1.7.11

não há dinheiro que pague

Uma mãe em casa pode dar muito jeito e durante meses os meus filhos saíram da escola antes das 4 da tarde. Tivemos tempo para lanches caseiros, trabalhos de casa, banhos e jantares sem pressas, muito tempo de brincadeira entre irmãos, enfim, uma série de coisas que habitualmente quando chegamos a casa duas horas antes de irem para a cama não permitem. Mas se por um lado ir buscá-los a esta hora me cortou por completo as tardes, por outro ganhámos todos e muito. As notas do T. que já tinham melhorado no 2º período, melhoraram ainda mais no resultado de final de ano, o comportamento nem foi mencionado na avaliação e, segundo a professora, ele só precisa mesmo de não se distrair. Em relação ao A. o comportamento melhorou, está mais [ainda] autónomo, cresceu e continua um doce. No balanço final, ganhámos todos, a nossa relação tornou-se ainda mais próxima, noto-os mais seguros, mais felizes e até mais responsáveis.
Para mim, é de facto uma pena que não consiga dar uma "volta" à minha vida por forma a que estes horários não sejam excepcionais mas sim normais. Se o T. e o A. ganharam tanto em tão pouco tempo nem imagino o ganho que seria para o benjamim [e para mim e para todos].

30.6.11

a ver

do Verão que ainda nos falta gozar

Entretida que tenho andado com os preparativos para a chegada do mais novo membro da família e e entre uns ais e uis por causa da ciática que se instalou, vou tentando, ainda assim abstrair-me do tempo que falta para o ter nos braços e pensar apenas no Verão que ainda temos pela frente. O enxoval da criatura pequena está tratado, a check list da parfenália está praticamente completa, os infantes mais velhos vão vibrando de ansiedade pela chegada do irmão e eu vou tentando não pensar muito no assunto. O tempo passa a correr e não tarda está mesmo cá fora e a partir daí o tempo ainda corre mais depressa, vou aproveitando ao máximo estes dias inteiros a três que antecedem a tão ansiada chegada.

29.6.11

Choné

O infante [ainda] mais novo trouxe escarlatina para casa, por isso estamos de clausura e se ao terceiro dia não estamos doidos é graças à ovelha Choné que [n]os mantém bem dispostos e a gargalhar toda a tarde.

2.6.11

nas ondas

Tenho um filho surfista [feliz]. Hoje comprámos a tão desejada prancha, uma prancha "à séria" e foi vê-lo feliz e contente de peito inchado e prancha debaixo do braço a atravessar a praia. O cuidado a espalhar parafina na prancha e o ar de entendido com que entrou na água. E remou, remou e voltou a remar. Poucas ondas havia, mas a persistência ganhou e lá conseguiu apanhar duas ondas, ele e o R. o amigo que levámos connosco e que teve direito à mesma aventura.

[o outro lado da mãe babada é que cheira-me que arranjei sarna para me coçar durante muito tempo porque a criança/surfista/feliz vai precisar que alguém o conduza até à praia e vai sobrar para quem? Por muito que goste de praia, acho que vou apanhar um enjoo...]

1.6.11

o nosso [des]governo

Desde Domingo que ando completamente passada. Depois de uma conversa de grávidas e de gravidezes e partos e toda essa temática que faz com que quem esteja presente revire os olhos, fiquei a saber que o nosso [infelizmente] governo de gestão iniciou a destruição do Hospital Dona Estefânia começando por fechar o bloco de partos daquela unidade. Ora, os meus dois filhos nasceram lá por isso posso falar das condições excepcionais com que os partos ocorrem, a humanidade em todo o pessoal de serviço, desde os médicos à senhora do guiché na recepção. A maternidade da Estefânia pode não ser a fábrica parideira que é a maternidade Dr. Alfredo da Costa, da qual a única coisa que posso dizer é que lá fui na véspera do meu filho mais velho nascer e o tratamento não teve comparação. Acredito que tem excelentes serviços, não poderia sequer dizer um ai acerca da MAC, mas ter um filho na Estefânia com o tratamento que dão às mães e, estas tendo a segurança que no caso de qualquer eventualidade ali encontram todas as especialidades e cuidados adequados aos rebentos recém-nascidos, é um alívio enorme.
Felizmente usufruo de seguro de saúde, mas sou completamente a favor dos nossos hospitais públicos quando se trata de assuntos sérios e, para mim, o nascimento de uma criança é um assunto sério.
Quanto à estupidez que me parece o fecho de um bloco de partos com 10 anos de existência equipado com o melhor que há, que em caso de necessidade irá separar a mãe da criança, pois a mãe ficará na MAC e a criança irá ser transferida para o HDE, só me questiono o que tem a actual ministra da saúde, em governo de gestão, contra o Hospital D. Estefânia? É que não é a primeira vez que ela "ataca" esta unidade de saúde... será que tem uma embirranciazinha com o Dr. Gentil Martins? Será que alguma vez lá foi e teve de esperar como os outros e jurou vingança? A verdade é que não sei, mas a desculpa da falta de profissionais na Maternidade Alfredo da Costa não me convence e a data escolhida para o encerramento do bloco de partos também não: o dia seguinte às eleições - é bonito!

Fica aqui o LINK da petição pública contra o encerramento, eu claro, já assinei

Ah... e sim também há um motivo pessoal, é que não há duas sem três e se dois dos meus filhos nasceram nas melhores condições do HDE, não quero nada de diferente para o terceiro.


31.5.11

devo andar a ver o mundo ao contrário

segunda visita à segurança social e em vez de centenas de pessoas à minha frente... Nada... Vazio... Sem vivalma... Lindo de sonho!

25.5.11

a esperança renova-se

Domingos Paciência - treinador do Sporting

[Depois do Sr. Tranquilidade, Paciência parece-me uma excelente escolha. A ver vamos se é desta que volto a pagar quotas]

18.5.11

lançar os dados

Quando me caem ideias no colo posso fazer uma de duas coisas:

- Saculi-la como se fossem migalhas.
- Arregaçar as mangas e tentar.

Hoje tentei!

10.5.11

comércio tradicional

Já me deixei de perder tempo a fazer compras no supermercado há algum tempo, continuo a lá ir, mas apenas para comprar coisas que vão faltando ou que me vão fazendo falta. O "ir ao supermercado" fazer as compras do mês foi trocado pelo Online. Para mim, muito mais prático: tenho a despensa, o frigorífico e a arca aqui à mão de semear e vou vendo o que de facto falta; evito perder duas horas com a filharada atrás [já fartos e na pedinchice]; não carrego as compras para o carro e do carro para casa. Assim, é ver os senhores do Jumbo a trazerem caixas com rodinhas carregadas de mantimentos e a deixá-los na minha cozinha [só faltava mesmo arrumarem nos sítios]. Mas há coisas que, também há muito que deixei de comprar no supermercado: a carne vem do talho do senhor que é um pintas de primeira, mas que me vende bifes que não se desfazem em água na frigideira e os legumes e a fruta vêm do meu sítio do costume [não, não é o Pingo Doce], a mercearia da rua. E cada vez mais gosto das compras feitas no comércio tradicional. Claro que os senhores do Jumbo não os troco, até porque não estou disposta a alombar com sessenta e tal litros de leite e muito menos passar na mercearia todos os dias e trazer três ou quatro pacotes, mas o atendimento de quem nos conhece é outro, claro. Há 2 anos, por esta altura, passava na mercearia quase todos os dias para ir buscar caixas e caixas de cerejas, pedidos feitos por colegas que também as queriam, eram fabulosas. No ano passado nem as provei porque a dona me disse que não eram como as que eu gostava. Hoje ao ir à mercearia disseram-me logo: já chegaram as suas cerejas, assim, como se as caixas viessem com o meu nome escrito. Trouxe duas, uma caixa cá para casa e outra para os melhores avós do mundo que também se deliciam com elas. Mal chegaram a casa e foram atacadas, eu e o T. matámos saudades das benditas cerejas. Mais um ano em que vamos recarregar o organismo com anti-oxidantes.


