- Boa Noite, Brasília!
6.10.08
Institucional QB
06-10-2008
Triste este dia para mim, este ano e todos os outros que ainda virão. Enquanto eu viver este será uma dia doloroso. Não sei como seria a minha vida a partir de hoje caso as coisas tivessem sido diferentes. Não sei que mudanças teriam ocorrido em mim, apenas sei que muitas.
Perdi algo que não voltarei jamais a encontrar, há mesmo perdas irrecuperáveis. Esta é uma delas. Faça eu o que fizer nunca recuperarei, nem da perda, nem da dor.
Perdi algo que não voltarei jamais a encontrar, há mesmo perdas irrecuperáveis. Esta é uma delas. Faça eu o que fizer nunca recuperarei, nem da perda, nem da dor.
5.10.08
comboios

Entro na estação e observo as caras, as que chegam e as que estão de partida. Uns têm o mesmo destino que eu, alguns sairão algumas estações antes. Em comum além do possível destino, teremos o facto de sermos diferentes, de termos vidas diferentes e quiçá, vermos as paisagens da janela de modo diferente. Para uns a viagem será boa, para outros uma perda de tempo.
Entro no comboio, procuro o meu lugar, porque não gosto de fazer viagens num lugar que não o meu. Não me interessa se é à janela ou se é o do corredor, tem de ser o meu. Manias. Acomodo a bagagem e instalo-me.
Este comboio tem paragens em muitas estações, a viagem é longa e eu saio apenas na última.
As estações onde pára estão cheias de pessoas, umas entram no comboio, outras esperam quem sai e haverá certamente uns quantos que estão ali apenas a ver passar comboios. Durante a viagem percebem-se enganos. Dois ou três descobrem que apanharam o comboio errado, um ou dois sairam antes da estação pretendida e noutra carruagem haverá quem descubra que adormeceu e viajou mais para além do que pretendia. Os primeiros e o terceiro saem na estação seguinte em busca do comboio que os leve ao destino que querem, os segundos tentarão apanhar o mesmo comboio umas estações mais à frente, correndo sérios riscos de não conseguirem chegar a tempo ou do bilhete já não ser válido.
Aqui passamos a ter todos algo mais em comum, todos procuramos chegar ao destino certo.
Gosto de comboios e dos seus passageiros, são um tudo ou nada parecidos com a vida.
Uns apanharão o mesmo comboio que nós, sairão e entrarão na nossa vida em qualquer altura da nossa viagem. Uns perderão oportunidade de seguir viagem connosco por opção ou por distração, uns arrependem-se, outros não. Haverá ainda outros, independentemente da altura em que entraram, que seguirão até à última estação desta viagem.
4.10.08
'prá mesa meninos que o jantar está pronto
Sobremesa- OK
Entradas - OK
Salada - OK
Jantar - OK
Convidados - a chegar
finalmente
Agora vou ali fazer a sangria para o jantar, enquanto o gelado congela e os pinhões para a salada assam.
Até já
Blogger
Tou passada de todo!
Desde ontem à noite que não consigo entrar em blogues do blogger, nem mesmo nos meus. Não sei que macacoa deu no meu pc, entro em todo o lado, até no gmail, no blogger, népias. Já tentei o internet explorer, o chrome e nada, fica "mudo". Quase tão mau é que também não consigo aceder ao loops, os outros jogos carregam, o loops, nada. Ca nervos. Parece-me que a atrasadisse mental se alastrou ao pc.
Hoje parece que vou ter acesso, já pedi à mana para levar o pc dela para minha casa, agora falta-me arranjar o tempo que ontem tinha e que hoje parece que não vou ter. Entretanto os meus dedos andam para aqui, cheios de freniquitins para postar. A ver vamos.
Desde ontem à noite que não consigo entrar em blogues do blogger, nem mesmo nos meus. Não sei que macacoa deu no meu pc, entro em todo o lado, até no gmail, no blogger, népias. Já tentei o internet explorer, o chrome e nada, fica "mudo". Quase tão mau é que também não consigo aceder ao loops, os outros jogos carregam, o loops, nada. Ca nervos. Parece-me que a atrasadisse mental se alastrou ao pc.
Hoje parece que vou ter acesso, já pedi à mana para levar o pc dela para minha casa, agora falta-me arranjar o tempo que ontem tinha e que hoje parece que não vou ter. Entretanto os meus dedos andam para aqui, cheios de freniquitins para postar. A ver vamos.
3.10.08
2.10.08
1.10.08
poema com sentido II
"Hilos de seda
Siempre creí que solo las palabras
salían de mi boca, y que eram ellas
las que lograban aplazar mi muerte.
Hoy sé que de mi boca sale um hilo,
transparente y tenaz como un insomnio,
que te ha atado a mi vida para siempre."
Amalia Bautista
(Sempre acreditei que da minha boca
saíam apenas palavras e que só elas
conseguiam retardar a minha morte.
Hoje sei que da minha boca sai um fio,
transparente e obstinado como a insónia,
que te atou à minha vida para sempre.)
poema com sentido I
mantén el equilibrio. Todo acecha,
todo asusta, tu vida entera pende
de un frágil hilo y de un azar injusto.
Tu voluntad no puede demasiado.
No pierda pie. Mantén el equilibrio."
Amalia Bautista em Estoy Ausente, Pre-Textos, Valencia, 2004
(Todos os dias sussurro para mim mesma,
mantém o equilíbrio. Tudo te persegue,
tudo assusta, a tua vida inteira depende
de um frágil fio e de um azar injusto.
A tua vontade não pode grande coisa.
Não percas o pé. Mantém o equilíbrio.)
F1 da Renault encerra trânsito na Avenida da Liberdade

O monolugar da Renault de Nelson Piquet Júnior vai encerrar o trânsito da Avenida da Liberdade no dia 26 de Outubro, numa acção de promoção da marca francesa.
No total serão cerca de 40 viaturas a realizarem manobras típicas de competição ao longo da Avenida da Liberdade. Segundo os organizadores, esta iniciativa poderá juntar cerca de 100 mil espectadores.
dica de-e para mães desenrascadas
Ao cortar o bife para as crianças, não usem facas, usem a tesoura de cozinha.
