Consegui.
Finalmente consegui.
Venci.
Perdi batalhas graças ao uso da chantagem, essa arma tão nojenta e tão fácil de ser usada por quem não tem tomates para enfrentar um opositor com dignidade.
Perdi batalhas por me deixarem de mãos e pés atados, porque é tão mais fácil cortar as asas a alguém do que deixar voar.
Ganhei batalhas porque paguei o que me era exigido, porque movia céus e terra se necessário fosse, porque a minha liberdade, essa, assim como eu, não há cheque que pague.
No final, vencem os bons, os que agem com convicção, com força para enfrentar quem aparecer pela frente, os que mesmos que depois de cairem se levantam, os que não se vendem, os que acreditam que a vitória é possível, mas sobretudo os que sonham e que sabem traçar metas e desenhar caminhos para lá chegar.
Vencem os que vão a jogo.
E, hoje, no dia em que celebro uma das minhas maiores vitórias, olho para trás, porque é quando olho para trás que sei do que sou capaz, vejo o que eu passei para aqui chegar.
Cheguei e cheguei de pé.
26.8.09
23.8.09
que bem se está no campo II
Eis que de repente a casa se encheu, mais adultos, mais crianças porque as casas querem-se cheias. Muitos saltos para a piscina. O T. surprende pela forma como já nada e braçadeiras já são acessórios prescindíveis. O A. continua feliz e contente com a "sua água". A bicharada também cá continua, ou não estivéssemos no campo. "Abelas" e "môcas" lá fora são aos montes, cá dentro e mortos, pois claro, já se contam várias aranhas, dois louva-Deus, duas centopeias, um genocídio de moscas e ontem uma vespa no meu quarto [arghhhhh, ca noijo]. Mas se as nossas aventuras fossem só de bichos isto era demasiado calmo, para animar o T. resolveu deixar a chave do meu carro dentro da bagageira com o carro trancado. Pois. Telefonema para a assistência da Ford que só consegue resolver rebocando o carro para uma oficina e fazendo uma chave. Telefonema para a seguradora que vai enviar assistência, mas a assistência telefona a dizer que vai rebocar o carro mas que não se responsabiliza por danos causados com o reboque [???]. Reboque não quero, obrigada. De casa, as buscas da chave suplente mostram-se insistentes mas infrutíferas. Não páro de pensar onde poderá estar a malfadada chave, mas com tudo encaixotado e o único caixote provável não ter rasto da dita não facilita. Faço uma marcação na Carglass para amanhã e de calhau na mão tento partir o vidro lateral direito, mas nem partir um vidro do meu próprio carro podia ser uma tarefa fácil. O único ser masculino da casa com mais de 7 anos vem em meu auxílio com aquele ar de superioridade que todos os homens têm quando ajudam uma mulher. Várias tentativas depois, lá consegue. E assim se passa uma tarde animada a apanhar vidros do meu próprio carro, vidro que só não fui eu própria a partir propositadamente, porque nem isso podia ser fácil. No meio disto tudo, o T. só me vai dizendo que nunca mais se esquece da chave dentro do carro. Assim espero.
21.8.09
que bem se está no campo
até ter de mudar uma bilha de gás e ter de meter os meus ricos bracinhos num armário com pelo menos q-u-a-t-r-o osgas [arghhhh].
Não fosse pelos miúdos e acho que fazia um tratamento à pele com banhos de água fria, assim como assim e arrepiada por arrepiada, preferia a água fria.
Não fosse pelos miúdos e acho que fazia um tratamento à pele com banhos de água fria, assim como assim e arrepiada por arrepiada, preferia a água fria.
espanto de mãe
O A. está a arrumar as cartas do irmão na caixa, pergunto-lhe se quer que o ajude.
- Não, obigado!
[baba de mãe a escorrer]
- Não, obigado!
[baba de mãe a escorrer]
20.8.09
histórias de amor I
Parafraseando uma amiga, sou pirosa, gosto de histórias de amor. Touxe uma nas férias que tinha começado a ler ainda em casa, há dois dias que andava a devorar o livro, acabei-o hoje, antes da sesta. Sempre que acabo um livro que gosto de ler fico com uma sensação de vazio. Acabou. A história fica a pairar-me na mente até me conseguir embrenhar no próximo. Desta vez vai-me custar mais, esta história tem muito dos meus sonhos. Também eu gostava de encontrar o meu paraíso. Um lugar que me prendesse, que me fizesse deixar tudo e mudar-me de "armas e bagagens". Um lugar em que o seu ritmo fosse marcado pelas estações do ano, em que os alimentos mudassem conforme as colheitas, um lugar que permitisse que os meus filhos crescessem livremente e rodeados de pessoas que realmente se interessam. A história que acabei de ler é o meu sonho transformado em páginas escritas de um livro.
19.8.09
normalidade
Afinal o que é a normalidade? Será que consideramos a normalidade como sendo algo que devemos seguir ou ter porque é normal? Porque o rebanho segue por um determinado caminho? Porque o rebanho age de determinada forma? E porque seguem aquele caminho? E porque agem de determinada forma? Será porque é essa a expectativa? E quem não segue? É anormal? É diferente? São as ovelhas negras? São "desrebanhados"? Pode ser que sejam tudo isso, ou não. A questão fulcral é mais como se sentem. Não é fácil ser diferente e se não é fácil aos olhos dos outros aos nossos é ainda mais complicado. A normalidade incutida ao longo da vida, da educação passada de pais para filhos, da maioria que nos rodeia, dificulta a aceitação. Nem sempre a normalidade, que até pode ser bestial para a minha vizinha de baixo e, se calhar para a do lado, tem de me servir e pode, até, revelar-se uma verdadeira besta que me martiriza. E aqui surge uma tremenda luta interna. Se parar para pensar, se analisar prós e contras com toda a clareza, percebo que a minha normalidade é diferente da dos demais, mas é boa para mim e a normalidade dos outros, vista sobre a mesma perspectiva, pode ser castradora e mensageira de chatices com as quais teria de lidar e que ameaçariam a minha paz. Então porquê? Porque me continuo a bater por essa normalidade? Se não estou mal com a minha, se a dos outros pode ser pior, porquê? Talvez por grande parte da minha existência ter sido pautada por uma normalidade completamente diferente da dos outros, a das convenções, agora que está nas minhas mãos a busque. Mas como em quase tudo na vida, acredito que a tomada de consciência de certas coisas me ajuda a distinguir o certo do errado, ou pelo menos, do menos certo, para mim, para a minha normalidade e, assim o rebanho seguirá com a sua e eu serei feliz com a minha.
18.8.09
a calma dos dias
Os nossos dias têm sido calmos. Muito sol, muitos mergulhos e brincadeiras na piscina. Pequenos almoços tomados sob o sol da manhã. Churrascos no carvão ao almoço e ao jantar. Aproveitamos o calor da tarde para pormos o sono em dia antes de mais uma tarde de saltos para a água. A minha leitura está em dia e aproveito a distância e o sossego para alinhar ideias e analisar o último ano. Não vivo do passado mas com ele corrijo trajectos do futuro. Nem sempre há tempo para pensar na vida, no meio da correria dos dias não sobra tempo para "olhar" para as coisas como elas são, ao invés, olhamos para elas como gostaríamos que fossem. Faz-me bem a pausa, a ausência de horários e o tempo sem nada para o encher. Faz-me bem ter os meus filhos a encherem-me o coração, neste tempo só nosso, faz-me bem o isolamento. Afinal, não vale de nada tapar o sol com a peneira. As coisas são como são e ter consciência delas é o primeiro passo para corrigir o que está mal. Mas as correcções ficam para depois, por agora vou-me manter a pairar nesta calma e recarregar baterias ao sol.
17.8.09
férias - a primeira saga - a piscina
O mais velho passou o fim de semana entre mergulhos para a piscina dos crescidos, o mais novo ao mínimo sinal de aproximação recebia um aviso de décibeis elevados [ouvi dizer que os insectos da região estão surdos]. Cansada de o ver na piscina minúscula do Mickey, hoje de manhã corremos os hipers todos da região em busca de uma piscina maior. Claro que, como nada pode ser fácil, só no último é que encontrámos uma com o tamanho ideal. Piscina comprada e rumámos para casa. Depois de almoçarmos e de dormirmos uma sesta, chegou a hora fatídica de encher a nova piscina. Sem bomba e com uma piscina quase maior do que eu, não havia fôlego que aguentasse, felizmente o meu carro é daqueles que vem com kit em vez de pneu sobresselente. Assim, de repente, ocorreu-me, fui à bagageira buscar o kit e toca de encher a dita. Claro que o toca a encher não foi assim tão rápido, mas lá encheu e agora o mais novo está feliz e contente dentro da sua nova piscina.
15.8.09
a última noite
Hoje é a última noite nesta casa. Talvez por isso adio a hora de me deitar. Vou descobrindo mais coisas para empacotar e, assim, vou adiando aquele que será o meu último sono dentro destas paredes. A casa não me deixa saudades, desde que para cá vim morar que havia qualquer coisa que não me fazia sentir em casa. Até hoje não percebi o quê. Mas sei que vou ter saudades da varanda, tão aprazivel em noites como a de hoje. Vou ter saudades da varanda dos brinquedos, que permitia que o quarto dos miúdos estivesse sempre arrumado. Vou ter saudades da sala que tantas pessoas queridas albergou em jantares e almoços. Vou ter saudades da cabine de duche, de que tanto me orgulho. Vou ter saudades da cozinha, estudada até ao último detalhe, onde todos insistiam fazer sala. Vou ter saudades de algumas coisas, da casa, por si só, não.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
A minha próxima noite em casa será na minha verdadeira casa. Uma casa só minha, apenas em meu nome, sem mais ninguém e sem senhorios. Mais um passo. Mais uma meta que cruzo. Lutei, trabalhei e consegui. A minha única dívida será para com o banco e mais ninguém. Minha!
Esta nova casa, não será apenas uma casa, será um lar, para mim e para os meus filhos. Faço questão de a transformar com todas as ideias que me borbulham na cabeça para que nunca, ao cruzar a porta da entrada sinta que não estou em casa, verdadeiramente.
E irei enchê-la de amigos, como sempre, porque a minha casa é o meu refúgio e os meus amigos têm sempre a porta aberta.
14.8.09
12.8.09
mau génio não é mau feitio [repost]
Sou exigente, sou e admito-o. Sou-o comigo e com os outros a quem entrego o meu ouro. Costumo dizer ao T, durante as birras parvas dele que eu não mereço que ele esteja a fazer aquele pé de vento porque eu não mereço. Faço-lhe todas as vontades, negoceio com ele, explico-lhe tudo, se lhe digo que não é porque não pode mesmo ser e é injusto que ele arme um circo por algo que eu lhe disse que não. Sou exigente, o miúdo só tem seis anos e eu espero que ele no meio daquela massa cinzenta em que decora nomes de jogadores de futebol, tácticas de jogo, ditongos, palavras novas que assimila todos os dias e milhares de outras coisas que absorve que nem uma esponja seca, no meio de uma loja de brinquedos se lembre que eu lhe estou a dizer que não porque este mês já gastei mais do que devia e, ele tem de perceber. Sim sou exigente com ele. Mas sou-o comigo também. Perco-me em explicações, desdobro-me com correrias de um lado para o outro para conseguir satisfazer suas altezas reais no meio das minhas próprias necessidades e responsabilidades. Com as outras pessoas, com as que de facto me importo acontece o mesmo, sim sou exigente, não me digam que gostam de mim para depois ao primeiro aí que me saia me dizerem ahetalegostavadeteajudarmasnãoposso. Badamerda!!! Eu se gosto estou lá nem que tenha de virar o mundo ao contrário. Gritem lá um aí e vão ver se eu não estou plantada à porta. Não estou? Pois, se calhar já fui brindada também e houve uma descida de divisão. É assim... E desengane-se quem achar que o faço por vingança, faço-o mesmo porque se há coisa que não sou é parva (só quando me faço). Não posso estar sempre a dar qual vaca leiteira sempre pronta a ser espremida e receber palha seca em troca. O leite seca. Dou muito de mim, preocupo-me, estou lá antes do aí, estou lá até no falso alarme. Mas não me fodam.