9.5.11

feira do livro


No ano passado faltei, ontem regressei. Fomos todos e viemos de lá carregadinhos de livros. Para mim este ano trouxe apenas um, mais um de John Le Carré para engrossar a colecção, para eles muitos, muitas histórias novas para serem contadas e outras para serem lidas pelos próprios.
Antes a ida à feira era uma ida obrigatória de onde vinha carregada de novos livros que ia lendo, não leio menos, sempre fui uma leitora de "momentos", alturas em que devorava livros uns atrás dos outros, em que todos os minutos contam para ler mais um pouco ou a roubar horas ao sono, ficando acordada horas a ler, intercalando com alturas em que os livros ficam quietos na mesa de cabeceira à espera de nova fome de leituras, mas este ano não tive paciência para andar em busca de histórias para mim, por isso não hesitei quando vi mais um de Le Carré e deliciei-me nas histórias infantis e vinguei as compras comprando para eles.

2.5.11

tu que cresces dentro de mim

Cresces dentro de mim e que quando acordado achas que vives numa cama elástica, onde saltas e provavelmente até dás cambalhotas. Sinto-te muitas vezes e o sentir-te é, para mim, o melhor deste meu estado. Gosto de te sentir, mesmo quando os teus movimentos me incomodam, é sinal que cá estás e estás bem.
No mundo cá fora, continuamos com muita calma a preparar a tua chegada. Aguardam-te uma mãe e pai babados [ansiosos, também] e irmãos e irmãs que te vão mimar muito. O teu irmão mais velho até já escolheu [orgulhosamente] o teu primeiro peluche, porque bebé que é bebé precisa de um amigo para lhe fazer companhia nas sestas.
Enquanto saltas e pulas nesse teu mundo que te vai parecer cada vez mais apertado, nós do lado de fora continuamos a esperar-te e a criar um espaço cada vez maior para tu ocupares.

1.5.11

se hoje é o dia da mãe, os outros todos são de quem?

Hoje é dia da mãe, não o passo com os meus filhos, estão com o pai deles, tal como no ano passado. Não, não me importo nem tão pouco me incomoda, porque para mim, dia da mãe são todos os dias em que estou com eles, em que trato deles, em que os educo, em que os acompanho, em que os tento ensinar a serem pessoas melhores e de bem e não, nunca, quando o calendário me diz que hoje sou mãe. Eu sou mãe todos os dias, quer esteja com eles ou não.

e já lá vão 17 anos

[Ayrton Senna]

29.4.11

28 de Abril - A Revolução, precisa-se

Antes de ser mãe já trabalhava há quase 10 anos. Não tive um percurso profissional fácil e muito menos estável, mas dei o litro [muitos litros] e, degrau a degrau, lá fui subindo devagarinho na tabela salarial. A dependência do ganha-pão [a morar sozinha, com rendas e despesas para pagar e sem rede de segurança] impediram-me muitas vezes de arriscar mais, mesmo assim, algumas vezes dei o grito do epiranga e mandei à fava empregos por não me pagarem ou por me sentir explorada. Tive oportunidade de sentir na pele o que é trabalhar muitas horas por escassos escudos [na altura ainda eram escudos], de ter trabalhos temporários, recibos verdes, ordenados em atraso, ordenados por pagar, tudo coisas boas que se não ajudam na carreira e me obrigaram a responder a muitas perguntas parvas em entrevistas feitas por pessoas que parece que não sabem o país que temos, serviu, sem sombra de dúvida, para conhecer de perto a realidade de um lado "desconhecido" por muitos e para me fazer crescer enquanto pessoa.
Mas ainda antes de ser mãe tive a oportunidade de ter um emprego estável onde os ordenados são pagos a tempo e horas, onde há aumentos anuais, onde há seguro de saúde, férias e subsídios e, pasmem-se, prémios anuais. Sim, sei o que é ter tudo isto e também sei, porque me saiu do pêlo, o que é ter o meu trabalho reconhecido. Anos e anos de esforço [só eu sei o esforço físico e psicológico que suportei], trabalhar depois de um encontro de duas ou três horas com a almofada, horas de almoço passadas em frente ao pc, fins de semana passados no local de trabalho, férias adiadas no primeiro dia das mesmas, os olhares de lado de quem entrava depois da hora e saía a horas certas, um rol de coisas boas, portanto. Mas não verguei e marquei uma posição. A esta altura era suposto já ter provado a minha capacidade de trabalho, a minha competência e sobretudo a minha responsabilidade. Ou não. Depois veio o primeiro filho e logo para começar fui "castigada", uma gravidez de risco fez-me ir para casa aos seis meses, o regresso não foi fácil, deixei de ser tratada da mesma forma, posta tantas vezes de lado, de aumentos máximos na empresa nesse ano passei ao mínimo, recebi metade do prémio anual porque só tinha trabalhado metade do ano. Por outro lado, gozei "sem problemas" a licença de amamentação, faltei [com tantos sentimentos contraditórios] sempre que o meu filho adoeceu, aprendi a optimizar o meu tempo no local de trabalho, entrava antes da hora e saía na "hora do toque de saída" com o meu trabalho todo feito, mas já não tinha a mesma disponibilidade para a empresa, já não tinha tempo para fazer o trabalho dos outros, de me chegar à frente. Fui ultrapassada por quem se passeava durante o dia e ficava depois da hora para mostrar serviço e uma falsa dedicação, mas mesmo assim, consegui ser promovida.
Anos mais tarde, quatro, veio o segundo filho e, novamente, veio com pressa para nascer e voltei a ir para casa na mesma altura do primeiro. Mais resignada e com mais um mês de licença de maternidade, o regresso foi mais fácil, não me senti "injustiçada" e a minha vida profissional foi decorrendo sem grandes sobressaltos. Tive projectos, tive uma nova promoção [a ganhar o mesmo com muito mais responsabilidade], mas também vi à minha volta muita injustiça que voltei a sentir na pele.
No meio disto tudo veio também um divórcio, sem apoio de qualquer espécie a nível familiar, os meus filhos passaram a depender totalmente da minha disponibilidade no dia-a-dia, quando estão doentes quem fica com eles sou eu, as idas ao médico são comigo, as correrias para a natação e para a capoeira ficaram comigo até desistirmos e as reuniões nas escolas também. Os meus filhos entram na escola às 9h e eram os últimos a sair, depois era a correria em casa, os banhos, o jantar, a roupa para lavar e para estender, a casa arrumada e limpa, os tpcs, o deitar e o apreciar o sossego da casa em silêncio quando finalmente me conseguia esparramar no sofá roubando horas ao sono.
Não satisfeita, resolvi lançar-me na loucura do terceiro filho [afinal tem de haver loucos que contribuam para a taxa de natalidade deste país], terceiro filho e terceira gravidez atribulada, muito mais atribulada que as anteriores, que me enviou para casa muito mais cedo. Se perdi em sossego com tanta atribulação, ganharam os meus filhos que continuam a entrar na escola às 9h mas são os primeiros a sair, os banhos e jantares deixaram de ser a correr, têm tempo para tpcs e para brincadeira, se tiverem de ficar em casa ficam com uma mãe ausente de culpas parvas por não estar a trabalhar e a minha disponibilidade mental é completamente diferente.
E este relambório todo para admitir que apesar de tudo, profissionalmente tenho muita sorte com a entidade patronal e com as minhas chefias[trabalhei muito para isso, também], que em situações normais, apesar do pouco tempo que tenho para os meus filhos [uma hora a correr de manhã e duas em sprint à noite ] tenho um emprego, um ordenado, posso faltar quando os meus filhos precisam [com sentimentos de culpa, é certo, mas posso], também sei que não há vidas perfeitas feitas de dias perfeitos e por isso tento olhar sempre para o lado positivo e aproveitá-lo ao máximo para enterrar o menos bom, mas sou humana e como tal sou cheia de imperfeições que não me permitem olhar impavidamente para as injustiças e passar por cima delas sem que me afectem. Afectam, muito e, apesar de toda a "sorte" que sei que tenho, também sei que se não tivesse filhos e se a minha disponibilidade para com o meu local de trabalho fosse total a minha conta bancária não andava pelas ruas da amargura, o estacionamento do meu carro era outro e até o carro era outro e não dependia da minha conta bancária.
Flexibilizar? Claro que sim, principalmente as mentalidades!

