18.11.09
orfã
Esta noite sonhei com a minha mãe. Esta manhã ao lembrar-me [vagamente] do sonho percebi que sei ser mãe, mas que não sei ser filha. Tenho pena, mas se fosse ao contrário estava mais preocupada.
uma questão de luz
Hoje é a última noite nesta casa. Talvez por isso adio a hora de me deitar. Vou descobrindo mais coisas para empacotar e, assim, vou adiando aquele que será o meu último sono dentro destas paredes. A casa não me deixa saudades, desde que para cá vim morar que havia qualquer coisa que não me fazia sentir em casa. Até hoje não percebi o quê. Mas sei que vou ter saudades da varanda, tão aprazivel em noites como a de hoje. Vou ter saudades da varanda dos brinquedos, que permitia que o quarto dos miúdos estivesse sempre arrumado. Vou ter saudades da sala que tantas pessoas queridas albergou em jantares e almoços. Vou ter saudades da cabine de duche, de que tanto me orgulho. Vou ter saudades da cozinha, estudada até ao último detalhe, onde todos insistiam fazer sala. Vou ter saudades de algumas coisas, da casa, por si só, não.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
publicado em 15/08/2009
E agora, passados que estão 3 meses, escrevo este post na minha verdadeira casa. Finalmente uma casa que é a minha cara, remodelada em tudo o que senti que precisava de remodelar. Transformada à minha medida. E, tal como esperei, quando abro a porta de casa e vejo o hall amarelo e branco, o chão em madeira e as portas brancas, finalmente sinto-me em casa. O meu ninho foi pintado de cores que me alegram a vida e que me aconchegam. E, finalmente o sonho tornado realidade: portas brancas e chão em madeira até na cozinha. Esta casa é muito mais do que uma casa, é o concretizar de muitas ideias que surgiram ao longo dos anos, ideias que ficaram na gaveta por medo de tentar, por falta de concenso, por uma série de razões. Finalmente saíram da gaveta e, é tão bom, depois da obra acabada, entrar em casa e sentir-me na minha casa.
Por muitas casas onde ainda possa vir a viver esta vai-me ficar sempre cravada na pele. A primeira, completamente à medida, a tela acabada do que há muito imaginava.
[Sim, é a luz, mas é também o ar.]
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
publicado em 15/08/2009
E agora, passados que estão 3 meses, escrevo este post na minha verdadeira casa. Finalmente uma casa que é a minha cara, remodelada em tudo o que senti que precisava de remodelar. Transformada à minha medida. E, tal como esperei, quando abro a porta de casa e vejo o hall amarelo e branco, o chão em madeira e as portas brancas, finalmente sinto-me em casa. O meu ninho foi pintado de cores que me alegram a vida e que me aconchegam. E, finalmente o sonho tornado realidade: portas brancas e chão em madeira até na cozinha. Esta casa é muito mais do que uma casa, é o concretizar de muitas ideias que surgiram ao longo dos anos, ideias que ficaram na gaveta por medo de tentar, por falta de concenso, por uma série de razões. Finalmente saíram da gaveta e, é tão bom, depois da obra acabada, entrar em casa e sentir-me na minha casa.
Por muitas casas onde ainda possa vir a viver esta vai-me ficar sempre cravada na pele. A primeira, completamente à medida, a tela acabada do que há muito imaginava.
[Sim, é a luz, mas é também o ar.]
16.11.09
poder, podia
Até podia escrever sobre a casa de bonecas que conheci no sábado [ e o quanto, mais uma vez , nos acho parecidas na forma como vemos as coisas]. Podia escrever sobre o jantar de sábado, das memórias que se desempoeiraram com a conversa e como é bom recordar como as boas amizades começam. Podia falar do meu fim de semana de sofá e de farmville. Poder, podia, mas está a chover e não me apetece.
13.11.09
alerta sofá
Fim de semana à porta, alerta amarelo que vai estar de chuva. Eu vou estar de sofá e mantinha.
[ele há momentos em que a chuva nem me chateia... evolução]
[ele há momentos em que a chuva nem me chateia... evolução]
12.11.09
Facebook vs blogs - post dedicado
Eu gosto do FB, eu estou no FB, mas hoje ao percorrer os meus fios em ligação directa e os meus fios em contacto tive saudades das noites [e tantas madrugadas] em que ia saltando de blog em blog, comentando aqui e ali, despertando até quem estava muito entretido a jogar Loops of zen. Foram muitas noites de trocas de comentos e posts postados a altas horas. Havia prémios para ganhar e para atribuir. Movimentava-me numa teia de blogs em que quase todos comentavam uns nos outros. Tive lições de economia sobre a crise e abafei muitas gargalhadas para não acordar os infantes que dormiam no quarto ao lado.
Perdoem-me os meus bloggers favoritos transformados em agricultores, donos de cafés e naufragos de ilhas paradisíacas, mas tenho saudades dos velhos tempos em que a ordem em que apareciam na minha lista de favoritos nunca se mantinha a mesma a cada refresh nocturno. Por causa dos blogs e do que vocês escreviam conheci-vos muito antes de vos conhecer. Foram das melhores surpresas que tive o prazer de ter, conhecer-vos. Agora olho para os blogs inalterados dias a fio como se fossem o banco de jardim deitado ao abandono onde em tempos, quando ainda a tinta estava intacta, aquele miúdo giro pegou na minha mão e me fez suspirar.
Perdoem-me os meus bloggers favoritos transformados em agricultores, donos de cafés e naufragos de ilhas paradisíacas, mas tenho saudades dos velhos tempos em que a ordem em que apareciam na minha lista de favoritos nunca se mantinha a mesma a cada refresh nocturno. Por causa dos blogs e do que vocês escreviam conheci-vos muito antes de vos conhecer. Foram das melhores surpresas que tive o prazer de ter, conhecer-vos. Agora olho para os blogs inalterados dias a fio como se fossem o banco de jardim deitado ao abandono onde em tempos, quando ainda a tinta estava intacta, aquele miúdo giro pegou na minha mão e me fez suspirar.
chefiar
Nunca desejei ser chefe de ninguém. Até há uns meses atrás tinha uma vidinha santa. Não havia mais ninguém com a minha função, por isso não havia competições nem comparações. A relação com o meu chefe é muito boa e abaixo de mim não havia ninguém. Fazia o meu trabalho e quando saía do emprego apenas tinha de me preocupar com o que eu fizera ou não. Depois baralharam-me o esquema e atribuiram-me a categoria de chefe. Chefio uma equipa de oito pessoas, assim, de um dia para o outro, quando saio do emprego, além do meu trabalho ainda tenho de me preocupar com o trabalho de oito pessoas, com o que fazem ou deixam por fazer, com a qualidade do próprio trabalho, com a competência de cada uma para a execução de tarefa A ou B, tenho de me preocupar com as faltas, os atrasos, a redistribuição do trabalho, policiar se está feito ou não. Não é fácil. Facilita em muito eu ter tido as mesmas tarefas que aquelas que chefio durante anos, dificilmente me atiram areia para os olhos. Mas os tempos são outros, o grau de exigência que tiveram comigo e que profissionalmente me fez crescer é completamente diferente do grau de exigência adoptado de há uns anos para cá. Essa mudança de atitude fez com que se criassem vícios e que algumas pessoas cultivassem uma falta de brio profissional que é essencial para prestar um bom serviço. O vento mudou de direcção novamente com as alterações que implementei, nada de mais, é muito fácil criticar outros e quando chega a nossa vez cometermos os mesmos erros. É contra essa escorregadela que travo lutas comigo mesma.
Já tive de tomar posições muito pouco politicamente correctas, mas não me podem pedir responsabilidades por ter de tomar decisões [ou pior, não tomar decisões] apenas porque alguém acima não vai gostar do que tenho para dizer, por isso digo-o, emito as minhas opiniões devidamente fundamentadas e mais cedo ou mais tarde por um assunto ou outro oiço "tinhas razão".
Até agora, com mais ou menos dores de cabeça tenho levado a água ao meu moinho, sentem-se sinais de mudança na atitude de algumas pessoas, o ambiente está mais respirável e tenho conseguido ser justa para com as pessoas, algo que considero fundamental.
Mas, infelizmente, nem tudo são rosas, e ter de cortar as pernas a alguém que tem demonstrado um empenho de louvar, custa-me, custa-me muito. Por muito válidas que sejam as razões que me obrigam a ter tal atitude, entram em conflito com o meu sentido de justiça e nestes dias, posso não me sentir a pior pessoa do mundo, mas não faz, sequer, com que sinta que estou a fazer um bom trabalho. Tenho muita pena.
Já tive de tomar posições muito pouco politicamente correctas, mas não me podem pedir responsabilidades por ter de tomar decisões [ou pior, não tomar decisões] apenas porque alguém acima não vai gostar do que tenho para dizer, por isso digo-o, emito as minhas opiniões devidamente fundamentadas e mais cedo ou mais tarde por um assunto ou outro oiço "tinhas razão".
Até agora, com mais ou menos dores de cabeça tenho levado a água ao meu moinho, sentem-se sinais de mudança na atitude de algumas pessoas, o ambiente está mais respirável e tenho conseguido ser justa para com as pessoas, algo que considero fundamental.
Mas, infelizmente, nem tudo são rosas, e ter de cortar as pernas a alguém que tem demonstrado um empenho de louvar, custa-me, custa-me muito. Por muito válidas que sejam as razões que me obrigam a ter tal atitude, entram em conflito com o meu sentido de justiça e nestes dias, posso não me sentir a pior pessoa do mundo, mas não faz, sequer, com que sinta que estou a fazer um bom trabalho. Tenho muita pena.
10.11.09
encaixes perfeitos
Tenho aprendido ao longo da vida que não há relações perfeitas, se as pessoas não o são, dificilmente haverá um resultado perfeito quando se juntam numa relação, seja ela qual fôr. Acredito que existem encaixes perfeitos, isso é outra história. Pessoa que moldada com a sua forma, perfeitamente indistinta de qualquer outro ser, algures existirá uma outra alminha com quem encaixe na perfeição. Este encaixe, no meu ponto de vista, pressupõe complemento. Duas pessoas encaixam e complementam-se. Acredito. Mas eu também acredito em histórias de amor por isso não sou fonte fidedigna para o assunto. Adiante.
Acredito em encaixes perfeitos, mas a vida também me ensinou que de nada vale usar abafadores, a minha avó usou um toda a vida, tinha forma de bicho [não me lembro qual] e servia para tapar o bule do chá e mantê-lo quente. Usou um também no seu casamento. Um abafador num casamento pode dar muito jeito mas não resolve nada, com ou sem abafador o chá arrefece, mais cedo ou mais tarde. Eu também usei um abafador, não no chá, que não gosto, bebo, mas a minha praia é o café, que se quer bebido logo depois de servido sem abafadores porque não há cá folhinhas para abrir. [Isto dava um tema de estudo...]. Voltando ao abafador e ao casamento; usar um abafador no casamento é para mim a melhor forma de dizer que se está nele exactamente a fazer mesmo que os três macacos fazem na minha estante, não se ouve o que não se quer ouvir, não se diz o que se tem vontade de dizer e não se vê o que não se quer mesmo que esteja à frente dos nossos olhinhos. E assim, temos o casamento cor-de-rosa, a suprema história de amor. Ninguém se chateia, ninguém discute e vai-se engolindo a seco tudo o que houver a engolir.
Eu tive uma relação assim. Não discutíamos porque não havia nada para discutir. Também não dizia o que tinha para dizer, umas vezes apenas porque não me apetecia, outras porque era tão fora do contexto que se ia perder na conversa, outras ainda, pelo medo de ser julgada. Fingi muitas vezes que estava tudo bem, que nada se passava enquanto sentia o meu mundo desmoronar. Se o dia no emprego tinha corrido mal, qualquer assunto do outro lado era mais importante do que o meu, por isso calava-me, e também me calava porque não havia entendimento, a verdade é essa, nós se falássemos, não nos entendíamos. Por isso fomos falsos felizes até ao dia em que já não havia nada. Tarde de mais.
História de amor, encaixe perfeito ou apenas encaixe é preciso sintonia. Não precisamos gostar todos do mesmo, não é preciso ter os mesmos temas de conversa, não é preciso... tanta coisa que não é preciso, quando apenas é preciso sintonia. Sintonia no tempo e na forma. Sem isso seremos falsos felizes até ao dia em que acaba.
