22.8.10

somos todos descartáveis


Vivemos numa sociedade descartável. Todos os sabemos. Já não se deixa depósito para depois irmos devolver as garrafas vazias e recebermos de volta o depósito. As garrafas de vidro do leite foram substituídas pelas embalagens de papelão, quando vazias desdobram-se e depositam-se de vez no ecoponto amarelo. Os copos de vidro do iogurte são agora de plástico e quando vazios acabam no mesmo sítio dos pacotes de leite. As garrafas de cerveja, que continuam de vidro, já não se entregam no sítio onde as compramos e deixámos o depósito, existe um ecoponto verde onde as deixar. E os antiquados garrafões de água, em vidro com uma capa de plástico, também foram substituídos por mais plástico e o ecoponto amarelo está lá no mesmo sítio à espera deles quando vazios. Claro que tudo isto é assim se houver um ecoponto por perto e, mesmo havendo, se existir alguma consciência ecológica por parte de quem comprou e não deixou depósito, caso contrário vai tudo parar ao lixo e não se fala mais nisso.
Se virmos bem, o que passámos a fazer com as embalagens, é exactamente o que se passa em tudo o resto. Antigamente comprava-se um frigorífico e esperava-se que durasse uma vida. Quando avariava chamava-se um técnico que o arranjava. A verdade é que actualmente a maior parte das avarias não compensam o arranjo. Vivemos numa sociedade de consumo e é mais fácil [e barato] substituir por um novo. As máquinas do lar foram feitas para durar meia dúzia de anos, os carros para serem trocados de 4 em 4 anos, a partir de determinada altura é só chatices. Inundações em casa porque não usámos calgon ou calgonit e as máquinas são subitamente invadidas pelo calcário ou a chatice da electrónica lixou um módulo que sai quase mais caro que a máquina, os carros, como toda a gente sabe, quando começam a dar problemas habituam-se a sentir as mãos do mecânico e depois não querem outra coisa. Os nossos sapatos deixaram de ir ao sapateiro, quando acabam as solas ou as capas deitam-se fora [ou dão-se aos pobres] e aí está uma boa desculpa para comprar-mos o modelito que vimos na montra daquela sapataria. Nas calças dos miúdos já não são cozidas joelheiras, os saldos da Zara tem umas em conta que são quase o que leva a costureira a cozer umas. O telemóvel nem precisa de avariar, basta sair um modelo mais bonito, mais actual, que tenha mais uma função qualquer [mesmo que nunca tenhamos precisado dela nem a venhamos a utilizar] e é substituído na primeira passagem pela loja. Se um empregado muito válido para a empresa quer sair porque acha que está a ser mal pago ou tem poucas regalias é deixá-lo sair e contratar um recém licenciado por um quarto do ordenado e está feita a coisa. Já ninguém lava fraldas de pano, é mais fácil ir ao supermercado comprar um pacote das descartáveis. Os guardanapos de pano caíram em desuso e os de papel agora são reis à mesa. O cão que já não corre e arrasta-se deixa-se num sítio qualquer e o gato que já não acerta no caixote para fazer as suas necessidades fica a fazer companhia ao cão, a caminho de casa passa-se na loja de animais e compra-se um hamster ou uma tartaruga que dão menos trabalho e a criança nem vai dar por falta dos animais, afinal também já não lhes ligava muito. O avô e a avó são enfiados num lar quando já não tem energia para tomar conta dos netos e precisarem de alguém que tome conta deles. E, já nem os móveis são comprados para toda a vida, afinal existe a Ikea e mais vale ir comprar uma mesa nova e aproveita-se para mudar toda a decoração da casa e deitar fora aqueles presentes de casamento que já ninguém usa.
Também nós, pessoas passámos a ser descartáveis, mas desengane-se quem pensar que qualquer um de nós é descartável apenas para a entidade patronal. Somos de um modo geral descartáveis. É a lei do lucro. Procura-se lucrar a todo o custo. Não interessa quem fica por baixo, desde que não seja o próprio. Deixou de se dar verdadeiro valor às pessoas, aos outros. Não se valorizam sentimentos. Tudo é um dado adquirido como se todos fossemos crianças mimadas [no mau sentido, entenda-se]. Déspotas, que à mínima contrariedade nos voltamos para quem com facilidade está do nosso lado, para quem nos dá mais naquele preciso momento. Já não temos paciência para aturar os problemas dos outros, ouvimos-los num momento de tédio e entretemos-nos até termos uma nova distracção que nos apraz mais. A lealdade é um sentimento em vias de extinção, tal como os trocos que um dia deixámos de usar como depósito das embalagens.

20.8.10

pessoas-corvo

Existem pessoas que interferem com o meu estado. Não sei explicar, mas interferem. Chamo-lhes pessoas corvo porque parece que trazem uma névoa escura à volta. São pessoas negativas, das que nos puxam para baixo. Umas por mal, outras apenas porque são assim mesmo, negativas, pessimistas, que vêm maldade em tudo e em todos, desgraças iminentes, nada pode correr bem e quando corre é uma sorte dos diabos. Queixam-se a toda a hora das crueldades da vida para com elas, prevêem o azar que lhes vai bater à porta. Algumas numa versão mais negra transferem todas estas desgraças para os outros como uma doença altamente contagiosa. Basicamente a felicidade(?) delas resume-se a ver o circo (leia-se, a vida dos outros) pegar fogo. Usam um tom de voz que soa a ladainha para espetarem farpas e assim conseguirem que um dia salte a tampa ao enfarpado, estando, assim, na primeira fila a assistir ao espectáculo.
Estas não me incomodam muito, topo-as à distância e basta-me afastar para que se tornem inócuas. As que me incomodam são as que são assim mas sem a maldade e que podem até fazer parte do círculo mais estreito. Essas sim, interferem no meu bio-ritmo. Só a sua presença mexe comigo fisicamente. Esgotam-me as energias. Lembro-me de uma pessoa com quem privei durante muitos anos que bastava-me a sua presença para que eu sentisse o meu estado de espírito mudar, entrar na casa dela era um sacrifício, saía sempre de lá com a moral feita um caco. Era extenuante para mim e muitas vezes pensei o quão triste deveria ser ser-se assim. Triste, de mal com a vida, sempre com o pensamento da desgraça a bater à porta.

outro jornalismo

Hoje, numa conversa de escritório sobre jornalistas e programas de informação lembrei-me dela. Maria Elisa. A voz, a postura, a seriedade, a falta de sensacionalismo, o cuidado na preparação dos programas.
Tenho saudades de a ver no pequeno ecrã.

a vida pode ter a cor que quisermos

elogios



"I’m tough, I’m ambitious, and I know exactly what I want. If that makes me a bitch, okay."

Madonna

19.8.10

Napoleão & Josephine


"Until then, mio dolce amor, a thousand kisses; but give me none in return, for they set my blood on fire."