(eu aproveitei e dei umas tesouradas na massa do mais novo, é um luxo, esta técnica)
economia - lição I e II
cabeleireiro
O A. deixou-me boquiaberta com tamanho bom comportamento, é certo que ele tem pouco cabelo e não estava muito comprido, mas ele consegue fazer birras só porque de repente não quer que lhe toquem. Ontem, nada. Sossegado ao meu colo enquanto lhe cortavam as pontinhas mal semeadas. A seguir o T., deixei-o lá e fui ao café em frente comprar o pão, quando voltei (demorei 5 minutos) tinha o cabelo cortado e a cabeleireira só tecia elogios que ele nem se tinha mexido.
A minha alma estava parva. Todos contentes com os penteados novos e mãe babada com os bons comportamentos.
Eis que vou pagar, ahhh, pois é... não me chegava estar com a alma parva como de repente me senti toda eu parva. Oito euros do cabelo do T. e cinco (cinco???) das pontinhas mal semeadas do A?
Para a próxima espero que ele berre bastante e faça daquelas cenas que nós tão bem conhecemos, pode ser que assim justifique o preço, porque as pontinhas não justificaram e o T. bem se pode armar em catavento e abanar-se todo que eu deixo.
hoje é daqueles dias
(os dois juntos se calhar não vão mal)
30.9.08
tenho um fio agarrado
(alguém me tire isto da frente!!!)
- desisti no nível 45, o sono pesou mais! (01:37)
29.9.08
Loops
Ganhei
Passada
Estamos aqui os dois, enfiados dentro do carro,eu mais entretida do que ele que sempre tenho o pc, ele sentado na cadeira dele à espera de conseguir levar a dele a avante. Não leva que eu sou muito, muito teimosa. Nem que fique aqui o dia todo, mas o meu carro só arranca depois dele entrar na escola.
Estou tão passada, tão passada, que nem sei. Logo hoje que tenho tanto para fazer.
28.9.08
regresso
Ás vezes é tão bom sair para depois regressar.
27.9.08
do contra
E eu que detesto dias cinzentos....
26.9.08
tá giro..
25.9.08
Tatuagens
Tenho um trevo igualzinho a este tatuado, não o fiz por pancada, teve um motivo muito pessoal, devido às perguntas criei-lhe um motivo "explicável", hoje esse motivo é do qual me lembro quando olho para as folhinhas verdes no meu tornozelo direito.-Sorte!
Não é um amuleto, é para me lembrar que tenho muita. Não sou daquelas pessoas, tipo Gastão, que encontram uma nota a cada esquina, a minha sorte nesse aspecto resume-se a arranjar bons lugares para o carro.
Contam-se pelos dedos de uma mão o que tive de mão beijada pela vida. Mas ainda assim sei que sou abençoada por ela. A vida, essa que tantas vezes chamamos de madrasta (que acho mal, pois há madrastas e madrastas), nem sempre é tão má como a pintamos, muito pelo contrário. Com o passar dos anos fui percebendo que muita da nossa sorte somos nós que temos de a cultivar. Há muito que deixei de fazer dramas por mesquinhices. Não meço a minha sorte pela bitola do que os outros conseguem com mais ou menos esforço. Injustiças há muitas e vão existir sempre, não vale a pena desgastar-me com o que está fora do meu alcance. Também não sou conformista e se de facto quero algo, vou atrás, trabalho, luto, idealializo e sonho, traço objectivos e consigo. Sempre assim foi. Aprendi com todos os revezes que ficar sossegadinha a lamuriar-me não resolve nada, é desperdício de tempo e de energia. Hoje sou uma optimista, mesmo nas piores situações há um momento em que respiro fundo e vejo a situação por outro prisma e procuro incessantemente uma saída airosa ou ver o lado positivo da coisa. Uma amiga por quem tenho grande estima costuma-me dizer que a vida não nos dá nada que não possamos suportar. Não sei se será assim tão linear. Há casos e casos, há problemas e problemas.
O trevo tatuado lembra-me sempre que sou uma pessoa cheia de sorte. Tenho saúde, emprego e casa, dois filhos fantásticos e saudáveis, tenho a minha família e os meus amigos.
Sim, encho a boca para dizer que tenho sorte. Os meus problemas não passam de ninharias. São merdinhas, contrariedades. Problemas, não!
Problemas tem um pai ou uma mãe que têm nos braços um filho com uma doença grave. Problemas tem um pai ou uma mãe que ficam sozinhos a criar um filho, ou ainda pior, que ficam sozinhos sem o filho. Problemas tem quem tem de viver da solidariedade alheia para pôr comida na mesa porque não pode trabalhar. Problemas tem quem vai ao médico e lhe dizem que tem os dias contados. Problemas tem quem tem de assistir ao sofrimento causado por uma efermidade a alguém que amam.
Temos todos a mania de assobiar para o lado quando nos lembramos que somos mortais e muitas das vezes não damos o devido valor ao que temos ou ao que está ao nosso lado pronto para ser colhido, aqui, agora.
Eu? Não tenho problemas, tenho é muita sorte e espero sinceramente que ela não me abandone, porque não há dia em que não lhe agradeça a sua presença na minha vida.
do almoço
É tão bom ter amigos!
Grave
De repente, após uma ausência de contacto procuro saber o que se passa e cai-me tudo ao chão.
É grave, muito grave. Vem aí um período conturbado. E a mim, que não posso fazer nada, resta-me estar alerta e disponível para ouvir e dar força, que nestas alturas faz muita falta.
É grave, muito grave. Vem aí um período conturbado. E a mim, que não posso fazer nada, resta-me estar alerta e disponível para ouvir e dar força, que nestas alturas faz muita falta.
24.9.08
Homossexualidade
esta história já me tinha sido contada por quem a escreveu e, apesar de diferente lembra-me uma "conversa" que tive com a dona de uma loja onde costumava ir. Estava eu grávida do A. (que não é o mesmo do relato, mas até podia ser) e a "senhora" que até tinha a loja cheia resolveu perguntar-me alto e bom som se eu já sabia o sexo da criança.
- Sei, é outro rapaz! - respondi-lhe
- Ahhh, coitadinha, só vai ter noras! - retorquiu em volume igualmente alto e num tom como se eu fosse portadora de uma desgraça.
Comentário infeliz ao qual prontamente respondi
- Ou genros! Nunca se sabe... já me consigo imaginar rainha no meio de tantos homens...
