30.11.08

Varicela II

Amanhã o mais novo regressa antecipadamente de casa do pai, carregadinho de varicela, pois que isto de ficar em casa com crianças doentes calha-me sempre a mim. Cá estaremos, enfiados em casa, apenas com direito a duas saídas precárias por dia para ir pôr e ir buscar o mais velho à escola.
Prevejo que no final da semana estou uma verdadeira pro a jogar The Cars na PS2.

sono em dia

(Foto: Pezinhos de lã)

Graças a uma neura monumental e a uma tempestade que teima em se ir embora resolvi dormir. Há mais de seis meses que não sei o que é dormir mais de seis horas por noite. Hoje acordei com sol ao fim de 15 horas de sono.

25.11.08

As moedas têm sempre duas faces


Só conto comigo, aguento intempéries e tempestades, mantenho as minhas raizes bem agarradas ao que me sustém, engulo as lágrimas, escondo as dores atrás de um sorriso pouco fácil e frágil e há dias em que rebento e vergo só com um sopro.
Verguei hoje.
Amanhã é outro dia.

24.11.08

Eu já disse que odeio chuva?

Resoluções de Ano-Novo

Eu preciso de listas, elas orientam-me e evitam que eu me esqueça de alguma coisa, mantêm-me focada e permitem-me muitas das vezes prioritizar o que tenho para fazer. Faço-as para tudo e mais alguma coisa:
- compras
- assuntos a tratar
- tarefas do dia
-prós e contras
(e agora até faço lista das listas que faço).
Nesta altura do ano, além das normais listas costumo fazer listas de objectivos. Primeiro faço uma lista com tudo o que consegui este ano, depois comparo-a com a lista de objectivos a que me propus à um ano atrás. Risco o que coincide, acrescento à lista do ano passado tudo o que consegui a mais e sublinho o que ainda falta fazer. Dos sublinhados sai uma nova lista de assuntos a resolver até dia 31 de Dezembro.
Depois de ficar uns bons momentos num exercício de contemplação por tudo o que consegui segue-se nova lista, a dos objectivos para o próximo ano. Está feita!
E se desde que criei este hábito as minhas listas têm sido cumpridas, a do próximo ano está a deixar-me algo preocupada e, não é por causa da crise, mas porque pela primeira vez todos os itens sem excepção estão muito mais dependentes dos outros do que de mim e essa dependência deixa-me algo expectante.
Veremos no fecho de contas de 2009.

23.11.08

Domingo em grande

Passámos a manhã na rua na melhor das companhias.
A tarde foi de mães, filhos, chá e scones.
Gosto de dias assim!

ainda a propósito da amizade

O post da sinceridade da amizade foi escrito a propósito de uma conversa que tive ao telemóvel com uma amiga enquanto vinha do médico com o T. na sexta feira. O exemplo que dei no post do pontapé nos rins também o verbalizei. Na altura o T. não disse nada, estava lá a trás no carro calado a ouvir a conversa. O telefonema terminou quando cheguei à porta da escola do A. para o ir buscar, mal desliguei o T. disse-me com ar preocupado - "Mamã, não gostei do que disseste de estar deitado no chão e do amigo dar um pontapé."
Eu explico sempre todas as dúvidas do T. mesmo as mais "cabeludas", mas estava imenso trânsito e eu queria-me despachar, chutei para canto com a promessa que depois de ir buscar o irmão lhe explicava. Por acaso a coisa passou, apesar de eu não gostar de deixar questões destas em aberto.
Hoje, enquanto o T. me dizia que gostava muito dos nossos fins de semana porque tínhamos sempre amigos à volta e eu concordava com ele dizendo-lhe que temos de aproveitar o tempo fora do emprego ou da escola para estarmos com as pessoas de quem gostamos ele sai-se com a tirada:
"- Os amigos não nos dão pontapés quando estamos no chão, senão não são nossos amigos. No outro dia um amigo lá da escola estava com dores no ouvido e um colega começou a dizer que ele ia morrer, os amigos não fazem isso."
E eu fico assim, muito parva a olhar para ele pelo retrovisor do carro a perguntar-me porque raio fui eu pensar que o meu filho de 6 anos não tinha percebido uma conversa em sentido figurado...