28 de Abril - A Revolução continua

histórias de gente que se sente, aqui .

28.4.11

28 de Abril - A Revolução

[repost - o meu contributo para A Revolução mais do que necessária, imprescindível para um Portugal melhor, mais forte e muito, muito melhor preparado]

Eu não preciso de um serviço de baby-sitting especializado, não preciso de ganhar mais dinheiro para poder ter alguém que me vá buscar os meus filhos à escola, ou pagar a uma empregada que me arrume e limpe a casa e ainda faça o jantar e dê banho aos miúdos e os ajude a fazer os trabalhos de casa e os meta na cama. Não, não é nada disto que preciso e, todo o dinheiro que possa ganhar a mais não é para ser gasto desta forma.
O que eu preciso mesmo é de ter tempo para ser mãe, mais mãe ainda. Sim, dá-me jeito ganhar mais para fazer face aos sobressaltos, para pagar a natação, a capoeira, o futebol, os dvds, os jogos, os livros, as camas novas porque já não cabem nas antigas, pagar a conta da EDP porque o aquecedor ficou ligado toda a noite porque estava um frio de rachar, para encher o depósito de gasolina e andarmos a passear, para não ter de me preocupar com as contas.
O meu papel de mãe não está à venda. Eu não quero poder trabalhar mais horas, eu quero é poder ser mãe mais horas. Quero poder, nem que seja só quando o rei faz anos, ir buscar os meus filhos a meio da tarde, só porque sim e, acabarmos o dia no parque ou na praia ou no cinema. Quero poder ir todos os dias à capoeira, ao futebol, à natação ou ao piano, quero lá estar, a ver, a incentivar ou mesmo a "secar". Quero poder chegar a casa e demorar uma hora e meia a fazer um jantar que é comido em 15 minutos. Quero poder sentar-me com ele a fazer os trabalhos de casa ou a ver um filme antes do jantar. Quero poder ficar sentada na tampa da sanita a conversar enquanto ele toma banho. Quero continuar a ser eu a deitá-los, quero dar o beijo de boa noite com eles ainda acordados. Quero ser eu a enchê-los de beijos ao acordar e se tiver de os stressar de vez em quando para não me atrasarem, seja, mas o meu papel de mãe não se troca e não há dinheiro que me pague para eu abdicar do pouco que consigo.

Eu não preciso de muito para ser feliz, é um facto, mas com mais tempo eu seria muito mas muito mais feliz.

13.4.11

dia concha

Há dias assim. Dias em que uma conversa me faz pensar no que não quero, porque não, porque não vale a pena, porque... porque não quero! E depois das lágrimas que até lavam a alma vem a ressaca, à séria, o humor que vai por ali abaixo de mãos dadas com o optimismo seguidos da boa disposição deixando no lugar deles a tristeza e, não há quem, nem o que os faça voltar para trás. São dias de concha em que não apetece dizer nada, fazer nada a não ser dormir e esperar que amanhã seja um novo dia e que os três amigos que saíram porta fora já tenham voltado e tenham mandado embora a amiguinha que cá deixaram.

Grey's anatomy

nos dias menos bons é uma série muito terapêutica: se me abstrair da parte romântica, das cenas de quem dorme com quem e me concentrar nas histórias dos pacientes fico com a imagem da sorte que tenho e deixo de pensar em tudo o que puxa para baixo.

das poucas coisas que não consigo mesmo evitar e que me tiram do sério

Sou muito, muito independente [todos temos defeitos] e se há coisa que me custa horrores é ter de pedir alguma coisa a alguém. Para ajudar alguém faço-o sem espinhas e nem penso duas vezes, já para mim é como se perdesse a espinha dorsal e faço-o só mesmo em desespero de causa. Quem me conhece muito bem sabe-o, quem me conhece razoavelmente e pensar no assunto rapidamente chega lá. Não se trata de orgulho, nem de mania de self-made-woman, nem pudores por ter de retribuir, é hábito ganho a custo, mas ainda assim um hábito que vem de longe. Explica-se facilmente: se não tiver de me colocar em semelhante posição não me decepciono, além disso há coisas para as quais pedir ajuda é como se eu tivesse falhado [que pelos vistos falhei] em algo que era obrigação minha e, não tivesse conseguido dar a volta sozinha. Por estas e por outras não peço, aliás peço, quando já estou enterrada num poço com água até ao pescoço.
E isto tudo vem a propósito que se peço alguma coisa significa que já contorci não sei quantas vértebras antes de proferir uma palavra que indique que preciso de algo, concluir o pedido significa que a minha coluna já se revirou e se a quem pedi algo me responde que sim e depois me deixa em espera é coisa para as vértebras trocarem todas de lugar num jogo parvo de cadeiras e eu ficar pior que uma barata.
Quando alguém me pede algo, viro-me e reviro-me para ajudar, já fiquei muitas vezes sem camisola porque alguém tinha mais frio do que eu e, se digo que sim é sim e não preciso que mo lembrem, tenho um cantinho no cérebro para essas coisas.

Basicamente, é uma merda, depender dos outros seja para o que for e irrita-me que o Cosmos me continue a por à prova em algo que eu sei que tenho razão.

12.4.11

agora que parece que chegou o calor e tal

se vão começar a tirar fotos aos pezinhos na havaina, na chinela ou descalços, por-amor-da-santa arranjem-nos primeiro, sim?

Agradecida

31.3.11

definitivamente

crise de rinite e gravidez não combinam.
[enjoada de tanto soro]

do tempo

Baralha-me a rinite. Ora está frio e húmido, ora está sol e calor. Prefiro a segunda, obviamente. Eles também e hoje inaugurámos oficialmente a época de praia com idas ao banho e tudo [só de um é certo, que o mais novo não é amigo de água do mar e eu prefiro temperaturas mais quentes para banhos].
Se há uns tempos atrás me queixei por não tempo nem horários para estar com eles, agora que tenho essa benesse aproveito-a ao máximo. Normalmente saem da escola antes das quatro da tarde e mesmo que seja para virem para casa, estão juntos, estamos juntos. E gosto desta nova rotina de lanches em casa e banhos tomados a horas decentes, tempo para tpc's e para brincar.
Ganham eles e ganho eu, muito.

e depois os animais são eles



[video roubado descaradamente à Maria]

30.3.11

empolgada


com o telefonema que acabei de receber. É muito bom, quando damos o melhor de nós em algo, que esse trabalho é reconhecido e que recorrem a nós quando se inicia um novo projecto.
Sim, sem falsas modéstias, dei o melhor de mim, esforcei-me c'omo caraças, atingi resultados que nem eu esperava e agora telefonam-me para saberem se eu estou disposta a ajudar num outro projecto. Sim, estou mesmo orgulhosa de mim. Venha de lá esse projecto.