Napolean Bonaparte, letter to wife Josephine, December 1795

Balzac & Evelina



"I can no longer think of anything but you. In spite of myself, my imagination carries me to you. I grasp you, I kiss you, I caress you, a thousand of the most amorous caresses take possession of me."

Honore de Balzac, letter to Evelina Hanska, June 1836

encha mais a sua casa


Há noites em que em vez de ser mãe de dois sou "mãe" de três. Vou buscar o T. e trago o R. para casa também. Depois seguimos os três e vamos buscar o A.
Hoje é uma dessas noites. O R. um dos "melhores" amigos do T., é mais velho. Nada que incomode o T. que sempre teve propensão para ser dar com todas as idades e fazer amigos com idades diferentes e por vezes até improváveis. Acho lindo, vê-los aos três. O R. trata o A. exactamente da mesma maneira que o T. O A. adora-o. Jogam tudo o que é jogos juntos e neste momento tenho os três no hall de entrada sentados no chão a jogar o jogo de cartas do Sherk oferecido pela Mc Donalds. O que já me ri com o jogo deles com as figurinhas que eles fazem e com os disparates que dizem. E é tão bom, vê-los, assim, felizes.

a Maria tem um sonho e eu acredito que o vai realizar

"Quando aqui vos disse…

… que continuo a acalentar este meu sonho com a vontade redobrada de quem investiu e investe tudo o que tinha e tem nele: toda a formação, todo o dinheiro, todo o tempo, o melhor de mim, queria acima de tudo dizer-vos que um sonho, mais do que uma ideia bonita em torno de “ai, eu um dia…”, é algo que tem que forçosamente se materializar sob pena de não passar disso mesmo, de uma ideia bonita.

Quando se quer muito uma coisa na vida, pega-se num papel e numa caneta, marca-se um caminho e custe o que custar [e tem dias em que só nós e o Senhor é que sabemos o estado de lástima em que nos encontramos] não nos desviamos dali, não arredamos pé, não fraquejamos, não desistimos, não vamos embora.

Hoje olho para trás e conto com duas licenciaturas no meu Curriculum e três pós-graduações. Hoje olho para trás e não vejo as férias que perdi, as viagens que não fiz, tudo aquilo de que me privei. Hoje, continuo agarrada àquele papel onde um dia tracei o meu sonho e olho em frente. Mesmo quando tropeço, mesmo quando as pernas me falham, mesmo quando a dúvida se instala, eu olho em frente."


(fazer duplo clique na imagem para ampliar]

felizes são os ignorantes



Não vejo notícias. Não leio jornais. Não quero saber. Juro que não quero saber. Irritam-me as imagens despudoradas que mostram e a leviandade com que o fazem. Eu não preciso de ver uma imagem chocante para ter a noção da brutalidade envolvida numa notícia. Não preciso. A minha imaginação consegue fazê-lo. Mesmo essa, a imagem emitida pelo meu cérebro fica ali a pairar como um pesadelo repetitivo. Odeio notícias cheias de corpos inanimados e estropiados. Execuções filmadas por câmaras amadoras. Crianças quase mortas de fome, de desidratação, de pestes nos braços de um dos pais. Torturas captadas por câmaras de vigilância. Não quero saber, não quero ver.
Em casa a televisão nunca está num canal com notícias. Tive inúmeras discussões com o pai dos meus filhos, que tão informado que gostava de estar, ligava a tv e zarpava para outro lado qualquer da casa deixando todo um chorrilho de desgraças entrar sala dentro, ali, à mercê de uma criança que cirandava e claro especava-se na frente do aparelho. Agora é proibido, a televisão não pode estar em canais com notícias a não ser que esteja alguém de facto a ver e com o comando na mão preparado para mudar de canal. Eu sei que não posso [e não devo] poupar os meus filhos a tudo, mas há coisas que eles dispensam e garanto que não é por não verem certas imagens que vão ser menos informados, menos conscientes.
Já para não falar que, na minha modesta opinião, este tipo de imagens são passadas tantas vezes e com uma naturalidade tal, que às tantas tem o efeito inverso, já ninguém quer saber, já é tão normal.
Eu prefiro continuar as usar os meus óculos cor de rosa para ver o mundo como gostaria que fosse e não saber, a ser perseguida por imagens chocantes e ter a certeza todos os dias da merda que existe no mundo.

"cozinhar é um acto de amor"

Já tinha ouvido a expressão inúmeras vezes, já cozinhei muitas vezes com verdadeira devoção, mas o sentido real da expressão só o senti verdadeiramente estas férias.
Finalmente percebi o que é de facto. É maravilhoso. E eu, aprendiz de chef quero senti-lo sempre que me atirar aos tachos.

[Deus protege os desleixados]


imagem: Enid Coleslaw

Já não ia ao oftalmologista, à vontadinha, à mais de 10 anos. Dessa vez, receitaram-me uns óculos para lêr, escrever, ver televisão e, sobretudo, para quando estava ao computador, porque, dizia a médica: "A sua vista está extraordinariamente cansada". O medo e o horror apoderaram-se de mim. Não tenho nada contra óculos, aliás sou dependente dos escuros, mas não me apetecia nada aos 20 e tal anos ficar dependente do acessório e, pior, era sinal que a minha visão se estava a degradar. Mas tudo isto é muito bonito no dia em que saímos do médico cheios de boas intenções e vamos directamente ao oculista e-os-óculos-afinal-não-ficam-assim-tão-mal. Durante os primeiros tempos [uma semana, vá] a coisa está fresquinha e passam-se os dias a pôr e a tirar óculos e a limpar as lentes e a arrumar na caixinha e a vida parece que de repente gira à volta das lunetas. Volvida uma semana e já só se usa se estiverem ali à mão de semear e, é se nos lembrarmos que falta o acessório pendurado no nariz.
Resultado? Andaram a saltar de gaveta em gaveta, mas na cara nunca mais foram vistos. 10 anos volvidos, ao marcar a consulta de oftalmologia lembrei-me dos ditos e apesar de achar que me iam receitar mais graduação[duas gravidezes pelo meio e tal não deveriam ter dado muita saúde], achei melhor levá-los. Felizmente que a moda é cíclica e os óculos usados na época usam-se agora e eu poupava uma pipa de massa em armações.
Mas depois, Deus é grande e tudo isso e a menina não precisa de óculos para nada que tem uma visão fabulosa que até vê acima da média. Não satisfeita, toma lá mais uma cerejinha que o infante mais novo também tem uma visão 10% acima para a idade.

