Usou um também no seu casamento. Um abafador num casamento pode dar muito jeito mas não resolve nada, com ou sem abafador o chá arrefece, mais cedo ou mais tarde. Eu também usei um abafador, não no chá, que não gosto, bebo, mas a minha praia é o café, que se quer bebido logo depois de servido sem abafadores porque não há cá folhinhas para abrir. [Isto dava um tema de estudo...]. Voltando ao abafador e ao casamento; usar um abafador no casamento é para mim a melhor forma de dizer que se está nele exactamente a fazer mesmo que os três macacos fazem na minha estante, não se ouve o que não se quer ouvir, não se diz o que se tem vontade de dizer e não se vê o que não se quer mesmo que esteja à frente dos nossos olhinhos. E assim, temos o casamento cor-de-rosa, a suprema história de amor. Ninguém se chateia, ninguém discute e vai-se engolindo a seco tudo o que houver a engolir.
Eu tive uma relação assim. Não discutíamos porque não havia nada para discutir. Também não dizia o que tinha para dizer, umas vezes apenas porque não me apetecia, outras porque era tão fora do contexto que se ia perder na conversa, outras ainda, pelo medo de ser julgada. Fingi muitas vezes que estava tudo bem, que nada se passava enquanto sentia o meu mundo desmoronar. Se o dia no emprego tinha corrido mal, qualquer assunto do outro lado era mais importante do que o meu, por isso calava-me, e também me calava porque não havia entendimento, a verdade é essa, nós se falássemos, não nos entendíamos. Por isso fomos falsos felizes até ao dia em que já não havia nada. Tarde de mais.
História de amor, encaixe perfeito ou apenas encaixe é preciso sintonia. Não precisamos gostar todos do mesmo, não é preciso ter os mesmos temas de conversa, não é preciso... tanta coisa que não é preciso, quando apenas é preciso sintonia. Sintonia no tempo e na forma. Sem isso seremos falsos felizes até ao dia em que acaba.


9.11.09

de molho

No rescaldo da inauguração oficial da nossa nova casa(*), sobrou-nos um Domingo enterrados no sofá, eu e o A. com uma crise de rinite que não lembra. Por aqui continuamos de molho e sem vontade de nos mexermos.

(*) opiniões unanimes: está muito gira e esta tem uma "luz" diferente.

2.11.09

coração de Leão


Desde que me lembro de ser gente que me lembro que o meu tio é doente pelo Sporting. Claro que com um doente em casa eu só podia ter iniciado as minhas lides de ginasta no Sporting e pela mesma razão, aprendi a nadar na já desactivada piscina do Campo Grande. Lembro-me de ver muitas vezes o sr. que cobrava as quotas especado lá à porta enquanto a minha avó ia buscar o porta moedas. Sócios, éramos 3, eu , o doente e a minha mãe que na altura fazia umas ginásticas de manutenção. Depois fui para o Colégio, onde tinha aulas de educação física de duas horas duas vezes por semana, incluíam ginástica e natação. Durante uns tempos ainda me mantive no Sporting mas acabei por abandonar depois de uma lesão numa preparação de um sarau [Graças a Deus que eu não tinha pachorra para saraus.] Mas mesmo tendo deixado de ser ginasta do Sporting o bichinho verde e branco ficou. Ao longo da minha vida fui seguindo mais ou menos de perto os amargos de boca e as alegrias [estas infeizmente em menor número]. Umas épocas papo os jogos todos e até vou ao estádio outras parece que ando a leste do paraíso, como é o caso esta época.
De qualquer forma e, este ano não conta que eu ando a leste do paraíso em muita coisa, a verdade é que desde que o Paulo Bento é treinador da equipa que sigo muito mais atentamente o Sporting. Gozem com a traquilidade dele, com o cabelo, com o que quiserem, mas eu gosto dele e pronto. Sim! Gosto! Foi por causa dele que me fiz sócia novamente. É por acreditar nele que continuo a pagar quotas e se o tiram de lá deixo de as pagar em três tempos.
Infelizmente hoje sinto-me envergonhada por ser Sportinguista e não tem a ver com o empate, que até podia ter sido derrota, isso não me envergonha. O que me envergonha são cenas como as que aconteceram no estádio. Pessoas [arruaceiros, desocupados e frustados de pila pequena] a quererem agredir os jogadores e o treinador. Não gostam, não vão. Querem-se manifestar contra o clube? Vão ao estádio, mas não entrem, fiquem do lado de fora civilizadamente em sinal de protesto, deixem as bancadas às moscas. Agressão, não!
Quanto às claques, existem para apoiar as equipas, têm acessos facilitados e condições especiais, mesmo que a equipa esteja a levar uma abada têm obrigatoriamente de continuar a torcer, têm de aplaudir no final, não são adeptos, são claque.

30.10.09

29.10.09

ligar o complicómetro

Ultimamente tem-me assaltado uma ideia e, apesar dessa ideia me complicar ainda [muito] mais a minha vidinha, agrada-me. Veremos.


27.10.09

Ele e a capoeira

Feliz porque conseguiu fazer a "ponte" e já consegue fazer o "pino". Orgulhoso de conseguir fazer o nó do cinto. Vaidoso-envergonhado com a alcunha: Ligeirinho.

