Todos os anos por esta altura costumo andar numa azáfama por causa dos Anjinhos de Natal do Exército de Salvação. Os Anjinhos são crianças de famílias muito necessitadas que o E.S. identifica, depois fazem uns cartões em forma de Anjo com o nome da criança a idade e o presente que a criança gostaria de receber no Natal e um fato de treino. O meu papel tem sido angariar "Pais Natal" para oferecer presentes a algumas destas crianças.
Quando o T. tinha 3 anos quis começar a ensinar-lhe o espírito da partilha e da solidariedade. É demasiado fácil e pouco esclarecedor para as crianças se me limitar a ir comprar qualquer coisa para uma criança e dizer ao T. que é para ele oferecer, ele não sentiria o lado da partilha. Para que ele sentisse o que é a solidariedade lembrei-me que teria de lhe sair do "pêlo", para tal criei uma tradição cá em casa para as crianças. Eles abrem os presentes (sem tirar das embalagens) e depois de todos abertos têm de escolher um para oferecer, assim, novinho, dentro da embalagem e tudo. Claro que no primeiro ano em que o fiz, o T. tinha 3 anos e foi uma birra descomunal, mas
foi sol de pouca dura e agora ele próprio já o faz por sua própria iniciativa e tem o cuidado de nunca escolher um presente da loja dos trezentos porque diz que os meninos são pobrezinhos mas também têm direito a um presente em condições.
Assim , tendo ele que abdicar de um presente que lhe foi oferecido consegue perceber o que é de facto a solidariedade pelos mais desfavorecidos.
O A. também já o faz, só que é o irmão que escolhe e ele ainda não tem noção que aquele brinquedo desaparece com um objectivo. Para o ano lá virá a explicação.