29.3.11

[vinho do Porto]

mais um

experiências

Finalmente este fim de semana experimentei a outra funcionalidade da iogurteira e fiz gelado de banana. Ficou tão bom que o esquisitinho dos doces, o T., já me pediu para fazer mais. A próxima experiência vai ser dois em um como a máquina: gelado de iogurte.

[obrigada Mary, pelo presente fantástico, uso não lhe tem faltado]

e quem diz pai, diz mãe


e é verdade, eles vêem tudo, mesmo quando parece que estão distraídos. E o que não virem, chega-lhes um dia às mãos, mesmo sem procurarem.
A verdade vence sempre!

a saber

A esquizofrenia (do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, "dividir"; e φρήν, "phren", "phrenés", no antigo grego, parte do corpo identificada por fazer a ligação entre o corpo e a alma, literalmente significa "diafragma"[1]) é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações (visuais, sinestésicas, e sobretudo auditivas), delírios e alterações no contato com a realidade. Junto da paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10) e dos transtornos graves do humor (a antiga psicose maníaco-depressiva, hoje fragmentada na CID-10 em episódio maníaco, episódio depressivo grave e transtorno bipolar), as esquizofrenias compõem o grupo das Psicoses[2]

É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais.





[há pessoas que deviam procurar ajuda, a sério!]

síndrome de traça

Tenho andado entregue aos livros, o que me tem sabido pela vida e me ajuda a descansar [o que não é fácil quando é obrigação]. O último nem aqueceu, se no fim de semana quase não lhe peguei, no domingo à noite vinguei-me e, estava tão absorvida que tive de me obrigar a dormir, senão lia-o todo de rajada. Ontem acabou. E o chato destes livros é que quando a história acaba fica uma espécie de vazio e normalmente o seguinte fica aquém, veremos. Hoje começa uma nova história.

28.3.11

eu e a minha veia "querido mudei a casa"


Se a coisa por que me pélo é por uma boa obrinha. Adoro. Mas adoro mesmo! Escolhi mal a profissão, é o que é.
Nem consigo descrever o gozo que me dá imaginar soluções, estudar os mínimos detalhes das tomadas e pontos de luz para que fique tudo o mais funcional possível, as aberturas das portas, a ausência de portas, o armário x que te de ficar ao lado do armário y para ser mais fácil arrumar a loiça quando sai da máquina, um sem fim de pormenores que me assaltam em catadupa quando olho para uma casa e mentalmente a renovo do chão ao tecto. E depois, os materiais... o que gosto de ver materiais e seleccioná-los mentalmente para este ou aquele fim, escolher as tintas e os efeitos que vou querer fazer nas paredes a condizer com toda a decoração que já imaginei até ao mais ínfimo detalhe. Há quem não goste de obras e entendo, mas eu podia viver disto com todo o gozo.



24.3.11

verdades

"As adversidades não tornam as pessoas nem melhores nem piores. Apenas nos revelam como são."

[autor desconhecido]

5 anos depois

de ter jurado a pés juntos que não teria mais nenhum filho, cá estou eu, à espera do terceiro [três foi a conta que Deus fez]. E cinco anos depois repete-se, a barriga a crescer, um bebé aos saltos que cresce dentro de mim, os preparativos para a sua chegada, o entusiasmo do T. [esta criança nasceu para ter irmãos] que contagia o A..
Cinco anos depois a gaveta vai-se enchendo, lentamente, de roupas minúsculas, desta vez novas porque dei tudo o que foi do T. e do A.. O T. derrete-se encostando a si bodies que parecem de brincar, na tentativa de visualizar o tamanho à chegada do novo membro da família.
Mas 5 anos depois e, apesar dos percalços já vividos e de este não ser um estado com que delire, estou a viver esta gravidez com uma serenidade muito diferente das outras. A gravidez do T. não foi nada fácil de um ponto de vista psicológico, estava ansiosa de o ter cá fora, de lhe pegar de o ver, a do A. ainda que mais calma, foi vivida quase como se de uma obrigação se tratasse, pois não gostava de estar grávida mas não queria um filho único, foi tipo missão a cumprir. Ainda não estou ansiosa que saia cá para fora, afinal ainda há um verão inteiro para aproveitar de sol, praia e miúdos a mergulhar para a piscina e é este sentimento de falta de pressa que torna tudo tão diferente. Com toda esta calma aproveito ao máximo para mimar os meus filhos, para estar com eles e desfrutar da sua companhia. Mais do que pelos sustos, esta gravidez vai ser recordada pelo desfrute dos meus filhos, pelo elo entre nós que se aperta cada vez mais.

23.3.11

ameaças

- Um dia arranjo um papagaio e ensino-lhe as frases que estou sempre a repetir: " vai tomar banho"; "sai do banho"; "lava os dentes"; "veste-te"; "penteia-te"; "bebe o leite"; "calça-te"; "veste o casaco"...
- E eu arranjo um leão para comer o papagaio.



22.3.11

leituras

Não sou leitora compulsiva, mas tenho alturas em que só me apetece um canto confortável e um livro, outras compro livros e deixo-os sossegados. Ultimamente tem sido um período de leituras e com muita calma tenho "dado conta" dos livros que se iam arrastando pela minha mesa de cabeceira há já algum tempo. A partir do final do Verão e por um período longo as minhas leituras vão ter de entrar em "pousio" por isso este ano vou mesmo aproveitar a feira do livro para me abastecer de muitos livros para aproveitar as tardes de Verão à sombra.

21.3.11

cheira a primavera


dizem que quinta-feira chove, mas até lá é aproveitar. Hoje vou encher a casa com flores.

19.3.11

post do dia

Toda a gente sabe, hoje é dia do Pai e este não é um post de homenagem ao meu que não tenho, nem nunca tive, daí não poder homenagear sequer a sua memória. Também não é um post de homenagem ao pai dos meus dois filhos, pois não tenho de o fazer e só peço que ele não falhe enquanto pai, mas as homenagens deixo-as para os filhos. No fundo não é um post de homenagem, mas apeteceu-me assinalar o dia. Quando era miúda assinalava-o com o meu avô e com o meu tio, este último que teve muitas homenagens da minha parte enquanto figura paterna mesmo antes de ser pai.
Hoje assinalo o dia por causa de outro pai, um pai que vi crescer enquanto tal, um pai que mudou e que se superou tantas vezes e no meio de tantas dificuldades, mas não desistiu e continua a lutar pelo seu papel de pai, cada dia mais, cada dia melhor:- O pai do filho que cresce dentro de mim.

16.3.11

mimos matinais

Há uns meses que o T. começou a aproveitar uma das funcionalidades do seu telemóvel: o despertador. Programa-o para tocar mais ou menos meia hora antes do meu para poder ver mais desenhos animados de manhã. Normalmente quando me levantava só tinha de acordar o A., vesti-lo e aquecer-lhe o leite, porque o T. até o pequeno almoço já tinha tomado.
Ontem ouvi o A. pedir ao irmão que o acordasse quando se levantasse, não liguei, até porque o A. é o dorminhoco cá de casa e achei que aquilo não ia dar em nada. Pois que deu e hoje de manhã, estavam os dois na sala, completamente vestidos, de pequeno almoço tomado e o T. até preparou o meu. E sim, eu sei que esta boa vida vai acabar daqui a uns meses quando tiver uma criança a berrar por mim de 3 em 3 horas, mas até lá é aproveitar estes mimos.