[eu, ando babada com as proezas mas passa-me logo que o veja dar um mortal e aí passo ao estado aterrorizada]

saudades

dos almoços Lipstick Jungle

E lá estava eu, no sítio combinado, a ligar-lhe para saber onde ela estava, quando me aparece ele pela frente. [E que saudades que já não o via há tanto tempo]. E finalmente encontramo-nos, os três e, ela e ele conheceram-se, finalmente. E sentimos os três que nos conhecemos desde sempre. E decidimos onde vamos almoçar. E estamos os três de acordo. E nós as duas, [que afinal somos apenas uma], fazemos dele gato-sapato [ele reclama, mas gosta]. E falamos das nossas coisas, daquelas que não assumimos a mais ninguém. E brincamos e rimos, uns dos outros e de nós próprios. E vamos fumar um cigarro, porque nenhum de nós ultrapassou a fase oral [mais uma em comum]. E temos que ir embora, porque uma tem uma revista para pôr nas bancas e ele um filme para produzir e a outra uma colecção para desenhar. E beijos, até já.
E eu quero mais almoços assim.


"E lá estava eu, no sítio combinado. Estava ao telefone ali mesmo à minha frente. Caramba que saudades, e está gira que se farta. Quem sabe no meu próximo filme. Aposto que aceita. Vamos lá quero conhecê-la. Degraus e degraus, lá está ela, e diabos me levem se aqueles olhos existem. Conhecemo-nos enfim, bate tão certo. Restaurante escolhido, fazem-me de gato sapato e eu finjo que não gosto. Gosto da cumplicidade entre elas, e da que nasce a três assim genuína e saboreada. Soltam-se risos e conversas, e (re)descobrimo-nos aos poucos. Que querem que faça, estão tão juntas na minha zona de afectos, daqueles que nem vale a pena disfarçar. Café e cigarros e outras conversas, quase sérias por vezes. Voltamos, de encantos rendidos (será que gostou de mim?) ao dia a dia. A minha produção, a revista de uma e a colecção de outra. E aqueles olhos, que nem sei se existem… no meu próximo filme. E eu quero mais almoços assim."

"E lá estava eu no sítio combinado. Aparecem os dois [ena, o tipo é alto...], chama-me parva com um sorriso maroto. Boa. Não se intimida. Posso baixar as defesas. É cá dos meus. Restaurante em concordância, lá vamos nós. Afinal não altera nada. Dar um rosto a alguém que nos liga na noite de Natal, que nos conta a vida, que nos protege ao negar uma realidade que nada muda o nosso estado não altera nada.
E é tudo tão simples, Tudo tão fluído. Os risos e as confidências e o bife e as meias palavras que não precisam de continuar porque o outro já entendeu, a falta de necessidade de agradar porque já nos conhecem, já gostam, já sabem, já tudo.
E o tempo aqui é contado não por dias mas por situações. Por estar ao lado quando necessário. Pelo comer das passas à meia-noite. Pelo pensar no terceiro quando ele nos falta. E eu, que os conheci com as mãos frias, saí deste almoço com o coração bem quente.
E eu quero mais almoços assim."

26.10.09

noites de Outubrão

E enquanto o Novembro se ensaia para nos bater à porta, cá estamos no alpendre da casa branca com risca azul e portadas vermelhas sangue de boi. Não se ouvem grilos nem cigarras, foram enganados no calendário. O céu está estrelado, as folhas das árvores podiam ser estátuas e o café teima em arrefecer na chávena. Estamos em Outubro, quase quase em Novembro.

será que dava

para voltarem a pôr os relógios como estavam?


23.10.09

há sempre um lado bom

Depois de finalmente termos a conversa do Pai Natal e, quando eu esperava ver a desilusão espantada no rosto salta com a pergunta:
- E vou contigo comprar os presentes?

[espírito prático... tão parecido com a maezinha]


21.10.09

o fim do mito [parte I]

- Mamã, o Pai Natal existe?
- Falamos quando o A. não estiver aqui.
- Mas existe ou não?
- Shiu, falamos depois.

[Feita a pergunta assim directamente lá vou eu ter de desfazer o mito e contar-lhe a verdade com a condição que mantenha a história para o irmão. Crescido. Está muito crescido.]


sinto-me tão mãe

Hoje o T. disse-me que tinha saudades dos meus cozinhados e pediu-me que lhe fizesse um bolo quando tivesse forno.
Hoje à meia noite e vinte terminei de fazer a bainha das calças da capoeira para o treino de amanhã.

19.10.09

...

e depois de um fim de semana do melhor a semana até começou bem. Trabalho novo [ou quase], os infantes de volta ao ninho, o T. entusiasmadíssimo com o equipamento novo de capoeira e mais ainda com os pinos, as rodas e as cambalhotas [o miúdo tem jeito, diz o mestre], a minha cozinha ganha forma e as paredes verdes saltam à vista [o T. hoje perguntou-me se iamos ficar com a casa às cores. - claro que vamos!]. E não tarda estamos a enchê-la com as cores dos nossos amigos.