A "senhora" enfiou a viola no saco e a partir desse dia passou a olhar para mim com outros olhos e nunca mais me perguntou mais nada. Mas também não interessa, o que me interessava e continua a interessar é que os meus filhos sejam livres e corajosos o suficiente para perseguirem o que acharem melhor para eles e que nunca se sintam intimidados por pensamentos ou atitudes dos outros.
" Mamã, o importante é ser feliz"
E para mim é só isso que conta. Se a felicidade de um ou de ambos os meus filhos passar por ser homossexual ou sapateiro, seja. Para se ser respeitado têm primeiro de se respeitarem a eles próprios e, que raio de respeito teriam se não luatem pelo que acreditam?
Se estiverem bem, eu também estou. Infeliz ficava eu se soubesse que um filho meu andava a fazer mal a outras pessoas.
este fim de semana lá vou eu
A fuga do LHC

O LHC sofreu uma fuga de Hélio e vai ser desligado até à primavera de 2009.
"A fuga aconteceu a 19 de Setembro. O hélio servia para arrefecer os ímanes responsáveis pela aceleração de partículas, e a sua fuga levou cerca de uma centena destes magnetos a aquecerem até aos 100 graus centígrados. "
Lá se vão as minhas esperanças de encontrar o meu Bosão de Higgs.
eu não sou de me queixar II
de manhã menos dores no joelho, mas além da panóplia que acartei ontem à tarde junte-se um troley... pareço uma mula de carga, perdão mãe de carga.
23.9.08
eu não sou de me queixar
mas ter uma dor lancinante no joelho depois de passar o efeito da injecção que me deram no dito, vir de computador no ombro, mala, mochila da criancinha e a melga ainda pedir colo, é um bocadinho de abuso, não?
medo
é o que sinto. Muito medo, do que o Sr. com quem vou falar daqui a hora e meia me possa dizer.
Não tenho medo de operações, apesar do risco que possam acarretar, mas chateia-me de sobremaneira os pós-operatórios e as fisioterapias.
Só peço que os minutos passem depressa para que esta agonia acabe. Para todos os efeitos depois de falar com ele, ou é ou não é, mas esta incerteza dá cabo de mim.
Não tenho medo de operações, apesar do risco que possam acarretar, mas chateia-me de sobremaneira os pós-operatórios e as fisioterapias.
Só peço que os minutos passem depressa para que esta agonia acabe. Para todos os efeitos depois de falar com ele, ou é ou não é, mas esta incerteza dá cabo de mim.
Explicações
como se explica a uma melga de 2 anos que a esta hora tem é de estar na cama a dormir e não a cirandar pela casa???
22.9.08
é de facto verdade
não é minha, é de uma grande amiga, mas subscrevo na íntegra!
«Não sou feminista: é uma posição extrema e eu não sou fundamentalista. Mas, ao longo da minha vida, tenho conhecido muitas mulheres extraordinárias. São mulheres que abraçam a sua existência com intensidade, tomam o seu destino nas mãos, agem, amam, choram, riem, trabalham, têm filhos, têm cadilhos, vivem a vida em pleno.
Conheço homens bons. Conheço homens inteligentes. Conheço homens muito interessantes, simpáticos, amigos, com sentido de humor. Não conheço homens extraordinários.»
mas confesso que gostava de ser surpreendida.
Conheço homens bons. Conheço homens inteligentes. Conheço homens muito interessantes, simpáticos, amigos, com sentido de humor. Não conheço homens extraordinários.»
mas confesso que gostava de ser surpreendida.
21.9.08
a festa foi rija
Começou com uma festa de crianças. Houve insufláveis, balizas e escorregas. O S. Pedro mais uma vez ajudou e a tarde foi passada ao ar livre com crianças aos saltos e a correr de um lado para o outro. Só que eu gosto de confusão e casa cheia, por isso e, mais uma vez, enchia-a. Uns vieram da festa comigo para casa, outros vieram cá ter. No total erámos 10 adultos e seis crianças.
Fez-se sala na cozinha, como já é hábito cá em casa nestes dias, por isso tive muita companhia enquanto fazia o jantar e bebíamos Martinis. Estive quase a cortar os dedos a alguém que andava sempre à minha volta a depenicar, qual galinha, todos os ingredientes que eu ia dispondo na bancada. O jantar parece-me que agradou a todos, mas parece que a salada tinha ficado melhor se tivesse mais pinhões!!!!
Divertimo-nos, rimo-nos e bebemos bom vinho enquanto os miúdos brincavam na outra ponta da casa. O T. estava em êxtase, tinha cá os melhores amigos, a B e o L. Eu também não me posso queixar, além do resto do mulherio do clã também estive muito bem acompanhada. Já o disse aqui, gosto muito dos meus amigos e gosto principalmente de os ter por perto e não podendo ser sempre, que seja muitas vezes. Nem de propósito, hoje, e devido às empatias criadas o núcleo duro aumentou e a dinâmica dos nossos jantares quinzenais só pode concerteza melhorar. Fico de facto muito feliz, porque muitas vezes é assim que os nossos amigos se tornam amigos dos outros nossos amigos.
Como já é meu hábito, porque eu esqueço-me sempre de alguma coisa nestas ocasiões, o champanhe ficou por abrir no frigorífico. Mas hoje, não faz mal, até porque eu acho que dá azar comemorar por antecipação por isso só será aberto na sua devida altura.
A festa acabou com as crianças a cairem para o lado de sono e eu, agora que as minhas dormem como anjinhos, estou com aquela sensação boa que só a companhia dos bons amigos é capaz de nos provocar e nem o cansaço que o meu corpo carrega é capaz de me tirar deste estado.
Fez-se sala na cozinha, como já é hábito cá em casa nestes dias, por isso tive muita companhia enquanto fazia o jantar e bebíamos Martinis. Estive quase a cortar os dedos a alguém que andava sempre à minha volta a depenicar, qual galinha, todos os ingredientes que eu ia dispondo na bancada. O jantar parece-me que agradou a todos, mas parece que a salada tinha ficado melhor se tivesse mais pinhões!!!!