4.3.11

da época


não gosto de Carnaval e não gosto de máscaras. Acho ridículo o dinheiro que se gasta numa fantasia por apenas um dia [e para sair à rua naquelas figuras]. Felizmente os infantes também não são grandes fãs o que me tem poupado dinheiro e a vergonha de sair com eles à rua, mesmo que apenas até à porta da escola, armados em super heróis ou coisa que o valha. Este ano a coisa foi diferente e tive de engolir em seco [não tomei um calmante porque o meu estado não permite] e ir à procura de fantasias. Primeiro foi o mais velho que tinha de levar para a escola uma fantasia feita com reciclagem, o que me deixou logo de cabelos em pé, reciclagem é eu aproveitar os frascos e garrafas e dar-lhes novo uso em vez de os atirar para o vidrão, é pintarem as latas de Nesquick e aproveitarem-nas para guardar as tralhas pequeninas que andam sempre espalhadas pelo quarto, não é ir vestido de caixote do lixo, mas isso sou eu. Depois foi a vez das princesas, uma queria vestir-se de princesa a outra de bailarina, acabaram as duas por ir de princesa cor-de-rosinha [um choque para a vista de qualquer pessoa com olhinhos sensíveis], mas estavam felizes dentro dos seus vestidos e isso é que é importante. Faltou o infante mais novo, que depois de trocas e baldrocas lá me consegui escapar a mais uma dose de tortura.
Este ano está feita a minha parte, para o ano tenho de ter a porcaria da máquina de costura funcional, olá se tenho!

2.3.11

maravilhas da maternidade [last update]

32. mãe passou a tarde a limpar o quarto da criança bem-disposta e da criança mal-disposta.
33. criança mal-disposta melhorou.
34. criança mal-disposta alterou o estado para criança já-bem-disposta.
35. criança já-bem-disposta cedeu ao cansaço e adormeceu na cama da mãe ao final da tarde.
36. mãe nem tem forças para se enervar com o Sporting.
37. criança já-bem-disposta vê o Sporting com uma energia invejável.
38. mãe deita criança bem disposta e criança já-bem-disposta.
39. mãe alapa-se no sofá.
40. terceiro elemento quase criança mostra a sua boa disposição aos saltos na barriga da mãe.



maravilhas da maternidade [update]

16. mãe continua a lavar roupa, chegou a vez do edredão entrar na máquina.
17. criança mal disposta sente-se melhor.
18. mãe tem de sair e resolve que o ar da rua pode fazer bem à criança mal disposta que se sente melhor.
19. mãe conduz devagar e faz curvas quase parada.
20. criança mal disposta que se sente melhor vai de vidro aberto para apanhar ar.
21. criança mal disposta que se sentia melhor vomita o carro todo quase a chegar a casa.
22. mãe tira criança do carro e carrega cadeirinha vomitada para casa apesar da dor dilacerante no dedo do pé que ainda não cortou.
23. mãe enfia criança no banho.
24. mãe faz chá.
25. mãe desmonta cadeirinha.
26. mãe estende edredão lavado.
27. mãe enfia o forro da cadeira e roupa da criança mal-disposta na máquina.
28. mãe mune-se de alguidar e escova e vai lavar carro.
29. mãe volta para casa e estende forro e roupa da criança mal disposta.
30. mãe tem uma dor dilacerante no dedo do pé e precisa de dormir.
31. criança mal disposta sente-se melhor.

[em actualização]

maravilhas da maternidade

1. deitar algumas horas depois das crianças para ter alguns momentos de sossego.
2. acordar a meio da noite com uma das crianças a chamar porque está a vomitar.
3. chegar o mais rápido possível ao quarto sem bater em lado nenhum nem tropeçar em nada [difícil quando se está de olhos fechados e a coxear com uma dor dilacerante num dedo do pé]
4. abrir os olhos já no quarto das crianças e ver que o vomitado tem vida própria e se espalhou por todo o lado [incluíndo a cama do outro]
5. mudar a roupa à criança e tirar os dois do quarto.
6. as quatro da manhã são uma hora tão boa para fazer máquinas de roupa e lavar chão e cama como outra qualquer.
7. arranjar espaço entre as duas crianças para mãe com barriga de grávida.
8. mãe grávida entalada entre duas crianças não consegue adormecer.
9. criança mal disposta vomita o chão do quarto da mãe.
10. levantar novamente para levar criança ao wc.
11. as 5 da manhã são tão boas para lavar chão vomitado como as 4.
12. voltar a arranjar posição no meio das duas crianças.
13. as 6 da manhã [ou coisa que o valha] são uma boa hora para adormecer.
14. tentar acordar bem disposta depois de uma noite de faxina e ignorar a vontade de cortar o dedo do pé.
15. ir levar uma criança à escola e ficar com outra em casa.

[Sim, era um bom dia para passar o dia na cama a dormir mas mãe grávida tem de ficar com uma criança em casa,de tratar do Carnaval, da lavagem do tapete e das almofadas vomitadas e ignorar a dor no dedo no pé.]

23.2.11

sorrir

Quando as tuas maozinhas pequeninas me pegam na cara e me dizes "- Gosto de te vele chorrir", eu só posso mesmo sorrir.

22.2.11

há karmas piores

o meu é atrair pobres de espírito. Mesmo quieta no meu canto, sem me mexer e quase sem respirar, passo a vida a tropeçar em seres desta espécie.

[caramba, sou tão boa!]

17.2.11

hoje desforrei-me

[e comprei um saquinho só para nós dois]

cansada [e com pena]

dos mal amados e das mal fodidas, dos mal educados e das sem educação, dos sem gosto e das de mau gosto, dos infelizes e da falsa felicidade, dos teatros e dos actores, das tristes pessoas e das figuras tristes, do drama e da tragédia, dos emplastros e dos empatas, das más e dos medíocres, dos lambe botas e das mostra-mamas, do copy e do paste, do diz e do que disse.
Gentinha sem objectivos, sem amor-próprio, sem interesses [e muito menos interesse] que amua quando ouve um nome, que se lhes contorcem as vísceras quando ouvem qualquer coisa mas ainda esticam mais a orelha, que não dormem a pensar no passo seguinte, que se apresentam com ar inabalável só denunciado por uma veia saliente, uma ruga que subitamente aparece tendo como causa provável uma azia súbita e desconcertante.
Se fizessem algo por si, verdadeiramente por si, estariam muito melhor [isso ou uma caixa de calmantes e de ansiolíticos, aconselhem-se com o médico, mas arranjem uma vida, sim?].


13.2.11

segurança psicológica

Quando era miúda e tinha a mania que trepava tudo, que não havia muro que me detivesse nem que fosse pela curiosidade de ver o que estava do outro lado, que o medo das alturas não evitava que trepasse a escada para o telhado de onde a vista era deslumbrante [e onde ninguém se atrevia a chatear-me], que não era por não haverem galhos suficientemente formes que não ia buscar as nêsperas do topo da árvore [percebi muito cedo que quanto maior a dificuldade, mais saboroso se torna] . Não fui uma miúda-sem-medo, mas chegar ao topo da árvore e servir-me de uma folha para sentir segurança para aproximar das nêsperas era um tanto ou quanto arriscado. Claro que naquela altura na minha mente risco era aldrabar os castigos que a minha mãe me dava ou falsificar a assinatura dela nos testes com notas negativas, o risco de cair da árvore ou do telhado e estatelar-me no chão era coisa que nem me ocorria, desde que tivesse algo, mesmo que frágil onde me agarrar para me sentir segura e seguir em frente.
Agora entendo que se por um lado a segurança psicológica me permitiu avançar e alcançar as nêsperas, por outro, o hábito que criei de "precisar" de apertar a folhinha entre os dedos como se tivesse uma corda de alpinista a proteger-me, impediu-me de alcançar sem muleta tantas coisas que afinal alcançaria na mesma, porque afinal alcancei-as eu e a única ajuda foi alguém não ser mais do que uma mera folha para eu apertar entre os dedos.