Acredito em encaixes perfeitos, mas a vida também me ensinou que de nada vale usar abafadores, a minha avó usou um toda a vida, tinha forma de bicho [não me lembro qual] e servia para tapar o bule do chá e mantê-lo quente. Usou um também no seu casamento. Um abafador num casamento pode dar muito jeito mas não resolve nada, com ou sem abafador o chá arrefece, mais cedo ou mais tarde. Eu também usei um abafador, não no chá, que não gosto, bebo, mas a minha praia é o café, que se quer bebido logo depois de servido sem abafadores porque não há cá folhinhas para abrir. [Isto dava um tema de estudo...]. Voltando ao abafador e ao casamento; usar um abafador no casamento é para mim a melhor forma de dizer que se está nele exactamente a fazer mesmo que os três macacos fazem na minha estante, não se ouve o que não se quer ouvir, não se diz o que se tem vontade de dizer e não se vê o que não se quer mesmo que esteja à frente dos nossos olhinhos. E assim, temos o casamento cor-de-rosa, a suprema história de amor. Ninguém se chateia, ninguém discute e vai-se engolindo a seco tudo o que houver a engolir.
Eu tive uma relação assim. Não discutíamos porque não havia nada para discutir. Também não dizia o que tinha para dizer, umas vezes apenas porque não me apetecia, outras porque era tão fora do contexto que se ia perder na conversa, outras ainda, pelo medo de ser julgada. Fingi muitas vezes que estava tudo bem, que nada se passava enquanto sentia o meu mundo desmoronar. Se o dia no emprego tinha corrido mal, qualquer assunto do outro lado era mais importante do que o meu, por isso calava-me, e também me calava porque não havia entendimento, a verdade é essa, nós se falássemos, não nos entendíamos. Por isso fomos falsos felizes até ao dia em que já não havia nada. Tarde de mais.
História de amor, encaixe perfeito ou apenas encaixe é preciso sintonia. Não precisamos gostar todos do mesmo, não é preciso ter os mesmos temas de conversa, não é preciso... tanta coisa que não é preciso, quando apenas é preciso sintonia. Sintonia no tempo e na forma. Sem isso seremos falsos felizes até ao dia em que acaba.
9.11.09
de molho
No rescaldo da inauguração oficial da nossa nova casa(*), sobrou-nos um Domingo enterrados no sofá, eu e o A. com uma crise de rinite que não lembra. Por aqui continuamos de molho e sem vontade de nos mexermos.
(*) opiniões unanimes: está muito gira e esta tem uma "luz" diferente.
(*) opiniões unanimes: está muito gira e esta tem uma "luz" diferente.
6.11.09
2.11.09
coração de Leão

Desde que me lembro de ser gente que me lembro que o meu tio é doente pelo Sporting. Claro que com um doente em casa eu só podia ter iniciado as minhas lides de ginasta no Sporting e pela mesma razão, aprendi a nadar na já desactivada piscina do Campo Grande. Lembro-me de ver muitas vezes o sr. que cobrava as quotas especado lá à porta enquanto a minha avó ia buscar o porta moedas. Sócios, éramos 3, eu , o doente e a minha mãe que na altura fazia umas ginásticas de manutenção. Depois fui para o Colégio, onde tinha aulas de educação física de duas horas duas vezes por semana, incluíam ginástica e natação. Durante uns tempos ainda me mantive no Sporting mas acabei por abandonar depois de uma lesão numa preparação de um sarau [Graças a Deus que eu não tinha pachorra para saraus.] Mas mesmo tendo deixado de ser ginasta do Sporting o bichinho verde e branco ficou. Ao longo da minha vida fui seguindo mais ou menos de perto os amargos de boca e as alegrias [estas infeizmente em menor número]. Umas épocas papo os jogos todos e até vou ao estádio outras parece que ando a leste do paraíso, como é o caso esta época.
De qualquer forma e, este ano não conta que eu ando a leste do paraíso em muita coisa, a verdade é que desde que o Paulo Bento é treinador da equipa que sigo muito mais atentamente o Sporting. Gozem com a traquilidade dele, com o cabelo, com o que quiserem, mas eu gosto dele e pronto. Sim! Gosto! Foi por causa dele que me fiz sócia novamente. É por acreditar nele que continuo a pagar quotas e se o tiram de lá deixo de as pagar em três tempos.
Infelizmente hoje sinto-me envergonhada por ser Sportinguista e não tem a ver com o empate, que até podia ter sido derrota, isso não me envergonha. O que me envergonha são cenas como as que aconteceram no estádio. Pessoas [arruaceiros, desocupados e frustados de pila pequena] a quererem agredir os jogadores e o treinador. Não gostam, não vão. Querem-se manifestar contra o clube? Vão ao estádio, mas não entrem, fiquem do lado de fora civilizadamente em sinal de protesto, deixem as bancadas às moscas. Agressão, não!
Quanto às claques, existem para apoiar as equipas, têm acessos facilitados e condições especiais, mesmo que a equipa esteja a levar uma abada têm obrigatoriamente de continuar a torcer, têm de aplaudir no final, não são adeptos, são claque.
30.10.09
criatividade nos dentes de leite
Foi graças à Clara que tropecei nele. É provavelmente o blog mais "louco" que vi. Muito bom!
[ele há com cada doido...]
[ele há com cada doido...]
29.10.09
ligar o complicómetro
Ultimamente tem-me assaltado uma ideia e, apesar dessa ideia me complicar ainda [muito] mais a minha vidinha, agrada-me. Veremos.
27.10.09
Ele e a capoeira
Feliz porque conseguiu fazer a "ponte" e já consegue fazer o "pino". Orgulhoso de conseguir fazer o nó do cinto. Vaidoso-envergonhado com a alcunha: Ligeirinho.
[eu, ando babada com as proezas mas passa-me logo que o veja dar um mortal e aí passo ao estado aterrorizada]
[eu, ando babada com as proezas mas passa-me logo que o veja dar um mortal e aí passo ao estado aterrorizada]
saudades
dos almoços Lipstick Jungle
E lá estava eu, no sítio combinado, a ligar-lhe para saber onde ela estava, quando me aparece ele pela frente. [E que saudades que já não o via há tanto tempo]. E finalmente encontramo-nos, os três e, ela e ele conheceram-se, finalmente. E sentimos os três que nos conhecemos desde sempre. E decidimos onde vamos almoçar. E estamos os três de acordo. E nós as duas, [que afinal somos apenas uma], fazemos dele gato-sapato [ele reclama, mas gosta]. E falamos das nossas coisas, daquelas que não assumimos a mais ninguém. E brincamos e rimos, uns dos outros e de nós próprios. E vamos fumar um cigarro, porque nenhum de nós ultrapassou a fase oral [mais uma em comum]. E temos que ir embora, porque uma tem uma revista para pôr nas bancas e ele um filme para produzir e a outra uma colecção para desenhar. E beijos, até já.
E eu quero mais almoços assim.
"E lá estava eu, no sítio combinado. Estava ao telefone ali mesmo à minha frente. Caramba que saudades, e está gira que se farta. Quem sabe no meu próximo filme. Aposto que aceita. Vamos lá quero conhecê-la. Degraus e degraus, lá está ela, e diabos me levem se aqueles olhos existem. Conhecemo-nos enfim, bate tão certo. Restaurante escolhido, fazem-me de gato sapato e eu finjo que não gosto. Gosto da cumplicidade entre elas, e da que nasce a três assim genuína e saboreada. Soltam-se risos e conversas, e (re)descobrimo-nos aos poucos. Que querem que faça, estão tão juntas na minha zona de afectos, daqueles que nem vale a pena disfarçar. Café e cigarros e outras conversas, quase sérias por vezes. Voltamos, de encantos rendidos (será que gostou de mim?) ao dia a dia. A minha produção, a revista de uma e a colecção de outra. E aqueles olhos, que nem sei se existem… no meu próximo filme. E eu quero mais almoços assim."
"E lá estava eu no sítio combinado. Aparecem os dois [ena, o tipo é alto...], chama-me parva com um sorriso maroto. Boa. Não se intimida. Posso baixar as defesas. É cá dos meus. Restaurante em concordância, lá vamos nós. Afinal não altera nada. Dar um rosto a alguém que nos liga na noite de Natal, que nos conta a vida, que nos protege ao negar uma realidade que nada muda o nosso estado não altera nada.
E é tudo tão simples, Tudo tão fluído. Os risos e as confidências e o bife e as meias palavras que não precisam de continuar porque o outro já entendeu, a falta de necessidade de agradar porque já nos conhecem, já gostam, já sabem, já tudo.
E o tempo aqui é contado não por dias mas por situações. Por estar ao lado quando necessário. Pelo comer das passas à meia-noite. Pelo pensar no terceiro quando ele nos falta. E eu, que os conheci com as mãos frias, saí deste almoço com o coração bem quente.
E eu quero mais almoços assim."
E lá estava eu, no sítio combinado, a ligar-lhe para saber onde ela estava, quando me aparece ele pela frente. [E que saudades que já não o via há tanto tempo]. E finalmente encontramo-nos, os três e, ela e ele conheceram-se, finalmente. E sentimos os três que nos conhecemos desde sempre. E decidimos onde vamos almoçar. E estamos os três de acordo. E nós as duas, [que afinal somos apenas uma], fazemos dele gato-sapato [ele reclama, mas gosta]. E falamos das nossas coisas, daquelas que não assumimos a mais ninguém. E brincamos e rimos, uns dos outros e de nós próprios. E vamos fumar um cigarro, porque nenhum de nós ultrapassou a fase oral [mais uma em comum]. E temos que ir embora, porque uma tem uma revista para pôr nas bancas e ele um filme para produzir e a outra uma colecção para desenhar. E beijos, até já.
E eu quero mais almoços assim.
"E lá estava eu, no sítio combinado. Estava ao telefone ali mesmo à minha frente. Caramba que saudades, e está gira que se farta. Quem sabe no meu próximo filme. Aposto que aceita. Vamos lá quero conhecê-la. Degraus e degraus, lá está ela, e diabos me levem se aqueles olhos existem. Conhecemo-nos enfim, bate tão certo. Restaurante escolhido, fazem-me de gato sapato e eu finjo que não gosto. Gosto da cumplicidade entre elas, e da que nasce a três assim genuína e saboreada. Soltam-se risos e conversas, e (re)descobrimo-nos aos poucos. Que querem que faça, estão tão juntas na minha zona de afectos, daqueles que nem vale a pena disfarçar. Café e cigarros e outras conversas, quase sérias por vezes. Voltamos, de encantos rendidos (será que gostou de mim?) ao dia a dia. A minha produção, a revista de uma e a colecção de outra. E aqueles olhos, que nem sei se existem… no meu próximo filme. E eu quero mais almoços assim."
"E lá estava eu no sítio combinado. Aparecem os dois [ena, o tipo é alto...], chama-me parva com um sorriso maroto. Boa. Não se intimida. Posso baixar as defesas. É cá dos meus. Restaurante em concordância, lá vamos nós. Afinal não altera nada. Dar um rosto a alguém que nos liga na noite de Natal, que nos conta a vida, que nos protege ao negar uma realidade que nada muda o nosso estado não altera nada.
E é tudo tão simples, Tudo tão fluído. Os risos e as confidências e o bife e as meias palavras que não precisam de continuar porque o outro já entendeu, a falta de necessidade de agradar porque já nos conhecem, já gostam, já sabem, já tudo.
E o tempo aqui é contado não por dias mas por situações. Por estar ao lado quando necessário. Pelo comer das passas à meia-noite. Pelo pensar no terceiro quando ele nos falta. E eu, que os conheci com as mãos frias, saí deste almoço com o coração bem quente.
E eu quero mais almoços assim."
26.10.09
noites de Outubrão
E enquanto o Novembro se ensaia para nos bater à porta, cá estamos no alpendre da casa branca com risca azul e portadas vermelhas sangue de boi. Não se ouvem grilos nem cigarras, foram enganados no calendário. O céu está estrelado, as folhas das árvores podiam ser estátuas e o café teima em arrefecer na chávena. Estamos em Outubro, quase quase em Novembro.
23.10.09
há sempre um lado bom
Depois de finalmente termos a conversa do Pai Natal e, quando eu esperava ver a desilusão espantada no rosto salta com a pergunta:
- E vou contigo comprar os presentes?
[espírito prático... tão parecido com a maezinha]
- E vou contigo comprar os presentes?
[espírito prático... tão parecido com a maezinha]
21.10.09
o fim do mito [parte I]
- Mamã, o Pai Natal existe?
- Falamos quando o A. não estiver aqui.
- Mas existe ou não?
- Shiu, falamos depois.
[Feita a pergunta assim directamente lá vou eu ter de desfazer o mito e contar-lhe a verdade com a condição que mantenha a história para o irmão. Crescido. Está muito crescido.]