adoro

Boas surpresas

22.11.08

tudo pode melhorar


Hoje o meu acordar foi marcado por uma dor de cabeça muito, mas mesmo muito, violenta. Não fosse ter de preparar leites para as crianças e garanto que não tinha levantado a cabeça da almofada. Claro que depois de me levantar e com os dois acordados, voltar para a cama tornou-se uma missão impossível, tomei o pequeno almoço, enfiei goela abaixo uma migraspirina, tomei um café e resolvi ir para a rua com eles que o A. estava insuportável de birrento.
A dor de cabeça lá passou, a manhã de quase-primavera convidou-me a sentar na esplanada a saborear um capuccino delicioso, com canela ao invés de chocolate. O T. pedalou, o A. arrastou o triciclo com os pés e eu andei de máquina em punho a registar a nossa manhã.
Soube-me bem apanhar ar, pôr as ideias em ordem, repirar o ar daquele sítio de que tanto gosto, que tantas recordações me traz e vê-los a brincar descontraídos.

(O T. também gosta de pessoas... de costas)

é que não vale a pena contrariá-los

Como faço todos os dias, às 21h30, lá estavam os infantes na cama. Hoje passados 15 minutos de os ter deitado o A. resolveu fazer um birra que não queria dormir. O irmão já estava na terra dos sonhos. Fui buscá-lo perguntei-lhe se queria dormir na minha cama, disse que sim (claro,que pergunta tão estúpida) e fui deitá-lo, nem 5 minutos tinham passado percebi que estava na varanda dos brinquedos, deixei-o estar. Alguns minutos depois estava na sala sentado ao meu lado enquanto eu falava animadamente ao telemóvel. Após ter desligado, voltei para a cozinha para poder fumar enquanto andava em amena cavaqueira pelo messenger, claro que o fedelho tinha de aparecer. Andou pela cozinha a brincar com os carros, comeu pão, comeu bolachas, começou a pedir colo porque estava cheio de sono, voltei a deitá-lo, na minha cama, obviamente, porque a pequena criatura mal passou o Hall de entrada apontou logo para lá. Ia-me deitar agora, a pensar que ia ter de o pôr na cama dele, quando para meu meu espanto ele não estava lá. Parecia parvinha, a acender luzes e a espreitar se ele estava estatelado no chão do outro lado da cama, não estava. Fui ao quarto deles e lá estava ele com ar de anjinho a dormir na cama dele, tapado e tudo.
Este rapaz é um fenómeno de imprevisibilidade.

Esclarecimento à navegação

Os temas dos meus posts nem sempre estão ligados directamente a mim, como diz o nome do próprio blog são fios soltos que vou apanhando e que me apetece registar, faço-o aqui. Uns serão desabafos pessoais relacionados com situações da minha vida ou da vida de pessoas que me são queridas e me apetece aqui deixar a minha opinião. Basicamente escrevo sobre o que me apetece, pior são as vezes que até me apetecia escrever, mas estou sem pachorra para o fazer. Muitas coisas não posto porque me quero esquecer e não me apetece registar a título de memória futura. Isto tudo, apenas, para explicar a quem segue o desenrolar dos fios que nem sempre, quando os posts parecem mais cinzentos estão relacionados comigo. Geralmente quando as nuvens cinzentas aparecem é quando perco a vontade de escrever.

21.11.08

Tenho uma veia Tiffosi

A Ferrari premiou Valentino Rossi pela 8ª vitória no mundial de MotoGp com testes ao volante de um Fórmula 1 no circuito de Mugello. Rossi teve direito a 28 voltas, chuva, muito vento e a uma saída de pista, donde saiu ileso. O capacete usado tinha um desenho idêntico ao usado no MotoGP e o F2008 recebeu o número usado sempre nas motas de Rossi, o 46. Para minha tristeza parece que os testes foram só mesmo presente e está para já afastada a hipótese do menino se mudar para o grande circo, o que é uma pena.