16.10.09

factos

O plágio é um roubo.
Plagiar não significa copiar tudo , tim tim por tim tim, basta copiar uma frase, uma ideia um modo de querer estar.
Já senti querer ser como alguém [a quem não aconteceu?] mas daí a copiar... nã... uma cópia é sempre uma cópia e o original será sempre mais valioso que a cópia. Uma cópia terá sempre um valor mais baixo, faça-se o que se fizer, algures uma palavra, um gesto põe a nú a falta de essência.
Ser copiada não me lisonjeia, mas também não me fere, lamento, apenas.

15.10.09

saudades

do batido de chocolate do Mc Donalds.

- Será que um movimento no FB e no Twitter faz voltar os batidos ao Mc Donalds?

[não sei porque carga d'água me lembrei disto hoje, mas deixou-me a salivar]

Quem não tem cão caça com o Magalhães II

Há uns tempos atrás pedi emprestado o Magalhães ao T. para poder tratar da quinta e para aceder ao blog porque o meu pc estava com um achaque. Na altura houve alguém que me gozou por isso. Não deixa de ser engraçado ver quem me gozou ir pedir o Magalhães ao T. para aceder ao Ebay.
Existe um pássaro na selva que quando canta ouve-se "cá calharás".

11.10.09

domingo

Nada como um Domingo para expulsar o pó cá de casa [estou quase a encher a banheira com água e a enfiar lá os brinquedos dos infantes].


10.10.09

não deixa de ser engraçado

[foto:TVI24.iol]
ver o Liedson ser aplaudido na Luz.



A Portuguesa

Não sei porquê, mas sempro que oiço o hino fico toda arrepiada.

do contra

Não tenho cozinha. Não tenho mesmo! A minha cozinha é uma assoalhada com um frigorífico, uma arca, máquina de lavar loiça e máquina da roupa com um microondas por cima. Não tenho armários [o que torna a decoração da minha sala muito sui generis com loiça por todo o lado], não tenho forno e muito menos placa [mesmo que tivesse não tinha armário para a pôr]. Não tenho cozinha nem como cozinhar, mas é só o que me apetece, cozinhar. Estou a pensar seriamente que os jantares das quinzenas se vão manter na minha casa durante algum tempo, tenha eu a cozinha pronta. Preciso de cheiro de comida nesta casa.

[E sobremesas? A vontade que tenho de fazer doces...]


não há condições

depois de uma semana em que me andei a arrastar, ser acordada às 8h30 de um sábado por causa das obras, não tá fácil.

9.10.09

e se...

os filtros do ar condicionado pudessem ser embebidos em soro da verdade?

Ocorreu-me! Hoje, tive um dia tão bom, mas tão bom, que ainda o dia ia a meio e ocorreram-me imagens muito interessantes do sítio onde trabalho caso fosse "infestado" pelo soro da verdade, mas assim numa dose porreira, uma dose em que nem era preciso perguntar nada, os pensamentos não eram filtrados, mas verbalizados tal qual como veem à cabeça.

Achei gira a imagem, não me importava. Mas mais giro ainda, era quando passasse o efeito as pessoas lembrarem-se do que disseram. Isso sim, no mínimo hilariante.

[imaginar que está toda a gente nua nos dias difíceis já não resulta, preciso de algo mais forte, assim tipo diarreia mental]

O capuchinho vermelho [versão actualizada]

Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver?
E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha "quem é e o camano" e ele "ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...". A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...

[recebido por email]

8.10.09

[breves]

A casa do Nemo continua em obras.
Eu continuo a viver no meio do pó.
O T. acha muita graça à cozinha destruída [sim, estou a viver numa casa sem cozinha com duas crianças].
Agora faço café na sala.
Os meus sofás estão brancos.
A pilha de roupa para passar tem vida própria.
O A. diz que os carros têm pó.
O w.c. ficou um espectáculo.
A sala já tem cor.

Resumindo, a casa fica um espectáculo, mal saia a brigada da destruição e entre a brigada da limpeza.

[Está quase! Está quase! Está quase! Está quase!]


4.10.09

ausência de sinal

Ao ver a minha televisão a funcionar percebi que também eu, na vida, funciono com temporizador. A minha televisão ao perder o sinal cabo, activa o temporizador e ao fim de x tempo entra em stand-by. Descobri que também eu, até certo ponto, funciono com temporizador. Durante as emissões quando o sinal falha busco pacientemente que volte [pacientemente, talvez não seja a palavra mais correcta, que eu de paciente tenho pouco, mas busco], ao final de x tempo entro em stand-by.

dúvidas

Estou numa caixa do Ikea a arrumar as coisas no saco, o A., cheio de sono, toca-me na perna:

"- És a minha mamã?"


1.10.09

alguma coisa devo andar a fazer bem feita

A pediatra dos meus filhos: "- Os seus filhos deviam ser estudados. Hoje em dia não é normal ver crianças com um historial clínico como o deles. O sistema imunitário deles é muito invulgar. Não sei o que anda a fazer, mas o que quer que seja, anda a fazer muito bem feito."