Já estou habituada a ouvir os outros dizerem que tenho mau feitio, que é uma coisa que até me irrita um bocadinho, diga-se em abono da verdade. Isto não é mau feitio. Eu não tenho mau feitio, mau feitio não é ser honesta com os outros, gosto, gosto, não gosto, não gosto e digo-o e pronto. Lá de vez em quando alguém pisa o risco comigo e aí salta-me a tampa. Que nessa altura digam que tenho mau génio, vá... É verdade, admito-o, tenho mau génio, parto o que houver para partir, amuo, barafusto e tudo o mais que eu achar que tenho direito, porque naquele momento o que conta é o que eu acho, porque aquele momento é o momento em que eu rebento, em que extravaso tudo cá para fora, é o meu momento, é o meu grito de basta, só que é quando já não há volta a dar. Se rebento, se extravaso, foi porque andei a encher, a encher, até não caber mais partícula alguma de coisa nenhuma. Enchi, rebentei, acabou. E acaba mesmo, porque quando chega a este ponto, já nem remoer consigo, muito pouco ou nada há a fazer e, a mim resta-me arranjar mais um espacinho na gaveta dos casos arrumados.
Chamem-me radical, fria, mau génio, o que quiserem, mas lembrem-se que eu sou das que está lá quando os bonzinhos ou boazinhas assobiam para o lado. Mau feitio? Eu? Pffff... mau génio!
[fiossoltos 18/11/2008]
Já estou habituada a ouvir os outros dizerem que tenho mau feitio, que é uma coisa que até me irrita um bocadinho, diga-se em abono da verdade. Isto não é mau feitio. Eu não tenho mau feitio, mau feitio não é ser honesta com os outros, gosto, gosto, não gosto, não gosto e digo-o e pronto. Lá de vez em quando alguém pisa o risco comigo e aí salta-me a tampa. Que nessa altura digam que tenho mau génio, vá... É verdade, admito-o, tenho mau génio, parto o que houver para partir, amuo, barafusto e tudo o mais que eu achar que tenho direito, porque naquele momento o que conta é o que eu acho, porque aquele momento é o momento em que eu rebento, em que extravaso tudo cá para fora, é o meu momento, é o meu grito de basta, só que é quando já não há volta a dar. Se rebento, se extravaso, foi porque andei a encher, a encher, até não caber mais partícula alguma de coisa nenhuma. Enchi, rebentei, acabou. E acaba mesmo, porque quando chega a este ponto, já nem remoer consigo, muito pouco ou nada há a fazer e, a mim resta-me arranjar mais um espacinho na gaveta dos casos arrumados.
Chamem-me radical, fria, mau génio, o que quiserem, mas lembrem-se que eu sou das que está lá quando os bonzinhos ou boazinhas assobiam para o lado. Mau feitio? Eu? Pffff... mau génio!
[fiossoltos 18/11/2008]
11.8.09
razões
Existe pelo menos uma razão para que as pessoas evitem fazer mudanças com crianças à mistura.
8.8.09
5.8.09
até que nos cruzemos outra vez
Não me vou esquecer do sorriso de cumprimento, nem do rasto de perfume que deixava nos corredores. Não me vou esquecer da fatia de bolo que fez questão de me servir, nem do toque afável no braço numa festa. Não me vou esquecer que crescemos todos de mãos dadas com ele. Não me vou esquecer do carisma que emana, do cavalheiro que sempre mostrou ser ou do ser humano que embora poderoso sempre fez por ajudar quem dele precisou.
Hoje, na despedida, chorei porque sei que faz falta. Cargos e funções podem ser substituíveis, pessoas não. Há, de facto, pessoas insubstituíveis e este homem faz parte dessas pessoas.
Faço questão de não me esquecer de todas estas pequenas coisas que fazem com que este homem seja tão grande, até que nos cruzemos outra vez, num qualquer corredor, onde trocaremos cumprimentos e sorrisos e que após a sua passagem fique o cheiro do seu perfume. Até lá, não me esquecerei, mas sentirei a sua falta.
Hoje, na despedida, chorei porque sei que faz falta. Cargos e funções podem ser substituíveis, pessoas não. Há, de facto, pessoas insubstituíveis e este homem faz parte dessas pessoas.
Faço questão de não me esquecer de todas estas pequenas coisas que fazem com que este homem seja tão grande, até que nos cruzemos outra vez, num qualquer corredor, onde trocaremos cumprimentos e sorrisos e que após a sua passagem fique o cheiro do seu perfume. Até lá, não me esquecerei, mas sentirei a sua falta.
3.8.09
claridade froxa
Embora eu possa pensar que o melhor não é o que acontece, o que acontece é mesmo o melhor e, embora eu não o consiga ver com clareza, o crepúsculo faz-me sentir que sim.
2.8.09
1.8.09
pastéis de Belém
Hoje o meu dia começou cedo, às 8h30 já estava a fazer um electrocardiograma e menos de 5 minutos depois tiraram-me sangue. Uma manhã de sábado nublado em Agosto é um bom dia para fazer um check up. Depois dos exames todos feitos foi a vez da consulta médica. O médico podia ser meu avó, tem 82 anos, uma simpatia e boa disposição contagiante, anos de aprendizagem que vão muito para além dos conhecimentos médicos, uma aprendizagem de vida invejável. Rapidamente concluí que é daquelas pessoas que consegue "ler" quem lhe aparece à frente. A mim, pelo menos, pela conversa, "leu-me". Enquanto debitava perguntas do questionário médico foi-me dizendo que eu não parecia ter a idade que tenho, "porque as patadas da vida, o ritmo com que vivemos os nossos dias, os desgostos e as preocupações adoecem as pessoas. As pessoas vivem tristes e deprimidas. A menina não tem 35 anos!"
Gostei de o ouvir dizer aquelas palavras, gostei quando me disse "continue assim. Faça a viagem da vida com alegria e optimismo na bagagem, deixe um espaço grande para o amor. É importante amarmos quem nos rodeia. Na sua mala nunca deve haver espaço para ódios e, não se esqueça nunca de mostrar aos seus filhos como devem fazer a mala deles. Ainda um último conselho, compre uma mala com rodinhas por causa das costas."
Em resposta armei-me em engraçadinha e questionei: "- Mas essa bagagem não é leve?" Ao que, prontamente, com o seu ar de avô me respondeu: "- A bagagem não é pesada, mas as lembranças com que vamos carregando a mala são, porque se não as guardar não lhe servem de nada."
Saí do consultório com uma despedida calorosa e percebi que este Senhor me marcou. Ele próprio é uma lembrança que coloquei dentro da minha mala. A partir de hoje sempre que comer um pastel de Belém vou-me lembrar do médico-sábio de 82 anos, diabético, que enquanto miúdo gastava a mesada em pastéis. Vou-me lembrar que o médico-sábio, que um dia me "leu" só come pastéis de Belém em ocasiões especiais e, por isso, sempre que eu comer mais um pastel, para mim será um momento especial porque me vou lembrar das palavras do médico-sábio, na Lisboa nublada numa manhã de sábado de Agosto.
Gostei de o ouvir dizer aquelas palavras, gostei quando me disse "continue assim. Faça a viagem da vida com alegria e optimismo na bagagem, deixe um espaço grande para o amor. É importante amarmos quem nos rodeia. Na sua mala nunca deve haver espaço para ódios e, não se esqueça nunca de mostrar aos seus filhos como devem fazer a mala deles. Ainda um último conselho, compre uma mala com rodinhas por causa das costas."
Em resposta armei-me em engraçadinha e questionei: "- Mas essa bagagem não é leve?" Ao que, prontamente, com o seu ar de avô me respondeu: "- A bagagem não é pesada, mas as lembranças com que vamos carregando a mala são, porque se não as guardar não lhe servem de nada."
Saí do consultório com uma despedida calorosa e percebi que este Senhor me marcou. Ele próprio é uma lembrança que coloquei dentro da minha mala. A partir de hoje sempre que comer um pastel de Belém vou-me lembrar do médico-sábio de 82 anos, diabético, que enquanto miúdo gastava a mesada em pastéis. Vou-me lembrar que o médico-sábio, que um dia me "leu" só come pastéis de Belém em ocasiões especiais e, por isso, sempre que eu comer mais um pastel, para mim será um momento especial porque me vou lembrar das palavras do médico-sábio, na Lisboa nublada numa manhã de sábado de Agosto.
31.7.09
30.7.09
casca de noz
Hoje consegui dar uma imagem ao que tem sido a minha vida: Um rio. Mas não é um rio qualquer, não é um rio daqueles que parte da nascente numa fiada e se transforma num rio grande e de águas calmas. O rio que é a minha vida, é um rio cheio de rápidos, tem pedragulhos enormes dos quais tenho de me desviar apesar de viajar numa casca de noz. Nas margens do rio vivem árvores enormes que de quando em quando, depois de me conseguir desviar de mais um obstáculo, um madeireiro corta e caí sobre o rio já ele cheio de correntes e remoinhos. Ali, numa tangente à minha casca de noz, provocando mais um obstáculo ou mais uma alteração nas águas que me empurra para longe da meta. Meta essa que não é mais do que chegar à foz sã e salva. Eu e a minha casca de noz.
dar a volta por cima
As minhas raízes ficaram tão lá atrás no tempo que não me posso permitir dizer que me orgulho de onde vim, posso com toda a honestidade orgulhar-me até onde já cheguei e de quem sou. Hoje sei que poderia ter agido de outra forma em relação a tantas coisas, agora, mas agora é fácil, difícil é olhar para trás e perceber que naquele preciso momento tomei a decisão mais acertada, agi, provavelmente, em direcção à única saída possível e, se não, à única que consegui vislumbrar. Tenho muitos esqueletos no armário, muitos mesmo, mas estão arrumados, eu sei que lá estão e por saber deles ali, já não me incomodam, não conseguem. Vivemos, assim, todos em harmonia, eu e os meus esqueletos guardados no armário.
27.7.09
23.7.09
"tão pecanino"
O A. enrosca-se em mim a pedir mimos. Pega-me na mão e faz festas a ele próprio. Sente a minha pele e faz-me festas. O A. a dois meses de fazer três anos tira a manta de cima dele e vai tapar o irmão. O A. ao meu "-Boa noite, tenham sonhos cor-de-rosa", responde-me sempre:
"-Pa ti também mamã."
"-Pa ti também mamã."
há pessoas
a quem me apetece dizer-lhes: GET A LIFE!
Mas depois percebo que isso é dar-lhes demasiada importância e deixo andar. Afinal há vidas tão ocas.