18.8.10

eu & eu, somos duas [uma luta de opostos sem meio-termo]


Eu sou urbana e mudava-me para o campo num piscar de olhos. Gosto de saltos altos e adoro andar descalça. Uso prata e perco-me com pérolas. Gosto de cores fortes e derreto-me com os pastéis. Tenho cabelo comprido e facilmente o cortava curto. Sou independente e gosto de sentir o conforto de uma mão. Entusiasma-me conduzir um Ferrari e um Fiat 500 não me entusiasma menos. Gosto de dias calmos e vibro com dias agitados. Oiço rock e deixo-me envolver por uma ópera. Gosto de tecidos esvoaçantes e aconchego-me nas lãs. Vibro com o Verão e gosto dos jingles do Natal. Leio espionagem e deixo-me levar num romance. Colecciono pijamas e adoro lingerie. Uso verniz branco e verniz vermelho. Gosto de vestidos de princesa e gosto de jeans. Como gelado de chocolate e gelado de framboesa e limão. Gosto de margaridas e de orquídeas. Gosto do moderno e do antigo. Gosto de voiles e de cortinas às florinhas. Mergulho no mar e rebolo na relva. Gosto do amanhecer e do anoitecer. Gosto de Nova York e de Vila Nova de Cerveira. Gosto de minimalismo e de romântico. Gosto de botas de camurça e de sapatilhas de ballet. Gosto de casas antigas e de casas modernas. Como manteiga e lambuzo-me doce. Gosto de jogar crapot e de Age of Empires. Gosto de cães grandes e de gatos pequenos. Gosto de galopar e de fazer yoga. Gosto de casacos militares e de encharpes. Gosto de velas brancas e de lustres de cristal. Gosto de fotografia e de lápis de côr. Teclo sms e escrevo cartas de amor.
E assim, nesta pequena amostra percebo que podia viver duas vidas completamente distintas e sentir-me viva e única em ambas. Díficil é equilibrar as duas numa só.

Cheira a fim de Verão e hoje o meu edredão voltou

17.8.10

momentos [bons] nossos



a vida pode ser doce [com os ingredientes certos]

abençoadas férias



Não sei se foi do calor, dos banhos na piscina, do som dos grilos à noite, dos grelhados, dos livros que li, das gargalhadas deles, dos mortais para a piscina do mais velho ou se foi apenas a paz que tomou conta de mim durante as férias. Sinto-me diferente.
Uma semana de trabalho após o regresso das abençoadas férias. Estou diferente.
Existem pessoas que valem a pena. Existem pequenos nadas que valem sorrisos. Existem momentos para serem vividos. Tudo o resto é passageiro como uma chuva de verão. Não vale a pena. Uma lavagem e fica limpo e se não apetecer ter o trabalho, é olhar para o lado e ignorar.
Estou, mais uma vez, diferente.
Deve ser isto que é ser adulto. Problemas, preocupações e resoluções em catadupa. Umas atrás das outras. Mal resolvemos um e aparece logo outro. Uma responsabilidade, uma exigência. Ser adulto cansa. É tão mais fácil não termos de resolver, haver quem resolva, quem pense, quem se preocupe. Quando se é Adulto, não há. Somos nós. É connosco. Não dá para assobiar para o lado.
A minha visão da vida está diferente.
Nem tudo tem de ser resolvido. Nem tudo são preocupações. E, como eu também já sabia, mas por vezes ignoro, há sempre um lado B [ou A, de alternativa] que nem sempre é mau. A maior parte das vezes não é mau, é diferente, é desconhecido.
Estou diferente. Serenei. E se não vale a pena nem me dou ao trabalho. Finalmente, interiorizei, e por muito certas que sejam as minhas convicções, há guerras em que não vale a pena entrar. É desgastante e o resultado, mesmo que favorável, fica aquém da energia despendida.
Estou diferente. Estou serena.
Abençoado calor, abençoados banhos na piscina, abençoado som dos grilos à noite, abençoados grelhados, abençoados livros que li, abençoadas gargalhadas deles, abençoados mortais para a piscina do mais velho. Abençoada paz que se apoderou de mim.

Félicitations pour une petite gamine

[porque existem momentos inesquecíveis e pessoas incomparáveis]


Lipstick Jungle [versão melhorada] I

E lá estava eu, no sítio combinado, a ligar-lhe para saber onde ela estava, quando me aparece ele pela frente. [E que saudades que já não o via há tanto tempo]. E finalmente encontramo-nos, os três e, ela e ele conheceram-se, finalmente. E sentimos os três que nos conhecemos desde sempre. E decidimos onde vamos almoçar. E estamos os três de acordo. E nós as duas, [que afinal somos apenas uma], fazemos dele gato-sapato [ele reclama, mas gosta]. E falamos das nossas coisas, daquelas que não assumimos a mais ninguém. E brincamos e rimos, uns dos outros e de nós próprios. E vamos fumar um cigarro, porque nenhum de nós ultrapassou a fase oral [mais uma em comum]. E temos que ir embora, porque uma tem uma revista para pôr nas bancas e ele um filme para produzir e a outra uma colecção para desenhar. E beijos, até já.
E eu quero mais almoços assim.

Lipstick Jungle [versão melhorada] II

"E lá estava eu, no sítio combinado. Estava ao telefone ali mesmo à minha frente. Caramba que saudades, e está gira que se farta. Quem sabe no meu próximo filme. Aposto que aceita. Vamos lá quero conhecê-la. Degraus e degraus, lá está ela, e diabos me levem se aqueles olhos existem. Conhecemo-nos enfim, bate tão certo. Restaurante escolhido, fazem-me de gato sapato e eu finjo que não gosto. Gosto da cumplicidade entre elas, e da que nasce a três assim genuína e saboreada. Soltam-se risos e conversas, e (re)descobrimo-nos aos poucos. Que querem que faça, estão tão juntas na minha zona de afectos, daqueles que nem vale a pena disfarçar. Café e cigarros e outras conversas, quase sérias por vezes. Voltamos, de encantos rendidos (será que gostou de mim?) ao dia a dia. A minha produção, a revista de uma e a colecção de outra. E aqueles olhos, que nem sei se existem… no meu próximo filme. E eu quero mais almoços assim."

Lipstick Jungle [versão melhorada] III

"E lá estava eu no sítio combinado. Aparecem os dois [ena, o tipo é alto...], chama-me parva com um sorriso maroto. Boa. Não se intimida. Posso baixar as defesas. É cá dos meus. Restaurante em concordância, lá vamos nós. Afinal não altera nada. Dar um rosto a alguém que nos liga na noite de Natal, que nos conta a vida, que nos protege ao negar uma realidade que nada muda o nosso estado não altera nada.
E é tudo tão simples, Tudo tão fluído. Os risos e as confidências e o bife e as meias palavras que não precisam de continuar porque o outro já entendeu, a falta de necessidade de agradar porque já nos conhecem, já gostam, já sabem, já tudo.
E o tempo aqui é contado não por dias mas por situações. Por estar ao lado quando necessário. Pelo comer das passas à meia-noite. Pelo pensar no terceiro quando ele nos falta. E eu, que os conheci com as mãos frias, saí deste almoço com o coração bem quente.
E eu quero mais almoços assim."

