13.7.08
Oração da Serenidade
"Concedei-nos, Senhor
Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar
Coragem para modificar aquelas que podemos modificar
Sabedoria para distinguir umas das outras."
Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar
Coragem para modificar aquelas que podemos modificar
Sabedoria para distinguir umas das outras."
O Caminho da Liberdade
"Invencível serás caso não te empenhes em qualquer pugna da qual de ti não dependa saíres vencedor. (...) Face a um homem entre todos distinguido e honrado, detentor de uma qualquer insígnia de poder ou considerado por esta ou aquela razão, tem-te nas tuas ideias e não descures de o proclamar feliz. Se, na verdade, a substância do bem reside nas decisões que dependem de nós, espaço não há nem para a inveja, nem para o ciúme. Aliás, tu próprio, não ansiarás por ser estratega, benemérito da pátria ou cônsul até: livre é o que tu queres ser. Ora só um caminho há para que alcances esse estado de liberdade - o menosprezo pelas decisões que de nós não dependem. "
Epicteto, in 'Manual'
Epicteto, in 'Manual'
Ele também está em mudanças
Ainda assim,
o esforço compensa, mas ter "lata" ajuda bastante
Comprei um quadro no IKEA. Enorme! Porém o meu carro não é lá muito grande (devia dizer pequeno) ainda mais pequeno se torna quando está atafulhado de tralha. Duas cadeirinhas, carrinho do infante mais novo, saco com brinquedos da praia, guarda sol... a juntar a isto, muitas compras da mãe. Cheio que nem um ovo, diria. Mas como eu dizia, comprei um quadro e, o quadro depois de muitas voltas não conseguiu ser enfiado dentro do meu carro. Pensei em duas soluções apenas (esqueci-me que tinha uma amiga feliz proprietária de uma carrinha), primeira: voltar a entrar no IKEA e devolver o quadro para voltar lá noutro dia com uma solução de transporte; segunda: voltar a entrar no IKEA, ir para as filas intermináveis de transporte e pagar mais por este do que me custou o quadro. Pois nem uma nem outra. Carro estacionado na paragem de autocarro, tralhas pelo chão, as cadeirinhas já tinham dado duas ou três voltas dentro do carro, eis se não quando estaciona à minha frente uma camioneta. Dela saem dois rapazes que carregam duas embalagens grandes lá para dentro. Como sempre aprendi que quem tem boca vai a Roma, lá fui eu. Pedi muitas desculpas aos senhores pela minha despropositada curiosidade e perguntei-lhes para onde iam, responderam-me um bocadinho incrédulos. E não é que a minha casa ficava a caminho? Pedi-lhes se me faziam o favor de me transportar o quadro. Com ar de quem não sabia o que dizer um deles disse-me que sim, e pronto cá vieram eles atrás do meu carro até à porta de minha casa com o abençoado quadro que eu andava a namorar à algum tempo.
Pelo caminho enquanto a minha mãe me gozava e se ria da minha lata, a mim, só me ocorria que de facto, quando queremos algo, se nos esforçarmos um bocadinho, acontece.
Pelo caminho enquanto a minha mãe me gozava e se ria da minha lata, a mim, só me ocorria que de facto, quando queremos algo, se nos esforçarmos um bocadinho, acontece.
12.7.08
Todos Amam Precisamente o que lhes Falta
"Todos amam precisamente o que lhes falta. A escolha individual, que se funda nessas considerações meramente relativas, é bem mais determinada, mais decidida e mais exclusiva do que a escolha que se baseie em considerações absolutas; é desses aspectos relativos que vulgarmente nasce o amor de paixão, enquanto os amores comuns e passageiros só são guiados por considerações absolutas. Nem sempre é a beleza regular e perfeita que dá origem às grandes paixões. Para uma inclinação verdadeiramente apaixonada é necessária uma condição que só nos é possível descrever através de uma metáfora tirada à química. As duas pessoas devem neutralizar-se uma à outra, tal como um ácido e uma base alcalina num sal neutro. "
Arthur Schopenhauer, in 'Metafísica do Amor'
Arthur Schopenhauer, in 'Metafísica do Amor'
11.7.08
se beber, não apite
"Sergei Shmolik, um árbitro internacional bielorusso, abandonou o campo apoiado nos colegas devido ao que parecia ser um problema nas costas. Afinal, estava completamente alcoolizado."
In Expresso
Happy
Estar numa reunião de corpo presente e com mente a divagar por outros pensamentos e preocupações nunca dá bom resultado. Não deu.
Os últimos dias foram férteis de acontecimentos tomadas de decisão e colocação em prática de algumas dessas decisões.
Não têm sido dias fáceis, novas rotinas que se instalam em detrimento de outras tão bem assimiladas. A gestão do tempo feita a contar apenas connosco e sem ajuda ou intervenção de outras pessoas, não é tarefa fácil, principalmente quando existem duas crianças pelo meio.