- Falamos quando o A. não estiver aqui.
- Mas existe ou não?
- Shiu, falamos depois.
[Feita a pergunta assim directamente lá vou eu ter de desfazer o mito e contar-lhe a verdade com a condição que mantenha a história para o irmão. Crescido. Está muito crescido.]
sinto-me tão mãe
Hoje o T. disse-me que tinha saudades dos meus cozinhados e pediu-me que lhe fizesse um bolo quando tivesse forno.
Hoje à meia noite e vinte terminei de fazer a bainha das calças da capoeira para o treino de amanhã.
Hoje à meia noite e vinte terminei de fazer a bainha das calças da capoeira para o treino de amanhã.
19.10.09
...
e depois de um fim de semana do melhor a semana até começou bem. Trabalho novo [ou quase], os infantes de volta ao ninho, o T. entusiasmadíssimo com o equipamento novo de capoeira e mais ainda com os pinos, as rodas e as cambalhotas [o miúdo tem jeito, diz o mestre], a minha cozinha ganha forma e as paredes verdes saltam à vista [o T. hoje perguntou-me se iamos ficar com a casa às cores. - claro que vamos!]. E não tarda estamos a enchê-la com as cores dos nossos amigos.
17.10.09
16.10.09
factos
O plágio é um roubo.
Plagiar não significa copiar tudo , tim tim por tim tim, basta copiar uma frase, uma ideia um modo de querer estar.
Já senti querer ser como alguém [a quem não aconteceu?] mas daí a copiar... nã... uma cópia é sempre uma cópia e o original será sempre mais valioso que a cópia. Uma cópia terá sempre um valor mais baixo, faça-se o que se fizer, algures uma palavra, um gesto põe a nú a falta de essência.
Ser copiada não me lisonjeia, mas também não me fere, lamento, apenas.
Plagiar não significa copiar tudo , tim tim por tim tim, basta copiar uma frase, uma ideia um modo de querer estar.
Já senti querer ser como alguém [a quem não aconteceu?] mas daí a copiar... nã... uma cópia é sempre uma cópia e o original será sempre mais valioso que a cópia. Uma cópia terá sempre um valor mais baixo, faça-se o que se fizer, algures uma palavra, um gesto põe a nú a falta de essência.
Ser copiada não me lisonjeia, mas também não me fere, lamento, apenas.
15.10.09
saudades
do batido de chocolate do Mc Donalds.
- Será que um movimento no FB e no Twitter faz voltar os batidos ao Mc Donalds?
[não sei porque carga d'água me lembrei disto hoje, mas deixou-me a salivar]
- Será que um movimento no FB e no Twitter faz voltar os batidos ao Mc Donalds?
[não sei porque carga d'água me lembrei disto hoje, mas deixou-me a salivar]
Quem não tem cão caça com o Magalhães II
Há uns tempos atrás pedi emprestado o Magalhães ao T. para poder tratar da quinta e para aceder ao blog porque o meu pc estava com um achaque. Na altura houve alguém que me gozou por isso. Não deixa de ser engraçado ver quem me gozou ir pedir o Magalhães ao T. para aceder ao Ebay.
Existe um pássaro na selva que quando canta ouve-se "cá calharás".
Existe um pássaro na selva que quando canta ouve-se "cá calharás".
11.10.09
domingo
Nada como um Domingo para expulsar o pó cá de casa [estou quase a encher a banheira com água e a enfiar lá os brinquedos dos infantes].
10.10.09
do contra
Não tenho cozinha. Não tenho mesmo! A minha cozinha é uma assoalhada com um frigorífico, uma arca, máquina de lavar loiça e máquina da roupa com um microondas por cima. Não tenho armários [o que torna a decoração da minha sala muito sui generis com loiça por todo o lado], não tenho forno e muito menos placa [mesmo que tivesse não tinha armário para a pôr]. Não tenho cozinha nem como cozinhar, mas é só o que me apetece, cozinhar. Estou a pensar seriamente que os jantares das quinzenas se vão manter na minha casa durante algum tempo, tenha eu a cozinha pronta. Preciso de cheiro de comida nesta casa.
[E sobremesas? A vontade que tenho de fazer doces...]
[E sobremesas? A vontade que tenho de fazer doces...]
não há condições
depois de uma semana em que me andei a arrastar, ser acordada às 8h30 de um sábado por causa das obras, não tá fácil.
9.10.09
e se...
os filtros do ar condicionado pudessem ser embebidos em soro da verdade?
Ocorreu-me! Hoje, tive um dia tão bom, mas tão bom, que ainda o dia ia a meio e ocorreram-me imagens muito interessantes do sítio onde trabalho caso fosse "infestado" pelo soro da verdade, mas assim numa dose porreira, uma dose em que nem era preciso perguntar nada, os pensamentos não eram filtrados, mas verbalizados tal qual como veem à cabeça.
Achei gira a imagem, não me importava. Mas mais giro ainda, era quando passasse o efeito as pessoas lembrarem-se do que disseram. Isso sim, no mínimo hilariante.
[imaginar que está toda a gente nua nos dias difíceis já não resulta, preciso de algo mais forte, assim tipo diarreia mental]
Ocorreu-me! Hoje, tive um dia tão bom, mas tão bom, que ainda o dia ia a meio e ocorreram-me imagens muito interessantes do sítio onde trabalho caso fosse "infestado" pelo soro da verdade, mas assim numa dose porreira, uma dose em que nem era preciso perguntar nada, os pensamentos não eram filtrados, mas verbalizados tal qual como veem à cabeça.
Achei gira a imagem, não me importava. Mas mais giro ainda, era quando passasse o efeito as pessoas lembrarem-se do que disseram. Isso sim, no mínimo hilariante.
[imaginar que está toda a gente nua nos dias difíceis já não resulta, preciso de algo mais forte, assim tipo diarreia mental]
O capuchinho vermelho [versão actualizada]
Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver?
E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha "quem é e o camano" e ele "ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...". A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...
[recebido por email]
E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha "quem é e o camano" e ele "ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...". A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...
[recebido por email]
8.10.09
[breves]
A casa do Nemo continua em obras.
Eu continuo a viver no meio do pó.
O T. acha muita graça à cozinha destruída [sim, estou a viver numa casa sem cozinha com duas crianças].
Agora faço café na sala.
Os meus sofás estão brancos.
A pilha de roupa para passar tem vida própria.
O A. diz que os carros têm pó.
O w.c. ficou um espectáculo.
A sala já tem cor.
Resumindo, a casa fica um espectáculo, mal saia a brigada da destruição e entre a brigada da limpeza.
[Está quase! Está quase! Está quase! Está quase!]
Eu continuo a viver no meio do pó.
O T. acha muita graça à cozinha destruída [sim, estou a viver numa casa sem cozinha com duas crianças].
Agora faço café na sala.
Os meus sofás estão brancos.
A pilha de roupa para passar tem vida própria.
O A. diz que os carros têm pó.
O w.c. ficou um espectáculo.
A sala já tem cor.
Resumindo, a casa fica um espectáculo, mal saia a brigada da destruição e entre a brigada da limpeza.
[Está quase! Está quase! Está quase! Está quase!]
4.10.09
ausência de sinal
Ao ver a minha televisão a funcionar percebi que também eu, na vida, funciono com temporizador. A minha televisão ao perder o sinal cabo, activa o temporizador e ao fim de x tempo entra em stand-by. Descobri que também eu, até certo ponto, funciono com temporizador. Durante as emissões quando o sinal falha busco pacientemente que volte [pacientemente, talvez não seja a palavra mais correcta, que eu de paciente tenho pouco, mas busco], ao final de x tempo entro em stand-by.
dúvidas
Estou numa caixa do Ikea a arrumar as coisas no saco, o A., cheio de sono, toca-me na perna:
"- És a minha mamã?"
"- És a minha mamã?"
1.10.09
alguma coisa devo andar a fazer bem feita
A pediatra dos meus filhos: "- Os seus filhos deviam ser estudados. Hoje em dia não é normal ver crianças com um historial clínico como o deles. O sistema imunitário deles é muito invulgar. Não sei o que anda a fazer, mas o que quer que seja, anda a fazer muito bem feito."
[retiro a parte de mãe desnaturada do post abaixo]
[retiro a parte de mãe desnaturada do post abaixo]
30.9.09
filhos e culpas
Andei a deambular pela blogoesfera e deparei-me com dois posts, este e este.
Não sei quem foi o ser iluminado que se lembrou de traçar o perfil dos pais ausentes, mas tenho quase a certeza que o perfil dele não deve fugir de um gajo que fica no consultório até tarde e más horas, que quando chega a casa os filhos já estão deitados [se é que tem filhos] e de manhã enquanto a mulher ou a empregada leva as crianças à escola, ele fica na sua calma a tomar o pequeno almoço e a fazer a barba. Não sei quem foi, e estou-me bem lixando para a vidinha do senhor.
Cá em casa as crianças são deixadas na escola perto das 9 porque felizmente as aulas do mais velho só começam a essa hora. À tarde, o T. é sempre dos últimos a sair, não consigo ir buscá-lo antes das 19h10, na melhor das hipóteses e saio a correr do emprego que é ali ao lado para o ir buscar sob o olhar reprovador de muitos quantos trabalham comigo. O A., esse desgraçado, que é sempre o último a sair e geralmente já está sozinho com a auxiliar, só me põe a vista em cima por volta das 19h30.
Sim, eu sei, sou uma mãe desnaturada, que tenho de trabalhar das 9h30 às 19h, que não tenho ninguém que mos vá buscar e me substitua até eu chegar a casa, que às vezes ainda vou para o supermercado com eles porque o frigorífico não se enche sozinho [o meu muito obrigada aos supermercados online, que me poupam muitas viagens com criancinhas atreladas a mim].
E sim, também sou uma mãe desnaturada que chega a casa e ainda tem de tratar do jantar e da roupa e da limpeza e do banho do mais novo e ralho com a desarrumação e com os tpc's que não foram feitos no atl, em vez de me sentar no chão a brincar com eles.
Sou, admito que sou uma má mãe, quem anda a criar os meus filhos são outras pessoas que são pagas para cuidar deles enquanto eu trabalho para ganhar um salário que paga a casa, a comida, o gasóleo do carro que os leva à escola, a natação, a roupa que vestem de manhã e que despem à noite, os brinquedos com que se entretêem sozinhos enquanto eu trato de outras coisas e as tais escolas onde os deposito e onde, aparentemente, me pareço desresponsabilizar do meu papel de mãe.
Só há aqui um senão, ou vários: Eu não trabalho por desporto. Eu não tenho culpa de ter uma família disfuncional. Eu quando planeei ter filhos não contei que teria um depósito familiar onde os deixar quando me desse na real gana. Contei comigo.
Por mim, eu também saía do trabalho muito mais cedo, iria levá-los à natação, à capoeira e às aulas de piano, depois iria lanchar com eles a uma pastelaria e viria para casa, sentar-me-ia na mesa da sala e fazia os trabalhos de casa com o T., não faltaria a reuniões de pais e não agendaria as consultas do pediatra para horas em que o conflito com os interesses da empresa que me paga o ordenado fosse menor e não perderia as brincadeiras no tapete porque a Palmira estaria a fazer o jantar.
É, deixo muito a desejar, mas até ter alternativa [eu juro que jogo no euromilhões!] é a mãe que têm e até à data não me parecem infelizes comigo, como tal, eu também não tenho sentimentos de culpa, não enquanto não tiver alternativa.
Não sei quem foi o ser iluminado que se lembrou de traçar o perfil dos pais ausentes, mas tenho quase a certeza que o perfil dele não deve fugir de um gajo que fica no consultório até tarde e más horas, que quando chega a casa os filhos já estão deitados [se é que tem filhos] e de manhã enquanto a mulher ou a empregada leva as crianças à escola, ele fica na sua calma a tomar o pequeno almoço e a fazer a barba. Não sei quem foi, e estou-me bem lixando para a vidinha do senhor.
Cá em casa as crianças são deixadas na escola perto das 9 porque felizmente as aulas do mais velho só começam a essa hora. À tarde, o T. é sempre dos últimos a sair, não consigo ir buscá-lo antes das 19h10, na melhor das hipóteses e saio a correr do emprego que é ali ao lado para o ir buscar sob o olhar reprovador de muitos quantos trabalham comigo. O A., esse desgraçado, que é sempre o último a sair e geralmente já está sozinho com a auxiliar, só me põe a vista em cima por volta das 19h30.