[retiro a parte de mãe desnaturada do post abaixo]


30.9.09

filhos e culpas

Andei a deambular pela blogoesfera e deparei-me com dois posts, este e este.
Não sei quem foi o ser iluminado que se lembrou de traçar o perfil dos pais ausentes, mas tenho quase a certeza que o perfil dele não deve fugir de um gajo que fica no consultório até tarde e más horas, que quando chega a casa os filhos já estão deitados [se é que tem filhos] e de manhã enquanto a mulher ou a empregada leva as crianças à escola, ele fica na sua calma a tomar o pequeno almoço e a fazer a barba. Não sei quem foi, e estou-me bem lixando para a vidinha do senhor.
Cá em casa as crianças são deixadas na escola perto das 9 porque felizmente as aulas do mais velho só começam a essa hora. À tarde, o T. é sempre dos últimos a sair, não consigo ir buscá-lo antes das 19h10, na melhor das hipóteses e saio a correr do emprego que é ali ao lado para o ir buscar sob o olhar reprovador de muitos quantos trabalham comigo. O A., esse desgraçado, que é sempre o último a sair e geralmente já está sozinho com a auxiliar, só me põe a vista em cima por volta das 19h30.
Sim, eu sei, sou uma mãe desnaturada, que tenho de trabalhar das 9h30 às 19h, que não tenho ninguém que mos vá buscar e me substitua até eu chegar a casa, que às vezes ainda vou para o supermercado com eles porque o frigorífico não se enche sozinho [o meu muito obrigada aos supermercados online, que me poupam muitas viagens com criancinhas atreladas a mim].
E sim, também sou uma mãe desnaturada que chega a casa e ainda tem de tratar do jantar e da roupa e da limpeza e do banho do mais novo e ralho com a desarrumação e com os tpc's que não foram feitos no atl, em vez de me sentar no chão a brincar com eles.
Sou, admito que sou uma má mãe, quem anda a criar os meus filhos são outras pessoas que são pagas para cuidar deles enquanto eu trabalho para ganhar um salário que paga a casa, a comida, o gasóleo do carro que os leva à escola, a natação, a roupa que vestem de manhã e que despem à noite, os brinquedos com que se entretêem sozinhos enquanto eu trato de outras coisas e as tais escolas onde os deposito e onde, aparentemente, me pareço desresponsabilizar do meu papel de mãe.
Só há aqui um senão, ou vários: Eu não trabalho por desporto. Eu não tenho culpa de ter uma família disfuncional. Eu quando planeei ter filhos não contei que teria um depósito familiar onde os deixar quando me desse na real gana. Contei comigo.
Por mim, eu também saía do trabalho muito mais cedo, iria levá-los à natação, à capoeira e às aulas de piano, depois iria lanchar com eles a uma pastelaria e viria para casa, sentar-me-ia na mesa da sala e fazia os trabalhos de casa com o T., não faltaria a reuniões de pais e não agendaria as consultas do pediatra para horas em que o conflito com os interesses da empresa que me paga o ordenado fosse menor e não perderia as brincadeiras no tapete porque a Palmira estaria a fazer o jantar.

É, deixo muito a desejar, mas até ter alternativa [eu juro que jogo no euromilhões!] é a mãe que têm e até à data não me parecem infelizes comigo, como tal, eu também não tenho sentimentos de culpa, não enquanto não tiver alternativa.

nestas alturas

Faz-me falta uma mãe.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar e que me apareça em casa com umas caixinhas de boa comida caseira.


28.9.09

feliz

- Mamã, sabes que gosto muito de falar contigo?
- É, T?
- Sim. E sabes que eu sou muito feliz?
- És? Que bom.
- Sim, mamã, sou muito feliz. E sabes porque é que sou muito feliz?
- Não T., conta-me...
- Sou muito feliz porque tu me ensinas a ser feliz.

27.9.09

abstenho-me

Eu até queria ir e até sabia em quem ia votar, mas não fui. Não fui e, a uma hora e tal do fecho das urnas resolvi que não vou. Digam que é uma irresponsabilidade cívica e o catano, não vou. Estou cansada, não me apetece sair de casa e estou farta de politiquices. Ahetalassiméqueistonãomuda...sim, sim, eu sei, mas estou cansada, cansada não, e-x-a-u-s-t-a. Isto até pode parecer conversa, mas é verdade, não me costumo queixar e não é um cansaçozinho que passa num fim de semana de cama/sofá, é cansaço entranhado nos poros, é falta de energia, são dores no corpo, é a mente dizer ao braço para se erguer e ele continuar amorfo é ter fome e estar demasiado cansada para mastigar. Posto isto e, porque ir votar ainda me obrigava a andar com dois miúdos a reboque, não vou. [Agora resta-me rezar para que não tenha de ir trabalhar à noite].

23.9.09

ufffaa III [isto é uma saga]

como se não me chegassem as obras o trabalho que não consigo por em dia o monte de coisinhas que tenho para fazer a faxina o ferro de engomar os telefonemas pendentes e tudo e tudo hoje o T. resolveu cair e partir a cabeça e lá fui eu a correr para o hospital e depois correr atrás dele enquanto me fugia pelo Hospital porque não queria levar pontos.

Sim, estou em sofrimento.

[a falta de vírgulas no primeiro parágrafo foi propositada, no meio do caos eu também não respiro e o golpe na cabeça do T. foi colado em vez de cosido]


20.9.09

[ufffaa II]

A festa correu bem [apesar das ausências], os que foram [que saudades] alegram-nos o dia que se queria alegre e, até o S. Pedro que andou a ameaçar na sexta, se portou bem no sábado. Acabei o dia exausta.
Hoje, dia de montagem de prateleiras, que deu origem a nódoas negras. À tarde, momento de fazermos uma visita já adiada por várias vezes. Momentos de Wii que deram direito a mais pedidos de compras [é que nem pense!].
De volta à casa em obras, faxina e banhos para tomar e jantares para preparar. Hora de mentalização, hoje é domingo e amanhã começa mais uma semana. Veremos.