Mas depois percebo que isso é dar-lhes demasiada importância e deixo andar. Afinal há vidas tão ocas.
mudanças [pretérito imperfeito]
Eu poderia meter todas as minhas coisas em caixotes, depois, móveis e caixotes numa camioneta [ok, não era eu, mas os senhores da transportadora], depois descarregavam tudo, não a poucos km, mas a alguns mais. Passaríamos alguns dias a desencaixotar tudo e a arrumar nos novos sítios. Mas o importante seriam os novos sons, as novas rotinas, a nova paisagem, enfim, a nova vida. Acordaríamos com vista para a planície [ou para o ribeiro onde os patos se banham], no Verão tomaríamos o pequeno-almoço sentados na mesa do alpendre, depois da primeira refeição do dia, iria levar as crianças à escola e iria tratar do meu ganha pão. À tarde, iria buscá-los novamente e lanchariam em casa, canecas de leite e pão alentejano com doce caseiro [sim, sei fazer doce!]. De barriga cheia iriam trepar a árvores, chatear os patos no ribeiro ou até mesmo jogar à bola e eu andaria entretida na horta em busca de inspiração para o jantar. Os banhos a seguir aos trabalhos de casa seriam tomados ainda com o sol à vista e o jantar seria servido no cair da noite. As noites teriam grilos e cigarras como músicos e depois dos miúdos estarem na cama, sentar-nos-íamos no alpendre a beber café com um cão deitado aos nossos pés.
22.7.09
nem tudo o que luz é ouro
Eu tenho noção que me poupava um bocadinho [muito, vá] se não tivesse razão em tantas coisas. Também tenho noção que o meu 6º sentido nem sempre me ajuda. Se por um lado me poderia evitar alguns amargos de boca, a verdade é que não os evita, enaltece-os, tenho-os antes do tempo devido e fico com a boca amarga mais tempo do que é suposto. Este meu lado extra-sensorial é bom para evitar que caia em armadilhas, não são poucas as vezes que um inexplicável "mau feelling" em relação a algo, alguém ou alguma situação me poupa de dissabores no futuro. O problema coloca-se quando não há escapatória, ou quando o caminho alternativo não é do meu agrado, nestes casos de nada me vale saber o que vai acontecer, não me poupa, não me liberta, não me obriga a evitar a desilusão ou o sofrimento, ao contrário, tudo isto começa antes de tempo. E, assim, há dias em que eu dispensava os meus feellings, a minha razão, as minhas, vá, professias. Dispensava tudo isto e era uma perfeita ignorante, mas muito mais feliz.
21.7.09
mini-chefs

Já tive a saga McQueen, meses a ver o Faísca plantado no ecrãn da sala. Ora aparecia em corrida, a asfaltar uma estrada, mas qualquer que fosse a hora, lá estava ele. A verdade é que o A. começou a falar e a fazer-se entender tão bem que não consigo tirar da cabeça que foi graças a horas infindáveis à frente do ecran. Depois do Cars veio o Madagascar e todos os "tontos" animais que o acompanhavam, primeiro foi a saga do 2 depois a saga do 1. Semanas de Madagascar e de Rei Juliano. Pelo meio meteram-se outros filmes mas não tiveram direito a tantas reposições.
Não disse, mas o cinéfilo da casa é o A., o irmão na maioria das vezes cansava-se a entretinha-se com a PS2.
Agora temos novo filme em cartaz. Há um mês [pelo menos] que cá em casa é Ratatui de manhã à noite. O dvd nem chega a ser desligado. À noite quando se vão deitar, o filme fica em pausa para a manhã seguinte, de manhã o filme fica em pausa para quando chegam da escola. Mas desta vez, não é apenas o A. o responsável, o T. adora o Ratatui e eu estou quase tentada a inscrevê-los num curso de culinária, tal é a alegria deles em verem o rato a cozinhar.
19.7.09
o passar dos dias
Eu tenho um problema com o passar dos dias, o que me leva a crer que noutra vida devo ter morrido prematuramente, sinceramente, não encontro outra justificação.
Sempre que me saí uma barbaridade boca fora do tipo, "nunca mais é nãoseiquando" tenho logo de seguida uma súbita vontade de me esbofetear. A sério!
A vida é demasiado curta, cada dia que vivo é menos um dia que vou viver, cada dia que desejo que passe a correr para que um outro lhe suceda, é menos um dia vivido. Viver a pensar que amanhã estou cá é demasiado optimista, a verdade é que não sei se estarei. E, não, não é um pensamento mórbido, é realista. Acho lamentável que seja necessário sermos postos à prova com uma doença que nos dá um prazo de término para deitar-mos às urtigas merdinhas e coisinhas sem importância e dedicarmo-nos realmente ao que queremos e a quem gostamos. Não tive nenhuma experiência quase-morte, mas há momentos em que sinto que é como se tivesse tido. Não me angustia, apenas me faz lamentar não ter ainda mais esta noção. Existem muitas coisas com as quais já não me stresso, mas muitas mais existem que gostaria de tirar da cabeça e ganhar espaço e tempo para as que são realmente importantes.
Sempre que estão comigo, não há dia em que não diga aos meus filhos o quanto os amo, o quanto são importantes para mim. A ideia de que um dia posso já cá não estar e não lhes ter dito com todo o meu sentir, essa sim, angustia-me.
É importante dizer o quanto gostamos de alguém enquanto conseguimos dizê-lo e enquanto nos conseguem ouvir. É importante relativizar as coisas e as pessoas. Dar importância a quem realmente a tem não é fácil. Deixar de lado quem tem lugar de destaque na nossa vida é um erro crasso e comum. Por lá estar, por ser importante é ainda mais urgente dizê-lo, mostrá-lo. No fundo, viver.
Sempre que me saí uma barbaridade boca fora do tipo, "nunca mais é nãoseiquando" tenho logo de seguida uma súbita vontade de me esbofetear. A sério!
A vida é demasiado curta, cada dia que vivo é menos um dia que vou viver, cada dia que desejo que passe a correr para que um outro lhe suceda, é menos um dia vivido. Viver a pensar que amanhã estou cá é demasiado optimista, a verdade é que não sei se estarei. E, não, não é um pensamento mórbido, é realista. Acho lamentável que seja necessário sermos postos à prova com uma doença que nos dá um prazo de término para deitar-mos às urtigas merdinhas e coisinhas sem importância e dedicarmo-nos realmente ao que queremos e a quem gostamos. Não tive nenhuma experiência quase-morte, mas há momentos em que sinto que é como se tivesse tido. Não me angustia, apenas me faz lamentar não ter ainda mais esta noção. Existem muitas coisas com as quais já não me stresso, mas muitas mais existem que gostaria de tirar da cabeça e ganhar espaço e tempo para as que são realmente importantes.
Sempre que estão comigo, não há dia em que não diga aos meus filhos o quanto os amo, o quanto são importantes para mim. A ideia de que um dia posso já cá não estar e não lhes ter dito com todo o meu sentir, essa sim, angustia-me.
É importante dizer o quanto gostamos de alguém enquanto conseguimos dizê-lo e enquanto nos conseguem ouvir. É importante relativizar as coisas e as pessoas. Dar importância a quem realmente a tem não é fácil. Deixar de lado quem tem lugar de destaque na nossa vida é um erro crasso e comum. Por lá estar, por ser importante é ainda mais urgente dizê-lo, mostrá-lo. No fundo, viver.
10.7.09
dois é a conta que Deus fez
Antes de me deitar vou sempre ao quarto deles, um beijinho, uma festinha, um tapar, um apanhar de chucha ou apenas um toque ao de leve. À duas noites atrás, não foi excepção, ao tapar o T. ele sentiu-me e agarrou-me na mão e ficámos assim, de mão dada, o A. na cama ao lado sentiu-me, enquanto eu de cócoras estava apoiada na cama dele, puxou-me a mão e deu-me a maozinha dele. Fiquei, assim, de mãos dadas, uma a cada um e, de repente, ocorreu-me, se fossem três ficava um de fora. Eu, que tinha passado grande parte da noite a marterizar-me com o facto de o meu útero estar envelhecido e que provavelmente não terei o tormento de mais uma gravidez nem a alegria de ter mais um filho, fui -me deitar com um sorriso descansado.
8.7.09
[é que nem me ocorre um título]
110€ de imposto de circulação?????
[preciso de ar enquanto não se paga]
[preciso de ar enquanto não se paga]
post de balanço
Já fez um ano que resolvi dar o grito de liberdade, virar a minha vida do avesso, sacudi-la do pó que tinha juntado ao longo dos anos para poder esticá-la qual colcha lavada em cama a cheirar a amaciador e sol.
Foi um ano duro, confesso, mas tem valido a pena. Ao longo do último ano aprendi mais sobre mim, sobre quem realmente sou, do que talvez em anos.
Tornei-me independente, senhora do meu nariz, estabeleci novas metas, ultrapassei obstáculos e cresci, cresci muito. Aprendi que a força vem de dentro, das crenças que alimento, dos objectivos a que me proponho. Tornei-me melhor mãe, melhor pessoa e muito melhor amiga. Testei a minha paciência e descobri que, no meio da minha impaciência, tenho uma calma que desconhecia.
Descobri que a vida é curta de mais para deitar tempo pela janela. Que existem pessoas por quem não vale a pena perder um segundo ou dizer mais do que o necessário e, que existem pessoas que merecem que largue tudo e vá a correr à primeira chamada. Finalmente, senti o verdadeiro valor da amizade. Vi com quem posso contar e de quem escuso de esperar alguma coisa.
E, talvez por isso ou por apenas ter acordado, sinto-me premiada pela vida, neste último ano senti que entrei na estrada certa, que tinha andado perdida por entre atalhos e vielas e, que agora sei qual é o caminho. Finalmente acertei.
Agora, olho para trás, para o último ano, para os que o antecederam e vejo a luta, o esforço sem me esqueçer de todas as lutas que enfrentei, todas as barreiras que tive de derrubar, das noites sem dormir, das aflições por que passei ou das lágrimas que chorei. Não me esqueço, porque tudo isto me diz de onde vim e só assim tenho verdadeira noção onde cheguei e de quem sou.
E, por saber tudo isto, tenho um orgulho em mim própria que não consigo descrever mas do qual não me quero, nem posso esquecer.
Foi um ano duro, confesso, mas tem valido a pena. Ao longo do último ano aprendi mais sobre mim, sobre quem realmente sou, do que talvez em anos.
Tornei-me independente, senhora do meu nariz, estabeleci novas metas, ultrapassei obstáculos e cresci, cresci muito. Aprendi que a força vem de dentro, das crenças que alimento, dos objectivos a que me proponho. Tornei-me melhor mãe, melhor pessoa e muito melhor amiga. Testei a minha paciência e descobri que, no meio da minha impaciência, tenho uma calma que desconhecia.
Descobri que a vida é curta de mais para deitar tempo pela janela. Que existem pessoas por quem não vale a pena perder um segundo ou dizer mais do que o necessário e, que existem pessoas que merecem que largue tudo e vá a correr à primeira chamada. Finalmente, senti o verdadeiro valor da amizade. Vi com quem posso contar e de quem escuso de esperar alguma coisa.
E, talvez por isso ou por apenas ter acordado, sinto-me premiada pela vida, neste último ano senti que entrei na estrada certa, que tinha andado perdida por entre atalhos e vielas e, que agora sei qual é o caminho. Finalmente acertei.
Agora, olho para trás, para o último ano, para os que o antecederam e vejo a luta, o esforço sem me esqueçer de todas as lutas que enfrentei, todas as barreiras que tive de derrubar, das noites sem dormir, das aflições por que passei ou das lágrimas que chorei. Não me esqueço, porque tudo isto me diz de onde vim e só assim tenho verdadeira noção onde cheguei e de quem sou.
E, por saber tudo isto, tenho um orgulho em mim própria que não consigo descrever mas do qual não me quero, nem posso esquecer.
assinaturas
hoje e, ainda com um nome que não me pertence, assinei mais um papel. Não é um papel qualquer, é o papel que inicia um sonho antigo, um sonho que já foi semi-realizado, mas semi, não é o mesmo que Realizado.
Iniciei mais uma etapa, a que falta para a realização.
Iniciei mais uma etapa, a que falta para a realização.