Sim, eu sei, sou uma mãe desnaturada, que tenho de trabalhar das 9h30 às 19h, que não tenho ninguém que mos vá buscar e me substitua até eu chegar a casa, que às vezes ainda vou para o supermercado com eles porque o frigorífico não se enche sozinho [o meu muito obrigada aos supermercados online, que me poupam muitas viagens com criancinhas atreladas a mim].
E sim, também sou uma mãe desnaturada que chega a casa e ainda tem de tratar do jantar e da roupa e da limpeza e do banho do mais novo e ralho com a desarrumação e com os tpc's que não foram feitos no atl, em vez de me sentar no chão a brincar com eles.
Sou, admito que sou uma má mãe, quem anda a criar os meus filhos são outras pessoas que são pagas para cuidar deles enquanto eu trabalho para ganhar um salário que paga a casa, a comida, o gasóleo do carro que os leva à escola, a natação, a roupa que vestem de manhã e que despem à noite, os brinquedos com que se entretêem sozinhos enquanto eu trato de outras coisas e as tais escolas onde os deposito e onde, aparentemente, me pareço desresponsabilizar do meu papel de mãe.
Só há aqui um senão, ou vários: Eu não trabalho por desporto. Eu não tenho culpa de ter uma família disfuncional. Eu quando planeei ter filhos não contei que teria um depósito familiar onde os deixar quando me desse na real gana. Contei comigo.
Por mim, eu também saía do trabalho muito mais cedo, iria levá-los à natação, à capoeira e às aulas de piano, depois iria lanchar com eles a uma pastelaria e viria para casa, sentar-me-ia na mesa da sala e fazia os trabalhos de casa com o T., não faltaria a reuniões de pais e não agendaria as consultas do pediatra para horas em que o conflito com os interesses da empresa que me paga o ordenado fosse menor e não perderia as brincadeiras no tapete porque a Palmira estaria a fazer o jantar.
É, deixo muito a desejar, mas até ter alternativa [eu juro que jogo no euromilhões!] é a mãe que têm e até à data não me parecem infelizes comigo, como tal, eu também não tenho sentimentos de culpa, não enquanto não tiver alternativa.
nestas alturas
Faz-me falta uma mãe.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar e que me apareça em casa com umas caixinhas de boa comida caseira.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar.
Faz-me falta uma mãe que saiba cozinhar e que me apareça em casa com umas caixinhas de boa comida caseira.
28.9.09
feliz
- Mamã, sabes que gosto muito de falar contigo?
- É, T?
- Sim. E sabes que eu sou muito feliz?
- És? Que bom.
- Sim, mamã, sou muito feliz. E sabes porque é que sou muito feliz?
- Não T., conta-me...
- Sou muito feliz porque tu me ensinas a ser feliz.
- É, T?
- Sim. E sabes que eu sou muito feliz?
- És? Que bom.
- Sim, mamã, sou muito feliz. E sabes porque é que sou muito feliz?
- Não T., conta-me...
- Sou muito feliz porque tu me ensinas a ser feliz.
27.9.09
abstenho-me
Eu até queria ir e até sabia em quem ia votar, mas não fui. Não fui e, a uma hora e tal do fecho das urnas resolvi que não vou. Digam que é uma irresponsabilidade cívica e o catano, não vou. Estou cansada, não me apetece sair de casa e estou farta de politiquices. Ahetalassiméqueistonãomuda...sim, sim, eu sei, mas estou cansada, cansada não, e-x-a-u-s-t-a. Isto até pode parecer conversa, mas é verdade, não me costumo queixar e não é um cansaçozinho que passa num fim de semana de cama/sofá, é cansaço entranhado nos poros, é falta de energia, são dores no corpo, é a mente dizer ao braço para se erguer e ele continuar amorfo é ter fome e estar demasiado cansada para mastigar. Posto isto e, porque ir votar ainda me obrigava a andar com dois miúdos a reboque, não vou. [Agora resta-me rezar para que não tenha de ir trabalhar à noite].
23.9.09
ufffaa III [isto é uma saga]
como se não me chegassem as obras o trabalho que não consigo por em dia o monte de coisinhas que tenho para fazer a faxina o ferro de engomar os telefonemas pendentes e tudo e tudo hoje o T. resolveu cair e partir a cabeça e lá fui eu a correr para o hospital e depois correr atrás dele enquanto me fugia pelo Hospital porque não queria levar pontos.
Sim, estou em sofrimento.
[a falta de vírgulas no primeiro parágrafo foi propositada, no meio do caos eu também não respiro e o golpe na cabeça do T. foi colado em vez de cosido]
Sim, estou em sofrimento.
[a falta de vírgulas no primeiro parágrafo foi propositada, no meio do caos eu também não respiro e o golpe na cabeça do T. foi colado em vez de cosido]
20.9.09
[ufffaa II]
A festa correu bem [apesar das ausências], os que foram [que saudades] alegram-nos o dia que se queria alegre e, até o S. Pedro que andou a ameaçar na sexta, se portou bem no sábado. Acabei o dia exausta.
Hoje, dia de montagem de prateleiras, que deu origem a nódoas negras. À tarde, momento de fazermos uma visita já adiada por várias vezes. Momentos de Wii que deram direito a mais pedidos de compras [é que nem pense!].
De volta à casa em obras, faxina e banhos para tomar e jantares para preparar. Hora de mentalização, hoje é domingo e amanhã começa mais uma semana. Veremos.
Hoje, dia de montagem de prateleiras, que deu origem a nódoas negras. À tarde, momento de fazermos uma visita já adiada por várias vezes. Momentos de Wii que deram direito a mais pedidos de compras [é que nem pense!].
De volta à casa em obras, faxina e banhos para tomar e jantares para preparar. Hora de mentalização, hoje é domingo e amanhã começa mais uma semana. Veremos.
19.9.09
[ufffaa I]
Os infantes regressaram de férias na segunda. O ano lectivo começou na terça e ainda me faltam livros para o T., no meio da confusão não sei onde pus a caderneta do aluno, falta-me um caderno e uma régua e ainda não comprei o bibe do A.
Esta semana consegui ter a vida completamente virada de pernas para o ar. Tive uma das semanas mais exigentes a nível profissional, exigentes em termos de paciência, organização e clarificação de ideias que tenho de implementar, exigente porque vinha de 3 semanas de férias e sem ritmo de trabalho mas com fogos para apagar e com mais ainda que vão deflagrar.
No meio da confusão, tenho obras, materiais espalhados pela casa, materiais que falta comprar, paredes por pintar e prateleiras por montar, móveis que quando saio de manhã estão na sala e quando volto ao final do dia estão no hall. Pó que não acaba e muita faxina diária.
Todas as nossas rotinas a três foram alteradas logo na pior altura do ano. Preciso urgentemente de pôr a casa, o trabalho e a minha agenda em ordem. Preciso de tempo para pensar. Preciso de tempo para arrumar. Preciso de tempo para mim.
[se até isto acalmar eu não endoidecer é porque ganhei imunidade]
Esta semana consegui ter a vida completamente virada de pernas para o ar. Tive uma das semanas mais exigentes a nível profissional, exigentes em termos de paciência, organização e clarificação de ideias que tenho de implementar, exigente porque vinha de 3 semanas de férias e sem ritmo de trabalho mas com fogos para apagar e com mais ainda que vão deflagrar.
No meio da confusão, tenho obras, materiais espalhados pela casa, materiais que falta comprar, paredes por pintar e prateleiras por montar, móveis que quando saio de manhã estão na sala e quando volto ao final do dia estão no hall. Pó que não acaba e muita faxina diária.
Todas as nossas rotinas a três foram alteradas logo na pior altura do ano. Preciso urgentemente de pôr a casa, o trabalho e a minha agenda em ordem. Preciso de tempo para pensar. Preciso de tempo para arrumar. Preciso de tempo para mim.
[se até isto acalmar eu não endoidecer é porque ganhei imunidade]
18.9.09
quem não tem cão caça com o Magalhães
O meu pc berrou. E eu com as hortaliças para plantar, os frutos para colher e as vacas e a cabra por ordenhar, que isto pode estar tudo muito evoluído mas o trabalho de camponesa não se compadece com achaques de pcs. Posto isto e, dada a urgência da situação, vai de ir pedir emprestado o Magalhães ao T. para tratar da reforma agrária de farmville. Aproveitei e pus ordem no aquário [o acento agudo deste teclado é irritante] e na ilha também.
A verdade é que isto do miúdo ter pc é bestial, tirando o facto de o monitor ser mínimo tal como as teclas e, claro a porra do acento agudo, que primeiro que o encontrasse.
[fique descansado Eng. José Socrates, não é por estes desenrascanços que me saca um voto, safa!]
A verdade é que isto do miúdo ter pc é bestial, tirando o facto de o monitor ser mínimo tal como as teclas e, claro a porra do acento agudo, que primeiro que o encontrasse.
[fique descansado Eng. José Socrates, não é por estes desenrascanços que me saca um voto, safa!]
16.9.09
Mr Magoo [3 anos]
És o meu bebé.
És o meu último bebé.
Se pudesse, fazia uma pausa e deixava-te ficar como estás durante mais algum tempo. Olho para ti e vejo ainda as mãos de bebé, os pés que apetece morder. Vejo-te todos os dias a dares passos para o que te vais tornar. Estás crescido, independente, teimoso como sempre e meigo, meigo como só tu sabes ser. Olho para ti e, mesmo quando me pedes para te pegar ao colo para carregar no botão do elevador, vejo-te muito pequenino, enrolado sobre o meu peito, quando ainda não tinhas cheiro a papa. És o meu bebé e passou mais um ano em que encheste a minha vida.
Parabéns meu amor pequenino.
És o meu último bebé.
Se pudesse, fazia uma pausa e deixava-te ficar como estás durante mais algum tempo. Olho para ti e vejo ainda as mãos de bebé, os pés que apetece morder. Vejo-te todos os dias a dares passos para o que te vais tornar. Estás crescido, independente, teimoso como sempre e meigo, meigo como só tu sabes ser. Olho para ti e, mesmo quando me pedes para te pegar ao colo para carregar no botão do elevador, vejo-te muito pequenino, enrolado sobre o meu peito, quando ainda não tinhas cheiro a papa. És o meu bebé e passou mais um ano em que encheste a minha vida.
Parabéns meu amor pequenino.
um dia destes
escrevo sobre o horror de viver numa casa em obras.
Um dia destes escrevo sobre o horror de viver numa casa em obras com duas crianças.
Um dia destes escrevo, hoje estou demasiado horrorizada para escrever sobre o assunto.
Um dia destes escrevo sobre o horror de viver numa casa em obras com duas crianças.
Um dia destes escrevo, hoje estou demasiado horrorizada para escrever sobre o assunto.
15.9.09
13.9.09
não é só um blog!
É o Fios. E o Fiossoltos é, para mim, uma extensão de mim. Foi o meu refúgio, foi o meu porto de abrigo em tempos dificeis. Aqui expurguei muito do que senti, aqui escrevi posts sobre os meus filhos e as tiradas deles. O ombro onde chorei muito. Aqui, no Fios, estão também muitos momentos alegres, engraçados. Conheci muitas pessoas através deste blogue, alguns são grandes amigos que não teria conhecido. Gosto deste canto de fundo azul, habituei-me a ele e qualquer outro, com outro qualquer layout, não me seduz o suficiente. Escrever noutro blogue é como dormir com uma almofada que não é a minha, dormir até durmo, mas não é a mesma coisa.
Eu não sou apenas a @na, sou a @na do Fios e percebi isso, hoje, numa conversa no FB [Sim se o mundo é pequeno, Portugal é um prédio de 2 andares] e estava a faltar-me esta identidade que já não a sentia minha.
Voltei a soltar os fios, no seu endereço original, e como esta é a minha casa a mudança da tralha que andava espalhada também já está devidamente acomodada.
Eu não sou apenas a @na, sou a @na do Fios e percebi isso, hoje, numa conversa no FB [Sim se o mundo é pequeno, Portugal é um prédio de 2 andares] e estava a faltar-me esta identidade que já não a sentia minha.
Voltei a soltar os fios, no seu endereço original, e como esta é a minha casa a mudança da tralha que andava espalhada também já está devidamente acomodada.
12.9.09
obras [coloridas]
Depois da mudança de casa. Depois de meia semana de férias. Depois de uma semana de trabalho. Chegaram as obras. Tem sido um corropio entre mudar móveis de um sítio para o outro e depois tornar a mudá-los para onde estavam. Compras de tintas e mais tintas [não vou falar das tintas gastas pela ajuda que tenho tido], chuveiro e torneiras, parafusos e porcas, varões e cabides, puxadores e dobradiças, tomadas e interruptores, azulejos e chão. Chove pó por todo o lado. Há coisas fora do sítio por toda a casa. Há chão colocado e por colocar. Paredes pintadas e por pintar. Na sala parece que caiu uma bomba, ficaram as paredes [por enquanto] e a lareira é um monte de entulho, a cozinha irá a seguir, assim como o wc, o que significa, mais pó e mais entulho.