24.7.10

e finalmente

Exausta de um dia demasiado longo a apagar pequenos fogos e a apanhar demasiadas pontas soltas onde não existem novelos insubstituíveis, mas onde pelos vistos há uns mais substituíveis do que outros. Apesar do caos de trabalho dos últimos dois dias de preparação para sair para férias está tudo pronto para rumarmos ao nosso templo zen. E a semana pareceu-me demasiado comprida para um período de férias que me parece que vai passar demasiado rápido. Resta-me aproveitar ao máximo o sol e a paz.

23.7.10

regressos

foto: Olhares

E a casa enche-se outra vez. E passamos do som de fundo da televisão num qualquer canal de séries para passar a ter sirenes, gargalhadas, risinhos, cumplicidades e até a choradeira do A. vinda do quarto do Nemo e que se espalha pela casa toda. E a alegria à chegada...tão grande, os abraços vão-me ficar marcados para sempre na memória. Tantas saudades. E correm pela casa numa brincadeira constante e incansável. E atropelam-se a falar, sequiosos que vinham uns dos outros e de nós e nós deles.
Temos a casa cheia outra vez.

Se o próximo inverno for tão frio como o último sou menina para comprar umas destas

se fossem Ferrari...



[nós aos olhos de quem nos vê] - Ainda existem histórias de amor

Parvos, andamos parvos (já ninguém nos aguenta). Esfregamos a felicidade na cara dos outros, esborratamo-los de impaciência, piedade e escárnio. Ele é meu querido para aqui meu amor pracoli e todos à nossa volta esbracejam e se afogam neste mar delicodoce, como se uma novela brasileira em que elas são fáceis e dengosas, ou como se um casalinho da Rinchoa que se abraça aos solavancos na carruagem da linha de Sintra, ela pra mais um dia de nariz enfiado nos calos das doutoras e ele, sem ocupação definida, mas acompanhando-a com esmero à porta do cabeleireiro, onde por fim e a custo a desenlaça. Amor, meu amor, bebé, minha princesa, e as pessoas à volta riem baixinho, que falta de senso, de decoro, a bem dizer já não são miúdos, pais de filhos ainda por cima, e nós aos beijos, melosos, molhados, babados, as línguas expostas que se enroscam desabridas, temos pena se têm nojo, se sentem inveja ou pudor (já ninguém nos atura). Alegres e amantíssimos, lastramos o carnaval pelos lugares por onde passamos e desfiamos um ror de carinho imenso, nas ruas, nos restaurantes, na cama, estarrecidos, aparvalhados com isto que nos aconteceu, quem sou eu que já não sou eu? Para onde foi o que me amargava os dias, já agora deixa-me ver se se esconde entre as tuas pernas ou no fim das tuas costas. Somos sem os demais e sem-vergonha, ignoramos quem nos interpela e fitamo-nos aparvalhados, desconfiados e à espreita: o que me dizem hoje os teus olhos que ontem não me disseram? (já ninguém pode connosco). Andamos de mãos dadas, prerrogativa de crianças e velhos, com dedos que se esfregam e apertam, não vá a gente perder-se, afastados por meio metro. Ou então abraçados, agarrados como lapas, tu a cobrires-me com os braços, os ombros, contigo todo, como se a monção estivesse pra vir e me fosse levar, para lá do pontão, para além do mar. Fazemos um grupinho à parte, desdizendo-os e mal-dizendo-os, a minha mão em concha na tua orelha e a minha boca escondida, que tanto te lambe o after-shave como arrasa as personalidades presentes, aquela ali é mesmo parva, não é? e aquele? um imbecil! (já ninguém nos suporta). Enjoativos e incómodos, num deleite infantil, respondemos torto e a más horas e achamo-nos o máximo, ancorando-nos na protecção do outro. Somos bons, somos os melhores, e estamos plenamente concentrados na arrogância superlativa do Amor, com tudo o que esta traz de kitsch, de excessivo, de deselegante. Respiramos um outro oxigénio, digerimos de maneira diferente, os nossos ossos têm diversa composição, a nossa pele desenvolve uma textura única e os nossos cabelos fomentam toques subversivos, revolucionários, invisíveis ao olho humano. O mundo é o nosso recreio (já ninguém nos convida para as festas).

20.7.10

viagens


Está quase a fazer 3 anos que estive em Milão em trabalho durante uma semana. Passei os dias fechada num escritório a 5 minutos a pé do hotel, ao final da tarde e à noite aproveitava para conhecer um pouco da cidade da moda. Não "cheirei" nenhuma loja de griffe porque à hora a que chegava ao centro já estavam fechadas e muitas estavam fechadas para férias. Ainda assim, consegui sentir-me pequenina junto da Piazza del Duomo e fiquei fascinada com a Galleria Vittorio Emanuele e as suas lojas. Adorei a "fauna" apesar de a maioria das pessoas estarem para Sul de férias e Milão se assemelhar um pouco a uma Lisboa domingueira deserta, a verdade é que os bares e restaurantes tinham sempre muito por onde entreter a vista, muito pelas poses descontraídas mas principalmente pelas italianas [sim, fazem justiça à fama que têm, é muito difícil não virar o pescoço ao cruzarmos-nos com uma].
Coincidência ou não, quando regressei de Milão o livro que me esperava à cabeceira tinha como pano de fundo Milão e Roma. Este fim de semana acabei de ler um outro da mesma autora em que grande parte da história se passa em Milão. É sem dúvida uma cidade a voltar, a percorrer as ruas e ruelas, a "cheirar" as lojas todas e também a deliciar-me com a comida.

cores da minha vida

#1 nota do dia


Nem sempre os que chegam primeiro são os verdadeiros vencedores, mas chegar primeiro pode ter muitas vantagens.

19.7.10

Quico de gente

Faz hoje um mês que nasceu o "meu" Quico. E escrevo "meu" sem pudores, porque ele também é um bocadinho meu.
O Quico lembra-me os meus filhos, mínimos, quando me sobra mão à volta da sua pequena e redondinha cabeça parca de cabelo, quando o deito nas minhas pernas e ele fica ali encaixado como se ali fosse o lugar dele. Vejo-o dormir sossegado, vestido de branco como se de um anjo se tratasse e, trata-se. Poucas coisas se comparam à serenidade transmitida por um recém nascido, a vontade de perpetuar a aura que os envolve e a nós também. Sentir o pequeno corpo encostado ao nosso, os olhar que entra pelos nossos olhos, o cheiro, ahhh... o cheiro.
Gosto de bebés, adorei e vivi intensamente cada novo dia após o nascimento dos meus filhos, adorei-os minutos e horas sem fim. Perdia-me a olhar para eles, como me perco agora com o "meu" Quico no colo.