19.9.09

[ufffaa I]

Os infantes regressaram de férias na segunda. O ano lectivo começou na terça e ainda me faltam livros para o T., no meio da confusão não sei onde pus a caderneta do aluno, falta-me um caderno e uma régua e ainda não comprei o bibe do A.
Esta semana consegui ter a vida completamente virada de pernas para o ar. Tive uma das semanas mais exigentes a nível profissional, exigentes em termos de paciência, organização e clarificação de ideias que tenho de implementar, exigente porque vinha de 3 semanas de férias e sem ritmo de trabalho mas com fogos para apagar e com mais ainda que vão deflagrar.
No meio da confusão, tenho obras, materiais espalhados pela casa, materiais que falta comprar, paredes por pintar e prateleiras por montar, móveis que quando saio de manhã estão na sala e quando volto ao final do dia estão no hall. Pó que não acaba e muita faxina diária.
Todas as nossas rotinas a três foram alteradas logo na pior altura do ano. Preciso urgentemente de pôr a casa, o trabalho e a minha agenda em ordem. Preciso de tempo para pensar. Preciso de tempo para arrumar. Preciso de tempo para mim.

[se até isto acalmar eu não endoidecer é porque ganhei imunidade]



18.9.09

quem não tem cão caça com o Magalhães

O meu pc berrou. E eu com as hortaliças para plantar, os frutos para colher e as vacas e a cabra por ordenhar, que isto pode estar tudo muito evoluído mas o trabalho de camponesa não se compadece com achaques de pcs. Posto isto e, dada a urgência da situação, vai de ir pedir emprestado o Magalhães ao T. para tratar da reforma agrária de farmville. Aproveitei e pus ordem no aquário [o acento agudo deste teclado é irritante] e na ilha também.
A verdade é que isto do miúdo ter pc é bestial, tirando o facto de o monitor ser mínimo tal como as teclas e, claro a porra do acento agudo, que primeiro que o encontrasse.
[fique descansado Eng. José Socrates, não é por estes desenrascanços que me saca um voto, safa!]


16.9.09

Mr Magoo [3 anos]

És o meu bebé.
És o meu último bebé.
Se pudesse, fazia uma pausa e deixava-te ficar como estás durante mais algum tempo. Olho para ti e vejo ainda as mãos de bebé, os pés que apetece morder. Vejo-te todos os dias a dares passos para o que te vais tornar. Estás crescido, independente, teimoso como sempre e meigo, meigo como só tu sabes ser. Olho para ti e, mesmo quando me pedes para te pegar ao colo para carregar no botão do elevador, vejo-te muito pequenino, enrolado sobre o meu peito, quando ainda não tinhas cheiro a papa. És o meu bebé e passou mais um ano em que encheste a minha vida.
Parabéns meu amor pequenino.


um dia destes

escrevo sobre o horror de viver numa casa em obras.
Um dia destes escrevo sobre o horror de viver numa casa em obras com duas crianças.
Um dia destes escrevo, hoje estou demasiado horrorizada para escrever sobre o assunto.


13.9.09

como não podia deixar de ser

o post anterior foi capicua [828]. Lindo!


não é só um blog!

É o Fios. E o Fiossoltos é, para mim, uma extensão de mim. Foi o meu refúgio, foi o meu porto de abrigo em tempos dificeis. Aqui expurguei muito do que senti, aqui escrevi posts sobre os meus filhos e as tiradas deles. O ombro onde chorei muito. Aqui, no Fios, estão também muitos momentos alegres, engraçados. Conheci muitas pessoas através deste blogue, alguns são grandes amigos que não teria conhecido. Gosto deste canto de fundo azul, habituei-me a ele e qualquer outro, com outro qualquer layout, não me seduz o suficiente. Escrever noutro blogue é como dormir com uma almofada que não é a minha, dormir até durmo, mas não é a mesma coisa.
Eu não sou apenas a @na, sou a @na do Fios e percebi isso, hoje, numa conversa no FB [Sim se o mundo é pequeno, Portugal é um prédio de 2 andares] e estava a faltar-me esta identidade que já não a sentia minha.
Voltei a soltar os fios, no seu endereço original, e como esta é a minha casa a mudança da tralha que andava espalhada também já está devidamente acomodada.