7.7.09
carta à fada dos dentes
Cara fada, espero que hoje apareças lá por casa e nem te atrevas a levar uma simples lembrancinha, é que esta coisa dos dentes que caem é uma intrujice ainda maior que a tua história. Não estava no programa ter de pagar por cada dente que "supostamente" devia cair. Lá em casa os dentes não caem, têm de ser arrancados. Sim, já é o segundo e, a brincadeira já vai em 100€. Por isso das duas uma, ou apareces mesmo e deixas alguma coisinha que se veja ou os dentes começam a cair sozinhos, que isto de pagar para o dente sair de lá e ter de pagar o "presente da fada" saí um bocadinho caro, ainda mais quando a criança se porta melhor do que muitos adultos.
Posto isto, fico a aguardar, enquanto isso, vou trocar os frutos vermelhos que o T. tanto gosta por maçãs, de preferência bem rijas.
a mãe da criança
Posto isto, fico a aguardar, enquanto isso, vou trocar os frutos vermelhos que o T. tanto gosta por maçãs, de preferência bem rijas.
a mãe da criança
reflexos
Olho para o espelho e lá estão, bem ali à minha frente, as rugas que vão aparecendo à volta dos olhos que vou insistindo em encharcar de cremes. Os cabelos brancos lá vão sendo disfarçados por entre as nuances.
Por baixo desta imagem que acusa os primeiros sinais de envelhecimento, está uma mulher, uma mãe de dois, que tantas vezes se sente como se tivesse dezassete, que joga à bola, que salta para evitar os últimos degraus e que trepa pela varanda da vizinha quando fecha a porta com a chave do lado de dentro.
Entre estas duas imagens existe um fosso, um fosso que separa o que sentimos com o que somos, ontem soube que estou mais velha. Quando dizem a uma mulher "se quer ter mais filhos é bom que seja em breve" custa. Custa muito. Eu sei para onde caminho, mas ainda assim, custa. É real.
Depois do A. nascer tinha decidido não ter mais filhos. Tenho dois. Cumpri a minha parte, posso fechar a loja. Foi mais ou menos isto que pensei. Depois nos tropeções e surpresas que a vida me proporciona, percebi que afinal a loja não estava assim tão fechada. Ontem, deram-me um prazo para fechar. A loja vai mesmo ser fechada à força e, isto está-me a custar mais do que eu previa. Obviamente que sei que um dia iria acontecer, mas não era assim, já...
Eu posso ou não querer ter mais filhos, não queria era que me fosse imposto. Não queria que me dissessem; está velha por dentro.
Por baixo desta imagem que acusa os primeiros sinais de envelhecimento, está uma mulher, uma mãe de dois, que tantas vezes se sente como se tivesse dezassete, que joga à bola, que salta para evitar os últimos degraus e que trepa pela varanda da vizinha quando fecha a porta com a chave do lado de dentro.
Entre estas duas imagens existe um fosso, um fosso que separa o que sentimos com o que somos, ontem soube que estou mais velha. Quando dizem a uma mulher "se quer ter mais filhos é bom que seja em breve" custa. Custa muito. Eu sei para onde caminho, mas ainda assim, custa. É real.
Depois do A. nascer tinha decidido não ter mais filhos. Tenho dois. Cumpri a minha parte, posso fechar a loja. Foi mais ou menos isto que pensei. Depois nos tropeções e surpresas que a vida me proporciona, percebi que afinal a loja não estava assim tão fechada. Ontem, deram-me um prazo para fechar. A loja vai mesmo ser fechada à força e, isto está-me a custar mais do que eu previa. Obviamente que sei que um dia iria acontecer, mas não era assim, já...
Eu posso ou não querer ter mais filhos, não queria era que me fosse imposto. Não queria que me dissessem; está velha por dentro.
6.7.09
cumplicidades
É passarmos uma manhã-tarde de domingo numa esplanada, falarmos a mesma linguagem e conseguirmos ver o lado uma da outra.
É saberes que estou aqui.
É eu saber que estás aí.
É saberes que estou aqui.
É eu saber que estás aí.
4.7.09
podia mas não foi
hoje podia ter sido o dia em que aproveitava e punha os sonos em dia ou, em que me deitava no sofá a olhar para o infinito e me deixava passar pelas brasas ou, em que tinha aproveitado para dormir na areia com o som do mar e dos restantes veraneantes ou, por outro lado, em que aproveitava para encaixotar o superfluo e deixava de olhar em redor a pensar no que me falta fazer ou, que despachava o trabalho que trouxe para casa e que me vão cobrar na próxima semana.
Podia, pois podia, mas não foi e, não me lembro de um sábado tão mal aproveitadinho.
Podia, pois podia, mas não foi e, não me lembro de um sábado tão mal aproveitadinho.
3.7.09
tempo
É coisa que não tenho tido. Os dias passam a correr e as noites não chegam para por o sono em dia. Lembro-me da altura em que os dias passavam mais lentamente. Em que tinha tempo, das noites passadas com o pc à frente depois das crianças estarem deitadas. Das gargalhadas contidas de madrugada, de dormir três ou quatro horas e acordar e olhar os dias de frente e não olhar para eles quando já passaram sem perceber muito bem como. Não tenho tempo para ter tempo, preciso de abrandar, conseguir olhar para o que se passa à minha volta, conseguir estar parada com tempo sem olhar para o relógio. Preciso de tempo para não fazer nada.
2.7.09
28.6.09
estou sem forças
Apetecia-me, com um passe de mágica encaixotar tudo, desmontar os móveis, escolher a casa com convicção, tratar de tudo o que há para tratar. Apetecia-me porque era um só gesto e por agora o único gesto que as minhas forças permitem é olhar para caixotes desmontados e virar-lhes as costas. Sim quero muito mudar, mas não tenho forças, não me apetece ter [outra vez] todo o trabalho do encaixota-desencaixota. Faltam-me as forças e a vontade não é suficiente, o que me faz crer que se me auto-contrariar até faço tudo o que tiver para fazer, mas no fim caio para o lado.
chuva de verão
E passamos o dia em casa, arrumamos os destroços de ontem, começo a tarefa de desmontar móveis a muito custo. O cansaço dos últimos dias apodera-se do meu corpo e adormeço no sofá com o A. enroscado em mim, a meio do sono sento o T. a tapar-nos e pousar um beijo na minha bochecha para de seguida voltar para os jogos no pc.
26.6.09
roda-viva
Desligo o alarme do telemóvel e levanto-me a custo. Passagem pela casa de banho e vou à cozinha aquecer os leites. Entro no quarto onde dormem profundamente e abro o estore devagar. O mais novo acorda sempre primeiro. Encho o mais velho de beijos para que acorde. Vão os dois para a sala ver os desenhos animados enquanto bebem o leite. O mais velho veste-se enquanto lhe arranjo o segundo leite. Visto o mais novo e deixo-os entregues ao canal 2 enquanto me arranjo. Porta fora, o mais velho chama o elevador o mais novo acende a luz. Saio do prédio com duas crianças coladas a mim, deixo o mais novo no colégio, sigo com o mais velho e deixo-o na escola. Chego ao trabalho e atiro-me ao excell, alterno os mapas com pesquisas de casas na net. Hora de almoço, tenho uma visita combinada para ver in loco uma casa. Volto ao trabalho e ao excell, enquanto carrega vejo casas e marco visitas. Fim de expediente,vou buscar a cria mais velha e de seguida a mais nova, mais uma casa in loco. Voltamos para casa, passagem rápida na mercearia da rua para comprar fruta e no café para me abastecer de cigarros. O mais velho toma duche sozinho, dou banho ao mais novo. Enquanto brincam faço o jantar, enquanto está ao lume, ligo o pc e procuro casas que adiciono aos favoritos. Sirvo-lhes o jantar e empanturro-me com as cerejas que comprámos. Arrumo a cozinha. Eles brincam. Preparo as coisas para o dia seguinte e os leites da noite. Enquanto bebem o leite, procuro casas. Lavam os dentes e vou deitá-los. Mimos de boa noite, apagam-se as luzes e regresso à cozinha onde fumo um cigarro e bebo um café. Preparo os leites de pequeno almoço. Regresso ao pc e vejo casas e mais casas. Já troco as casas todas, está na hora de mais um cigarro. Dentes lavados. Vou vê-los, dormem profundamente. Deito-me a ler e a trocar sms. Começo a ver descrições de T2, T3 e m2 nas páginas de " O canto da missão". Está na hora de dormir. Faltam 6 horas para que o telemóvel me diga que vai recomeçar tudo outra vez.
25.6.09
reconstruir
Hoje percebi que não me basta mudar. Sou fruto da geração Lego, gosto de construir, gosto de reconstruir à minha maneira. Bastaram-me umas fotos de uma casa e fiquei a borbulhar de excitação tal qual como à 30 anos atrás perante uma caixa de Legos novinha. Brotaram ideias e, de umas míseras fotos consegui visualizar o resultado final. Adoro pegar no velho e transformá-lo em novo, o feio em bonito, o desconfortável em acolhedor. Eu preciso de projectos, mantem a minha criatividade activa, não sou grande fã de facilitismos, prefiro de longe os desafios, ultapassar obstáculos e, no final poder olhar para a obra feita e orgulhar-me do pó engolido.
22.6.09
a arrumar a vidinha,
é assim que vão ser os meus próximos tempos. Encaixotar o que é para manter, desfazer-me do que não pertence à vida que quero recomeçar. Os recomeços e as mudanças são boas para fazer limpezas, limpam-se os armários, as gavetas, as caixas de toda a tralha acumulada, uma parte seguirá caminho comigo, outra ficará para trás e seguirá um outro diferente. Novos armários e gavetas sem fantasmas irão albergar as coisas que me são mais queridas e necessárias. Tudo limpo e arrumado nos seus respectivos lugares como devia ser tudo na vida. Quem me dera que fosse tão fácil arrumar a vida como uma casa nova. Criar uma nova vida como se consegue criar um lar. Não é assim tão fácil, mas os recomeços têm o seu quê, por um lado o desapego que é necessário ter relativamente ao supérfluo, por outro o alento de novos sons, outra luz a entrar pela janela, outros recantos que se criam, no fundo, a esperança de melhores dias que certamente aí vêem.
E eu, ao fim de tantos recomeços, vou enfrentar mais um, sozinha e com bagagem bem mais pesada, bem mais preciosa do que uma mala de mão. Agora, ao fim de quase um ano, sinto o peso da responsabilidade. Já não sou só eu, sou eu e os meus filhos, num recomeço a sós. Por isso preciso de encontrar uma casa em que o sol que entra pelas janelas encha bem a casa de luz. Porque eu preciso que o sol me encha a nova casa de luz.
E eu, ao fim de tantos recomeços, vou enfrentar mais um, sozinha e com bagagem bem mais pesada, bem mais preciosa do que uma mala de mão. Agora, ao fim de quase um ano, sinto o peso da responsabilidade. Já não sou só eu, sou eu e os meus filhos, num recomeço a sós. Por isso preciso de encontrar uma casa em que o sol que entra pelas janelas encha bem a casa de luz. Porque eu preciso que o sol me encha a nova casa de luz.
21.6.09
uma casa não é só uma casa
tenho andado completamente absorvida em busca "da casa". O ninho que nos vai abrigar a partir de agora. O meu novo porto seguro. A minha nova morada. Não é fácil. Preciso de sentir "aqui vou ser feliz" e essa sensação não tem aparecido. Incomoda-me
Mas se uma casa não é só uma casa, um blog não é apenas um blog, não para quem o escreve, para quem o sente, não para mim. Tenho um carinho muito especial pelo fios. Tentei mantê-lo contra todas as contrariedades. Até arranjei um espelho distorcido. Não resultou. Cansei-me do registo deste blog. Vai continuar aqui para quem cá quiser voltar, mas fica parado.