Gosto de obras, gosto de obras com quem as sabe fazer e o meu handy man sabe. Mas as obras têm uma coisa chata, para mim, é que morro de curiosidade de ver a obra acabada, o resultado final. Desta vez, é tudo apenas ao meu gosto e não tive de negociar a cor das paredes, o que é muito bom, porque em caso de arrependimento [que aconteceu] pode-se sempre ir à loja comprar mais um balde de tinta [o que também aconteceu] e não tenho de ouvir "eu bem te disse", o que diga-se de passagem é um alívio, principalmente quando o único trabalho dos que usam o "eu bem te disse" é ficarem sossegadinhos no sofá à espera que alguém vá buscar os catálogos e puxe pelo neurónio. Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, eu cansadinha que estava de bejes e tom pastel resolvi dar cor à minha vida e para o fazer comecei na casa. Cor é o que não falta nestas paredes e aos poucos a casa, mais do que ter o ar que eu esperava, está a transformar-se na Minha casa, para onde me apetece sempre voltar, onde gosto de estar, onde me sinto bem, onde me sinto... finalmente em casa.
Gosto de obras, gosto de obras com quem as sabe fazer e o meu handy man sabe. Mas as obras têm uma coisa chata, para mim, é que morro de curiosidade de ver a obra acabada, o resultado final. Desta vez, é tudo apenas ao meu gosto e não tive de negociar a cor das paredes, o que é muito bom, porque em caso de arrependimento [que aconteceu] pode-se sempre ir à loja comprar mais um balde de tinta [o que também aconteceu] e não tenho de ouvir "eu bem te disse", o que diga-se de passagem é um alívio, principalmente quando o único trabalho dos que usam o "eu bem te disse" é ficarem sossegadinhos no sofá à espera que alguém vá buscar os catálogos e puxe pelo neurónio. Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, eu cansadinha que estava de bejes e tom pastel resolvi dar cor à minha vida e para o fazer comecei na casa. Cor é o que não falta nestas paredes e aos poucos a casa, mais do que ter o ar que eu esperava, está a transformar-se na Minha casa, para onde me apetece sempre voltar, onde gosto de estar, onde me sinto bem, onde me sinto... finalmente em casa.
10.9.09
9.9.09
há sempre uma primeira vez
Chove a cântaros e estou de férias. Não me lembro de chuva durante as minhas férias, mas pelo menos chove em grande e a trovoada? Mesmo a estalar por cima de mim. Em grande, como não podia deixar de ser.
[ainda bem que tenho mais que fazer do que ir para a praia]
[ainda bem que tenho mais que fazer do que ir para a praia]
7.9.09
os meus carros e as Cremildes
No meu primeiro carro, um Fiat Punto [a bem dizer foi o segundo mas o primeiro não conta], habitou uma Cremilde. Um dia, ao olhar para o retrovisor direito, vi-a recolher-se aos seus aposentos que ficava atrás do espelho. Tinha uma teia do lado de fora, devia ser a varanda dela. Durante meses lá a fui vendo, até que um dia, talvez pensando que eu não sairia com o carro, terá ido dar uma volta e ficou apeada, ou desabrigada, neste caso.
No meu segundo carro, um Smart Forfour, também viveu uma Cremilde. A Cremilde II ou era mais inteligente ou achando que a casa da antecessora ficava numa zona ventosa, decidiu acentar arraiais dentro do carro. Não sei onde ficava o seu refúgio, mas via-a muitas vezes passear-se alegremente pelo tecto, por vezes tecia um fio e ficava ali, suspensa. Não sei o que lhe aconteceu, mas deixei de a ver.
No meu actual carro, já tinha dado por falta de uma okupa, mas nas férias a Cremilde III, talvez cansada da pacatez do Alentejo ou porque o tempo seco lhe causava alergias, resolveu mudar de casa e infiltrou-se. Vi-a na viagem para Lisboa. A alcatifa do tecto não lhe agradava muito, por isso, ia passeando no vidro do pára-brisas. Era um tanto ao quanto atrevida. Ainda um dia destes a apanhei a tomar banhos de sol no tablier. Hoje, depois de sair da Ikea, voltei a vê-la, lá andava ela pelo pára-brisas, eu vinha de vidro aberto e ela deve ter querido apanhar um ventinho, lixou-se e voou. Agora que tenho o apê liberto acho que vou por um anúncio, é que até acho giro ter uma aranha no carro, uma Dona Cremilde, como diria o T.
No meu segundo carro, um Smart Forfour, também viveu uma Cremilde. A Cremilde II ou era mais inteligente ou achando que a casa da antecessora ficava numa zona ventosa, decidiu acentar arraiais dentro do carro. Não sei onde ficava o seu refúgio, mas via-a muitas vezes passear-se alegremente pelo tecto, por vezes tecia um fio e ficava ali, suspensa. Não sei o que lhe aconteceu, mas deixei de a ver.
No meu actual carro, já tinha dado por falta de uma okupa, mas nas férias a Cremilde III, talvez cansada da pacatez do Alentejo ou porque o tempo seco lhe causava alergias, resolveu mudar de casa e infiltrou-se. Vi-a na viagem para Lisboa. A alcatifa do tecto não lhe agradava muito, por isso, ia passeando no vidro do pára-brisas. Era um tanto ao quanto atrevida. Ainda um dia destes a apanhei a tomar banhos de sol no tablier. Hoje, depois de sair da Ikea, voltei a vê-la, lá andava ela pelo pára-brisas, eu vinha de vidro aberto e ela deve ter querido apanhar um ventinho, lixou-se e voou. Agora que tenho o apê liberto acho que vou por um anúncio, é que até acho giro ter uma aranha no carro, uma Dona Cremilde, como diria o T.
3.9.09
demasiado[s]
demasiadas coisas para registar, demasiado cansaço para escrever. Fica para depois, quando já não fôr tudo demasiado.
1.9.09
quem é zon está on
E eu tenho estado off. Deixei [temporariamente] de ter canais decentes na televisão em contrapartida, tenho-me entretido bastante com os caixotes espalhados pela casa. No sábado mãos amigas vieram dar uma ajuda. Foi uma grande ajuda e, depois de fazer três mudanças sozinha, agora, que de facto estou sozinha, tive ajuda. No mínimo é irónico. Ironias à parte e sem as minhas crianças a cirandar pela casa, lá se vai transformando num verdadeiro lar. Quando aqui entrei e vi a casa vazia tive um baque, afinal não me parecia assim tão... sei lá... mas aos poucos, todos os dias vai tomando forma. Borbulham-me ideias, muitas delas vou ser eu mesma a executá-las, o que para dizer a verdade me está a dar um gozo tremendo. Afinal é só a minha primeira verdadeira casa. há um sabor especial em não depender da opinião de ninguém e, depois de anos de vida pintada de tons beje, a cor voltou à minha casa e à minha vida. Preciso de cor à minha volta e é nesse sentido que vou elaborando cada pormenor que planeio.
Hoje disseram-me que estou diferente, nada de mais, não é a primeira vez que o oiço, a diferença está em que estou de facto diferente, sinto-me leve.
Estou feliz na minha nova casa, na casa do Nemo.
Hoje disseram-me que estou diferente, nada de mais, não é a primeira vez que o oiço, a diferença está em que estou de facto diferente, sinto-me leve.
Estou feliz na minha nova casa, na casa do Nemo.
29.8.09
7 anos
Dizem-me que estás demasiado apegado a mim. Como é que um filho pode estar demasiado apegado a uma mãe? Existe demasiado?
Foste desejado e planeado até ao ínfimo pormenor. Sempre desejei ser mãe e tu foste o meu primeiro bilhete de lotaria premiado. Sorte grande e aproximação numa só jogada. És tudo quanto desejei e mais. Conseguiste ultrapassar todas as minhas expectativas. Lembro-me, tu ainda estavas dentro de mim, de pedir, entre muitas outras coisas mais importantes que as mães pedem, que fosses um bebé bonito. E eras. Parvoíces de primeira viagem, mas foi ouvida.
Há sete anos atrás, depois de muitas horas em trabalho de parto sem epidural, lá nasceste. Não senti o que estava à espera. Sonhava que ao primeiro olhar ficaria apaixonada por ti, não fiquei, olhei para ti e percebi que estarias ligado a mim para sempre, mas a paixão, essa foi crescendo com o passar dos dias.
Cresceste e tornaste-te em muito mais do que alguma vez pedi ou consegui imaginar.
Obrigada por todos os dias encheres a minha vida.
Foste desejado e planeado até ao ínfimo pormenor. Sempre desejei ser mãe e tu foste o meu primeiro bilhete de lotaria premiado. Sorte grande e aproximação numa só jogada. És tudo quanto desejei e mais. Conseguiste ultrapassar todas as minhas expectativas. Lembro-me, tu ainda estavas dentro de mim, de pedir, entre muitas outras coisas mais importantes que as mães pedem, que fosses um bebé bonito. E eras. Parvoíces de primeira viagem, mas foi ouvida.
Há sete anos atrás, depois de muitas horas em trabalho de parto sem epidural, lá nasceste. Não senti o que estava à espera. Sonhava que ao primeiro olhar ficaria apaixonada por ti, não fiquei, olhei para ti e percebi que estarias ligado a mim para sempre, mas a paixão, essa foi crescendo com o passar dos dias.
Cresceste e tornaste-te em muito mais do que alguma vez pedi ou consegui imaginar.
Obrigada por todos os dias encheres a minha vida.
26.8.09
vitórias [o que eu passei para aqui chegar]
Consegui.
Finalmente consegui.
Venci.
Perdi batalhas graças ao uso da chantagem, essa arma tão nojenta e tão fácil de ser usada por quem não tem tomates para enfrentar um opositor com dignidade.
Perdi batalhas por me deixarem de mãos e pés atados, porque é tão mais fácil cortar as asas a alguém do que deixar voar.
Ganhei batalhas porque paguei o que me era exigido, porque movia céus e terra se necessário fosse, porque a minha liberdade, essa, assim como eu, não há cheque que pague.
No final, vencem os bons, os que agem com convicção, com força para enfrentar quem aparecer pela frente, os que mesmos que depois de cairem se levantam, os que não se vendem, os que acreditam que a vitória é possível, mas sobretudo os que sonham e que sabem traçar metas e desenhar caminhos para lá chegar.
Vencem os que vão a jogo.
E, hoje, no dia em que celebro uma das minhas maiores vitórias, olho para trás, porque é quando olho para trás que sei do que sou capaz, vejo o que eu passei para aqui chegar.
Cheguei e cheguei de pé.
Finalmente consegui.
Venci.
Perdi batalhas graças ao uso da chantagem, essa arma tão nojenta e tão fácil de ser usada por quem não tem tomates para enfrentar um opositor com dignidade.
Perdi batalhas por me deixarem de mãos e pés atados, porque é tão mais fácil cortar as asas a alguém do que deixar voar.
Ganhei batalhas porque paguei o que me era exigido, porque movia céus e terra se necessário fosse, porque a minha liberdade, essa, assim como eu, não há cheque que pague.
No final, vencem os bons, os que agem com convicção, com força para enfrentar quem aparecer pela frente, os que mesmos que depois de cairem se levantam, os que não se vendem, os que acreditam que a vitória é possível, mas sobretudo os que sonham e que sabem traçar metas e desenhar caminhos para lá chegar.
Vencem os que vão a jogo.
E, hoje, no dia em que celebro uma das minhas maiores vitórias, olho para trás, porque é quando olho para trás que sei do que sou capaz, vejo o que eu passei para aqui chegar.
Cheguei e cheguei de pé.