18.7.10

Lisboa, a minha cidade

foto: Nocturno


Há 11 anos comecei a sair de Lisboa de manhã e só regressava à noite. Há 9 deixei definitivamente de lá ir dormir. Mudei-me de armas e bagagens para outras paragens. Mas Lisboa, para mim, é a minha cidade, a minha terra. Foi lá que nasci, foi lá que cresci. Habituei-me muito cedo a sair dela, mas voltava sempre. Agora, passados 9 anos de lá ter deixado de morar sinto-lhe a falta. Gostava de morar e trabalhar em Lisboa. Gosto do movimento das ruas, das pessoas, da calçada que me dá cabo dos saltos, gosto da calma dos bairros ao fim de semana, do ar, dos autocarros, do metropolitano, dos jardins, das esplanadas,do céu, dos gatos vadios,dos prédios, das ruas e das das suas cores.
Sempre que saio, quer para norte, quer para sul, quer para fora, o regresso é sempre feito a Lisboa. Lisboa é sempre o destino, quer seja na placa da auto-estrada, do placar electrónico da estação de comboios ou do aeroporto. Voltar a Lisboa é sempre um regresso a casa. À minha casa.

mensagens



[o chat do facebook tem o mesmo efeito]

16.7.10

somos tão frágeis

Num dos pontos de fumadores da empresa onde trabalho costumava encontrar uma colega do departamento finaceiro. Baixinha de ar frágil, simpática, querida no trato. Mãe de um filho desportista que passava a vida entre nódoas negras e ossos partidos. Conversámos muitas vezes naqueles minutos que se demora a queimar um cigarro. Numa empresa com tanta gente conhecemos as pessoas e as histórias que partilham, o nome, esse, fica muitas vezes no desconhecimento. Não sei se ela sabia o meu, o dela soube hoje através da newsletter dos recursos humanos. Isabel. Chama-se Isabel, teve dois aneurismas. Assim de repente, fiquei a saber o nome dela, no meio de um pedido de uma cama articulada e uma cadeira de rodas. Não sei detalhes e também não seriam para aqui chamados. O que sei é que a Isabel, que fumava cigarros comigo enquanto falávamos dos desportos dos miúdos, de um momento para o outro ficou confinada a uma cadeira de rodas. O que sei é que nos chateamos com merdinhas, deixamos que outras pessoas nos estraguem dias, momentos. Passamos tanto tempo a fazer planos e a livrarmos-nos de obstáculos. Queixamos-nos do tempo, do trabalho, do trânsito, do chefe e dos colegas. Merdinhas. Insignificâncias. Não vivemos com o que temos, está-nos no sangue querer mais, querer melhor. Eu há muito que apregoo o mesmo: quero mais tempo, quero ter tempo para viver. A Isabel, não sei o que quer, mas imagino que quereria que o estupor do aneurisma não lhe tivesse sido oferecido e a tivesse deixado no estado que ficou.

Somos tão frágeis.

gostar de máquinas




[não preciso, mas quero-o]

vicíos

Os vícios são lixados. Sabemos que nos faz mal, nalguns casos sabemos que nos podem matar, mas continuamos, uma e outra vez, alimentamos o bicho que nos corrói por dentro com desculpas esfarrapadas, mentimos a nós próprios. É só mais esta vez! Juro que é a última! E uma, outra e outra vez injectamos o veneno que nos mata por dentro, que nos seca, que nos amarga. Só mais uma vez, porque a força do vício é maior, porque a força para matar é sempre maior do que para viver.



evolução

Fátima Lopes

-Como é que se emagrece daquela maneira depois de ter um filho?

[além disso é gira]

8.6.10

"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

Antoine de Saint-Exupèry

9.5.10

do nosso fim de semana

Medos vencidos e obstáculos ultrapassados. O meu infante mais velho faz-se.

Os infantes, a minha cara metade e os nossos amigos são o melhor da vida.

7.5.10

sinónimos

sarna
s. f.
1. (...)
2. (...)
3. (...)
s. 2 gén.
4. Pessoa impertinente, pegadiça.

5.5.10

tenho um perfume novo

à conta desta brincadeira o meu perfume habitual foi substituído por este:


[Não recomendo, a não ser que precisem de desentupir o nariz.]

4.5.10

ando armada em jogador da bola

Tendinite crónica do ombro direito.
Ruptura dos ligamentos da rótula nos dois joelhos.

[Acho que vou adiar as análises que me mandaram fazer na 5ª feira, esta semana não aguento mais notícias destas]

3.5.10

a felicidade da ignorância

O T. e o A. têm de ir levar a segunda dose de uma vacina, ontem a combinar com o T.:

Eu - Vocês têm de ir tomar a segunda vacina, quando queres ir?
T. - Até quando é que se pode levar?
Eu - Até final de Maio, T.
T. - Hummmm
Eu - Não queres levar já e despachas-te já da vacina?
T. - Sim, é melhor mamã.
Eu - Amanhã?
T. -A., vamos amanhã à vacina?
A. - Yeahhhh

Hoje de manhã no carro.
T. - A. hoje a mamã não nos vai buscar tão cedo como na semana passada.
A. - Oh...
Eu - Mas vou buscar-vos mais cedo para irmos à vacina.
T. - A. vamos à vacina logo?
A. - Yeahhhh
Eu - A. tu sabes o que é a vacina?
A. - Não...
Eu - Logo vi!

2.5.10

ainda do dia da mãe

O meu infante mais velho recusou-se a fazer-me o presente do dia da mãe. A auxiliar do ATL deu-me a notícia completamente escandalizada.
No carro perguntei-lhe porque não fazia o presente.

- Porque não serve para nada, mamã.
- Mas o que é o presente?
- Hummm... Bem, como não vou fazer posso-te contar.
- Claro que podes, diz lá.
- É um caderno com uma receita copiada de uma revista para tu escreveres as tuas receitas.
- Mas tu gostas tanto de cozinhar e não queres fazer?
- Não mamã, tu tens livros e um caderno de receitas muito mais giro.
-É justo.

[Decididamente o T. tem a quem sair.]

dia da Mãe?

Dizem que o primeiro domingo de Maio é o dia de Nossa Senhora e também dia da mãe.
Gostava é que me dissessem o que são os outros todos.

Hoje dia da mãe os meus filhos estão com o pai, porque dia da mãe, para mim, são todos os dias em que estou com eles.