Divertimo-nos, rimo-nos e bebemos bom vinho enquanto os miúdos brincavam na outra ponta da casa. O T. estava em êxtase, tinha cá os melhores amigos, a B e o L. Eu também não me posso queixar, além do resto do mulherio do clã também estive muito bem acompanhada. Já o disse aqui, gosto muito dos meus amigos e gosto principalmente de os ter por perto e não podendo ser sempre, que seja muitas vezes. Nem de propósito, hoje, e devido às empatias criadas o núcleo duro aumentou e a dinâmica dos nossos jantares quinzenais só pode concerteza melhorar. Fico de facto muito feliz, porque muitas vezes é assim que os nossos amigos se tornam amigos dos outros nossos amigos.
Como já é meu hábito, porque eu esqueço-me sempre de alguma coisa nestas ocasiões, o champanhe ficou por abrir no frigorífico. Mas hoje, não faz mal, até porque eu acho que dá azar comemorar por antecipação por isso só será aberto na sua devida altura.
A festa acabou com as crianças a cairem para o lado de sono e eu, agora que as minhas dormem como anjinhos, estou com aquela sensação boa que só a companhia dos bons amigos é capaz de nos provocar e nem o cansaço que o meu corpo carrega é capaz de me tirar deste estado.
20.9.08
conversas de mulheres

falamos das alergias dos miúdos, dos nossos e dos casos que conhecemos e da entrada das manas na faculdade (parabéns little sisters, ainda não o tinha dito aqui). De gravidez e de fertillizações.
Mostramos fotos dos rebentos guardadas no telemóvel, trocamos histórias de vida umas com as outras, falamos de fantasmas da infância e não só. Falamos de namoros, casamentos e divórcios, tutelas de menores e de partilhas. Falamos de nós e dos nossos. De homens também. Dos do passado e dos do presente. Das dores que nos afligem e das alegrias que nos alentam. Rimos e não choramos que não estava noite para lamúrias, concluímos que as mulheres sabem ir buscar forças quando delas precisam e acabamos a noite a sacudir a poeira dos corpos a dançar.
19.9.08
o outro lado
Acordei a meio da noite com um grito aflito. Ainda não tinha conseguido abrir os olhos e já estava com os pés no chão. Cheguei ao quarto deles e vi o A. de gatas com uma poça de sangue à frente. Tinha sido o nariz, mais uma vez um vaso sanguineo rebentou. Peguei nele, a cara e o pijama estavam manchados de vermelho. Fui para o wc, lavei-lhe a cara enquanto ele continuava a chorar de aflição. Dei-lhe mimos, muitos mimos, sentada sob a tampa da sanita. Ficámos ali os dois sossegadinhos à espera que o sangue estancasse. A expressão foi serenando. Muito colinho, muito mimo e acabou por adormecer nos meus braços tapados por mangas com sinais claros do desaire da noite.
Voltámos para o quarto e deitei-o na cama dele, onde ficou a dormir como se nada tivesse acontecido. O T., felizmente nem deu por nada. Eu, voltei para o quarto mudei de camisola e antes de fechar os olhos ainda olhei para o relógio, 4:34, que bela hora para uma capicua.
Voltámos para o quarto e deitei-o na cama dele, onde ficou a dormir como se nada tivesse acontecido. O T., felizmente nem deu por nada. Eu, voltei para o quarto mudei de camisola e antes de fechar os olhos ainda olhei para o relógio, 4:34, que bela hora para uma capicua.
tenho
17.9.08
linhas trocadas
porque é que as pessoas têm tendência a evitar perceber o que lhes dizemos quando a mensagem não lhes interessa, mesmo sendo transmitida numa forma clara e sem margem para dúvidas?
16.9.08
TPC's
enquanto escrevo este post tenho ao meu lado o T., está a fazer os seus primeiros trabalhos de casa. Não pára de falar, distraí-se com tudo e ri-se, ri-se muito. Escrevo a segunda frase e já o mandei calar duas vezes, mas tenho tanta, mas tanta vontade de rir. O ar crescido e atrevido com que fala sempre que pára o lápis para me contar alguma coisa de que se lembrou. Eu, mantenho-me aqui ao lado com a baba a escorrer enquanto ele lá vai passando com o lápis por mais uns tracejados. São os primeiros tpc's de muitos que virão, mas hoje estou aqui, ao lado dele.
(como se não chegasse a adrenalina que traz e que o distrai de tudo, agora chegou o palhacinho mor e tenho uma criança do 1º ano com tpc's por fazer e com um ataque de soluços, isto só augura um belo ano lectivo)
(como se não chegasse a adrenalina que traz e que o distrai de tudo, agora chegou o palhacinho mor e tenho uma criança do 1º ano com tpc's por fazer e com um ataque de soluços, isto só augura um belo ano lectivo)
2 anos
És a maior melga cá de casa, tiras a paciência a um santo, mas depois olhas para nós com aquele teu ar de quem sabe mais do que o tamanho que tem, que nos desarma por completo.
És doce, meigo, mimocas, cheiras a papa e tens umas bochechas que dá vontade de beijar e apertar. Revolucionaste-nos a vida, habituados que estávamos a um menino bem comportado, desaustinaste tudo e todos com o teu choro que deita a casa a baixo. As tuas birras tiram qualquer um do sério e o teu irmão tem uma paciência que nem consigo descrever, se fosse outro já te tinha dado um piparote que te virava ao contrário e tu não tinhas outro remédio senão parar de lhe bater e morder.
És teimoso como nunca vi igual, não há nada que te distraia de um objectivo, trepas o que houver para trepar e se não houver inventas como fazê-lo, desfazes-te em birras até conseguires levar a tua a avante. Olho para ti e vejo um anjinho, quando te sentas sossegado no sofá a ver o teu irmão a jogar PS2, desde que seja o jogo do McQueen, sim, porque ele tem de jogar o que tu queres senão é uma berraria desgraçada e lá se vai a imagem do anjinho.
És o boneco cá de casa, a miniatura de gente que nos anima com as palhaçadas, sim porque tu sabes que és engraçado e quando estás para aí virado não há quem te pare.
Faz hoje dois anos que ti vi pela primeira vez e apesar das semelhanças a um anão zangado apaixonei-me logo por ti. Parabéns meu amor.