23.8.09
que bem se está no campo II
Eis que de repente a casa se encheu, mais adultos, mais crianças porque as casas querem-se cheias. Muitos saltos para a piscina. O T. surprende pela forma como já nada e braçadeiras já são acessórios prescindíveis. O A. continua feliz e contente com a "sua água". A bicharada também cá continua, ou não estivéssemos no campo. "Abelas" e "môcas" lá fora são aos montes, cá dentro e mortos, pois claro, já se contam várias aranhas, dois louva-Deus, duas centopeias, um genocídio de moscas e ontem uma vespa no meu quarto [arghhhhh, ca noijo]. Mas se as nossas aventuras fossem só de bichos isto era demasiado calmo, para animar o T. resolveu deixar a chave do meu carro dentro da bagageira com o carro trancado. Pois. Telefonema para a assistência da Ford que só consegue resolver rebocando o carro para uma oficina e fazendo uma chave. Telefonema para a seguradora que vai enviar assistência, mas a assistência telefona a dizer que vai rebocar o carro mas que não se responsabiliza por danos causados com o reboque [???]. Reboque não quero, obrigada. De casa, as buscas da chave suplente mostram-se insistentes mas infrutíferas. Não páro de pensar onde poderá estar a malfadada chave, mas com tudo encaixotado e o único caixote provável não ter rasto da dita não facilita. Faço uma marcação na Carglass para amanhã e de calhau na mão tento partir o vidro lateral direito, mas nem partir um vidro do meu próprio carro podia ser uma tarefa fácil. O único ser masculino da casa com mais de 7 anos vem em meu auxílio com aquele ar de superioridade que todos os homens têm quando ajudam uma mulher. Várias tentativas depois, lá consegue. E assim se passa uma tarde animada a apanhar vidros do meu próprio carro, vidro que só não fui eu própria a partir propositadamente, porque nem isso podia ser fácil. No meio disto tudo, o T. só me vai dizendo que nunca mais se esquece da chave dentro do carro. Assim espero.
21.8.09
que bem se está no campo
até ter de mudar uma bilha de gás e ter de meter os meus ricos bracinhos num armário com pelo menos q-u-a-t-r-o osgas [arghhhh].
Não fosse pelos miúdos e acho que fazia um tratamento à pele com banhos de água fria, assim como assim e arrepiada por arrepiada, preferia a água fria.
Não fosse pelos miúdos e acho que fazia um tratamento à pele com banhos de água fria, assim como assim e arrepiada por arrepiada, preferia a água fria.
espanto de mãe
O A. está a arrumar as cartas do irmão na caixa, pergunto-lhe se quer que o ajude.
- Não, obigado!
[baba de mãe a escorrer]
- Não, obigado!
[baba de mãe a escorrer]
20.8.09
histórias de amor I
Parafraseando uma amiga, sou pirosa, gosto de histórias de amor. Touxe uma nas férias que tinha começado a ler ainda em casa, há dois dias que andava a devorar o livro, acabei-o hoje, antes da sesta. Sempre que acabo um livro que gosto de ler fico com uma sensação de vazio. Acabou. A história fica a pairar-me na mente até me conseguir embrenhar no próximo. Desta vez vai-me custar mais, esta história tem muito dos meus sonhos. Também eu gostava de encontrar o meu paraíso. Um lugar que me prendesse, que me fizesse deixar tudo e mudar-me de "armas e bagagens". Um lugar em que o seu ritmo fosse marcado pelas estações do ano, em que os alimentos mudassem conforme as colheitas, um lugar que permitisse que os meus filhos crescessem livremente e rodeados de pessoas que realmente se interessam. A história que acabei de ler é o meu sonho transformado em páginas escritas de um livro.
19.8.09
normalidade
Afinal o que é a normalidade? Será que consideramos a normalidade como sendo algo que devemos seguir ou ter porque é normal? Porque o rebanho segue por um determinado caminho? Porque o rebanho age de determinada forma? E porque seguem aquele caminho? E porque agem de determinada forma? Será porque é essa a expectativa? E quem não segue? É anormal? É diferente? São as ovelhas negras? São "desrebanhados"? Pode ser que sejam tudo isso, ou não. A questão fulcral é mais como se sentem. Não é fácil ser diferente e se não é fácil aos olhos dos outros aos nossos é ainda mais complicado. A normalidade incutida ao longo da vida, da educação passada de pais para filhos, da maioria que nos rodeia, dificulta a aceitação. Nem sempre a normalidade, que até pode ser bestial para a minha vizinha de baixo e, se calhar para a do lado, tem de me servir e pode, até, revelar-se uma verdadeira besta que me martiriza. E aqui surge uma tremenda luta interna. Se parar para pensar, se analisar prós e contras com toda a clareza, percebo que a minha normalidade é diferente da dos demais, mas é boa para mim e a normalidade dos outros, vista sobre a mesma perspectiva, pode ser castradora e mensageira de chatices com as quais teria de lidar e que ameaçariam a minha paz. Então porquê? Porque me continuo a bater por essa normalidade? Se não estou mal com a minha, se a dos outros pode ser pior, porquê? Talvez por grande parte da minha existência ter sido pautada por uma normalidade completamente diferente da dos outros, a das convenções, agora que está nas minhas mãos a busque. Mas como em quase tudo na vida, acredito que a tomada de consciência de certas coisas me ajuda a distinguir o certo do errado, ou pelo menos, do menos certo, para mim, para a minha normalidade e, assim o rebanho seguirá com a sua e eu serei feliz com a minha.
18.8.09
a calma dos dias
Os nossos dias têm sido calmos. Muito sol, muitos mergulhos e brincadeiras na piscina. Pequenos almoços tomados sob o sol da manhã. Churrascos no carvão ao almoço e ao jantar. Aproveitamos o calor da tarde para pormos o sono em dia antes de mais uma tarde de saltos para a água. A minha leitura está em dia e aproveito a distância e o sossego para alinhar ideias e analisar o último ano. Não vivo do passado mas com ele corrijo trajectos do futuro. Nem sempre há tempo para pensar na vida, no meio da correria dos dias não sobra tempo para "olhar" para as coisas como elas são, ao invés, olhamos para elas como gostaríamos que fossem. Faz-me bem a pausa, a ausência de horários e o tempo sem nada para o encher. Faz-me bem ter os meus filhos a encherem-me o coração, neste tempo só nosso, faz-me bem o isolamento. Afinal, não vale de nada tapar o sol com a peneira. As coisas são como são e ter consciência delas é o primeiro passo para corrigir o que está mal. Mas as correcções ficam para depois, por agora vou-me manter a pairar nesta calma e recarregar baterias ao sol.
17.8.09
férias - a primeira saga - a piscina
O mais velho passou o fim de semana entre mergulhos para a piscina dos crescidos, o mais novo ao mínimo sinal de aproximação recebia um aviso de décibeis elevados [ouvi dizer que os insectos da região estão surdos]. Cansada de o ver na piscina minúscula do Mickey, hoje de manhã corremos os hipers todos da região em busca de uma piscina maior. Claro que, como nada pode ser fácil, só no último é que encontrámos uma com o tamanho ideal. Piscina comprada e rumámos para casa. Depois de almoçarmos e de dormirmos uma sesta, chegou a hora fatídica de encher a nova piscina. Sem bomba e com uma piscina quase maior do que eu, não havia fôlego que aguentasse, felizmente o meu carro é daqueles que vem com kit em vez de pneu sobresselente. Assim, de repente, ocorreu-me, fui à bagageira buscar o kit e toca de encher a dita. Claro que o toca a encher não foi assim tão rápido, mas lá encheu e agora o mais novo está feliz e contente dentro da sua nova piscina.
15.8.09
a última noite
Hoje é a última noite nesta casa. Talvez por isso adio a hora de me deitar. Vou descobrindo mais coisas para empacotar e, assim, vou adiando aquele que será o meu último sono dentro destas paredes. A casa não me deixa saudades, desde que para cá vim morar que havia qualquer coisa que não me fazia sentir em casa. Até hoje não percebi o quê. Mas sei que vou ter saudades da varanda, tão aprazivel em noites como a de hoje. Vou ter saudades da varanda dos brinquedos, que permitia que o quarto dos miúdos estivesse sempre arrumado. Vou ter saudades da sala que tantas pessoas queridas albergou em jantares e almoços. Vou ter saudades da cabine de duche, de que tanto me orgulho. Vou ter saudades da cozinha, estudada até ao último detalhe, onde todos insistiam fazer sala. Vou ter saudades de algumas coisas, da casa, por si só, não.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
14.8.09
12.8.09
mau génio não é mau feitio [repost]
Sou exigente, sou e admito-o. Sou-o comigo e com os outros a quem entrego o meu ouro. Costumo dizer ao T, durante as birras parvas dele que eu não mereço que ele esteja a fazer aquele pé de vento porque eu não mereço. Faço-lhe todas as vontades, negoceio com ele, explico-lhe tudo, se lhe digo que não é porque não pode mesmo ser e é injusto que ele arme um circo por algo que eu lhe disse que não. Sou exigente, o miúdo só tem seis anos e eu espero que ele no meio daquela massa cinzenta em que decora nomes de jogadores de futebol, tácticas de jogo, ditongos, palavras novas que assimila todos os dias e milhares de outras coisas que absorve que nem uma esponja seca, no meio de uma loja de brinquedos se lembre que eu lhe estou a dizer que não porque este mês já gastei mais do que devia e, ele tem de perceber. Sim sou exigente com ele. Mas sou-o comigo também. Perco-me em explicações, desdobro-me com correrias de um lado para o outro para conseguir satisfazer suas altezas reais no meio das minhas próprias necessidades e responsabilidades. Com as outras pessoas, com as que de facto me importo acontece o mesmo, sim sou exigente, não me digam que gostam de mim para depois ao primeiro aí que me saia me dizerem ahetalegostavadeteajudarmasnãoposso. Badamerda!!! Eu se gosto estou lá nem que tenha de virar o mundo ao contrário. Gritem lá um aí e vão ver se eu não estou plantada à porta. Não estou? Pois, se calhar já fui brindada também e houve uma descida de divisão. É assim... E desengane-se quem achar que o faço por vingança, faço-o mesmo porque se há coisa que não sou é parva (só quando me faço). Não posso estar sempre a dar qual vaca leiteira sempre pronta a ser espremida e receber palha seca em troca. O leite seca. Dou muito de mim, preocupo-me, estou lá antes do aí, estou lá até no falso alarme. Mas não me fodam.
Já estou habituada a ouvir os outros dizerem que tenho mau feitio, que é uma coisa que até me irrita um bocadinho, diga-se em abono da verdade. Isto não é mau feitio. Eu não tenho mau feitio, mau feitio não é ser honesta com os outros, gosto, gosto, não gosto, não gosto e digo-o e pronto. Lá de vez em quando alguém pisa o risco comigo e aí salta-me a tampa. Que nessa altura digam que tenho mau génio, vá... É verdade, admito-o, tenho mau génio, parto o que houver para partir, amuo, barafusto e tudo o mais que eu achar que tenho direito, porque naquele momento o que conta é o que eu acho, porque aquele momento é o momento em que eu rebento, em que extravaso tudo cá para fora, é o meu momento, é o meu grito de basta, só que é quando já não há volta a dar. Se rebento, se extravaso, foi porque andei a encher, a encher, até não caber mais partícula alguma de coisa nenhuma. Enchi, rebentei, acabou. E acaba mesmo, porque quando chega a este ponto, já nem remoer consigo, muito pouco ou nada há a fazer e, a mim resta-me arranjar mais um espacinho na gaveta dos casos arrumados.
Chamem-me radical, fria, mau génio, o que quiserem, mas lembrem-se que eu sou das que está lá quando os bonzinhos ou boazinhas assobiam para o lado. Mau feitio? Eu? Pffff... mau génio!
[fiossoltos 18/11/2008]
Já estou habituada a ouvir os outros dizerem que tenho mau feitio, que é uma coisa que até me irrita um bocadinho, diga-se em abono da verdade. Isto não é mau feitio. Eu não tenho mau feitio, mau feitio não é ser honesta com os outros, gosto, gosto, não gosto, não gosto e digo-o e pronto. Lá de vez em quando alguém pisa o risco comigo e aí salta-me a tampa. Que nessa altura digam que tenho mau génio, vá... É verdade, admito-o, tenho mau génio, parto o que houver para partir, amuo, barafusto e tudo o mais que eu achar que tenho direito, porque naquele momento o que conta é o que eu acho, porque aquele momento é o momento em que eu rebento, em que extravaso tudo cá para fora, é o meu momento, é o meu grito de basta, só que é quando já não há volta a dar. Se rebento, se extravaso, foi porque andei a encher, a encher, até não caber mais partícula alguma de coisa nenhuma. Enchi, rebentei, acabou. E acaba mesmo, porque quando chega a este ponto, já nem remoer consigo, muito pouco ou nada há a fazer e, a mim resta-me arranjar mais um espacinho na gaveta dos casos arrumados.
Chamem-me radical, fria, mau génio, o que quiserem, mas lembrem-se que eu sou das que está lá quando os bonzinhos ou boazinhas assobiam para o lado. Mau feitio? Eu? Pffff... mau génio!
[fiossoltos 18/11/2008]
11.8.09
razões
Existe pelo menos uma razão para que as pessoas evitem fazer mudanças com crianças à mistura.