12.9.09

obras [coloridas]

Depois da mudança de casa. Depois de meia semana de férias. Depois de uma semana de trabalho. Chegaram as obras. Tem sido um corropio entre mudar móveis de um sítio para o outro e depois tornar a mudá-los para onde estavam. Compras de tintas e mais tintas [não vou falar das tintas gastas pela ajuda que tenho tido], chuveiro e torneiras, parafusos e porcas, varões e cabides, puxadores e dobradiças, tomadas e interruptores, azulejos e chão. Chove pó por todo o lado. Há coisas fora do sítio por toda a casa. Há chão colocado e por colocar. Paredes pintadas e por pintar. Na sala parece que caiu uma bomba, ficaram as paredes [por enquanto] e a lareira é um monte de entulho, a cozinha irá a seguir, assim como o wc, o que significa, mais pó e mais entulho.
Gosto de obras, gosto de obras com quem as sabe fazer e o meu handy man sabe. Mas as obras têm uma coisa chata, para mim, é que morro de curiosidade de ver a obra acabada, o resultado final. Desta vez, é tudo apenas ao meu gosto e não tive de negociar a cor das paredes, o que é muito bom, porque em caso de arrependimento [que aconteceu] pode-se sempre ir à loja comprar mais um balde de tinta [o que também aconteceu] e não tenho de ouvir "eu bem te disse", o que diga-se de passagem é um alívio, principalmente quando o único trabalho dos que usam o "eu bem te disse" é ficarem sossegadinhos no sofá à espera que alguém vá buscar os catálogos e puxe pelo neurónio. Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, eu cansadinha que estava de bejes e tom pastel resolvi dar cor à minha vida e para o fazer comecei na casa. Cor é o que não falta nestas paredes e aos poucos a casa, mais do que ter o ar que eu esperava, está a transformar-se na Minha casa, para onde me apetece sempre voltar, onde gosto de estar, onde me sinto bem, onde me sinto... finalmente em casa.


9.9.09

há sempre uma primeira vez

Chove a cântaros e estou de férias. Não me lembro de chuva durante as minhas férias, mas pelo menos chove em grande e a trovoada? Mesmo a estalar por cima de mim. Em grande, como não podia deixar de ser.
[ainda bem que tenho mais que fazer do que ir para a praia]


7.9.09

os meus carros e as Cremildes

No meu primeiro carro, um Fiat Punto [a bem dizer foi o segundo mas o primeiro não conta], habitou uma Cremilde. Um dia, ao olhar para o retrovisor direito, vi-a recolher-se aos seus aposentos que ficava atrás do espelho. Tinha uma teia do lado de fora, devia ser a varanda dela. Durante meses lá a fui vendo, até que um dia, talvez pensando que eu não sairia com o carro, terá ido dar uma volta e ficou apeada, ou desabrigada, neste caso.
No meu segundo carro, um Smart Forfour, também viveu uma Cremilde. A Cremilde II ou era mais inteligente ou achando que a casa da antecessora ficava numa zona ventosa, decidiu acentar arraiais dentro do carro. Não sei onde ficava o seu refúgio, mas via-a muitas vezes passear-se alegremente pelo tecto, por vezes tecia um fio e ficava ali, suspensa. Não sei o que lhe aconteceu, mas deixei de a ver.
No meu actual carro, já tinha dado por falta de uma okupa, mas nas férias a Cremilde III, talvez cansada da pacatez do Alentejo ou porque o tempo seco lhe causava alergias, resolveu mudar de casa e infiltrou-se. Vi-a na viagem para Lisboa. A alcatifa do tecto não lhe agradava muito, por isso, ia passeando no vidro do pára-brisas. Era um tanto ao quanto atrevida. Ainda um dia destes a apanhei a tomar banhos de sol no tablier. Hoje, depois de sair da Ikea, voltei a vê-la, lá andava ela pelo pára-brisas, eu vinha de vidro aberto e ela deve ter querido apanhar um ventinho, lixou-se e voou. Agora que tenho o apê liberto acho que vou por um anúncio, é que até acho giro ter uma aranha no carro, uma Dona Cremilde, como diria o T.


indecisões

Canais a mais, séries a mais e não tarda estou doida.


3.9.09

aposto

Que o PS vai perder as eleições.


demasiado[s]

demasiadas coisas para registar, demasiado cansaço para escrever. Fica para depois, quando já não fôr tudo demasiado.


1.9.09

quem é zon está on

E eu tenho estado off. Deixei [temporariamente] de ter canais decentes na televisão em contrapartida, tenho-me entretido bastante com os caixotes espalhados pela casa. No sábado mãos amigas vieram dar uma ajuda. Foi uma grande ajuda e, depois de fazer três mudanças sozinha, agora, que de facto estou sozinha, tive ajuda. No mínimo é irónico. Ironias à parte e sem as minhas crianças a cirandar pela casa, lá se vai transformando num verdadeiro lar. Quando aqui entrei e vi a casa vazia tive um baque, afinal não me parecia assim tão... sei lá... mas aos poucos, todos os dias vai tomando forma. Borbulham-me ideias, muitas delas vou ser eu mesma a executá-las, o que para dizer a verdade me está a dar um gozo tremendo. Afinal é só a minha primeira verdadeira casa. há um sabor especial em não depender da opinião de ninguém e, depois de anos de vida pintada de tons beje, a cor voltou à minha casa e à minha vida. Preciso de cor à minha volta e é nesse sentido que vou elaborando cada pormenor que planeio.
Hoje disseram-me que estou diferente, nada de mais, não é a primeira vez que o oiço, a diferença está em que estou de facto diferente, sinto-me leve.
Estou feliz na minha nova casa, na casa do Nemo.