15.9.08
14.9.08
1º dia, 1º ano
Amanhã já não lhe vestirei a bata (que para mim será sempre bibe, argumente lá ele o que quiser). A partir de agora deixou de ser um menino de jardim de infância. Daqui a umas horas vou levá-lo à escola, naquele que será o seu primeiro dia de aulas e eu faço questão de cruzar o portão da escola, atravessar os corredores e acompanhá-lo à sala de mão dada.
A partir de amanhã o T. terá uma professora, uma sala de aulas, livros escolares, cadernos e tpcs. Amanhã vai crescer mais um bocadinho. E, se por um lado me enche o peito de orgulho, por outro não deixa de mo apertar quando tenho de constatar que o T. já não é o meu bebé e em vez de carros e chuchas nas mãos passará a andar de mochila às costas.
A partir de amanhã o T. terá uma professora, uma sala de aulas, livros escolares, cadernos e tpcs. Amanhã vai crescer mais um bocadinho. E, se por um lado me enche o peito de orgulho, por outro não deixa de mo apertar quando tenho de constatar que o T. já não é o meu bebé e em vez de carros e chuchas nas mãos passará a andar de mochila às costas.
13.9.08
Descontrolo
Há dias difíceis e depois há os dias muito difíceis, insuportáveis, mesmo. Ontem foi um deles.
Deixei-me levar pela raiva e pelo ódio do momento. Disse o que não queria, em troca deram-me o que não suportei e desatinei por completo. Não me revejo na pessoa em que me transformei, não sou assim e não gosto de o ser nem que por breves instantes. Dizem-me que sou racional e ontem vi a minha irracionalidade transformada em palavras que não consegui controlar. Acordei desse estado tarde demais. Pedi desculpas, mas o mal estava feito e, infelizmente, há males que não se apagam, são como chavenas de asa partida, até as podemos tentar colar, a marca ficará para sempre e provavelmente com uma utilização menos cuidadosa, ficamos com a asa na mão e a chávena irá estatelar-se no meio do chão com tudo o que tiver dentro, depois só resta tentar limpar, da chávena apenas sobrarão os cacos.
Olhando para o dia de ontem, arrependo-me e envergonho-me. As palavras que disse e que me foram retribuídas tiveram em mim o mesmo efeito doloroso que tem a morte de alguém querido. Não é exagero. Ontem matei! Hoje choro a perda. Sinto-me infeliz, sinto-me triste e até perdida no meio deste furacão que eu própria criei. Não há muitas coisas que tenha feito na vida que me causem arrependimentos, do dia de ontem, vou-me arrepender durante muito tempo.
Não espero dias fáceis, os que se seguem, abri feridas que sangram e doem e a cicatrização preve-se longa e dolorosa.
Agarro-me às palavras de quem me dá colo e me diz que melhores dias virão, agora só me posso agarrar aos melhores dias que virão e esperar que a dor passe. Até lá, olharei para o nascer de cada dia com esperança renovada.
Deixei-me levar pela raiva e pelo ódio do momento. Disse o que não queria, em troca deram-me o que não suportei e desatinei por completo. Não me revejo na pessoa em que me transformei, não sou assim e não gosto de o ser nem que por breves instantes. Dizem-me que sou racional e ontem vi a minha irracionalidade transformada em palavras que não consegui controlar. Acordei desse estado tarde demais. Pedi desculpas, mas o mal estava feito e, infelizmente, há males que não se apagam, são como chavenas de asa partida, até as podemos tentar colar, a marca ficará para sempre e provavelmente com uma utilização menos cuidadosa, ficamos com a asa na mão e a chávena irá estatelar-se no meio do chão com tudo o que tiver dentro, depois só resta tentar limpar, da chávena apenas sobrarão os cacos.
Olhando para o dia de ontem, arrependo-me e envergonho-me. As palavras que disse e que me foram retribuídas tiveram em mim o mesmo efeito doloroso que tem a morte de alguém querido. Não é exagero. Ontem matei! Hoje choro a perda. Sinto-me infeliz, sinto-me triste e até perdida no meio deste furacão que eu própria criei. Não há muitas coisas que tenha feito na vida que me causem arrependimentos, do dia de ontem, vou-me arrepender durante muito tempo.
Não espero dias fáceis, os que se seguem, abri feridas que sangram e doem e a cicatrização preve-se longa e dolorosa.
Agarro-me às palavras de quem me dá colo e me diz que melhores dias virão, agora só me posso agarrar aos melhores dias que virão e esperar que a dor passe. Até lá, olharei para o nascer de cada dia com esperança renovada.
12.9.08
1º ano
devia escrever alguma coisa acerca da apresentação do T., segunda feira começam as aulas. Mas continuo sem vontade. Fica para depois.
11.9.08
10.9.08
BigBang

Por causa do LHC o mundo podia ter acabado hoje com o choque das partículas, não acabou, mas uma parte do meu, sim.
Há já alguns dias que os dois protões andavam a ser acelerados em sentidos contrários, hoje colidiram, não sei em quantos pontos do caminho, mas foram vários. O choque das partículas acabou com mais uma parte do meu mundo e vi o meu buraco negro. Resta-me conseguir encontrar o meu Bosão de Higgs.
Há já alguns dias que os dois protões andavam a ser acelerados em sentidos contrários, hoje colidiram, não sei em quantos pontos do caminho, mas foram vários. O choque das partículas acabou com mais uma parte do meu mundo e vi o meu buraco negro. Resta-me conseguir encontrar o meu Bosão de Higgs.
9.9.08
vontades
a minha vontade de escrever foi substituída pela vontade de cozinhar. A estas lindas horas tenho um bolo no forno e gelatina no frigorífico
Suspenso
Alturas houve em que me apetecia escrever e não conseguia ter o estado de espírito necessário à tarefa.
Agora que tenho o tal estado, não me apetece escrever.
Até novos apetites, os posts estão suspensos.
Agora que tenho o tal estado, não me apetece escrever.
Até novos apetites, os posts estão suspensos.
6.9.08
inversão de marcha
Estou longe. Também não é assim tão longe, mas não é estar aí. Não te vejo, não me vês. Não te sinto o cheiro, não posso procurar o olhar que teimas em desviar.Não te ter por perto é faltar um pouco de mim. Gosto de te sentir. Gosto de te olhar. Gosto de saber que estás ao lado, mesmo não te vendo, mesmo não te podendo ver, mesmo não te podendo falar.