1.5.10

ícone

por mim era cortá-los às postas e atirá-los aos porcos

Nunca escrevi sobre este tema, não porque assobio para o lado e finjo que não existe, mas porque me dói e revolta-me de uma forma indescritível, nauseia-me ao ponto de ficar mal disposta por vários dias.
Conheço histórias contadas por quem viu o estado em que algumas crianças chegaram ao hospital, muitas vezes levadas pelos próprios agressores. Quando oiço histórias assim, lembro-me do quanto gostaria de me ter formado em medicina, mas nunca, nunquinha em nada que tivesse a ver com crianças. Não conseguiria, juro que não conseguiria, ver uma criança naquele estado, ainda mais se lá estivesse o agressor ou alguém que não tivesse impedido a agressão sem que eu própria saísse do meu estado racional e o/a esquartejasse com um bisturi.
Não entendo como é que alguém consegue ver uma criança a chorar e não fazer nada, não consigo encaixar como é que alguém consegue infligir dor a uma criança. Não consigo, é mais forte do que eu.
Hoje uma amiga colocou no FB uma foto de uma criança com a sua cara feita em papa por um agressor e eu estou aqui a remoer de nauseada e revoltada que me sinto. Por mim qualquer agressor ou espectador que assista a uma agressão a uma criança devia ser cortadinho em postas e dado aos porcos. É inadmissível que alguém o possa fazer e que seja tão levemente punido, ou que se permita que a criança saia do hospital pela mão do agressor. Mães, pais, avós, tios, o que sejam que cometam atrocidades destas ou que permitam que outros as cometam deviam ser-lhes retirada a guarda destas crianças porque se o fizeram uma vez vão torná-lo a fazer e o papel de um adulto, qualquer que seja o laço parental ou mesmo sem laço parental devia ser sempre o de proteger e nunca, nunca de infligir dor.

[um dia escrevo um post igual para os maus-tratos psicológicos porque hoje chega-me este para ter vontade de vomitar]

17.4.10

eu tinha razão

I told you
That we could fly
Cause we all have wings
But some of us don't know why

15.4.10

desintoxicar

Desde ontem que a base da minha alimentação é bolo de chocolate, acho que está na hora de mudar para algo mais saudável, não?


eu acredito

Eu acredito em histórias de amor. Acredito que em qualquer lado do mundo, ou mesmo mais perto do que imaginamos, existe a outra metade. Acredito em amores de e para a vida. Acredito que existe alguém que enche o vazio que outros deixam por muito que se tentem ajustar. Acredito no amor à primeira vista como acredito no amor à 100001 vista. Acredito que o amor vence barreiras. Acredito que o amor nos muda para melhor. Acredito que por amor vale a pena mudar. Acredito que por amor vale a pena virar a vida de pernas para o ar. Acredito que se pode dar a vida por amor. Acredito que se pode morrer de e por amor.
Eu não acredito na vida sem amor.


Foto: Dalila


14.4.10

[post dedicado]

Estou de neura, estive todo o dia assim.
Acordar hoje foi um verdadeiro tormento, fazem-me falta os sinais. Não sei se ainda respiras eu faço-o com alguma dificuldade.
Apetece-me agarrar no telemóvel e desencadear uma sessão de troca de sms, seguro-me. Tenho de me segurar. Quiseste ir. Vai.
Racional, radical, seja. Sou assim, assim me manterei até que alguém me consiga convencer do contrário. Ainda não conheci ninguém com essa capacidade.
Sou forte, demasiado forte, assusto quem não o é na mesma medida, a imagem que de mim projecto é aumentada não sei bem quantas vezes aos olhos dos outros. Não serei tão grande como me vêem, mas não me importo.
Sou grande, mas sou menina, preciso de colo e enquanto não surgir alguém digno de me abraçar, manter-me-ei enroscada em mim mesma.

ciclos

E quando se julga estar a fazer o certo, que a estrada é a que nos leva ao sítio onde gostaríamos de estar, surgem encruzilhadas que baralham tudo.
Não é fácil escolher caminhos, menos ainda percorre-los, existem obstáculos, peões a atrapalhar, camiões à frente que não nos deixam vislumbrar o horizonte na vã tentativa de encontrar uma placa com o nome do destino a aproximar-se, quando afinal, muitas vezes andamos às voltas, perdidos.
Amar um Ser é Matar Todos os Outros

Não há uma coisa que se faça por um ser (que se faça verdadeiramente) que não negue um outro. E quando não nos podemos resignar a negar os seres, há uma lei que nos esteriliza para sempre. De certo modo, amar um ser é matar todos os outros.

Albert Camus, in 'Cadernos'

13.4.10

entre o gostar e o precisar

gosto deste

mas preciso deste

um...dois...três... estou doida!

Entro no carro, ligo o rádio. Comercial, músiquinha da treta. Mudo de estação. RFM, a mesma musiquinha da treta uns segundos à frente. Mudo de estação. Capital, - não pode ser! A mesma?
Volto para trás uma a uma. Ou estou doida ou estou mesmo a ouvir a mesma música em três estações diferentes. Não tentei as outras memórias porque alguém [engraçadinho] me memorizou a Rádio Miramar nos restantes e eu ainda não tive pachorra para mudar.

Final da história: Frank Sinatra em CD. Muito melhor.

para começar bem o dia



[pela mão do H.]

12.4.10

voyeurismos

Já tive como passatempo observar os cestos e carros de supermercado enquanto esperava na fila para pagar, como se o seu interior desvendasse algo sobre as pessoas. Deixei-me disso, é raro ir ao supermercado e quando vou tenho outros dois entreténs que não me permitem deixar que a minha imaginação deambule durante muito tempo. Mas quando temos uma mania e deixamos de ter oportunidade de a alimentar arranja-se substitutos e a janela da minha cozinha faz as delícias de qualquer voyeur que se preze. Ainda não percebi se as pessoas que vivem no prédio da frente possuem uma descontracção fora do normal e, casualmente foram todas viver para o mesmo prédio, se vivem na ilusão que os vidros escurecidos, que durante o dia lhes preservam a intimidade, funcionam durante a noite com as luzes acesas. Nada mais errado, vê-se de tudo e, quando eu digo de tudo, é de tudo mesmo.
Se ao olhar para um cesto de supermercado se tentam desvendar vidas, imaginem através de uma janela paradentro de casa as vidas que se desvendam.

e eu com ar muito parvo a ouvir isto

[Eu a apoderar-me da televisão da sala]

Eu: -T., liga a televisão do vosso quarto para verem o Martim Manhã.
T.: - Déde, anda, vamos para o quarto.
A.: - Não tá a dar...
T.: - Tá, tá!
A.: - Não tá. Vai uma apossta?

[três anos e já aposta? Aos 6 está no casino, não?]

e antes que comecem com devaneios

Não, não estou a pensar noutro bebé, já estou tão bem servida que até me posso gabar de dizer que tenho um que vai ser sempre o meu bebé.