24.1.11

os signos

"Agora, e mercê destes últimos acontecimentos, por muito paranóide que Escorpião seja, já tem mais do que motivos para acreditar que estão realmente a querer prejudicá-lo.
Sorte sorte continuam a ter os Sagitários, que continuarão a sê-lo sem precisarem de se tornarem Escorpiões… os Balanças escusam de partir a loiça, porque não serão obrigados a trabalhar como se fossem Virgens. Os Leões podem continuar a rugir acerca de si próprios e escusam de trazer a família às costas como se fossem Caranguejos… estes podem continuar a sentir profundamente a intensidade e premência das suas oscilações emocionais e não precisam comunicá-las a toda a gente como se se tivessem tornado Gémeos… Os Touros podem continuar a ser pacientes e como não se tornaram Carneiros escusam de ter pressa… os Carneiros podem continuar a pensar em si próprios como se não existisse mais ninguém no mundo – e como o fariam se se tivessem tornado Peixes?
Os Peixes podem continuar a beber para esquecer – ou à procura de Deus no fundo dos copos de absinto – porque ainda não é desta que se tornam Aquários, que bebem apenas socialmente; e parece que se safaram de se tornar Capricórnios. Continuam livres de ser quem são… por enquanto.
Sacrifício real terão de fazer os Capricórnios, que por momentos ainda pensaram que ficariam Sagitários. Continuarão Capricórnios e é dentro do escritório, e não a explorar a savana africana, que se cumprirão."

saudades das férias e dos dias quentes

23.1.11

à volta das eleições

"... Cavaco vai passar a tarde em família..."
"... Alegre confiante diz ter paciência..."

Num país de cagões com os títulos, a jornalista da SIC, fala dos candidatos à presidência, um deles, para todos os efeitos ainda Presidente da Republica e ambos provavelmente bem mais velhos que ela, apenas pelos apelidos, assim à laia de colegas de escola. Espero que a jornalista não seja daquelas que fica muito ofendida quando não a tratam por doutora, não por ser médica, mas por ser [espero] licenciada em jornalismo.
[respeitinho, é coisa que já não se usa, claramente, é pena.]

21.1.11

6 minutos


tanto segredo, tanta merda. 6 minutos e o enigma está resolvido. Satisfeita? Não! Gastei 6 minutos para destapar trampa.
[Eu perco tempo com coisas tão más... credo!]

[amo]

20.1.11

é...

"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida".

Martha Medeiros

16.1.11

traçar objectivos [...e alcançá-los]

O T. vai ter o seu próprio pc, para que isso aconteça vai ter de juntar as suas semanadas e ter boas notas em todas as disciplinas até ao final do ano.

A maezinha do T. vai ter a sua própria Kitchenaid se em 100 dias conseguir cumprir o seu objectivo [pelo sim e pelo não vou colocar a foto da dita ali à direita e já agora espalhar várias: na porta do frigorífico, na carteira, no carro... só assim a modo de lembrete, não vá eu ter um ataque amnésico].

12.1.11

nem tudo está perdido


quando vejo duas miúdas que não têm mais do que 15 anos a quererem inscrever-se num curso de iniciação à costura.

11.1.11

Malu

Durante o intervalo do jornal do almoço do canal 1 vi uma promoção da novela da tarde. Mázinha, ou então sou eu que esgotei a minha tolerância a novelas, já não consigo, nem portuguesas nem brasileiras, nada. Nem mesmo o famoso Equador em DVD com que fui brindada, levou guia de marcha num ápice dentro do celofane e tudo. A promoção que vi me pareceu-me mais de novela mexicana do que brasileira, agora que se ouve o famoso sotaque por todo o lado aquilo soa-me a teatral. Mas de repente lembrei-me da Malu e do quanto gostava de a ver, acho que vi todas as novelas que por cá passaram onde entrou. Não sei se ainda a veria com os mesmos olhos, mas lembro-me dela, linda e com um charme e estilo muito invulgar.

sorrir ao abrir o email :)

obrigada Tubarão

10.1.11

Special One

Que ele é o melhor, o prémio só veio confirmar o que ninguém pode negar. Goste-se dele ou não, é inevitável. Ganhou tudo o que havia para ganhar. Tem alma e sangue de vencedor. Sabe o seu verdadeiro valor, o valor do seu trabalho. Gosto dele, é frontal e tem a arrogância na dose certa para colocar quem o incomoda no sítio. Parabéns José Mourinho, é mais do que merecido.

coisas que nunca vou entender

como é que alguém consegue manchar a sua própria imagem apenas com o intuito de se vingar de outrem. Isto baralha-me, nunca entendo quem está mais sujo.

das coisas mesmo estúpidas que saem pela boca de pessoas parvas

Um mulher que [e bem] usufruiu de tudo o que tinha direito quando foi mãe, que teve direito a horário especial concedido a quem amamenta durante anos, que por acaso até é mãe de uma criança do sexo feminino, declarar peremptoriamente que se tivesse uma empresa só contratava homens por causa dos benefícios concedidos às mães... ou é muito estúpida ou eu sou burra.

próprio do estado

eu sei, eu sei, sou uma felizarda, abençoada, eu sei lá... nunca soube o que são enjoos e também não é agora que vou descobrir. Já do sono não posso dizer o mesmo. Tenho muito e a toda a hora, mas o pior são as saudades que sinto da minha caminha ou mesmo do meu sofá a seguir ao almoço.
[já disse que tenho sono?]