8.8.09
5.8.09
até que nos cruzemos outra vez
Não me vou esquecer do sorriso de cumprimento, nem do rasto de perfume que deixava nos corredores. Não me vou esquecer da fatia de bolo que fez questão de me servir, nem do toque afável no braço numa festa. Não me vou esquecer que crescemos todos de mãos dadas com ele. Não me vou esquecer do carisma que emana, do cavalheiro que sempre mostrou ser ou do ser humano que embora poderoso sempre fez por ajudar quem dele precisou.
Hoje, na despedida, chorei porque sei que faz falta. Cargos e funções podem ser substituíveis, pessoas não. Há, de facto, pessoas insubstituíveis e este homem faz parte dessas pessoas.
Faço questão de não me esquecer de todas estas pequenas coisas que fazem com que este homem seja tão grande, até que nos cruzemos outra vez, num qualquer corredor, onde trocaremos cumprimentos e sorrisos e que após a sua passagem fique o cheiro do seu perfume. Até lá, não me esquecerei, mas sentirei a sua falta.
Hoje, na despedida, chorei porque sei que faz falta. Cargos e funções podem ser substituíveis, pessoas não. Há, de facto, pessoas insubstituíveis e este homem faz parte dessas pessoas.
Faço questão de não me esquecer de todas estas pequenas coisas que fazem com que este homem seja tão grande, até que nos cruzemos outra vez, num qualquer corredor, onde trocaremos cumprimentos e sorrisos e que após a sua passagem fique o cheiro do seu perfume. Até lá, não me esquecerei, mas sentirei a sua falta.
3.8.09
claridade froxa
Embora eu possa pensar que o melhor não é o que acontece, o que acontece é mesmo o melhor e, embora eu não o consiga ver com clareza, o crepúsculo faz-me sentir que sim.
2.8.09
1.8.09
pastéis de Belém
Hoje o meu dia começou cedo, às 8h30 já estava a fazer um electrocardiograma e menos de 5 minutos depois tiraram-me sangue. Uma manhã de sábado nublado em Agosto é um bom dia para fazer um check up. Depois dos exames todos feitos foi a vez da consulta médica. O médico podia ser meu avó, tem 82 anos, uma simpatia e boa disposição contagiante, anos de aprendizagem que vão muito para além dos conhecimentos médicos, uma aprendizagem de vida invejável. Rapidamente concluí que é daquelas pessoas que consegue "ler" quem lhe aparece à frente. A mim, pelo menos, pela conversa, "leu-me". Enquanto debitava perguntas do questionário médico foi-me dizendo que eu não parecia ter a idade que tenho, "porque as patadas da vida, o ritmo com que vivemos os nossos dias, os desgostos e as preocupações adoecem as pessoas. As pessoas vivem tristes e deprimidas. A menina não tem 35 anos!"
Gostei de o ouvir dizer aquelas palavras, gostei quando me disse "continue assim. Faça a viagem da vida com alegria e optimismo na bagagem, deixe um espaço grande para o amor. É importante amarmos quem nos rodeia. Na sua mala nunca deve haver espaço para ódios e, não se esqueça nunca de mostrar aos seus filhos como devem fazer a mala deles. Ainda um último conselho, compre uma mala com rodinhas por causa das costas."
Em resposta armei-me em engraçadinha e questionei: "- Mas essa bagagem não é leve?" Ao que, prontamente, com o seu ar de avô me respondeu: "- A bagagem não é pesada, mas as lembranças com que vamos carregando a mala são, porque se não as guardar não lhe servem de nada."
Saí do consultório com uma despedida calorosa e percebi que este Senhor me marcou. Ele próprio é uma lembrança que coloquei dentro da minha mala. A partir de hoje sempre que comer um pastel de Belém vou-me lembrar do médico-sábio de 82 anos, diabético, que enquanto miúdo gastava a mesada em pastéis. Vou-me lembrar que o médico-sábio, que um dia me "leu" só come pastéis de Belém em ocasiões especiais e, por isso, sempre que eu comer mais um pastel, para mim será um momento especial porque me vou lembrar das palavras do médico-sábio, na Lisboa nublada numa manhã de sábado de Agosto.
Gostei de o ouvir dizer aquelas palavras, gostei quando me disse "continue assim. Faça a viagem da vida com alegria e optimismo na bagagem, deixe um espaço grande para o amor. É importante amarmos quem nos rodeia. Na sua mala nunca deve haver espaço para ódios e, não se esqueça nunca de mostrar aos seus filhos como devem fazer a mala deles. Ainda um último conselho, compre uma mala com rodinhas por causa das costas."
Em resposta armei-me em engraçadinha e questionei: "- Mas essa bagagem não é leve?" Ao que, prontamente, com o seu ar de avô me respondeu: "- A bagagem não é pesada, mas as lembranças com que vamos carregando a mala são, porque se não as guardar não lhe servem de nada."
Saí do consultório com uma despedida calorosa e percebi que este Senhor me marcou. Ele próprio é uma lembrança que coloquei dentro da minha mala. A partir de hoje sempre que comer um pastel de Belém vou-me lembrar do médico-sábio de 82 anos, diabético, que enquanto miúdo gastava a mesada em pastéis. Vou-me lembrar que o médico-sábio, que um dia me "leu" só come pastéis de Belém em ocasiões especiais e, por isso, sempre que eu comer mais um pastel, para mim será um momento especial porque me vou lembrar das palavras do médico-sábio, na Lisboa nublada numa manhã de sábado de Agosto.
31.7.09
30.7.09
casca de noz
Hoje consegui dar uma imagem ao que tem sido a minha vida: Um rio. Mas não é um rio qualquer, não é um rio daqueles que parte da nascente numa fiada e se transforma num rio grande e de águas calmas. O rio que é a minha vida, é um rio cheio de rápidos, tem pedragulhos enormes dos quais tenho de me desviar apesar de viajar numa casca de noz. Nas margens do rio vivem árvores enormes que de quando em quando, depois de me conseguir desviar de mais um obstáculo, um madeireiro corta e caí sobre o rio já ele cheio de correntes e remoinhos. Ali, numa tangente à minha casca de noz, provocando mais um obstáculo ou mais uma alteração nas águas que me empurra para longe da meta. Meta essa que não é mais do que chegar à foz sã e salva. Eu e a minha casca de noz.
dar a volta por cima
As minhas raízes ficaram tão lá atrás no tempo que não me posso permitir dizer que me orgulho de onde vim, posso com toda a honestidade orgulhar-me até onde já cheguei e de quem sou. Hoje sei que poderia ter agido de outra forma em relação a tantas coisas, agora, mas agora é fácil, difícil é olhar para trás e perceber que naquele preciso momento tomei a decisão mais acertada, agi, provavelmente, em direcção à única saída possível e, se não, à única que consegui vislumbrar. Tenho muitos esqueletos no armário, muitos mesmo, mas estão arrumados, eu sei que lá estão e por saber deles ali, já não me incomodam, não conseguem. Vivemos, assim, todos em harmonia, eu e os meus esqueletos guardados no armário.
27.7.09
23.7.09
"tão pecanino"
O A. enrosca-se em mim a pedir mimos. Pega-me na mão e faz festas a ele próprio. Sente a minha pele e faz-me festas. O A. a dois meses de fazer três anos tira a manta de cima dele e vai tapar o irmão. O A. ao meu "-Boa noite, tenham sonhos cor-de-rosa", responde-me sempre:
"-Pa ti também mamã."
"-Pa ti também mamã."
há pessoas
a quem me apetece dizer-lhes: GET A LIFE!
Mas depois percebo que isso é dar-lhes demasiada importância e deixo andar. Afinal há vidas tão ocas.
Mas depois percebo que isso é dar-lhes demasiada importância e deixo andar. Afinal há vidas tão ocas.
mudanças [pretérito imperfeito]
Eu poderia meter todas as minhas coisas em caixotes, depois, móveis e caixotes numa camioneta [ok, não era eu, mas os senhores da transportadora], depois descarregavam tudo, não a poucos km, mas a alguns mais. Passaríamos alguns dias a desencaixotar tudo e a arrumar nos novos sítios. Mas o importante seriam os novos sons, as novas rotinas, a nova paisagem, enfim, a nova vida. Acordaríamos com vista para a planície [ou para o ribeiro onde os patos se banham], no Verão tomaríamos o pequeno-almoço sentados na mesa do alpendre, depois da primeira refeição do dia, iria levar as crianças à escola e iria tratar do meu ganha pão. À tarde, iria buscá-los novamente e lanchariam em casa, canecas de leite e pão alentejano com doce caseiro [sim, sei fazer doce!]. De barriga cheia iriam trepar a árvores, chatear os patos no ribeiro ou até mesmo jogar à bola e eu andaria entretida na horta em busca de inspiração para o jantar. Os banhos a seguir aos trabalhos de casa seriam tomados ainda com o sol à vista e o jantar seria servido no cair da noite. As noites teriam grilos e cigarras como músicos e depois dos miúdos estarem na cama, sentar-nos-íamos no alpendre a beber café com um cão deitado aos nossos pés.
22.7.09
nem tudo o que luz é ouro
Eu tenho noção que me poupava um bocadinho [muito, vá] se não tivesse razão em tantas coisas. Também tenho noção que o meu 6º sentido nem sempre me ajuda. Se por um lado me poderia evitar alguns amargos de boca, a verdade é que não os evita, enaltece-os, tenho-os antes do tempo devido e fico com a boca amarga mais tempo do que é suposto. Este meu lado extra-sensorial é bom para evitar que caia em armadilhas, não são poucas as vezes que um inexplicável "mau feelling" em relação a algo, alguém ou alguma situação me poupa de dissabores no futuro. O problema coloca-se quando não há escapatória, ou quando o caminho alternativo não é do meu agrado, nestes casos de nada me vale saber o que vai acontecer, não me poupa, não me liberta, não me obriga a evitar a desilusão ou o sofrimento, ao contrário, tudo isto começa antes de tempo. E, assim, há dias em que eu dispensava os meus feellings, a minha razão, as minhas, vá, professias. Dispensava tudo isto e era uma perfeita ignorante, mas muito mais feliz.
21.7.09
mini-chefs

Já tive a saga McQueen, meses a ver o Faísca plantado no ecrãn da sala. Ora aparecia em corrida, a asfaltar uma estrada, mas qualquer que fosse a hora, lá estava ele. A verdade é que o A. começou a falar e a fazer-se entender tão bem que não consigo tirar da cabeça que foi graças a horas infindáveis à frente do ecran. Depois do Cars veio o Madagascar e todos os "tontos" animais que o acompanhavam, primeiro foi a saga do 2 depois a saga do 1. Semanas de Madagascar e de Rei Juliano. Pelo meio meteram-se outros filmes mas não tiveram direito a tantas reposições.
Não disse, mas o cinéfilo da casa é o A., o irmão na maioria das vezes cansava-se a entretinha-se com a PS2.
Agora temos novo filme em cartaz. Há um mês [pelo menos] que cá em casa é Ratatui de manhã à noite. O dvd nem chega a ser desligado. À noite quando se vão deitar, o filme fica em pausa para a manhã seguinte, de manhã o filme fica em pausa para quando chegam da escola. Mas desta vez, não é apenas o A. o responsável, o T. adora o Ratatui e eu estou quase tentada a inscrevê-los num curso de culinária, tal é a alegria deles em verem o rato a cozinhar.
19.7.09
o passar dos dias
Eu tenho um problema com o passar dos dias, o que me leva a crer que noutra vida devo ter morrido prematuramente, sinceramente, não encontro outra justificação.
Sempre que me saí uma barbaridade boca fora do tipo, "nunca mais é nãoseiquando" tenho logo de seguida uma súbita vontade de me esbofetear. A sério!
A vida é demasiado curta, cada dia que vivo é menos um dia que vou viver, cada dia que desejo que passe a correr para que um outro lhe suceda, é menos um dia vivido. Viver a pensar que amanhã estou cá é demasiado optimista, a verdade é que não sei se estarei. E, não, não é um pensamento mórbido, é realista. Acho lamentável que seja necessário sermos postos à prova com uma doença que nos dá um prazo de término para deitar-mos às urtigas merdinhas e coisinhas sem importância e dedicarmo-nos realmente ao que queremos e a quem gostamos. Não tive nenhuma experiência quase-morte, mas há momentos em que sinto que é como se tivesse tido. Não me angustia, apenas me faz lamentar não ter ainda mais esta noção. Existem muitas coisas com as quais já não me stresso, mas muitas mais existem que gostaria de tirar da cabeça e ganhar espaço e tempo para as que são realmente importantes.