[Sim, há-de ter 40 anos, barba e cabelos brancos e será sempre o meu bebé, o meu desenho animado!]

memórias de um útero

Há 4 anos atrás também eu estava às voltas com a panóplia de acessórios e detalhes que fazem falta a uma quase-mãe-de-criancinha-cá-fora. Se há 4 anos já era marinheira de segunda viagem, há 8, também nesta altura, era de primeira e tinha lido todas as Pais & Filhos e afins desde que pensei em engravidar, também uns anos antes me tinham passado muito perto 3 bebés, por isso, não é que não houvessem segredos por desvendar ou dicas por descobrir, porque essas há sempre, mas a coisa estava desmistificada. Se achava que tinha um sentido prático aguçado, no meu primeiro filho tive o teste de fogo. Talvez porque nunca gostei de brincar com bonecas, nunca tive aquela coisa do enxoval cheio de trapinhos sóporquesãoamorososeomeufilhopareceumboneco. Os bebés crescem a olhos vistos e o que serve hoje amanhã já não dá e, odeio, meu Deus se odeio, pegar num bebé e não perceber onde acaba a roupa e começa o próprio do bebé, por isso sempre tive a roupa à conta, mas para o tamanho da altura e não para durar até começar a andar. A roupa dos meus filhos sempre teve de ser para facilitar e não para complicar, vestidos sim e sobretudo, confortáveis e sem ter de lhes dar muitas voltas, porque quem já teve bebés sabe bem que depois de comer, vem a fralda e depois da fralda se houver muitas voltas raramente nos livramos da bela bolsadela, por muito bem que tenham arrotado. E isto tudo para dizer que sim que o meu útero também não se esqueceu e que a conversa de dicas que tive hoje com a Mary teve sabor de nostalgia. Talvez porque à 8 anos por esta altura andava às voltas com o mesmo tema e, porque há 4 voltava ao mesmo, o meu útero cérebro ande para aqui num misto de saudade e de alívio em que, sem sombra de dúvida, ganha a saudade loucura.

podia repetir todos os dias

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

[se não o fizesse já]

recadinho

Caro S. Pedro,

lá por casa já se fez a mudança de colecção. A roupinha de inverno está toda devidamente escondida do meu campo de visão. As botas ainda resistem nos meus pés, mas as sandálias já estão à mão de semear. Deixe-se lá, por isso, de invenções e estabilize de uma vez por todas as temperaturas e o céu azul, sim?

Agradecida

"nunca esquecerei Barcelona"

9.4.10

a minha memória

Ao contrário do que [tantas] vezes gostaria, a memória não me atraiçoa, sobressalta-me.

tic tac

Será que a tarde não acaba?
Preciso de parar de olhar para o relógio, melhor, não ter relógio.
Sair daqui a correr sem ter onde ir. Sem obrigações.
Apetece-me aproveitar os dias, apanhar sol, dormir, ver um bom filme, ouvir as gargalhadas que vêm do quarto deles.

Pairar, apetece-me pairar sobre os dias e deixar que tudo ande à minha volta, mas devagarinho.

lógica

e se hoje é sexta-feira, mais logo ao final da tarde é fim de semana e vai estar sol e tudo, vai ser excelente.

8.4.10

mãe má!

"Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:
- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?
- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).
- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.
- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.
- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.
- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.
- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.
- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.
- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.
- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.
- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram."


(Dr. Carlos Hecktheuer - Psiquiatra)

que se parta a loiça toda

A sério que acho giro aquelas pessoas que têm serviços vista alegre e copos de cristal e faqueiros em prata e toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, tudo encafoadinho no louceiro à espera "daquele" jantar ou almoço que justifique ter a trabalheira de tirar de lá tudo e pôr a mesa a preceito com a jarra de flores, também de cristal com um lindo ramo no centro da mesa. São rituais que se herdaram de outros tempos, de outras mentalidade, de uma outra sociedade em que nada era descartável e em que o enxoval acumulado antes do casamento iria durar o resto da vida [assim como o próprio do casamento]. E não, não tenho nada contra o ter serviços da Vista alegre, ou copos de cristal ou faqueiros de prata e muito menos toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, o que eu acho mesmo mal é a parte do encafoadinho no louceiro [já para não falar na parte do louceiro, mas isso são gostos e não se discutem]. Lá em casa os pratos são Ikea, servem todos os dias quer haja visitas ou não. Os copos de vinho são da Marinha Grande [do tempo em que os copos do Depósito da Marinha Grande eram ainda mais caros do que são agora] e servem quer seja dia de festa quer me apeteça beber um copo de vinho sozinha. Lá em casa come-se com talheres de peixe quer haja convidados ou não. Já os talheres de prata, isso não entra lá em casa, porque na minha mesa ou na minha cozinha só entram coisas que possam ser lavadas na máquina, que é para isso que ela serve, já me basta a saladeira que achei tão gira tão gira, que comprei e depois descobri que não só não pode ir à máquina como não pode conter alimentos quentes, saladas só frias, portanto. As toalhas bordadas, lamentavelmente ficaram pelo caminho num azar há uns anos atrás, mas felizmente ainda sobreviveu uma cuidadosamente bordada pela minha avó, os guardanapos é que não sei o que lhe fizeram, mas para todos os efeitos é tão usada como qualquer uma das outras sem bordados.
E sim, o que acho mesmo giro é guardarem-se coisas "especiais" para "momentos especiais" [não se vá partir o cristal ou entornar qualquer coisa em cima da toalha] quando o mais importante é tornar especial o que existe à nossa volta e usufruir porque o bom, para mim, não serve para mostrar aos outros, serve acima de tudo para mim e se serve para mim serve para quem se senta à minha mesa.

é que já mete pena

Eu às vezes [e é só às vezes porque de facto tenho mais com que ocupar os meus neurónios], pergunto-me se certas pessoas têm noção.
Só isso: se têm noção.
-E noção de quê? Poderiam perguntar.
E eu responderia: - De tudo.
Porque é de tudo mesmo, porque não dão uma para a caixa. E é tão triste ver certas figurinhas que, quer se goste ou não das pessoas, fica-se assim com aquele sentimento de vergonha alheia.

Custa-me perceber como é que as pessoas não param, por um minuto que seja [horas, vá, ou mesmo dias] e pensem na tristeza que é viver assim. Em que não produzem nada de bom, em que deixam que tudo lhes passe ao lado, em que todos os dias se enterram um pouco mais no lamaçal que criaram nas suas vidas. E depois dizem e fazem uma coisa num dia e no dia seguinte já é tudo ao contrário. E o discurso começa a ser desconexo, não das acções porque esse sempre foi, mas desconexo entre si, no espaço temporal ou no espaço entre estados de espírito.

Vá lá... haja coerência, definição, pudor, qualquer coisinha do género [vergonha na cara?], porque não havendo fica à volta a imagem de falta de personalidade ou, pior, de desequilibro mental e, convenhamos, ninguém quer ser visto assim.