8.1.11

às vezes talvez seja só por amor- um preço demasiado alto a pagar

Durante muitos anos quando pensava numa família que conheci quando era ainda muito miúda ficava chocada. Era uma família sem mãe, havia um pai, uma filha e dois filhos. A mãe separou-se do pai e deixou a casa e os filhos para ir recomeçar uma nova vida num outro país. Largou tudo e foi. Durante anos quando pensava no assunto não entendia, não percebia como é que uma mãe é capaz de deixar os filhos, assim levianamente, achava eu. Hoje, que sou mãe, quando penso no assunto aperta-me o peito, mas não me escandaliza. Hoje consigo arranjar uma série de explicações para uma mãe [ou um pai] o fazerem, por muito socialmente incorrecto que seja.
Em primeiro lugar não se nasce mãe nem pai, e sê-lo não se ensina, pode-se retirar muita informação de muito lado, mas para mim é como a arte. Uns nascem com vocação, outros não, uns esforçam-se, outros não. Dos que nascem com vocação, uns esforçam-se e aperfeiçoam a técnica, outros não. Dos que nasceram sem a vocação, uns esforçam-se e com o treino acabam por torna-se tão bons ou melhores do que os que nasceram com vocação, outros esforçam-se e nunca chegarão perto, outros nem vocação, nem esforço, nada. Servir-se-ão sempre da desculpa que fazem o melhor que podem e sabem, sem fazerem o mínimo esforço porque há tanta coisa mais interessante para fazer.
Seja como for as crianças não vêem com livro de instruções, nem com um botão on/off que por vezes dava tanto jeito. É preciso tempo, empenho, vontade. Educar é talvez a tarefa mais exigente que qualquer ser humano, independentemente do parentesco, terá pela frente. Muitas vezes erramos convictos que estamos a fazer o mais correcto, felizmente também, muitas vezes acertamos. Não é fácil, temos de ser nós e para nós, mas também somos deles, muitas das vezes somos mais deles do que de nós próprios. A nossa vontade de dormir quando nos levantámos 10 vezes numa noite, não nos impede de nos levantarmos uma 11ªvez caso a criança assim o “exija” e, como este exemplo, enquanto mãe poderia enumerar um sem fim de exigências deles que anulam a minha vontade, mas acho que não vale a pena ir por aí. A maternidade/paternidade tem coisas fantásticas sem dúvida nenhuma, mas ver apenas esse lado é ver apenas o lado romântico da coisa, a parte que fica gira nos livros, a verdade é que a melhor definição que alguma vez li é que o nascimento de um filho é como arrancar o coração do peito e passar a andar com ele nas mãos, definição que subscrevo inteiramente.
Se ser mãe/pai já não é tarefa fácil, mesmo que a tentemos levar a cabo cheios de amor, empenho e boa vontade, se o tivermos de ser enquanto o outro progenitor usa a criança para nos atacar, para infernizar aí a tarefa torna-se heróica. É um auto-flagelo manter a imagem impoluta de alguém que constantemente através de palavras e acções tenta minar a nossa imagem. Sofrer na pele os ataques de terrorismo em nome de uma causa sem nome nem motivo, pior, ver os danos causados aos menos culpados de tudo isto, um filho. Quando um dos progenitores usa de modo inconsequente e repetido o filho para se vingar do outro está a atentar contra o próprio filho e, mais tarde se provará que contra si mesmo. As crianças têm memória e as memórias da infância são as que mais marcadas ficam. E é aqui, sobretudo nestes casos que eu entendo porque desistem mães e porque desistem pais. Como disse mais acima, é socialmente incorrecto e, diria até, socialmente condenado. Mãe ou pai que “abandone” a sua prole é apontada/o de dedo bem espetado. As pessoas em geral gostam de falar, de apontar, a maior parte das vezes desconhecedores de todos os factos que levam mães e pais a desistir de lutar. Já me perguntei muitas vezes quantos dos casos que ouvi falar ou que conheci superficialmente não terão saído de cena com o coração despedaçado com o motivo maior que é acabar com o campo de batalha em que vive o seu próprio filho. Haverá vozes que dirão ou mentes que pensarão: Isso não é solução.
Talvez não seja, mas provavelmente, na altura que tomaram a decisão esse não era de todo o caminho mais fácil mas a única saída que viram capaz de acabar com o terrorismo de que eram vítimas e retirar a criança da linha de fogo.

5.1.11

gostar de máquinas

[conheço uma criança que ia delirar]

ataques

Não sei como é que os outros, as pessoas em geral, comandam as suas vidas, a minha foi sempre pautada por falta de estratégia. Já fiz muitos planos, muitos As que tive de passar a Bs e até a Cs, que eu cá não sou de desistir. Faço muitos planos a curto, a médio prazo e até alguns a longo, se bem que estes, sempre em menor número e cada vez menos. Geralmente não esmoreço quando o plano A não funciona, ou já tenho um B na manga ou rapidamente arranjo um, felizmente a minha mente é suficientemente criativa, suficientemente rápida e, tão ou mais importante, muito habituada a lidar com reveses. Mas quando penso em estratégia sei que nunca tive uma, embora admire quem a tenha, afinal existem muito boas estratégias positivas.
Por outro lado não consigo admirar outro tipo de estratégias; há quem seja capaz de tudo por uma promoção, por exemplo e, delineie planos dignos do melhor estratega em batalhas até conseguir abrir caminho para atingir o tão almejado lugar. Com tanto que vi, com tanto que aprendi, com tanto que consegui e pela forma que o fiz, ainda não consigo entender o gozo que isso possa dar quando se chega lá, à meta. A mim, cheira-me sempre a sentimento de insatisfação. Por muito que se consiga, que se consegue, que já vi tanta gentinha a consegui-lo, quando conseguem o que querem deve haver um travo amargo de insatisfação, até porque geralmente há vítimas a lamentar e não sendo o caso, pelo menos danos causados a terceiros há com toda a certeza. Quando dou como exemplo a promoção, é só mesmo um exemplo, aplica-se a qualquer coisa que se consiga através de meios menos convencionais [eu tinha outro nome para lhes chamar, mas este serve]. Sei que se tivesse montado uma estratégia como as que vejo à minha volta, já teria muito mais do que tenho, já teria atingido um patamar muito mais elevado, não é preciso muito, afinal com a inteligência com que Deus me dotou só me faltavam dois ingredientes fundamentais: a falta de vergonha na cara e sangue de barata, mas estes não os tenho e embora se consigam arranjar nunca os compraria, prefiro ter menos mas muito melhor. Entre o doce sabor do degrau atingido e o amargo do patamar, não me restam dúvidas.
O problema [delas, não o meu] é que abomino verdadeiramente as pessoas que fazem parte desta espécie e que infelizmente não se encontra em vias de extinção, ao contrário de outros animaizinhos bem mais queridos e fofos, além disso parece-me que saí de fábrica com um extra, um radar que detecta ao longe a espécie, o que confesso, que se por um lado me dá algum jeito, por outro, além de me acordar para a terrível realidade de superpopulação da espécie, impede-me de me fazer de parva. Em vez disso tranco os dentes dentro da boca para que não lhe vejam sequer um arzinho da sua graça e ignoro-as completamente. Coisa que aliás e sem modéstias faço muito bem, ignorar. Mas como tudo tem um lado perverso, o caso não podia ser diferente, e o lado perverso da coisa é que também me topam: topam que eu as/os topo. O que pode ser uma grandessíssima merda, mas lá está, se há coisa que não tenho, nem quero que ocupa muito espaço, é estratégia. Sendo assim, topem-me à vontadinha que eu continuo com os meus oculinhos-cor-de-rosinha [os inhos e inhas são propositados] a ignorar-vos porque no meu mundo vocês não existem, tá?


31.12.10

2011


Para uns o ano muda hoje à meia-noite, para mim mudou ontem quase ao final da tarde.
2011, definitivamente, quero-o doce.

[Estamos felizes]

29.12.10

[silêncio]


não me faltam palavras, elas continuam a assolar-me a mente, falta-me disposição para as ordenar, faltam-me forças para construir frases.
Guardo-as para mim e saboreio o silêncio.

28.12.10

da barrinha ali ao lado e do direito à indignação

Dá-me um gozo do caraças ver que pelo menos 3 bloggers: Ême, com este post e mais este post, a Maria com este e o Miguel Marujo com este se insurgiram contra a liberdade de expressão na blogoesfera. Quando uma loja tenta retirar uma liberdade fundamental, algo vai muito mal no reino das bananas.
Felizmente, a Ensitel nunca viu um chavo meu, depois destas também não verá, que eu cá gosto de ser bem tratada.

24.12.10

do meu voyeurismo imobiliário

eu já sei, de cor e salteado, mas ainda caio na tentação e provo sempre o mesmo: Sempre que vejo casas quando ainda não posso comprar aparece sempre a* que me enche as medidas.

[o que vale é que quando posso também têm surgido]

* mas esta é que era!

22.12.10

de todas as mensagens optimistas que circulam pela net, esta ganha.

