Nem sempre vivi em boas casas. Fui criada numa casa antiga no centro de Lisboa, com assoalhadas enormes, corredor de 11 metros e pé-direito de 2,5 metros de altura. Actualmente e olhando para trás, não era uma casa confortável, demasiado grande para se conseguir ter temperaturas amenas em toda a casa. Em termos de decoração também não primava, afinal as casas naquela altura tinham o essencial e dispensava-se o superfluo. Aquilo a que eu chamo a minha primeira casa era um horror, umas águas furtadas muito mal amanhadas, demasiado esconsa, demasiado fria no inverno, demasiado quente no verão. A entrada da casa era a própria da cozinha [de bonecas] onde só cabia um armário e um frigorífico. A casa de banho ficava na varanda e não tinha porta, muitos banhos tomei de água fria no Inverno porque não havia dinheiro para comprar o esquentador. Sim, era um horror, mas era o que o dinheiro que ganhava em dois empregos e o apoio do IGAPHE conseguia pagar. Valia-me a vista para o Tejo e, eu que sempre tinha sonhado com uma casa com vista para o rio.
A segunda casa, ficava duas ruas abaixo da primeira, foi uma mudança surreal, valia-me ter muito pouco coisa para mudar. Esta segunda casa tinha menos assoalhadas, apenas duas, muito pequenas, em compensação a cozinha era grande o que me permitiu comprar uma máquina de lavar roupa, assim como a casa de banho ficava dentro de portas e tinha banheira [passados alguns anos finalmente consegui tomar um banho de imersão]. Ambas não eram o meu ideal de casa, mas lá está, era o que me podia dar ao luxo de pagar, também em ambas e, apesar de todas as falhas que tinham consegui dentro do possível torná-las acolhedoras e que não me desse vontade de fugir dali para fora. Tinham um cunho pessoal.
A terceira casa, agora a dois, foi comprada ainda na fase das paredes em tijolo, o construtor que era a anti-tese dos construtores deste país, honesto, deixou-nos escolher os acabamentos. Escolhi novos azulejos para a cozinha, mudei o chão previamente escolhido, mudei as casas de banho e as portas do roupeiro. As cores das paredes também foram diferentes das originais. Não fosse eu ter-me esquecido de mudar os armários e as bancadas da cozinha e tinha ficado exactamente como eu queria.
A quarta casa e actual, foi comprada em segunda mão e fizemos obras, umas para resolver problemas de isolamento, outras de puro sentido estético e e prático. Reformulei uma casa de banho inteira, pintámos paredes, remodelei parte da sala e a cozinha levou o maior tratamento de todos, só lhe faltava o chão em madeira para eu dizer de boca cheia que tinha a cozinha dos meus sonhos.
Eu sou daquelas pessoas que concorda inteiramente com o slogan do IKEA, "viva mais a sua casa". Porque a minha casa é o meu ninho, o meu refúgio e eu tenho de me sentir bem nela, muito bem, eu e os que nela vivem comigo. Eu para me sentir bem na minha casa tenho de ter conforto e esse conforto passa muito pelo conforto visual. Agora, que se avizinha uma 5ª mudança eu até abdico de algum espaço, do meu conforto não.
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