Não me queixo, prefiro como está, mas até entrar tudo nos eixos, adepta do controlo como sou, prevejo que ainda vou andar uns tempos aos papéis.
Tenho-me deitado demasiado tarde, a minha cabeça tem andado a mil à hora, o meu corpo começa a manifestar-se. Cansaço muito, descanso, muito pouco.
Muitas decisões, muitas coisas que não me posso esquecer, demasiadas para controlar. Sempre fui eu que tratei de quase tudo, e não é este quase que me tira o sono. Mas de repente, parece que o mundo me caiu no colo.
São as burocracias do divórcio, a matrícula do infante mais velho, a inscrição no atl, no futebol, na natação, reuniões de avaliação dos dois, contas para pagar, contas para verificar se estão pagas, o irs que tem erros, a parede da cozinha que tem de ser arranjada, troca de emails com o condomínio que tem de a arranjar, as minhas irmãs que não se entendem, consultas médicas, vacinas, amigas com quem me apetece estar... a lista parece não ter fim e eu estou cansada. Apetece-me gritar, mandar tudo à fava e fugir para sítio incerto (e sem rede de telemóvel).
Na impossibilidade de o fazer e depois de uma hora e meia de almoço desperdiçada a tratar de burocracias e a roer-me para não descer dos saltos altos e responder à letra às provocações que me eram dirigidas, afogo as minhas mágoas num Happy Meal para que esta semana, e na falta de melhor, termine com alguma coisa HAPPY.
Os últimos dias foram férteis de acontecimentos tomadas de decisão e colocação em prática de algumas dessas decisões.
Não têm sido dias fáceis, novas rotinas que se instalam em detrimento de outras tão bem assimiladas. A gestão do tempo feita a contar apenas connosco e sem ajuda ou intervenção de outras pessoas, não é tarefa fácil, principalmente quando existem duas crianças pelo meio.
Não me queixo, prefiro como está, mas até entrar tudo nos eixos, adepta do controlo como sou, prevejo que ainda vou andar uns tempos aos papéis.
Tenho-me deitado demasiado tarde, a minha cabeça tem andado a mil à hora, o meu corpo começa a manifestar-se. Cansaço muito, descanso, muito pouco.
Muitas decisões, muitas coisas que não me posso esquecer, demasiadas para controlar. Sempre fui eu que tratei de quase tudo, e não é este quase que me tira o sono. Mas de repente, parece que o mundo me caiu no colo.
São as burocracias do divórcio, a matrícula do infante mais velho, a inscrição no atl, no futebol, na natação, reuniões de avaliação dos dois, contas para pagar, contas para verificar se estão pagas, o irs que tem erros, a parede da cozinha que tem de ser arranjada, troca de emails com o condomínio que tem de a arranjar, as minhas irmãs que não se entendem, consultas médicas, vacinas, amigas com quem me apetece estar... a lista parece não ter fim e eu estou cansada. Apetece-me gritar, mandar tudo à fava e fugir para sítio incerto (e sem rede de telemóvel).
Na impossibilidade de o fazer e depois de uma hora e meia de almoço desperdiçada a tratar de burocracias e a roer-me para não descer dos saltos altos e responder à letra às provocações que me eram dirigidas, afogo as minhas mágoas num Happy Meal para que esta semana, e na falta de melhor, termine com alguma coisa HAPPY.
Amor fora de Controle
"É propriedade do amor o ser violento; e é propriedade da violência o não durar. O amor acaba-se em nós, não por nossa vontade, mas porque tem por natureza o acabar; e ainda que tudo há-de acabar connosco, nem tudo espera por nós. Quando amamos, é por força, porque a fermosura que nos inclina, nos vence; e também é por força quando não amamos; porque uma vez rotos os laços, ficamos de tal sorte livres, que ainda que queiramos, não podemos tornar a eles; e assim não está na nossa mão o não amar, nem também o amar; o coração por si mesmo se acende, e entibiece; nós, não o podemos inflamar, nem extinguir-lhe o ardor. "
Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'
Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'
10.7.08
Tattoos II
Hoje de manhã enquanto tentava ligar o DVD.
- Mãe! Tens uma tatuagem nova?
- Tenho.
-Deixa ver.
(mostro-lhe, são dois caracteres japoneses)
- Gostas?
- Está muito gira, mamã, mas... não se percebe nada.
Hoje à noite, ao jantar.
-Mamã? Sabes uma coisa?
- Hum?
- Adoro as tuas tatuagens, todas!
- Ainda bem que gostas.
- Quando for grande vou fazer uma para ti aqui ( e aponta para a parte de dentro do ante-braço)
- Mãe! Tens uma tatuagem nova?
- Tenho.
-Deixa ver.
(mostro-lhe, são dois caracteres japoneses)
- Gostas?
- Está muito gira, mamã, mas... não se percebe nada.
Hoje à noite, ao jantar.
-Mamã? Sabes uma coisa?
- Hum?