29.8.09

7 anos

Dizem-me que estás demasiado apegado a mim. Como é que um filho pode estar demasiado apegado a uma mãe? Existe demasiado?
Foste desejado e planeado até ao ínfimo pormenor. Sempre desejei ser mãe e tu foste o meu primeiro bilhete de lotaria premiado. Sorte grande e aproximação numa só jogada. És tudo quanto desejei e mais. Conseguiste ultrapassar todas as minhas expectativas. Lembro-me, tu ainda estavas dentro de mim, de pedir, entre muitas outras coisas mais importantes que as mães pedem, que fosses um bebé bonito. E eras. Parvoíces de primeira viagem, mas foi ouvida.
Há sete anos atrás, depois de muitas horas em trabalho de parto sem epidural, lá nasceste. Não senti o que estava à espera. Sonhava que ao primeiro olhar ficaria apaixonada por ti, não fiquei, olhei para ti e percebi que estarias ligado a mim para sempre, mas a paixão, essa foi crescendo com o passar dos dias.
Cresceste e tornaste-te em muito mais do que alguma vez pedi ou consegui imaginar.
Obrigada por todos os dias encheres a minha vida.


26.8.09

vitórias [o que eu passei para aqui chegar]

Consegui.
Finalmente consegui.
Venci.
Perdi batalhas graças ao uso da chantagem, essa arma tão nojenta e tão fácil de ser usada por quem não tem tomates para enfrentar um opositor com dignidade.
Perdi batalhas por me deixarem de mãos e pés atados, porque é tão mais fácil cortar as asas a alguém do que deixar voar.
Ganhei batalhas porque paguei o que me era exigido, porque movia céus e terra se necessário fosse, porque a minha liberdade, essa, assim como eu, não há cheque que pague.
No final, vencem os bons, os que agem com convicção, com força para enfrentar quem aparecer pela frente, os que mesmos que depois de cairem se levantam, os que não se vendem, os que acreditam que a vitória é possível, mas sobretudo os que sonham e que sabem traçar metas e desenhar caminhos para lá chegar.
Vencem os que vão a jogo.
E, hoje, no dia em que celebro uma das minhas maiores vitórias, olho para trás, porque é quando olho para trás que sei do que sou capaz, vejo o que eu passei para aqui chegar.
Cheguei e cheguei de pé.


23.8.09

que bem se está no campo II

Eis que de repente a casa se encheu, mais adultos, mais crianças porque as casas querem-se cheias. Muitos saltos para a piscina. O T. surprende pela forma como já nada e braçadeiras já são acessórios prescindíveis. O A. continua feliz e contente com a "sua água". A bicharada também cá continua, ou não estivéssemos no campo. "Abelas" e "môcas" lá fora são aos montes, cá dentro e mortos, pois claro, já se contam várias aranhas, dois louva-Deus, duas centopeias, um genocídio de moscas e ontem uma vespa no meu quarto [arghhhhh, ca noijo]. Mas se as nossas aventuras fossem só de bichos isto era demasiado calmo, para animar o T. resolveu deixar a chave do meu carro dentro da bagageira com o carro trancado. Pois. Telefonema para a assistência da Ford que só consegue resolver rebocando o carro para uma oficina e fazendo uma chave. Telefonema para a seguradora que vai enviar assistência, mas a assistência telefona a dizer que vai rebocar o carro mas que não se responsabiliza por danos causados com o reboque [???]. Reboque não quero, obrigada. De casa, as buscas da chave suplente mostram-se insistentes mas infrutíferas. Não páro de pensar onde poderá estar a malfadada chave, mas com tudo encaixotado e o único caixote provável não ter rasto da dita não facilita. Faço uma marcação na Carglass para amanhã e de calhau na mão tento partir o vidro lateral direito, mas nem partir um vidro do meu próprio carro podia ser uma tarefa fácil. O único ser masculino da casa com mais de 7 anos vem em meu auxílio com aquele ar de superioridade que todos os homens têm quando ajudam uma mulher. Várias tentativas depois, lá consegue. E assim se passa uma tarde animada a apanhar vidros do meu próprio carro, vidro que só não fui eu própria a partir propositadamente, porque nem isso podia ser fácil. No meio disto tudo, o T. só me vai dizendo que nunca mais se esquece da chave dentro do carro. Assim espero.


21.8.09

que bem se está no campo

até ter de mudar uma bilha de gás e ter de meter os meus ricos bracinhos num armário com pelo menos q-u-a-t-r-o osgas [arghhhh].
Não fosse pelos miúdos e acho que fazia um tratamento à pele com banhos de água fria, assim como assim e arrepiada por arrepiada, preferia a água fria.


espanto de mãe

O A. está a arrumar as cartas do irmão na caixa, pergunto-lhe se quer que o ajude.
- Não, obigado!
[baba de mãe a escorrer]


20.8.09

histórias de amor I

Parafraseando uma amiga, sou pirosa, gosto de histórias de amor. Touxe uma nas férias que tinha começado a ler ainda em casa, há dois dias que andava a devorar o livro, acabei-o hoje, antes da sesta. Sempre que acabo um livro que gosto de ler fico com uma sensação de vazio. Acabou. A história fica a pairar-me na mente até me conseguir embrenhar no próximo. Desta vez vai-me custar mais, esta história tem muito dos meus sonhos. Também eu gostava de encontrar o meu paraíso. Um lugar que me prendesse, que me fizesse deixar tudo e mudar-me de "armas e bagagens". Um lugar em que o seu ritmo fosse marcado pelas estações do ano, em que os alimentos mudassem conforme as colheitas, um lugar que permitisse que os meus filhos crescessem livremente e rodeados de pessoas que realmente se interessam. A história que acabei de ler é o meu sonho transformado em páginas escritas de um livro.