Tenho evitado escrever-te. Não por estar ocupada com outras coisas, nada disso. Mas porque a ausência de ti em mim é notória.
Custa-me reler o passado. Temos demasiados textos carregados de mágoa. Eram os sentimentos do momento, à flor da pele, na ponta dos dedos. Releio um ou outro que me trazem boas recordações. Muitos, evito, quer escritos por mim, quer escritos por ti. Outros há, que basta ler a primeira palavra e já conheço o conteúdo, vírgula por vírgula, tantas as vezes que já foi lido e relido.
O Rui Veloso diz que já não há cartas de amor, aqui também não. Tens razão, estou diferente. Tu também. No meio de tanto pára-arranca-acaba-continua, ao qual não me escuso das minhas culpas nesse cartório, algo se perdeu. Eu perdi, tenho hoje a certeza disso. Perdi a espontaneidade de te abrir a minha alma. Já não o faço como antes. Já não consigo que os meus dedos levem a ti o que se passa cá dentro, ou se calhar o que se passa é diferente e eu não percebi a mudança. Dou por mim a racionalizar sentimentos, o que por si só é um contra senso. Os sentimentos não são racionalizáveis. Sente-se ou não se sente. Penso e não escrevo, por medo, acho. Apenas medo. Medo de te sentir recuar, medo de avançar. Fomos tão longe, tão depressa, temo mais acidentes de percurso, não me quero despistar.
Estou bem assim, contigo. Prefiro estar assim do que a ansiedade que tomava conta de mim. Aprendi à custa do meu sofrimento que é assim que estou bem. Andei à procura do que não existia. Acho que percebi a tempo que conduzia sozinha numa estrada sem saída e a tempo fiz inversão de marcha e encontrei a harmonia perfeita.
Claro que não impede que te sinta a falta. Não, não impede. Estás demasiado cravado em mim. A cautela tomou conta de nós, não sei bem porquê ou em quê. Deixámos de mergulhar tão fundo. Parece-me tudo mais banal, mais vulgar, o que não liga connosco. Nunca fomos banais, muito menos vulgares. Neste momento sinto-nos, assim, superficiais. Temos menos entrega emocional. Se calhar é normal. Tu com medo da entrega emocional por demasiados avanços e recuos meus. Eu com medo da entrega emocional com medo de voltar a cair na asneira de começar a sonhar com o que nenhum de nós, cada um pelos seus motivos, está preparado para realizar.
É um balanço lixado, este. O meu amor por ti não mudou, a forma de eu o encarar e de o viver sim. Tu, provavelmente impulsionado por todos os acontecimentos que provoquei, recuaste, eu segui-te as pisadas.
Sinceramente, não sei se é melhor, se é pior. Diferente é concerteza.
Penso nos textos escritos do passado, carregados de emoção, dos sentimentos que te tentei transmitir por palavras escritas. Fico a olhar para páginas em branco, apetece-me escrever, mas depois quando começo a tentar ordenar as palavras em frases e frases em textos, desisto. Vem o medo, o medo de ser mal interpretada, o medo que tu te feches.
Acredito que a morte prematura dos sonhos matou a aura com que eu envolvia quer a nossa relação quer os sentimentos por ti. Não te amo menos, mas sentia-te meu, tinha-te como meu, mesmo que a prazo. Agora não, não te vejo como meu, não te sinto como meu. Talvez uma pequena parte o seja, mas nem disso tenho certeza. Não me vejo tua, não me sinto tua. A única certeza que tenho é que me fazes falta. O que me faz crer que algo se perdeu no meio das mudanças, ou não, não se perdeu nada, porque não havia nada a perder e tudo isto que sinto em relação a nós neste momento não passa de um daqueles equívocos em que achamos que perdemos o que nunca tivemos.
mais férias

A casa está arrumada, tudo está nos seus devidos lugares, passo pela porta da sala e páro para me habituar às novas cores com que entretanto a decorei. As manhãs têm sido calmas, ao fim de muitos anos volto a adiar o levantar uma, duas, três vezes até que o tempo seja demasiado curto. Ao fim da tarde volto e encontro tudo como deixei de manhã. Não há restos de pasta de dentes espalhados pelo lavatório, sapatos espalhados, pijamas e brinquedos na sala. Os carros têm dormido na caixa, há já alguns dias que deixaram de ser estacionados no meu quarto. Não encontro biberons entre almofadas e os comandos da televisão, quando precisos, estão à vista. A máquina da roupa tem trabalhado menos, a da loiça só trabalha pela metade. As chuchas estão todas no cesto onde deviam estar sempre que é preciso uma, os pacotes de leite têm-se mantido sossegados na despensa e o nível do Nesquick dentro da lata mantém-se.
Faz amanhã uma semana que foram de férias e confesso que só agora começo a ter saudades. Tenho falado com o T. todos os dias que me conta os mergulhos que deu e me põe a par do que o A. comeu ou deixou de comer. Tem-me sabido bem este tempo sem eles, com o tempo só para mim, sem ter de pensar em jantares, em fraldas, horas de dormir e birras. Sei que estão bem e isso tem-me bastado. Tenho aproveitado para descansar e estar doente sem crianças por perto também tem sido uma experiência diferente.
Agora, quase uma semana depois sinto falta do cheiro deles, das mãos deles, dos mimos do T. e até das birras do A. De ouvir a toda a hora a vozinha do A. - mamããããããã??? Com aquela entoação tão própria dele. De entrar no quarto quando já dormem para endireitar o A. na cama e tirar a bonecada de volta do T. . De ver os sorrisos e sentir os abraços com beijos quando os vou buscar à escola.
Sinto-lhes a falta. Tenho saudades deles.
Faz amanhã uma semana que foram de férias e confesso que só agora começo a ter saudades. Tenho falado com o T. todos os dias que me conta os mergulhos que deu e me põe a par do que o A. comeu ou deixou de comer. Tem-me sabido bem este tempo sem eles, com o tempo só para mim, sem ter de pensar em jantares, em fraldas, horas de dormir e birras. Sei que estão bem e isso tem-me bastado. Tenho aproveitado para descansar e estar doente sem crianças por perto também tem sido uma experiência diferente.