Assumam-se, porra, ou é ou não é!

[suspiro]

Há dias assim.
Não sei se é por estar sol, se é por hoje ser 5º feira, se é por ter dormido bem, se é por ter acordado bem, se por estar quase de férias.
Não sei porque é.
E não querendo testar a Divina Providência, arrisco dizer que hoje é difícil chatearem-me e, acreditem, que já fui posta à prova.

7.4.10

provavelmente

está na hora de tirar da gaveta um certo e determinado projecto que atirei para o fundo de uma das tantas que tenho em casa.

A ver, a ver. Mas que me apetece, apetece e eu não gosto de me contrariar.

obrigada, mas não era bem isso

Eu não preciso de um serviço de baby-sitting especializado, não preciso de ganhar mais dinheiro para poder ter alguém que me vá buscar os meus filhos à escola, ou pagar a uma empregada que me arrume e limpe a casa e ainda faça o jantar e dê banho aos miúdos e os ajude a fazer os trabalhos de casa e os meta na cama. Não, não é nada disto que preciso e, todo o dinheiro que possa ganhar a mais não é para ser gasto desta forma.
O que eu preciso mesmo é de ter tempo para ser mãe, mais mãe ainda. Sim, dá-me jeito ganhar mais para fazer face aos sobressaltos, para pagar a natação, a capoeira, o futebol, os dvds, os jogos, os livros, as camas novas porque já não cabem nas antigas, pagar a conta da EDP porque o aquecedor ficou ligado toda a noite porque estava um frio de rachar, para encher o depósito de gasolina e andarmos a passear, para não ter de me preocupar com as contas.
O meu papel de mãe não está à venda. Eu não quero poder trabalhar mais horas, eu quero é poder ser mãe mais horas. Quero poder, nem que seja só quando o rei faz anos, ir buscar os meus filhos a meio da tarde, só porque sim e, acabarmos o dia no parque ou na praia ou no cinema. Quero poder ir todos os dias à capoeira, ao futebol, à natação ou ao piano, quero lá estar, a ver, a incentivar ou mesmo a "secar". Quero poder chegar a casa e demorar uma hora e meia a fazer um jantar que é comido em 15 minutos. Quero poder sentar-me com ele a fazer os trabalhos de casa ou a ver um filme antes do jantar. Quero poder ficar sentada na tampa da sanita a conversar enquanto ele toma banho. Quero continuar a ser eu a deitá-los, quero dar o beijo de boa noite com eles ainda acordados. Quero ser eu a enchê-los de beijos ao acordar e se tiver de os stressar de vez em quando para não me atrasarem, seja, mas o meu papel de mãe não se troca e não há dinheiro que me pague para eu abdicar do pouco que consigo.

Eu não preciso de muito para ser feliz, é um facto, mas com mais tempo eu seria muito mas muito mais feliz.

diz quem sabe

Fiz a melhor lasanha jamais experimentada.

5.4.10

petit chef

a nossa casa cheira a bolo e a pão.

5 sentidos

Apetece-me ter a casa a cheirar a doce.
Desde ontem que ando a pensar no mesmo, mas faltavam-me ingredientes.
Quando chegar a casa vou fazer pão e um bolo.


Sol e doce

Depois de um fim de semana maravilhoso está um dia lindo, já falta pouco para ir de férias e só me ocorre dizer: Sou tão feliz!

Foto: Olhares

4.4.10

Viagens [ou como a vida pode ser doce]

Uma das grandes vantagens de um divórcio são, sem sombra de dúvida, os recomeços. Permitem-nos renascer, renovar, recriar e sobretudo reencontrarmos-nos.
Na primeira viagem cometem-se erros, atiramos-nos de cabeça só porque sim, porque é normal, porque é o que temos como certo que se deve fazer, assim a modos que um inter-rail de mochila às costas e logo se vê onde nos leva. [Nem sempre é onde queríamos ir]. Depois de uma longa viagem cheia de bagagem pesada, em que um carrega mais do que o outro, com destinos mal estudados em que nos deixamos ir só porque é mais cómodo ou porque por uma série de outras razões não conseguimos mostrar o nosso destino pretendido.
Afinal a vida não passa disso mesmo, uma série de viagens que temos pela frente, umas mais curtas, outras mais longas, mas não deixam de ser viagens.
Na segunda viagem preparamos-nos, olhamos para o mapa, analisamos o percurso, as estações, a meteorologia e só nos metemos a caminho quando temos a certeza de que vale a pena. E falo de viagens a dois, logo a escolha do ou da companheira de viagem é, provavelmente, o pormenor mais importante. Quem não achou que a primeira grande viagem da sua vida foi de facto "a viagem da sua vida", vai concerteza tentar fazê-la na primeira oportunidade em que lhe surja um destino que afinal era mesmo aquele onde sempre quis ir, a companhia que sempre idealizou mas não sabia que existia e o tempo até está bom para viajar e instala-se o frenezim de uma nova viagem, agora sem artigos desnecessários na bagagem, só o necessário e imprescindível para iniciar uma nova aventura acompanhados de quem vale mesmo a pena.

em repeat mode


Quinta feira jantei o melhor bife que se pode imaginar, acompanhado de caipiroskas, sevilhanas em som de fundo e a melhor companhia que posso ter.

Sábado jantei sushi, no meu restaurante de sushi preferido, acompanhado de caipiroskas e boa conversa.

[a vida é doce]

3.4.10

fio de ouro


Devo responder a 3 questões e passar a três outros blogues que considere merecedores.

1. Por que acha que mereceu este selo?

R: segundo as palavras do Pedro "Porque a Ana tem gestos maravilhosos e porque escreve bem, de forma simples, bonita e tem muita piada. [Obrigada Pedro!]

2. Na sua opinião, qual o post do seu blogue que acha merecedor de um prémio?

R: merecedor não sei, dos meus preferidos: este

3. Do blogue que me indicou, o que mais me agrada? Ele merecia o blog de ouro?

R: a sensibilidade das palavras.

E passo este prémio a.....

como não podia deixar de ser os eleitos do costume:

100Nada Porque mal a Cat posta eu estou lá e porque tenho muitas saudades de posts nos semáforos vermelhos.

Caixa de Costura Porque o André tem o Blog onde faço mais copy paste de posts e envio por email para partilhar as gargalhadas que me provocam.

Dias de uma princesa Porque é o blog da minha princesa. Porque os posts do G. são deliciosos.

ainda com muitas em atraso

Se há coisa de que gosto mesmo é dormir e uma sesta vale-me por noites inteiras. Hoje dormi desde as 6 e tal da tarde e só acordei às 10 da noite, renovada.

1.4.10

contagens

da última lavagem da máquina da roupa tirei:

- 2 jogos da psp
- 1 jogo nintendo