19.8.09

normalidade

Afinal o que é a normalidade? Será que consideramos a normalidade como sendo algo que devemos seguir ou ter porque é normal? Porque o rebanho segue por um determinado caminho? Porque o rebanho age de determinada forma? E porque seguem aquele caminho? E porque agem de determinada forma? Será porque é essa a expectativa? E quem não segue? É anormal? É diferente? São as ovelhas negras? São "desrebanhados"? Pode ser que sejam tudo isso, ou não. A questão fulcral é mais como se sentem. Não é fácil ser diferente e se não é fácil aos olhos dos outros aos nossos é ainda mais complicado. A normalidade incutida ao longo da vida, da educação passada de pais para filhos, da maioria que nos rodeia, dificulta a aceitação. Nem sempre a normalidade, que até pode ser bestial para a minha vizinha de baixo e, se calhar para a do lado, tem de me servir e pode, até, revelar-se uma verdadeira besta que me martiriza. E aqui surge uma tremenda luta interna. Se parar para pensar, se analisar prós e contras com toda a clareza, percebo que a minha normalidade é diferente da dos demais, mas é boa para mim e a normalidade dos outros, vista sobre a mesma perspectiva, pode ser castradora e mensageira de chatices com as quais teria de lidar e que ameaçariam a minha paz. Então porquê? Porque me continuo a bater por essa normalidade? Se não estou mal com a minha, se a dos outros pode ser pior, porquê? Talvez por grande parte da minha existência ter sido pautada por uma normalidade completamente diferente da dos outros, a das convenções, agora que está nas minhas mãos a busque. Mas como em quase tudo na vida, acredito que a tomada de consciência de certas coisas me ajuda a distinguir o certo do errado, ou pelo menos, do menos certo, para mim, para a minha normalidade e, assim o rebanho seguirá com a sua e eu serei feliz com a minha.


18.8.09

descobertas

o T. descobriu os prazeres de um prato de bom melão com presunto.


a calma dos dias

Os nossos dias têm sido calmos. Muito sol, muitos mergulhos e brincadeiras na piscina. Pequenos almoços tomados sob o sol da manhã. Churrascos no carvão ao almoço e ao jantar. Aproveitamos o calor da tarde para pormos o sono em dia antes de mais uma tarde de saltos para a água. A minha leitura está em dia e aproveito a distância e o sossego para alinhar ideias e analisar o último ano. Não vivo do passado mas com ele corrijo trajectos do futuro. Nem sempre há tempo para pensar na vida, no meio da correria dos dias não sobra tempo para "olhar" para as coisas como elas são, ao invés, olhamos para elas como gostaríamos que fossem. Faz-me bem a pausa, a ausência de horários e o tempo sem nada para o encher. Faz-me bem ter os meus filhos a encherem-me o coração, neste tempo só nosso, faz-me bem o isolamento. Afinal, não vale de nada tapar o sol com a peneira. As coisas são como são e ter consciência delas é o primeiro passo para corrigir o que está mal. Mas as correcções ficam para depois, por agora vou-me manter a pairar nesta calma e recarregar baterias ao sol.


17.8.09

férias - a primeira saga - a piscina

O mais velho passou o fim de semana entre mergulhos para a piscina dos crescidos, o mais novo ao mínimo sinal de aproximação recebia um aviso de décibeis elevados [ouvi dizer que os insectos da região estão surdos]. Cansada de o ver na piscina minúscula do Mickey, hoje de manhã corremos os hipers todos da região em busca de uma piscina maior. Claro que, como nada pode ser fácil, só no último é que encontrámos uma com o tamanho ideal. Piscina comprada e rumámos para casa. Depois de almoçarmos e de dormirmos uma sesta, chegou a hora fatídica de encher a nova piscina. Sem bomba e com uma piscina quase maior do que eu, não havia fôlego que aguentasse, felizmente o meu carro é daqueles que vem com kit em vez de pneu sobresselente. Assim, de repente, ocorreu-me, fui à bagageira buscar o kit e toca de encher a dita. Claro que o toca a encher não foi assim tão rápido, mas lá encheu e agora o mais novo está feliz e contente dentro da sua nova piscina.


15.8.09

a última noite

Hoje é a última noite nesta casa. Talvez por isso adio a hora de me deitar. Vou descobrindo mais coisas para empacotar e, assim, vou adiando aquele que será o meu último sono dentro destas paredes. A casa não me deixa saudades, desde que para cá vim morar que havia qualquer coisa que não me fazia sentir em casa. Até hoje não percebi o quê. Mas sei que vou ter saudades da varanda, tão aprazivel em noites como a de hoje. Vou ter saudades da varanda dos brinquedos, que permitia que o quarto dos miúdos estivesse sempre arrumado. Vou ter saudades da sala que tantas pessoas queridas albergou em jantares e almoços. Vou ter saudades da cabine de duche, de que tanto me orgulho. Vou ter saudades da cozinha, estudada até ao último detalhe, onde todos insistiam fazer sala. Vou ter saudades de algumas coisas, da casa, por si só, não.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.