Vida nova, casa nova, blog novo. A vida segue aqui
[um grande obrigada aos resistentes que apesar de terem de mostrar identificação à entrada continuaram a frequentar o tasco]
Mas se uma casa não é só uma casa, um blog não é apenas um blog, não para quem o escreve, para quem o sente, não para mim. Tenho um carinho muito especial pelo fios. Tentei mantê-lo contra todas as contrariedades. Até arranjei um espelho distorcido. Não resultou. Cansei-me do registo deste blog. Vai continuar aqui para quem cá quiser voltar, mas fica parado.
Vida nova, casa nova, blog novo. A vida segue aqui
[um grande obrigada aos resistentes que apesar de terem de mostrar identificação à entrada continuaram a frequentar o tasco]
mentalização [nada acontece por acaso]

Andou meses na minha cabeceira, só lhe pegava para limpar o pó e voltava a pousá-lo, cansada de ter um monte de livros à espera de serem lidos [e este ano nem me reabasteci na feira do livro], resolvi "limpá-los" dali. Deve ter sido o terceiro a ser lido desde que dei início à limpeza. Eu acredito que há coisas que não acontecem por acaso, a sério que acredito e a leitura deste livro que andava a ganhar pó na mesa de cabeceira não podia ter calhado em melhor altura. Um simples livro fez-me olhar algumas coisas com outra perspectiva. Claro que infelizmente não me posso dar ao luxo de tirar um ano sabático e mudar-me para itália para me empanturrar com pasta durante 3 meses, enclausurar-me num Ashram na Índia e passar 90 dias a meditar para de seguida ir para Bali em busca do equilíbrio. Não posso, por muitas e pesadas razões, não posso, mas era menina para noutra vida o fazer. Nesta, posso-me apenas ir lembrando, sistematicamente, que não posso controlar tudo e que depois de fazer a minha parte tenho de deixar o universo fazer o resto.
a magia da primeira vez
A primeira vez é algo que nos fica na memória, seja o primeiro beijo, o primeiro namorado ou o primeiro beijo do vigésimo namorado que já nem nos lembramos do nome. Dele somos capazes de esquecer, do beijo provavelmente não. Recordamos o primeiro ordenado ganho, mesmo que no dia seguinte tenha desaparecido. A primeira viagem quando já somos gente grande. O primeiro olhar para aquele ser pequenino que saiu de cá de dentro.
A primeira vez é mágica e tanto faz que seja o primeiro olhar, o primeiro beijo, a primeira noite ou primeiro mergulho juntos no mar. É Mágica.
A primeira vez é mágica e tanto faz que seja o primeiro olhar, o primeiro beijo, a primeira noite ou primeiro mergulho juntos no mar. É Mágica.
20.6.09
19.6.09
18.6.09
"desoxidada"
labirintos
O telefone toca. Atendo. Do outro lado oiço o que tanto esperei ouvir. Esperei tanto que agora ao dizerem-me já não sei se é bom. A espera tem destas coisas; desespera e quem espera sempre alcança and so on, mas agora não sei, já não sei, eu sei lá... A dúvida dá cabo de mim. Um telefonema confirma a minha vida armada em acrobata; dupla pirueta e meia à retaguarda, empranchado à frente ligado a mortal engrupado a terminar com encarpado.
[Espero não me lesionar com tanta ginástica]
De tanto esperar, de tanto imaginar, mil e uma saídas, já não sei para que lado é a saída do labirinto e entro em acesa discussão interna:
-Agora é andar para a frente!
-E, eu lá sei para que lado é a frente?
-Pelo menos é para algum lado...
-E se fôr para trás?
-Bem, para trás não é.
-Boa, sobra a frente e os lados.
-Se fôr para os lados é atalho e atalhos nem sempre são bons, só para fugir ao trânsito e mesmo assim tem dias...
-Há-de ser para a frente.
-Mas também pode não ser...
-Gaita, logo se vê onde vai dar, agora já está.
[Espero não me lesionar com tanta ginástica]
De tanto esperar, de tanto imaginar, mil e uma saídas, já não sei para que lado é a saída do labirinto e entro em acesa discussão interna:
-Agora é andar para a frente!
-E, eu lá sei para que lado é a frente?
-Pelo menos é para algum lado...
-E se fôr para trás?
-Bem, para trás não é.
-Boa, sobra a frente e os lados.
-Se fôr para os lados é atalho e atalhos nem sempre são bons, só para fugir ao trânsito e mesmo assim tem dias...
-Há-de ser para a frente.
-Mas também pode não ser...
-Gaita, logo se vê onde vai dar, agora já está.
17.6.09
mau génio não é mau feitio
eu não tenho mau feitio, não sou má, não desejo mal a ninguém e não rezingo. O que eu tenho é mau génio. Sou uma impaciente com uma pachorra invejável. Fervilho por dentro quando estou à espera que aconteça algo, mas acabo sempre por esperar muito mais tempo do que o que achava capaz de suportar. Sou boa pessoa, ajudo sempre que posso quem precisa de ajuda. Desculpo e perdoo. Acho sempre que para a frente é que é caminho e os passos do passado só servem para acertar rotas futuras. Depois há umas alturas em que me salta a tampa [que é como quem diz o mau génio], encho, farto-me e expurgo tudo o que me morde por dentro. Faço cara de poucos amigos, fico mal comigo e com o mundo, mas não chateio. Fecho-me na concha, enrolo-me sobre mim e acendo o néon: "Não me digam nada" e se seguirem o conselho eu mantenho-me sossegada e não rosno a ninguém, porque morder é que não mordo.
15.6.09
10.6.09
Uma questão de [des]conforto
Preciso de conforto. Não me peçam para conduzir um carro em que não consiga ter uma posição confortável. Não me façam viver numa casa sem conforto. Fico alucinada com o desconforto que me causa o extracto da minha conta bancária. Odeio cadeiras desconfortáveis. Sofás onde não encaixe. Roupa que incomoda. Alça de soutien que descai. Para mim, o conforto é essencial. Vestir e sentir que está tudo no sítio e que dali não sai. É horrível deitar-me numa cama em que se sinta a mola do colchão. Não lido bem com o desconforto. Se estou desconfortável não descanso enquanto não arranjo melhor posição. O conforto é como água, essencial e, existem mínimos obrigatórios.
A verdade é que ando bastante desconfortável e a minha tenacidade em arranjar melhor posição esmoreceu. Sinto-me como se estivesse prestes a adormecer em qualquer lado. Não importa se é o degrau de uma escada, se está frio ou molhado, só preciso de me encostar e fechar os olhos "só um minuto". Não aguento. Já não quero saber do desconforto que sinto, só quero mesmo é fechar os olhos e dormir.
A verdade é que ando bastante desconfortável e a minha tenacidade em arranjar melhor posição esmoreceu. Sinto-me como se estivesse prestes a adormecer em qualquer lado. Não importa se é o degrau de uma escada, se está frio ou molhado, só preciso de me encostar e fechar os olhos "só um minuto". Não aguento. Já não quero saber do desconforto que sinto, só quero mesmo é fechar os olhos e dormir.
8.6.09
6.6.09
confesso
4.6.09
a propósito de marionetes

Marionete
“Se por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria um bom gelado de chocolate ! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que eu ofereceria à Lua! Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... não deixaria passar um só instante sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor.. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha. Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens ! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta... Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se... São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer...”
Gabriel Garcia Marquez
3.6.09
Carta aberta ao Senhor que comanda os meus fios

Senhor,
segundo me disse várias vezes uma amiga e, mais vezes ainda recordo as palavras dela, "a vida não te dá nada que não consigas suportar". Eu não concordo com esta afirmação, há dores insuperáveis e nem vou aqui mencioná-las porque o meu papel de mãe não me permite pensar nelas. Seja como fôr, agarro-me muitas vezes a esta afirmação como bóia para não me deixar levar na corrente que me tenta afastar da margem de segurança. Também é bem verdade que há privações bem maiores do que as minhas e provavelmente quem por elas passa não as merece. Mas a verdade é que, tirando uns pequenos intervalos que me foram concedidos, a minha vida tem sido remar contra a maré. Apanhei correntes fortes, mas lutei e lá consegui. Muitas vezes senti o barco virar, felizmente não virou. Algumas vezes caí à água, mas consegui agarrar-me ao barco e voltei a subir. Sim, é verdade, tenho-me conseguido safar. Mais braçada para a esquerda, mais remadela para a direita, o barco lá tem ido sem naufragar.
Mas Sabes? Este remoinho em que Me meteste está a matar-me. Literalmente a matar-me. Se Pudesses abrandar aí um bocadinho os fios dáva-me um jeitão. É que Sabes, além dos meus movimentos começarem a ser completamente descoordenados, sinto que já devo ter fios embaraçados uns nos outros e se a coisa dá para nós... é o fim.
Por isso peço-Te, uma vez mais, arranja lá outra coisinha para Te entreteres e dá-me uma folguinha para eu respirar, sim?
Obrigada pela atenção.
a Tua marionete
2.6.09
adenda ao post anterior
Um obrigada muito grande ao Miguel que é o puto com 14 anos mais fixe que conheci até hoje.
Prioridades
Os meus filhos fizeram-me mudar de vida. Desde que o mais velho nasceu que andou sempre atrás de mim. A vida de solteira ou casada sem filhos acabou no dia em que ele nasceu. Raras foram as vezes [três ou quatro no máximo ] que o deixei com alguém até ao irmão nascer. Estive anos sem ir ao cinema e limitei os meus passos a sítios e eventos onde ele pudesse ir comigo. Com o nascimento do mais novo o cenário não se alterou muito. Enquanto vivi com o pai deles, obviamente que por vezes saía e eles ficavam com o pai, estupidamente sempre me senti culpada por isso. Eu ia, mas andava sempre em stress para me despachar para voltar. Agora a coisa mudou de figura, eles, cada vez mais andam comigo para todo o lado, já não me custa [tanto] deixá-los em casa de amigos [obrigada Paulo e Ana] onde sei que ficam bem e onde gostam de ficar. Aproveito os fins de semana em que estão com o pai para ter tempo para mim e para as minhas coisas sem crianças a reboque. Mesmo assim, garanto, não é fácil. Não me estou a queixar. Eu tenho todo o gosto em ser uma mãe presente. Há uns anos atrás, devia o T. ter um ano e tal ou dois, enquanto eu acabava de me arranjar para ir trabalhar, o T. resolveu bater com a cabeça num móvel qualquer. Eu já estava atrasada e na altura o trajecto casa-infantário-emprego demorava cerca de uma hora. Lembro-me de no meio do choro do meu filho me ter passado um dos pensamentos mais egoístas "porra, logo hoje que estou atrasada!"Foram uns frames de pensamento, mas o suficiente para ter vontade de me esbofetear de seguida. Era o meu filho! Não era uma pessoa qualquer, era o meu filho, um bebé ainda, tinha-se magoado e eu, ainda que por breves instantes estava mais preocupada com o meu atraso. Naquele momento percebi o tipo de mãe que queria ser e não era de todo parecida com a que se mostrou. Senti-me envergonhada comigo mesma. Peguei no T. sentei-me no sofá com ele ao colo e ficámos ali os dois no mimo por 15 minutos, até ele se recompor e até que eu me recompusesse da asneirada que tinha cometido.
A partir desse dia mentalizei-me que os meus filhos estão primeiro do que qualquer coisa. Não há emprego nem compromisso que valha mais do que os meus filhos quando precisam de mim. Falto as vezes que tiver de faltar para lhes dar mimo porque quando estão doentes é a mãe que querem. Saio mais cedo para ir a reuniões na escola as vezes que forem precisas. Sou eu que os levo ao médico e não passo essa função a ninguém. Chego atrasada se for preciso para estar 2 horas à porta da escola a aturar uma birra de queroircontigoparaoemprego.