Agora, quase uma semana depois sinto falta do cheiro deles, das mãos deles, dos mimos do T. e até das birras do A. De ouvir a toda a hora a vozinha do A. - mamããããããã??? Com aquela entoação tão própria dele. De entrar no quarto quando já dormem para endireitar o A. na cama e tirar a bonecada de volta do T. . De ver os sorrisos e sentir os abraços com beijos quando os vou buscar à escola.
Sinto-lhes a falta. Tenho saudades deles.
4.9.08
3.9.08
para lá dos números
Todos os anos é a mesma conversa. Não sei quantos milhares de professores não têm colocação, fala-se muito no assunto quando saem as listas dos colocados. Os Ministros da Educação mudam mas o drama é o mesmo. Peças de telejornais sucedem-se durante dias a falar no tema, depois novos dramas retiram-lhe o protagonismo e é arrumado na prateleira do esquecimento geral. Eu, fico sempre a pensar no que será da vida destas pessoas durante o resto do ano lectivo até que o tema volte à baila. Como pagam a escola dos filhos, a renda de casa, as contas, a factura do supermercado durante o resto dos meses do ano?
Ainda temos muito caminho a percorrer no que toca à educação e, não menos em relação às pessoas que têm a educação dos nossos filhos, dos futuros adultos deste país nas mãos.
Conheço vários professores, conheço-lhes a vida de perto. Para mim, o drama das colocações e dos horários não está ligado a números, mas a caras e a vidas que de alguma forma estão ligadas à minha. Felizmente, este ano nenhuma delas ficou sem colocação, mas existem mais problemas para além das colocações, a forma como são feitas parece-me completamente irresponsável. Claro que nem todos os professores podem trabalhar à porta de casa, é necessário deslocalizar recursos. Mas, gaita, têm de informar as pessoas a um dia ou dois de se apresentarem ao serviço? Se a empresa onde eu trabalho me informasse hoje que para a semana eu tinha de ir viver para Beja ou para Vila Real eu fazia um escândalo. Não se brinca desta forma com a vida das pessoas nem com as vidas que estão agregadas a ela. Numa semana mudar a vida toda de cidade sem pré-aviso? Arranjar casa, escolas para os filhos quando as matrículas já acabaram à meses? Toda a organização familiar vai por água abaixo, todo o suporte que possa ter sido criado cai por terra. É de uma violência atroz o que se faz nesta matéria aos professores.
Também me parece inadmissível, que pessoas supostamente responsáveis pela distribuição de horários nas próprias escolas possam obrigar uma professora a ter um horário diurno e um nocturno quando trabalha a 90 km de casa, só para não ferir as susceptibilidades das que moram na zona. Pior é se pensarmos que esta professora gasta perto de 30 € se decidir levar carro nos dias em que dá as ditas aulas à noite. Tendo em conta a conjuntura actual do país e os ordenados dos professores 60€ por semana faz uma grande mossa no orçamento. Mas mossa faz também às crianças que estão em casa e que durante dois dias da semana não conseguem pôr a vista em cima da mãe. Mossa faz também numa mulher habituada a ser independente a ficar completamente nas mãos de outras pessoas porque precisa de ajuda para poder trabalhar.
Ainda temos muito caminho a percorrer no que toca à educação e, não menos em relação às pessoas que têm a educação dos nossos filhos, dos futuros adultos deste país nas mãos.
Conheço vários professores, conheço-lhes a vida de perto. Para mim, o drama das colocações e dos horários não está ligado a números, mas a caras e a vidas que de alguma forma estão ligadas à minha. Felizmente, este ano nenhuma delas ficou sem colocação, mas existem mais problemas para além das colocações, a forma como são feitas parece-me completamente irresponsável. Claro que nem todos os professores podem trabalhar à porta de casa, é necessário deslocalizar recursos. Mas, gaita, têm de informar as pessoas a um dia ou dois de se apresentarem ao serviço? Se a empresa onde eu trabalho me informasse hoje que para a semana eu tinha de ir viver para Beja ou para Vila Real eu fazia um escândalo. Não se brinca desta forma com a vida das pessoas nem com as vidas que estão agregadas a ela. Numa semana mudar a vida toda de cidade sem pré-aviso? Arranjar casa, escolas para os filhos quando as matrículas já acabaram à meses? Toda a organização familiar vai por água abaixo, todo o suporte que possa ter sido criado cai por terra. É de uma violência atroz o que se faz nesta matéria aos professores.
Também me parece inadmissível, que pessoas supostamente responsáveis pela distribuição de horários nas próprias escolas possam obrigar uma professora a ter um horário diurno e um nocturno quando trabalha a 90 km de casa, só para não ferir as susceptibilidades das que moram na zona. Pior é se pensarmos que esta professora gasta perto de 30 € se decidir levar carro nos dias em que dá as ditas aulas à noite. Tendo em conta a conjuntura actual do país e os ordenados dos professores 60€ por semana faz uma grande mossa no orçamento. Mas mossa faz também às crianças que estão em casa e que durante dois dias da semana não conseguem pôr a vista em cima da mãe. Mossa faz também numa mulher habituada a ser independente a ficar completamente nas mãos de outras pessoas porque precisa de ajuda para poder trabalhar.
2.9.08
coisas de mãe
fui agora à escola primária onde o T. vai iniciar esta nova fase de aprendizagem.
Copiei a lista de material e o nome dos livros a comprar, enquanto o fazia, lembrei-me das vezes em que eu o fiz para mim própria. O T. está de férias com o pai, entre mergulhos no mar e saltos para a piscina mantém-se à margem de toda esta preparação para o ano lectivo que se inicia. Eu, no papel que me compete vou tratando de ultimar as coisas, mas o material e os livros só irei comprar na presença dele.
Olho para a lista aqui à minha frente e não consigo deixar de me lembrar da euforia que eu sentia no final do verão quando o colégio enviava listas idênticas à minha mãe. Os livros novinhos, os cadernos vazios, lápis por afiar, borrachas novas, canetas de feltro da molin, os degradês dos lápis de côr que aumentavam em número e tons com o passar dos anos. Tudo com cheiro a novo, tão novo como tudo o que aprenderia daí para a frente.
E eu, estou para aqui quase de lágrima no canto do olho, entre as minhas memórias e a expectativa.
A verdade é que o meu menino está a crescer.