Se fores... vai mais longe!
Se fizeres... faz diferente!
Se rires... ri até chorar!
Se sonhares... sonha mais alto!
Se arriscares... arrisca tudo!
Se pensares... pensa por ti!
Se saíres... sai da rotina!
Se mudares... muda tudo!

tenho muito sono

[era só isto]

21.12.10

da época

coisas muito boas das escolas dos meus filhos: Nem uma nem outra fez festa de Natal para os pais.

[O meu mais sincero obrigada!]

20.12.10

perfumes

Eu sei que o meu ganha pão provém da publicidade e aquilo que para uns é uma seca [intervalos carregadinhos de anúncios] para mim é muito trabalhinho feito até serem emitidos e ter trabalhinho é muito bom.
Este ano anda tudo pejado de perfumes, não se aguenta, ver um intervalo é como fazer maratonas a experimentar perfumes numa perfumaria qualquer, já não se cheira nada mas insiste-se em borrifar mais um papelinho carregado de essências florais ou coisa que o valha, um enjoo pegado, se vir mais do que um intervalo desconfio que sou acometida por uma crise de rinite alérgica. Fartinha, estou fartinha da indústria dos perfumes, em especial da Bvlgari que não anunciando por aí além, resolveu [e sem pré aviso] descontinuar o meu perfume. Sete anos [deve ser uma crise, pode ser que haja esperança] a usar o mesmo perfume, sem misturas pelo meio, sempre o mesmo que eu cá sou pouco dada a cheiros diferentes, agora ele é perfumes em todo o lado, de todos os géneros e feitios e os senhores da Bvlgari acabam com o meu cheiro perfume. Sinto-me enganada [e sem cheiro].

19.12.10

o Chakal nunca chegará aos calcanhares do Jamie Oliver

entre ver o Chakal a abrir embalagens da Vitacress e ver o Jamie Oliver no meio da horta a provar legumes crus, prefiro o Oliver.

17.12.10

uma década

já passou, foi em 2009 que fez 10 anos que entrei pela primeira vez naquele que viria a ser o meu emprego até aos dias de hoje, mas foi agora que resolveram presentear os colaboradores com 10 anos de casa. Enquanto via cada um dos vinte e tal presenteados com uma caneta montblanc passaram-me fragmentos destes 11 anos aqui enfiada. Como entrei, o que aprendi, o que cresci, todas as dificuldades porque passei [e foram tantas, meu Deus...], o que lutei, o que eu era e o que me tornei. Passaram 11 anos, cresci eu e cresceu a empresa, passei aqui 11 anos da minha vida, mais de metade da minha vida profissional. É muito tempo, pelo menos a montblanc temprateado em vez de dourado.

o meu pequeno duende

O T. hoje trocou uma ida ao cinema com os colegas da escola porque queria ir comigo ao E.S. ajudar a distribuir presentes. Fomos os dois e entusiasmou-se com a quantidade de presentes em cada sala por onde passou. O T. pôs o gorro de pai Natal e esteve todo o dia entregue ao E.S. a ajudar a descobrir presentes e a entregá-los, ajudou a carregar uma carrinha com alimentos e presentes que ia para Castelo Branco.
Adorou, percebeu muita coisa. Diz que as pessoas do E.S. estão sempre muito atarefadas, que há muitas coisas para fazer. O T. aos 8 anos teve o seu primeiro dia como voluntário e trabalhou a sério. Quer lá voltar aos 9 e sempre.

[E eu que raramente me lembro, hoje, no carro enquanto o ouvia com uma animação contagiante contar as aventuras do dia, lembrei-me que o T. é uma criança, tem 8 anos e um coração maior do que ele: Passou o dia à procura de presentes em montes carregadinhos de brinquedos sem pestanejar, feliz porque estava a ajudar outras crianças a sorrirem no Natal].

[Estou a transbordar de orgulho do meu filho. ]

11.12.10

anjinhos - o balanço

Obviamente que eu não podia estar mais satisfeita com o balanço que faço dos anjinhos neste ano de 2010. Já publiquei e escrevi agradecimentos a todos os que me acompanharam nesta "missão", que este ano foi muito dura, confesso. Não me arrependo e voltaria a fazer tudo novamente, como espero voltar no próximo Natal. A satisfação e o orgulho de ver publicadas notícias sobre a acção, o entusiasmo de entrar no email e ver 500 emails recebidos num só dia. Centenas de pedidos de anjinhos, noite após noite a responder a dúvidas e distribuir anjinhos por quem quis colar um sorriso. A pressão de só conseguir responder a pouco mais de cem por noite, o ter de esperar pelo fim de semana para poder distribuir mais. Foram muitas noites de muito poucas horas de sono, têm sido dias de carregar/descarregar carrinha, várias vezes e até debaixo de chuva. Gerir as entregas nos vários pontos do país, dos presentes que não foram entregues, das entregas que só vêm com um dos presentes, embrulhar os que não vêm embrulhados, descobrir o número dos que são entregues sem identificação... são muitos anjinhos, são muitos presentes. Apesar de todo o cansaço, de todo o esforço, só consigo sorrir quando penso nas crianças que vão ser presenteadas, nas mensagens que recebi, na força que essas mesmas mensagens me deram, nas pessoas fantásticas que se cruzaram comigo através do email ou pessoalmente, nas minhas amigas renas que se mobilizaram para distribuir anjinhos e recolher presentes, nas pessoas que usaram os meios que tinham ao seu alcance para juntar presentes ou recolhê-los para mos entregar. Honestamente, não tenho palavras para descrever o que a dimensão alcançada pelos anjinhos 2010, me faz sentir. É tão gratificante fazer a ponte entre quem precisa da ajuda e quem realmente quer ajudar, este sim é um verdadeiro presente de Natal.
Obrigada a todos.

vão acabar? Como, vão acabar?

5.12.10

Lara

Andava a dias para tratar da questão da gata, mas com tanto anjinho metido pelo meio, fui adiando, fui adiando, até que, claro, chegou o dia onde não dava para adiar mais. Mal acordei fui ver o email para ver se tinha alguma resposta aos emails que tinha enviado a quem, supostamente, tinha bichanos para dar. Havia uma que me interessava muito e até estava disponível para adopção, mas havia o porém que quem adoptasse o bichano, neste caso a bichana, tinha de se comprometer a deixar que se fizessem visitas à nova família e também posteriormente. Perdoem-me a ignorância, mas desconhecia que havia um processo complicado na adopção de gatos. Desisti daquela, se a minha casa tem um direito de admissão apertado, muito menos vou por a casa de uma amiga nesta situação. Enquanto buscava alternativas [faltavam poucas horas para outinhagataounãotinhagata] tive um rasgo e liguei para o Veterinário que [não há coincidências] tinha uma gata com 2 meses para oferecer. Lá lhe contei a história da amiga que queria muito um gato e que outra amiga tinha ficado de lhe oferecer, mas eu meti-me pelo meio porque queria ser eu a oferecer o bichano porque queria ir com os miúdos buscá-la para que vissem que os animais não vêm da loja e iadaidaiadiada, até que consegui combinar com a veterinária ir buscar a gata. Fomos, primeiro a saga de conseguir comprar a boxe de transporte, depois o medo... sim porque já agora queria oferecer um bicho com ar decente. Quando chegámos nem queríamos acreditar na doçura do animal. O A., o mariquinhas dos animais, que nem se deixa cheirar que começa a emaranhar por mim acima estava de bracinho esticado a fazer festinhas.
E cá tivemos a Lara durante algumas horas para deleite de todos e o nosso jantar foi animado pelas peripécias da gata com a árvore de Natal. A dona que vinha jantar saiu jantada e com uma gatinha linda e amorosa. O T. teve pena que ela não fosse para nós, eu também, mas olho para os meus sofás e passa-me.