Da minha infância não me lembro da minha mãe ficar comigo em casa, a minha avó estava lá, lembro-me de ir ao médico com a minha avó, lembro-me que quando era a minha mãe a ir-me buscar à escola eu era a última a sair. Tenho muitas memórias de infância com a minha mãe, mas tenho muitas mais de uma série de pessoas da família e sem ser da família. Infelizmente, tenho mais memórias da D. Fernanda, mãe de 5 filhos que me aturava todos os dias quando eu ia lá para casa brincar e me levava ao parque com os mais novos da sua prole. Não são estas as memórias que quero que os meus filhos cultivem. Por enquanto há uma que não consigo alterar, eles vão-se lembrar que são os últimos a sair da escola, mas as outras não. Os meus filhos vão-se lembrar que era eu que lhes tirava a febre, limpava o vomitado, dava o xarope e o mimo porque eu própria não consigo estar bem quando eles não estão. As minhas prioridades são eles, os meus filhos.
A partir desse dia mentalizei-me que os meus filhos estão primeiro do que qualquer coisa. Não há emprego nem compromisso que valha mais do que os meus filhos quando precisam de mim. Falto as vezes que tiver de faltar para lhes dar mimo porque quando estão doentes é a mãe que querem. Saio mais cedo para ir a reuniões na escola as vezes que forem precisas. Sou eu que os levo ao médico e não passo essa função a ninguém. Chego atrasada se for preciso para estar 2 horas à porta da escola a aturar uma birra de queroircontigoparaoemprego.
Da minha infância não me lembro da minha mãe ficar comigo em casa, a minha avó estava lá, lembro-me de ir ao médico com a minha avó, lembro-me que quando era a minha mãe a ir-me buscar à escola eu era a última a sair. Tenho muitas memórias de infância com a minha mãe, mas tenho muitas mais de uma série de pessoas da família e sem ser da família. Infelizmente, tenho mais memórias da D. Fernanda, mãe de 5 filhos que me aturava todos os dias quando eu ia lá para casa brincar e me levava ao parque com os mais novos da sua prole. Não são estas as memórias que quero que os meus filhos cultivem. Por enquanto há uma que não consigo alterar, eles vão-se lembrar que são os últimos a sair da escola, mas as outras não. Os meus filhos vão-se lembrar que era eu que lhes tirava a febre, limpava o vomitado, dava o xarope e o mimo porque eu própria não consigo estar bem quando eles não estão. As minhas prioridades são eles, os meus filhos.
31.5.09
[auto-ajuda]
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
As grandes decisões tomam-se sem se pensar muito nelas.
29.5.09
negociações
[o T. põe o cd dos U2 na aparelhagem em decibéis elevados, o A. ri e guincha em decibéis também elevados]
- A., ou te calas ou tiro a música!
- nãooo...
[T. desliga a música]
- Cala-te!
- Nãooo...
- Vais-te calar?
- Nãooo....
- Já te calaste?
- Simmm...
[não se consegue ouvir mais nada a não ser U2]
- A., ou te calas ou tiro a música!
- nãooo...
[T. desliga a música]
- Cala-te!
- Nãooo...
- Vais-te calar?
- Nãooo....
- Já te calaste?
- Simmm...
[não se consegue ouvir mais nada a não ser U2]
28.5.09
amanhecer
Há dias que começam bem. Mais cedo, sem correrias, com tempo para muito mimo [para mimo tenho sempre tempo e quando não tenho, arranjo], sair de casa sem stress e sem birras, sem filas de trânsito. E chegar ao emprego e não estar ninguém, meia hora no sossego rende mais do que duas com telefones a tocar e colegas a chamar.
Gosto de começar o dia com calma, hoje foi o dia.
Gosto de começar o dia com calma, hoje foi o dia.
27.5.09
as palavras que nunca te direi
Pergunto-me muitas vezes se terás noção do teu tamanho. Pergunto-me se sabes a importância que tens. Pergunto-me muitas mais vezes porque raio não olhas em frente e não segues o teu caminho. Pergunto-me se cada passo que dás a olhar para trás não te irá, inevitavelmente, fazer cair. Podes cair, sabes? Podes mesmo magoar-te. Há quedas que são desnecessárias, sabes? Basta estares atento a olhar para a frente e parares de olhar para trás. "As desculpas não se pedem, evitam-se" e tenciono não desculpar, nem uma. Falhaste, falhaste onde não te podias atrever a falhar. Destrataste, pisaste, manipulaste, tudo o que pudeste, simplesmente porque não aguentaste perder. É uma fraqueza, não saber perder. Eu também não gosto de perder, mas sei quando deixar de ir a jogo. Achaste que era bluff e perdeste. Que feio, ao fim de tanto tempo achares que estava a fazer batota. Só quem tem má fé a consegue por nas atitudes dos outros. Fez-te confusão a frontalidade, a dureza das palavras, não esperavas. Deste tudo como adquirido, já não tinhas de te esforçar. Engano teu. O esforço tem de ser constante, mas isso tu nunca entenderás. Não se consegue entender os outros quando estamos ocupados a olhar para um espelho ao nível do umbigo. Lamento informar-te, mas perdeste por egoismo, por inércia, por cantares vitória antes do jogo terminar. Perdeste na altura e perdeste o pouco que te restava agora. Nem sementes deixaste para que um dia algo pudesse germinar. Perdeste e mataste tudo à tua volta, pela tua maldade, pela tua inveja, por tudo o que revelaste ser.
Eu? Eu ganhei! Eu sei como és, sei como pensas, sei como jogas, sei qual é a tua medida e a tua importância. Eu, não sendo nem parecida contigo, aprendi a topar-te. Eu topo-te, sabes? Podes continuar de ar cândido a enganar quem quiseres. A mim, nunca mais o farás. Simplesmente porque perdi toda a fé em ti.
Cheguei ao ponto em que queria, depois, destas palavras que nunca te direi, também nada mais me resta para dizer. Sequei.
Perdeste-te a ti , eu ganhei-me a mim
Game over.
Eu? Eu ganhei! Eu sei como és, sei como pensas, sei como jogas, sei qual é a tua medida e a tua importância. Eu, não sendo nem parecida contigo, aprendi a topar-te. Eu topo-te, sabes? Podes continuar de ar cândido a enganar quem quiseres. A mim, nunca mais o farás. Simplesmente porque perdi toda a fé em ti.
Cheguei ao ponto em que queria, depois, destas palavras que nunca te direi, também nada mais me resta para dizer. Sequei.
Perdeste-te a ti , eu ganhei-me a mim
Game over.
a melhor do mundo
[deitado na minha cama enquanto espera pelo irmão]
- Mamã, és a melhor mãe do mundo!
- Sou?
- És! Não te trocava por mais mãe nenhuma. És a melhor de todas.
- Porquê, T.?
- Porque és muito querida e porque tratas muito bem de nós e porque nos dás muitos mimos e porque nos levas a muitos sítios e conhecemos muitas pessoas.
- Vocês são os melhores filhos do mundo e por isso têm de ter a melhor mãe do mundo.
- Gosto muito de ti mamã querida.
- E eu de ti meu amor.
- Mamã, és a melhor mãe do mundo!
- Sou?
- És! Não te trocava por mais mãe nenhuma. És a melhor de todas.
- Porquê, T.?
- Porque és muito querida e porque tratas muito bem de nós e porque nos dás muitos mimos e porque nos levas a muitos sítios e conhecemos muitas pessoas.
- Vocês são os melhores filhos do mundo e por isso têm de ter a melhor mãe do mundo.
- Gosto muito de ti mamã querida.
- E eu de ti meu amor.
26.5.09
Agradecimento à minha avó
as mãos dadas, como elas são
"Algum tempo antes de eu mesma sonhar que me iria separar, numa conversa sobre divórcios e poder paternal defendi afincadamente a minha posição.
Não acredito em paternidade quinzenal. Em casos normais pais e mães têm direitos e deveres iguais com e para com os seus filhos.
Lembro-me que na altura me tentaram fazer crer que eu estava a sonhar. Que a realidade não é assim. Que com os problemas do divórcio é difícil gerir sentimentos e as pessoas usam o que têm à mão e teceram-me mais um infindável rol de comportamentos que a meu ver não dignificam ninguém. Mas eu sou uma rapariguinha de ideias fixas e mantive a minha, meses depois, sou colocada, ou melhor, coloquei-me numa situação de separação pré-divórcio, lembro-me que desde o primeiro minuto, não me passou outra coisa pela cabeça que não o exercício do poder paternal conjunto. Não porque tivesse de mater uma posição defendida anteriormente, mas porque de facto é o que sinto. Os meus filhos precisam de ambos, não precisam de um vinte e tal dias por mês e o outro fica com os ossos. Não! Eu sou mãe, ele é pai, ambos precisamos dos nossos filhos e ambos os nossos filhos precisam dos dois. Com organização, respeito por todos e cedências de parte a parte, ganhamos todos.
As razões da separação não têm de afectar os nossos filhos. Podemos até não falar de mais nada, mas quando falamos sobre eles, não fazemos fretes, não o fazemos contrariados. Fazemos como sempre fizemos até ao dia D. Até este dia eu fui a mãe que ele escolheu para os filhos e ele foi o pai que eu escolhi. O casamento acaba, os filhos não!
Não concebo sequer a hipótese de utilizar um tom de voz mais agressivo. Porque o faria, se estou a falar dos meus filhos com alguém que lhes quer tanto bem como eu?
Nós não temos a rigidez dos dias fixos nem dos horários. Conversamos. Em vez das frases começarem por "No meu fim de semana..." começam geralmente por " Estava a pensar neste fim de semana..." E eu cedo, ele cede, ganhamos todos. Não há discussões, nem cobranças.
Provei a mim mesma que tinha razão, especialmente numa coisa, quando queremos muito que as coisas corram bem e as soubermos levar com diplomacia e paciência, a coisa vai. Também sei, obviamente, que toda esta teoria que apenas com intuição consegui colocar em prática, só é exequível se ambos forem pessoas bem formadas e pensarem ambos no bem de todos e não apenas no seu, que se não for partilhado é apenas um falso bem estar."
in fiossoltos 24 de Julho de 2008
Este post foi escrito à menos de um ano.
Na altura era o que sentia, aliás ainda sinto. Lamentavelmente a última frase é a mais verdadeira delas todas. O recalcamento o ressabianço provocado por uma separação que só um deseja faz com que tudo o que seja racional e lógico vá pelo ralo.
"Se queres conhecer verdadeiramente alguém, divorcia-te..." Infelizmente é tão verdade. Em prol de um orgulho ferido, da visão da mudança de vida que não se desejou, consegue-se mostrar o pior de cada um. Quando escrevi o post achei que o outro lado se portaria à altura e que o respeito por todos os envolvidos falaria mais alto. Não me podia ter enganado mais. Tudo serve de arma para ferir. Inocentes são metidos ao barulho, a descida do nível é vertiginosa, é a guerra do vale tudo.
Da minha parte e, apesar de tudo, mantenho a minha firmeza e convicção. Há armas que não se usam porque não são armas, quanto muito são bombas que ao serem manipuladas irão, com toda a certeza rebentar-nos na cara quando menos esperarmos. Ninguém é feliz à custa da infelicidade de outro. Vinganças? Sim são boas e servem-se frias, mas é a própria vida que se encarrega de vingar os prejudicados. Eu? Não mexo um dedo, "a vida resolve-se sozinha", mas até lá é comigo que tenho de viver e Deus me livre de olhar para o espelho e ter vergonha da imagem à minha frente.