- Adoro as tuas tatuagens, todas!
- Ainda bem que gostas.
- Quando for grande vou fazer uma para ti aqui ( e aponta para a parte de dentro do ante-braço)
Crescer ou Decrescer
"Tudo o que não cresce, decresce e arrisca-se a desaparecer. Este parece ser um princípio básico da vida. Não há meio termo, ninguém fica de fora desta realidade. Se deixo de investir numa relação, ela não se aguenta; se não dou continuidade à minha formação, deformo-me inevitavelmente, e por aí fora... E quem não continua a investir na fé e no amor, corre o risco de perder ambas as coisas. "
(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
G8 e a fome
"Os líderes mais poderosos do planeta deixaram de lado suas preocupações com a crise dos alimentos e a fome mundial para desfrutar de um banquete que marcou o início da cimeira do G8. (...) Trufas pretas, caranguejos gigantes, bolbos de lírio de Inverno, uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, entradas de milho recheado com caviar e salmão fumado, foram apenas algumas das iguarias do jantar que, para não destoar, foi regado com cinco vinhos diferentes, alguns igualmente caros. (...) Os media avançam ainda que «o decoro» dos líderes do G8 impediu-os de convidar para o jantar alguns dos participantes nas reuniões sobre as questões alimentares, como sejam os representantes da Etiópia, Tanzânia ou Senegal."
Portugal Diário - IOL
Portugal Diário - IOL
9.7.08
diferente
O silêncio na casa a partir de uma certa hora. Gavetas e armários que vão ficando vazias. Rotinas que se modificam. Momentos que deixam de ser partilhados. A casa que parece maior. A lista de supermercado onde deixam de constar certos artigos. A bancada da casa de banho que tem mais espaço. Os gelados acumulados na última gaveta do congelador. O cabide da toalha vazio. As chaves sempre no sítio certo. Os relógios que deixo de ter de arrumar porque foram largados algures. Duas alianças juntas na caixa das jóias. O desfecho de vários anos em conjunto, de repente, em papel, preto no branco, assim, a seco.
Sem discussões, sem dramas, sem roupa suja.
Tudo tão certo, tudo tão direito, tudo tão... assustador.
São as certezas no caos da dúvida.
É saber donde venho sem saber para onde vou.
É um torpor dos sentidos. É a ausência do sentir.
É manter a cabeça à tona para não me afogar.
É andar para a frente sem olhar para trás.
É assinar e recomeçar.
Sem discussões, sem dramas, sem roupa suja.
Tudo tão certo, tudo tão direito, tudo tão... assustador.
São as certezas no caos da dúvida.
É saber donde venho sem saber para onde vou.
É um torpor dos sentidos. É a ausência do sentir.
É manter a cabeça à tona para não me afogar.
É andar para a frente sem olhar para trás.
É assinar e recomeçar.
Notícia do dia

"Uma jovem britânica de 19 anos encontrou um morcego a dormir no seu soutien. Quando sentiu um movimento estranho entre o peito pensou que fosse o telemóvel a vibrar, só ao fim de cinco horas é que teve a coragem para olhar e perceber do que se tratava (...)
Pus a mão no soutien e tirei um morcego pequenino. Fiquei bastante chocada na altura, mas ele escondeu-se debaixo da secretária. Eu fiquei a tremer da cabeça aos pés (..) Talvez devesse tê-lo deixado lá, dando-lhe uma boa casa"
Jornal Sol
Ora deixa cá descortinar isto.
A moça sentiu algo a mexer no soutien. Achou que era o telemóvel, mas não foi ver. Sentir alguma coisa a mexer DENTRO do soutien, não me parece que seja sequer parecido com um vibrar de telemóvel, digo eu, que nunca o encostei às mamas, nem tão pouco tive morcegos dentro do soutien. Se calhar é parecido e eu estou para aqui a dizer um enorme disparate. Mas ela sentiu algo e esteve 5 horas a ganhar coragem para olhar para dentro do seu próprio soutien???
Ora, 'xa cá ver, ela esperou 5 horas para ver o que se tinha passado e quando finalmente se livrou do bicho começa a tremer mas afirmou que talvez devesse tê-lo lá deixado para que o bicho tivesse uma boa casa????
E já agora era o Batman e o soutien passava a ser o Batcovil ou Batcaverna ou lá como é que se chama.
É de mim ou está muito calor?
A Boa Disposição
"A boa disposição é o grande lubrificante da roda da vida. Torna o trabalho mais leve, reduz as dificuldades e mitiga os infortúnios. A boa disposição dá um poder criador que os pessimistas não conseguem ter. Uma disposição alegre, esparançosa e optimista torna a vida mais suave, alivia a sua inevitável monotonia e amortece os solavancos da estrada da vida."
Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'
Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'
de saída?
8.7.08
Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor
"Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo."
Marguerite Duras, in 'Mundo Exterior '
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo."
Marguerite Duras, in 'Mundo Exterior '
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