Sempre que estão comigo, não há dia em que não diga aos meus filhos o quanto os amo, o quanto são importantes para mim. A ideia de que um dia posso já cá não estar e não lhes ter dito com todo o meu sentir, essa sim, angustia-me.
É importante dizer o quanto gostamos de alguém enquanto conseguimos dizê-lo e enquanto nos conseguem ouvir. É importante relativizar as coisas e as pessoas. Dar importância a quem realmente a tem não é fácil. Deixar de lado quem tem lugar de destaque na nossa vida é um erro crasso e comum. Por lá estar, por ser importante é ainda mais urgente dizê-lo, mostrá-lo. No fundo, viver.
Sempre que me saí uma barbaridade boca fora do tipo, "nunca mais é nãoseiquando" tenho logo de seguida uma súbita vontade de me esbofetear. A sério!
A vida é demasiado curta, cada dia que vivo é menos um dia que vou viver, cada dia que desejo que passe a correr para que um outro lhe suceda, é menos um dia vivido. Viver a pensar que amanhã estou cá é demasiado optimista, a verdade é que não sei se estarei. E, não, não é um pensamento mórbido, é realista. Acho lamentável que seja necessário sermos postos à prova com uma doença que nos dá um prazo de término para deitar-mos às urtigas merdinhas e coisinhas sem importância e dedicarmo-nos realmente ao que queremos e a quem gostamos. Não tive nenhuma experiência quase-morte, mas há momentos em que sinto que é como se tivesse tido. Não me angustia, apenas me faz lamentar não ter ainda mais esta noção. Existem muitas coisas com as quais já não me stresso, mas muitas mais existem que gostaria de tirar da cabeça e ganhar espaço e tempo para as que são realmente importantes.
Sempre que estão comigo, não há dia em que não diga aos meus filhos o quanto os amo, o quanto são importantes para mim. A ideia de que um dia posso já cá não estar e não lhes ter dito com todo o meu sentir, essa sim, angustia-me.
É importante dizer o quanto gostamos de alguém enquanto conseguimos dizê-lo e enquanto nos conseguem ouvir. É importante relativizar as coisas e as pessoas. Dar importância a quem realmente a tem não é fácil. Deixar de lado quem tem lugar de destaque na nossa vida é um erro crasso e comum. Por lá estar, por ser importante é ainda mais urgente dizê-lo, mostrá-lo. No fundo, viver.
10.7.09
dois é a conta que Deus fez
Antes de me deitar vou sempre ao quarto deles, um beijinho, uma festinha, um tapar, um apanhar de chucha ou apenas um toque ao de leve. À duas noites atrás, não foi excepção, ao tapar o T. ele sentiu-me e agarrou-me na mão e ficámos assim, de mão dada, o A. na cama ao lado sentiu-me, enquanto eu de cócoras estava apoiada na cama dele, puxou-me a mão e deu-me a maozinha dele. Fiquei, assim, de mãos dadas, uma a cada um e, de repente, ocorreu-me, se fossem três ficava um de fora. Eu, que tinha passado grande parte da noite a marterizar-me com o facto de o meu útero estar envelhecido e que provavelmente não terei o tormento de mais uma gravidez nem a alegria de ter mais um filho, fui -me deitar com um sorriso descansado.
8.7.09
[é que nem me ocorre um título]
110€ de imposto de circulação?????
[preciso de ar enquanto não se paga]
[preciso de ar enquanto não se paga]
post de balanço
Já fez um ano que resolvi dar o grito de liberdade, virar a minha vida do avesso, sacudi-la do pó que tinha juntado ao longo dos anos para poder esticá-la qual colcha lavada em cama a cheirar a amaciador e sol.
Foi um ano duro, confesso, mas tem valido a pena. Ao longo do último ano aprendi mais sobre mim, sobre quem realmente sou, do que talvez em anos.
Tornei-me independente, senhora do meu nariz, estabeleci novas metas, ultrapassei obstáculos e cresci, cresci muito. Aprendi que a força vem de dentro, das crenças que alimento, dos objectivos a que me proponho. Tornei-me melhor mãe, melhor pessoa e muito melhor amiga. Testei a minha paciência e descobri que, no meio da minha impaciência, tenho uma calma que desconhecia.
Descobri que a vida é curta de mais para deitar tempo pela janela. Que existem pessoas por quem não vale a pena perder um segundo ou dizer mais do que o necessário e, que existem pessoas que merecem que largue tudo e vá a correr à primeira chamada. Finalmente, senti o verdadeiro valor da amizade. Vi com quem posso contar e de quem escuso de esperar alguma coisa.
E, talvez por isso ou por apenas ter acordado, sinto-me premiada pela vida, neste último ano senti que entrei na estrada certa, que tinha andado perdida por entre atalhos e vielas e, que agora sei qual é o caminho. Finalmente acertei.
Agora, olho para trás, para o último ano, para os que o antecederam e vejo a luta, o esforço sem me esqueçer de todas as lutas que enfrentei, todas as barreiras que tive de derrubar, das noites sem dormir, das aflições por que passei ou das lágrimas que chorei. Não me esqueço, porque tudo isto me diz de onde vim e só assim tenho verdadeira noção onde cheguei e de quem sou.
E, por saber tudo isto, tenho um orgulho em mim própria que não consigo descrever mas do qual não me quero, nem posso esquecer.
Foi um ano duro, confesso, mas tem valido a pena. Ao longo do último ano aprendi mais sobre mim, sobre quem realmente sou, do que talvez em anos.
Tornei-me independente, senhora do meu nariz, estabeleci novas metas, ultrapassei obstáculos e cresci, cresci muito. Aprendi que a força vem de dentro, das crenças que alimento, dos objectivos a que me proponho. Tornei-me melhor mãe, melhor pessoa e muito melhor amiga. Testei a minha paciência e descobri que, no meio da minha impaciência, tenho uma calma que desconhecia.
Descobri que a vida é curta de mais para deitar tempo pela janela. Que existem pessoas por quem não vale a pena perder um segundo ou dizer mais do que o necessário e, que existem pessoas que merecem que largue tudo e vá a correr à primeira chamada. Finalmente, senti o verdadeiro valor da amizade. Vi com quem posso contar e de quem escuso de esperar alguma coisa.
E, talvez por isso ou por apenas ter acordado, sinto-me premiada pela vida, neste último ano senti que entrei na estrada certa, que tinha andado perdida por entre atalhos e vielas e, que agora sei qual é o caminho. Finalmente acertei.
Agora, olho para trás, para o último ano, para os que o antecederam e vejo a luta, o esforço sem me esqueçer de todas as lutas que enfrentei, todas as barreiras que tive de derrubar, das noites sem dormir, das aflições por que passei ou das lágrimas que chorei. Não me esqueço, porque tudo isto me diz de onde vim e só assim tenho verdadeira noção onde cheguei e de quem sou.
E, por saber tudo isto, tenho um orgulho em mim própria que não consigo descrever mas do qual não me quero, nem posso esquecer.
assinaturas
hoje e, ainda com um nome que não me pertence, assinei mais um papel. Não é um papel qualquer, é o papel que inicia um sonho antigo, um sonho que já foi semi-realizado, mas semi, não é o mesmo que Realizado.
Iniciei mais uma etapa, a que falta para a realização.
Iniciei mais uma etapa, a que falta para a realização.
7.7.09
carta à fada dos dentes
Cara fada, espero que hoje apareças lá por casa e nem te atrevas a levar uma simples lembrancinha, é que esta coisa dos dentes que caem é uma intrujice ainda maior que a tua história. Não estava no programa ter de pagar por cada dente que "supostamente" devia cair. Lá em casa os dentes não caem, têm de ser arrancados. Sim, já é o segundo e, a brincadeira já vai em 100€. Por isso das duas uma, ou apareces mesmo e deixas alguma coisinha que se veja ou os dentes começam a cair sozinhos, que isto de pagar para o dente sair de lá e ter de pagar o "presente da fada" saí um bocadinho caro, ainda mais quando a criança se porta melhor do que muitos adultos.
Posto isto, fico a aguardar, enquanto isso, vou trocar os frutos vermelhos que o T. tanto gosta por maçãs, de preferência bem rijas.
a mãe da criança
Posto isto, fico a aguardar, enquanto isso, vou trocar os frutos vermelhos que o T. tanto gosta por maçãs, de preferência bem rijas.
a mãe da criança
reflexos
Olho para o espelho e lá estão, bem ali à minha frente, as rugas que vão aparecendo à volta dos olhos que vou insistindo em encharcar de cremes. Os cabelos brancos lá vão sendo disfarçados por entre as nuances.
Por baixo desta imagem que acusa os primeiros sinais de envelhecimento, está uma mulher, uma mãe de dois, que tantas vezes se sente como se tivesse dezassete, que joga à bola, que salta para evitar os últimos degraus e que trepa pela varanda da vizinha quando fecha a porta com a chave do lado de dentro.
Entre estas duas imagens existe um fosso, um fosso que separa o que sentimos com o que somos, ontem soube que estou mais velha. Quando dizem a uma mulher "se quer ter mais filhos é bom que seja em breve" custa. Custa muito. Eu sei para onde caminho, mas ainda assim, custa. É real.
Depois do A. nascer tinha decidido não ter mais filhos. Tenho dois. Cumpri a minha parte, posso fechar a loja. Foi mais ou menos isto que pensei. Depois nos tropeções e surpresas que a vida me proporciona, percebi que afinal a loja não estava assim tão fechada. Ontem, deram-me um prazo para fechar. A loja vai mesmo ser fechada à força e, isto está-me a custar mais do que eu previa. Obviamente que sei que um dia iria acontecer, mas não era assim, já...
Eu posso ou não querer ter mais filhos, não queria era que me fosse imposto. Não queria que me dissessem; está velha por dentro.
Por baixo desta imagem que acusa os primeiros sinais de envelhecimento, está uma mulher, uma mãe de dois, que tantas vezes se sente como se tivesse dezassete, que joga à bola, que salta para evitar os últimos degraus e que trepa pela varanda da vizinha quando fecha a porta com a chave do lado de dentro.
Entre estas duas imagens existe um fosso, um fosso que separa o que sentimos com o que somos, ontem soube que estou mais velha. Quando dizem a uma mulher "se quer ter mais filhos é bom que seja em breve" custa. Custa muito. Eu sei para onde caminho, mas ainda assim, custa. É real.
Depois do A. nascer tinha decidido não ter mais filhos. Tenho dois. Cumpri a minha parte, posso fechar a loja. Foi mais ou menos isto que pensei. Depois nos tropeções e surpresas que a vida me proporciona, percebi que afinal a loja não estava assim tão fechada. Ontem, deram-me um prazo para fechar. A loja vai mesmo ser fechada à força e, isto está-me a custar mais do que eu previa. Obviamente que sei que um dia iria acontecer, mas não era assim, já...
Eu posso ou não querer ter mais filhos, não queria era que me fosse imposto. Não queria que me dissessem; está velha por dentro.
6.7.09
cumplicidades
É passarmos uma manhã-tarde de domingo numa esplanada, falarmos a mesma linguagem e conseguirmos ver o lado uma da outra.
É saberes que estou aqui.
É eu saber que estás aí.
É saberes que estou aqui.
É eu saber que estás aí.
4.7.09
podia mas não foi
hoje podia ter sido o dia em que aproveitava e punha os sonos em dia ou, em que me deitava no sofá a olhar para o infinito e me deixava passar pelas brasas ou, em que tinha aproveitado para dormir na areia com o som do mar e dos restantes veraneantes ou, por outro lado, em que aproveitava para encaixotar o superfluo e deixava de olhar em redor a pensar no que me falta fazer ou, que despachava o trabalho que trouxe para casa e que me vão cobrar na próxima semana.
Podia, pois podia, mas não foi e, não me lembro de um sábado tão mal aproveitadinho.
Podia, pois podia, mas não foi e, não me lembro de um sábado tão mal aproveitadinho.
3.7.09
tempo
É coisa que não tenho tido. Os dias passam a correr e as noites não chegam para por o sono em dia. Lembro-me da altura em que os dias passavam mais lentamente. Em que tinha tempo, das noites passadas com o pc à frente depois das crianças estarem deitadas. Das gargalhadas contidas de madrugada, de dormir três ou quatro horas e acordar e olhar os dias de frente e não olhar para eles quando já passaram sem perceber muito bem como. Não tenho tempo para ter tempo, preciso de abrandar, conseguir olhar para o que se passa à minha volta, conseguir estar parada com tempo sem olhar para o relógio. Preciso de tempo para não fazer nada.
2.7.09
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