Não acredito em paternidade quinzenal. Em casos normais pais e mães têm direitos e deveres iguais com e para com os seus filhos.
Lembro-me que na altura me tentaram fazer crer que eu estava a sonhar. Que a realidade não é assim. Que com os problemas do divórcio é difícil gerir sentimentos e as pessoas usam o que têm à mão e teceram-me mais um infindável rol de comportamentos que a meu ver não dignificam ninguém. Mas eu sou uma rapariguinha de ideias fixas e mantive a minha, meses depois, sou colocada, ou melhor, coloquei-me numa situação de separação pré-divórcio, lembro-me que desde o primeiro minuto, não me passou outra coisa pela cabeça que não o exercício do poder paternal conjunto. Não porque tivesse de mater uma posição defendida anteriormente, mas porque de facto é o que sinto. Os meus filhos precisam de ambos, não precisam de um vinte e tal dias por mês e o outro fica com os ossos. Não! Eu sou mãe, ele é pai, ambos precisamos dos nossos filhos e ambos os nossos filhos precisam dos dois. Com organização, respeito por todos e cedências de parte a parte, ganhamos todos.
As razões da separação não têm de afectar os nossos filhos. Podemos até não falar de mais nada, mas quando falamos sobre eles, não fazemos fretes, não o fazemos contrariados. Fazemos como sempre fizemos até ao dia D. Até este dia eu fui a mãe que ele escolheu para os filhos e ele foi o pai que eu escolhi. O casamento acaba, os filhos não!
Não concebo sequer a hipótese de utilizar um tom de voz mais agressivo. Porque o faria, se estou a falar dos meus filhos com alguém que lhes quer tanto bem como eu?
Nós não temos a rigidez dos dias fixos nem dos horários. Conversamos. Em vez das frases começarem por "No meu fim de semana..." começam geralmente por " Estava a pensar neste fim de semana..." E eu cedo, ele cede, ganhamos todos. Não há discussões, nem cobranças.
Provei a mim mesma que tinha razão, especialmente numa coisa, quando queremos muito que as coisas corram bem e as soubermos levar com diplomacia e paciência, a coisa vai. Também sei, obviamente, que toda esta teoria que apenas com intuição consegui colocar em prática, só é exequível se ambos forem pessoas bem formadas e pensarem ambos no bem de todos e não apenas no seu, que se não for partilhado é apenas um falso bem estar."
in fiossoltos 24 de Julho de 2008
Este post foi escrito à menos de um ano.
Na altura era o que sentia, aliás ainda sinto. Lamentavelmente a última frase é a mais verdadeira delas todas. O recalcamento o ressabianço provocado por uma separação que só um deseja faz com que tudo o que seja racional e lógico vá pelo ralo.
"Se queres conhecer verdadeiramente alguém, divorcia-te..." Infelizmente é tão verdade. Em prol de um orgulho ferido, da visão da mudança de vida que não se desejou, consegue-se mostrar o pior de cada um. Quando escrevi o post achei que o outro lado se portaria à altura e que o respeito por todos os envolvidos falaria mais alto. Não me podia ter enganado mais. Tudo serve de arma para ferir. Inocentes são metidos ao barulho, a descida do nível é vertiginosa, é a guerra do vale tudo.
Da minha parte e, apesar de tudo, mantenho a minha firmeza e convicção. Há armas que não se usam porque não são armas, quanto muito são bombas que ao serem manipuladas irão, com toda a certeza rebentar-nos na cara quando menos esperarmos. Ninguém é feliz à custa da infelicidade de outro. Vinganças? Sim são boas e servem-se frias, mas é a própria vida que se encarrega de vingar os prejudicados. Eu? Não mexo um dedo, "a vida resolve-se sozinha", mas até lá é comigo que tenho de viver e Deus me livre de olhar para o espelho e ter vergonha da imagem à minha frente.
25.5.09
ser livre
Gosto da liberdade que a minha vida me permite. Gosto de só ter de me preocupar com as coisinhas do dia-a-dia que tenham a ver comigo e com os meus filhos. Gosto de dormir sozinha. Gosto de não tropeçar em ninguém. Gosto de me poder deitar às horas que me apetecer, dormir no sofá se quiser ou poder enfiar uma das melgas na minha cama ou enfiar-me na deles. De meter uma lasanha congelada no forno e abrir uma garrafa de vinho. Do meu momento solitário à varanda a fumar um cigarro. Acender velas só para mim, porque também sou gente. De não ter de prestar contas a ninguém de onde fui, com quem estive. Se cheguei cedo, se cheguei tarde. Dar-me ao luxo de jantar uma caixa de gelado ou ir fazer uma massagem num Domingo às 8 da noite. Aceitar um convite de última hora para jantar numa esplanada na praia. Convidar apenas os meus amigos para virem cá a casa sem pensar em mais ninguém. Pegar no carro, meter-me à estrada e passar a ponte para encontrar amigas. Fazer um telefonema e pedir jantar à família de coração. Rumar a norte e pedir colo às origens. Poder sentir que nas férias, posso meter-me num avião e conhecer outras paragens sem negociações. Ouvir a música alto se me apetecer. Chorar, até, se quiser, sem explicar mas nem porquês. Mudar a decoração sem ter em conta os gostos de outra pessoa, alterar o sítio às coisas sem a preocupação de explicar onde está tudo. Menos roupa na corda, mais espaço no armário. Mimos de filhos só para a mãe. Mimos de mãe só para os filhos. É não me aborrecer por ter de esperar algo de alguém que não fez, alguém que não disse.
24.5.09
bónus
é ir jantar com amigas e ainda ter o marido de uma delas [giro por sinal] a lavar-me o carro.
[é do best!]
[é do best!]
"What is that?"
A Cat partilhou este filme, vi e não resisti. Também a mim me vieram as lágrimas aos olhos.
[Parece ser tão mais fácil esquecer como fomos e ignorar o que nos pode esperar do que parar e abraçar.]
23.5.09
rewind
Um dia destes um amigo disse-me "- Andas a escrever pouco, gaja..." e, aquilo ficou-me a morder. Já não é o primeiro que me diz e, eu própria, sinto-o quando abro a caixa de mensagens e não me sai nada. Não tenho tido aquela sensação "isto dava um post". A verdade é que desde miúda que gosto de escrever. Tive a fase diário que passou a fase de folhas soltas depois de ter sido descoberto. Escrevi muita coisa que se perdeu com o tempo. Tudo, aliás, não guardei nada. Nem sempre gosto de me ler, e por isso [também] gosto que me leiam em voz alta o que escrevo. Talvez seja apenas uma aproximação de tentar perceber como os outros me lêem, mas gosto.
Há uns tempos atrás [não muito] fizeram-me um convite para escrever. Estremeci. -Eu??? Porquê eu? Pedi explicações e deram-mas. Senti-me nas nuvens. Alguém [a quem eu admiro a escrita] convidou-me para eu escrever. O tema não era fácil e não me senti à vontade nem para escrever, nem para dar a continuidade que era necessária. Com pena, recusei.
Hoje, e a propósito de tudo o que se tem passado e do que sinto em relação ao que escrevo, estive a reler muitas das coisas que escrevi na blogoesfera.
Outros tempos, outra escrita, outra vontade ou talvez, só e apenas, outra motivação. Mas a verdade é que tenho saudades, de no sossego do meu período zen de-crianças-a-dormir, me sentar com o pc à frente e deixar os dedos percorrerem o teclado. Tenho saudades da inspiração. Não estou cansada da blogoesfera, aprendi muito aqui, conheci pessoas, fiz amigos fantásticos e, aqui não perco o que escrevo, mas falta-me tempo e inspiração.
Hoje ao reler tanto do que escrevi, tive aquela sensação: -Porraaaaa... eu escrevi isto!
Quem os leu pode ou não ter gostado, eu própria gosto mais de uns do que outros, mais pela forma do que pelo conteúdo.
Já escrevi muito e tenho pena [muita mesmo] de não me sentir inspirada.
[há-de voltar, espero]
Há uns tempos atrás [não muito] fizeram-me um convite para escrever. Estremeci. -Eu??? Porquê eu? Pedi explicações e deram-mas. Senti-me nas nuvens. Alguém [a quem eu admiro a escrita] convidou-me para eu escrever. O tema não era fácil e não me senti à vontade nem para escrever, nem para dar a continuidade que era necessária. Com pena, recusei.
Hoje, e a propósito de tudo o que se tem passado e do que sinto em relação ao que escrevo, estive a reler muitas das coisas que escrevi na blogoesfera.
Outros tempos, outra escrita, outra vontade ou talvez, só e apenas, outra motivação. Mas a verdade é que tenho saudades, de no sossego do meu período zen de-crianças-a-dormir, me sentar com o pc à frente e deixar os dedos percorrerem o teclado. Tenho saudades da inspiração. Não estou cansada da blogoesfera, aprendi muito aqui, conheci pessoas, fiz amigos fantásticos e, aqui não perco o que escrevo, mas falta-me tempo e inspiração.
Hoje ao reler tanto do que escrevi, tive aquela sensação: -Porraaaaa... eu escrevi isto!
Quem os leu pode ou não ter gostado, eu própria gosto mais de uns do que outros, mais pela forma do que pelo conteúdo.
Já escrevi muito e tenho pena [muita mesmo] de não me sentir inspirada.
[há-de voltar, espero]
22.5.09
gostar de capicuas
curiosidades dos meus blogs:
- um tem 757 posts escritos desde à quase um ano
- outro tem 737 à ano e meio
- o partilhado com os amigos tem 99
- este tem 11
Conclusões:
2 são Boeings e não adianta negar, tenho uma panca com capicuas.
[ahhh... e hoje é dia 22 de Maio e a semana do ano é também a 22]
Adenda:
Visitante 313

- um tem 757 posts escritos desde à quase um ano
- outro tem 737 à ano e meio
- o partilhado com os amigos tem 99
- este tem 11
Conclusões:
2 são Boeings e não adianta negar, tenho uma panca com capicuas.
[ahhh... e hoje é dia 22 de Maio e a semana do ano é também a 22]
Adenda:
Visitante 313
[obrigada Mad]
21.5.09
17.5.09
Zappings
tive de parar e voltar um canal atrás... A figura da B.G. vestida de sereia dourada a subir ao palco enquanto abana as ancas... pamordeus!!!
[é tão triste a figura que às vezes temos de fazer para ganhar a vida...]
[é tão triste a figura que às vezes temos de fazer para ganhar a vida...]
Surpresas
As surpresas podem ser boas ou amargas, ainda assim e não deixando de ser uma surpresa, podem ser espectáveis. Hoje, Domingo, final de mais um fim de semana em cheio, faço o balanço da última semana. Não o costumo fazer por sistema, mas quando os dias me trazem surpresas de sabor amargo, gosto de esmiuçar os acontecimentos para apurar responsabilidades e evitar cair os mesmos erros no futuro. No resultado do balanço vejo o quão verdadeiramente entalada está a minha vida e antevejo um futuro próximo [pelo menos] bastante duro. Mas do resultado do balanço também sobressaem outras surpresas, felizmente das boas. Um jantar inesperado na sexta, pode ser visto como bom auguro para o fim de semana, que o foi de facto. Nova surpresa no sábado ao fim do dia. Surpresa com S grande que me fez sentir menina que descobriu debaixo da árvore de Natal o seu pedido secreto. Gosto destas surpresas.
Domingo, à mesa, olho em volta, pessoas que conheci muito antes de ter conhecido, que entraram na minha vida muito antes de terem entrado, que me deixaram entrar nas suas vidas muito antes de eu ter batido à porta. Eu, que antes de tudo imaginava cada um exactamente assim, vivo a surpresa de não me ter enganado.