A sinceridade da amizade

Um gajo acorda de manhã, está a chover, olha para o despertador e percebe que tem 10 minutos para chegar ao emprego onde vai ter uma reunião com um cliente importante. Só de trajecto são 30 minutos, demora dois minutos no banho, com a pressa dá uma joelhada na torneira da banheira, faz um lanho na cara a fazer a barba que tapa com um bocadinho de papel higiénico. Já no elevador a chegar ao rés do chão, descobre uma nódoa na gravata e que lhe falta um botão na manga da camisa. Sai para a rua e não se lembra onde deixou o carro, anda de um lado para o outro a tentar lembrar-se e a ver se o descobre, olha para trás e vê o carro estacionado mesmo à porta de casa, quando se dirige, finalmente para o carro tropeça e cai estatelado no meio de uma poça de água. Felizmente aparece um amigo, um amigo daqueles do peito, o gajo estatelado no meio da poça estende a mão para que o amigo o ajude a levantar. O amigo enfia-lhe um biqueiro num rim e diz-lhe: - Tu não te podes atirar assim para o chão, ainda te magoas.

A isto é o que muitas pessoas chamam de amizade sincera, vai de dizer tudo o que vem à cabeça tal qual os malucos. Não importa a forma o que importa é o conteúdo. Sim, escudados por essa bela palavra, a amizade, podemos espetar uma biqueirada bem assente no rim de um amigo só porque, assim como assim, o que interessa é passar a mensagem e, se não doer não se percebe.
Engano, dos mais elementares, a amizade não dá o direito de ferir os outros com sinceridades acutilantes, não vale a pena andarmos a pôr florzinhas onde só existem calhaus, nem oito nem oitenta, mas se há quem mereça respeito na forma como passamos a mensagem são os amigos. Eu não chego ao pé de quem gosto e digo: - Ò minha grande besta... Por isso também dispenço que me tratem como se fossem umas bestas insensíveis. Essas pessoas até podem ter outro nome, amigo, não.
E já agora, também dispenso o pontapé nos rins, se há sítio onde dói é aí e os meus são algo sensíveis.

Palavras sem resto

Quando renegamos a necessidade de partilhar a felicidade que às vezes desperta, algures numa praia deserta, uma alma entorpecida pela saudade ou pela dor, uma vontade até então reprimida pelo receio de insistir no amor que não podemos, de todo, silenciar."

Quase

"Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é a desilusão de um "quase".
É o quase que incomoda, que entristece, que mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por causa dessa maldita mania de viver no outono.
O que nos leva a escolher uma vida morna?
A resposta está estampada na distância e frieza dos sorrisos, nos abraços moles, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados e sem um sorriso.
Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não se pode deixar que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfiar do destino e acredite em nós próprios.
Gastar mais horas a realizar do que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morreu esteja vivo,
quem quase viveu já morreu!!"

Sarah Westphal Batista da Silva

Hoje, estou como ele

20.11.08

Conclusão sobre uma possível vida passada


- Fui gajo!
Só pode!
A tendência que eu tenho para ter conversas de homem-para-homem é surreal (principalmente sendo eu gaija), deve ser por isso que sempre quis filhos gajos e não havia quem me convencesse que que eu poderia ter meninas. Gajas?? A sairem-me do ventre? Beberam, concerteza!
Este blogue está a ficar repetitivo também já tinha aflorado o tema aqui.
Mas há dias em que fico assim, meia aparvalhada, percebo que não é acaso, desde sempre que tenho esta empatia com os homens. Eu tenho mesmo conversas de homem-para-homem e, não me estou a queixar, eu gosto. Tenho uma amiga que já me disse por mais de uma vez que eu sou um bocado gajo. Começo a dar-lhe razão, afinal, também gosto de futebol e de carros, mas não é só por isso, eu percebo-os, eles percebem-me e eu gosto muito de saber como é o outro lado, como pensam, como agem (ou não), gosto da partilha de informação. Como disse no outro post, desde os tempos de maria-rapaz que me entendi muito bem com o sexo da setinha, tenho vindo a aprender a entender-me com o da cruzinha com sucesso, mas aquela empatia, é mesmo com os gajos. (Já agora, gaijos, porque eles também se querem com pinta).

Viver com coragem

É enfrentar a adversidade venha ela de onde vier, erguer a cabeça e seguir em frente, ir atrás dos sonhos, lutar pelo que se acredita, encontrar o caminho quando nos perdemos, distinguir o supérfluo do essencial, dar a mão a quem dela precisa, saber pedir ajuda, pedir colo, chorar lágrimas de dor, gritar de pulmões abertos, rirmos de nós próprios, partilhar um sorriso com os outros, dar vida a uma criança, aprender com os próprios erros, acordar para o novo dia, mudar de vida até.

Viver com coragem é não desistir, é acreditar e lutar sempre, sem nunca desistir daquilo que queremos.