Domingo, à mesa, olho em volta, pessoas que conheci muito antes de ter conhecido, que entraram na minha vida muito antes de terem entrado, que me deixaram entrar nas suas vidas muito antes de eu ter batido à porta. Eu, que antes de tudo imaginava cada um exactamente assim, vivo a surpresa de não me ter enganado.
14.5.09
pode sempre piorar
Estaciono o carro em cima do passeio, quase junto à porta das descargas do Pingo Doce. Escorrem-me as lágrimas pela cara enquanto mentalmente digo mal da minha vida. Recordo outras alturas, sinto-me a ver o início de um filme que não gostei. As lágrimas continuam a correr enquanto olho pelo retrovisor. Um casal aproxima-se da entrada do supermercado com dois carrinhos de compras, continuo a observá-los tentando abstrair-me da dor, da raiva que sinto. Continuam a andar, cada um puxando o seu carro, vieram às compras, as prateleiras do supermercado para eles são os caixotes de lixo, que reviram em busca de alimentos deitados fora. Penso no meu congelador e frigorífico cheios de comida a estragar-se pela falta de luz. Se soubesse, se adivinhasse, tinha enfiado tudo dentro de sacos e tinha deixado ali ao lado, das prateleiras imundas onde procuram comida que colocam nos seus carrinhos. Olho para eles mais uma vez: - Vieram às compras.
13.5.09
Em nome da dor de corno

Dizem-se as maiores atuardas, farpas envenenadas que se enterram na carne dos visados. Inventam-se histórias que se espalham mais rápido que doenças em paises subdesenvolvidos. Minam-se sentimentos e deitam-se fora valores, que até então se defendiam em nome duma religião, como se de restos de comida estragada se tratasse. Disseca-se o alvo como rato ou sapo em aula de biologia.
Em nome dessa dor, a de corno, fere-se e mata-se de preferência com ferros em brasa. Em nome dessa dor, de corno, vasa tudo até se ficar disforme, oco, vazio, sem nada, dissecado, o próprio, o que sente a dor, a de corno.
12.5.09
Ele há dias

Todos os dias pego no meu barco, ponho-o cuidadosamente na água e começo a remar. Pelo caminho ajudo a subir a bordo quem precisa e vou remando, uns dias mais vazio, outros dias lotado, mas remo sempre com os olhos fixos no horizonte até um novo dia.
Hoje é daqueles dias que só pôr o barco na água é uma tarefa insuportável. É dia de ficar em terra. Não se avista nenhuma tempestade no horizonte, mas acordei sem forças para remar.
Deixo-me ficar em terra à espera que amanhã tenha as forças necessárias para voltar a pôr o barco na água, para ajudar a subir a bordo quem precisa e remar até outro dia. Hoje deixo-me ficar.
9.5.09
8.5.09
Fada do lar

Quem conhece o meu mundo sabe que sou organizada e arrumada. Nem sempre fui assim, ainda me lembro que quando vivia com a minha avó ninguém podia entrar no meu quarto e muito menos mexer nalguma coisa. Eu era organizada no meio do caos. Roupa por todo o lado, livros, papéis, sapatos, tudo espalhado, mas eu sabia sempre onde encontrar tudo. A minha avó enlouquecia com aquilo e recusava-se [abençoada] a entrar no meu quarto.
Poucos anos depois fui morar sozinha. A casa parecia um pardieiro. Velha, o chão de madeira todo manchado, a entrada da casa era a cozinha e a casa de banho ficava na varanda, eram umas águas furtadas perto da Graça, um nojo. Habituei-me, não só a ser arrumada, como a manter tudo arrumado. Daí a maníaca da limpeza e da arrumação foi um tirinho. Só à 3 anos atrás, quando estava grávida do A., é que me dei ao luxo de ter empregada, graças a uns discos na coluna que me dizem que não posso passar a ferro. Gosto de ter tudo arrumado e limpo à minha volta. Se chegar a casa e tiver a casa de pantanas a minha vontade é rodar nos calcanhares e voltar a sair. Mas a conjuntura não está para empregadas a dias e tive de dispensar a Rosinda, que tanta falta me faz. A minha casa é grande, mas felizmente não está atravancada de tarecos que dificultem as mal-fadadas tarefas domésticas. Ainda assim, não me parece grande programa, numa sexta-feira à noite andar a faxinar. Mas ou era na sexta ou durante o fim de semana. Prefiri despachar a coisa e passar o fim de semana de papo para o ar. Ahhh, mas logo que consiga, garanto que uma parte do meu ordenado vai servir para trazer a Rosinda de volta, aí vaí, vaí.
pena
- Porque é que o A. agora vai sempre para a tua cama e eu não?
- T., tens de ter paciência, o A. tem tido pesadelos durante a noite e acorda a chorar e a gritar. Quando estiver melhor tu depois dormes na cama da mãe.
- É??? Coitadinho... [não consigo descrever o ar de pena a olhar para o irmão]
- É, T., ele tem tido pesadelos.
- Eu também já tive um, mas era mais crescido. Coitadinho, ele é tão pequenino.
- T., tens de ter paciência, o A. tem tido pesadelos durante a noite e acorda a chorar e a gritar. Quando estiver melhor tu depois dormes na cama da mãe.
- É??? Coitadinho... [não consigo descrever o ar de pena a olhar para o irmão]
- É, T., ele tem tido pesadelos.
- Eu também já tive um, mas era mais crescido. Coitadinho, ele é tão pequenino.
7.5.09
o bluff dos fortes
Se olharmos para um gato, não nos parece grande ameaça, claro que pode morder ou arranhar, mas enquanto bicho não nos mete grande medo. Goste-se ou não de gatos, têm um ar inofensivo e são pequenos. Se olharmos para o mesmo gato quando se sente ameaçado, ele cresceu, o arrepiar do pêlo concede-lhe um aumento de tamanho considerável. Serve de arma, não para ataque, mas para defesa. Este fenómeno acontece com a maioria dos bichos, principalmente dos mais pequenos. Depois há outros que se camuflam, deitam venenos, etc., existe uma panóplia de fenómenos usados no reino animal. Nenhum deles é usado por vaidade ou só porque lhes apetece. Ninguém está a ver um rato a pensar, - olha a Dona Cobra, vou desfilar à frente dela de pêlo em pé para lhe pregar um susto", [dahhh, os ratos não são assim tão estúpidos]. Nada disto é usado para dar gozo.
No que toca ao reino dos Homens também são usados "fenómenos" destes. Geralmente quem se sabe mais forte que o opositor não precisa de se inflar todo para que o outro trema que nem varas verdes, basta-lhe saber que é mais forte. Por outro lado, também existem muitos que se acham menos fortes, porque por e simplesmente nunca tiveram de testar as suas forças, ou não estiveram para se dar ao trabalho.
Pessoalmente, acho que todos os que se olham ao espelho e vêm no seu reflexo a força que têm esquecem-se que essa força pode não ser assim tão grande. Há que ter em conta a força do outro. E tenho para mim, que dentro da imagem de um rato pode estar apenas um rato ou um verdadeiro Hércules. Por isso e pelo via das dúvidas sou sempre a favor de não menosprezar o inimigo, mas também posso sempre insuflar-me e ranger os dentes caso me sinta ameaçada. Se o inimigo for inteligente o suficiente [não é preciso ser muito] terá algum respeitinho e provavelmente não partirá para cima de mim tão à-vontadinha.
Lembro-me da minha gata com 2 meses, minúscula toda assanhada a fazer recuar um Serra da Estrela, claro que ele com um espirro a atirava em voo até à janela do prédio da frente, mas o cão era inteligente e achou por bem não menosprezar aquela coisa mínima que se insurgia não o deixando chegar perto.
A força das pessoas mede-se pela capacidade que têm para usar as armas de que necessitam para se defender em caso de ataque e não pela força bruta.
No que toca ao reino dos Homens também são usados "fenómenos" destes. Geralmente quem se sabe mais forte que o opositor não precisa de se inflar todo para que o outro trema que nem varas verdes, basta-lhe saber que é mais forte. Por outro lado, também existem muitos que se acham menos fortes, porque por e simplesmente nunca tiveram de testar as suas forças, ou não estiveram para se dar ao trabalho.
Pessoalmente, acho que todos os que se olham ao espelho e vêm no seu reflexo a força que têm esquecem-se que essa força pode não ser assim tão grande. Há que ter em conta a força do outro. E tenho para mim, que dentro da imagem de um rato pode estar apenas um rato ou um verdadeiro Hércules. Por isso e pelo via das dúvidas sou sempre a favor de não menosprezar o inimigo, mas também posso sempre insuflar-me e ranger os dentes caso me sinta ameaçada. Se o inimigo for inteligente o suficiente [não é preciso ser muito] terá algum respeitinho e provavelmente não partirá para cima de mim tão à-vontadinha.
Lembro-me da minha gata com 2 meses, minúscula toda assanhada a fazer recuar um Serra da Estrela, claro que ele com um espirro a atirava em voo até à janela do prédio da frente, mas o cão era inteligente e achou por bem não menosprezar aquela coisa mínima que se insurgia não o deixando chegar perto.
A força das pessoas mede-se pela capacidade que têm para usar as armas de que necessitam para se defender em caso de ataque e não pela força bruta.
6.5.09
descobertas
Ontem, enquanto os meus ajudantes de arrumação de compras encaixavam pacotes de leite [aí de mim que lhes toque] na despensa como se fossem peças de Lego descobri que o A. já sabe contar até seis. Fiquei eu e o T. a olhar um para o outro enquanto o besnico ia contando os pacotes que ia entregar ao irmão.
5.5.09
Noites de mimo
O A. tem dormido comigo. Todas as noites, mesmo que adormeça na cama dele, acaba na minha. Não me importo. Até aos 18 meses o T. sempre dormiu no meio dos pais. Podem vir com teorias, mas a mim o que a experiência diz, é que mimo nunca é demais. Mas como dizia, o A. tem dormido comigo e, ontem, enquanto o enchia de mimos, beijinhos, festinhas e lhe dizia incansavelmente o quanto gosto dele, ao que ele respondia de pronto, "e do Ye" [o T.]. Durante estes momentos lembrei-me daquele ser tão pequenino, acabado de nascer, inchado por culpa do cordão umbilical à volta do pescoço, do ar de anão zangado ou de Mr. Magoo [nunca consegui perceber com qual era mais parecido], do choro durante duas horas até chegar o resultado de uma análise que fez com que o tirassem de perto de mim durante a espera. E ontem, tão crescido, mas tão pequenino, ali enroscado em mim, a sentir-lhe o cheiro a papa, as mãos pequeninas a fazerem-me festas no braço, as caretas do esforço do mimo quando me agarra como se quisesse voltar a viver dentro da minha barriga.
Não me quero esquecer nunca do que sinto nestes momentos. Nunca.
Não me quero esquecer nunca do que sinto nestes momentos. Nunca.
3.5.09
Dia da Mãe ou Dia do Mickey
1.5.09
15 anos
Lembro-me exactamente onde estava quando perguntei quem tinha ganho a corrida, lembro-me que me disseram que o Senna tinha tido um acidente "feio" e que ainda não se sabia como ele estava. Lembro-me de chegar a casa e ligar a televisão à espera de informações. Lembro-me de ver repetições e repetições do acidente. De todas as vezes arrepiei-me. Foi brutal na violência. Já ninguém fala da morte de Roland Ratzenberger, a morte do ídolo viria a tirá-lo das manchetes. A morte de Ratzenberger foi ignorada e a morte de Ayrton não foi evitada.Tenho saudades de o ver ao volante dos F1, da sua perícia à chuva, do ar concentrado na pista, do olhar.
Já lá vão 15 anos.
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