Copiei a lista de material e o nome dos livros a comprar, enquanto o fazia, lembrei-me das vezes em que eu o fiz para mim própria. O T. está de férias com o pai, entre mergulhos no mar e saltos para a piscina mantém-se à margem de toda esta preparação para o ano lectivo que se inicia. Eu, no papel que me compete vou tratando de ultimar as coisas, mas o material e os livros só irei comprar na presença dele.
Olho para a lista aqui à minha frente e não consigo deixar de me lembrar da euforia que eu sentia no final do verão quando o colégio enviava listas idênticas à minha mãe. Os livros novinhos, os cadernos vazios, lápis por afiar, borrachas novas, canetas de feltro da molin, os degradês dos lápis de côr que aumentavam em número e tons com o passar dos anos. Tudo com cheiro a novo, tão novo como tudo o que aprenderia daí para a frente.
E eu, estou para aqui quase de lágrima no canto do olho, entre as minhas memórias e a expectativa.
A verdade é que o meu menino está a crescer.
dou o braço a torcer
Agradecimento sincero
Finalmente a foto que faltava lá em cima.
Imagem do número da porta de um grande escritor (Franz Kafka), que por sinal é uma capicua e com as cores do fios, não há foto mais perfeita para colocar na primeira imagem que salta deste emaranhado.
Obrigada Shark, agora sim é uma capicua Kafkiana
Imagem do número da porta de um grande escritor (Franz Kafka), que por sinal é uma capicua e com as cores do fios, não há foto mais perfeita para colocar na primeira imagem que salta deste emaranhado.
Obrigada Shark, agora sim é uma capicua Kafkiana
1.9.08
Coitadinhos
Toda a minha vida me considerei desenrascada e poucas foram as situações, tirando as de carácter financeiro em que não me safei. A minha mãe criou-me na óptica do "quem quer bolotas trepa", e eu, graças a Deus, sempre fui muito boa a trepar, diga-se em abono da verdade.
Lembro-me de ser teenager, na altura usavam-se os célebres tijolos, para quem não se lembra, eram uns rádios com leitor de cassetes que em cada ponta tinham uma coluna. Pois um belo dia o meu tijolo pifou e deixou de ler cassetes, mandar arranjar era demasiado caro, mas eu rapidamente arranjei uma alternativa; desmontei-o. O problema estava numa correia que saiu do encaixe, ao voltar a montar sobraram-me peças (espanto!) mas a verdade é que funcionava e sem querer acabei com um ruído parvo que ficava nas gravações. Moral da história, os senhores da Sanyo tinham mesmo colocado peças a mais no meu tijolo.
Alguns anos mais tarde decidi que queria uma mota, sonhava com uma Yamaha LC 50, andei a juntar dinheiro, vendi as minha férias ao patrão e consegui comprar a bendita mota.
Quando chegou a altura de alugar uma casa, não tinha mais do que o suficiente para pagar umas águas furtadas em mau estado em sapadores. A casa era irreal, a cozinha era a entrada de casa e era minúscula, o wc ficava na varanda e não tinha porta. Empatei todo o dinheiro que tinha nas rendas adiantadas ao senhorio e nas seguintes até ter o apoio do IGAPHE. Tomei banho meses a fio com água fria (durante o inverno), lembro-me de sair do duche e ir a correr para debaixo do edredão para me vestir. Não apanhei nenhuma pneumonia e resisti.
A minha vida foi melhorando e decidi mudar de casa, mudei para duas ruas abaixo. Casa normal, não havia partes esconsas e o wc além de ser dentro de casa até tinha banheira.
Pelo meio passei por situações problemas no trabalho, de desemprego, desavenças com o namorado, sonhos que nunca mais concretizava e muitos meses em que o dinheiro não me chegava sequer para as despesas. Amigos, tinha poucos mas bons e estava separada da minha família há já algum tempo, as mãos disponíveis ajudavam no que podiam, mas havia muito a fazer. Foram anos duros e difíceis.
Pouco a pouco as coisas foram-se compondo, mas nem por isso alguma vez senti que me facilitassem a vida de alguma forma. Todos os meus fardos carreguei-os sozinha e não foram poucas as vezes em que tive cargas maiores do que as forças. Nestas alturas em vez de ser aliviada colocaram-me foi mais peso em cima. Sempre todos muito exigentes. Ela é forte, aguenta!
Habituada a contar apenas comigo e a dar sempre o meu melhor nunca esperei ajudas, nunca esperei que alguém fizesse por mim. Tenho há muito tempo como máxima: "se é para fazer, faço bem feito, porque se for uma estucha só a faço uma vez, se não, faço bem feito o que gosto". Isto é tão válido no campo pessoal como no profissional. Gosto de ser desenrascada, gosto de aprender, gosto de me aplicar. Se tropeço, levanto-me, sacudo as pernas e sigo em frente.
Já passei por períodos de grande carga de trabalho e de assuntos pessoais por resolver. Organizei todo o meu casamento até ao mais ínfimo pormenor. Igreja, copo-d’água, burocracias, convites, lista de casamento, missais, ementas, lembranças, fotógrafo, flores, música, vestido, lua-de-mel e até a roupa do noivo, tudo tratado por mim.
Fiz a primeira mudança de casa a dois, o futuro noivo teve de vir a casa da mãe buscar umas coisas, ficou preso na Vasco da Gama e quando chegou já estava tudo nos seus devidos lugares. Nem parecia que tinha tudo entrado em casa naquele mesmo dia.
Grávida de quase 9 meses do Infante mais velho e cansada de esperar pela ajuda do pai, deitei mãos à obra e a pouco e pouco pintei os móveis do quarto, continuei à espera do dia em que o pai ia ajudar a pintar as paredes, até ao dia em que as pintei eu. Ainda me lembro de estar sentada na caixa das ferramentas com uma barriga maior do que eu a pintar o verde que ia ficar abaixo da barra de papel com os ursos.
Quando o T nasceu, saia todos os dias sempre com ele atrelado a mim. Nunca o deixei com ninguém, não por medo, ou por não me conseguir separar dele, mas porque estava habituada a contar só comigo. Era bebé no ovo para cima e para baixo, põe no carro, tira do carro. Pormenores que só quem já andou com bebés atrás entende a dimensão da logística.
Quando engravidei do A. decidimos que tínhamos de morar mais perto do trabalho de ambos e da escola do T. Eu fazia 120 km por dia para vir trabalhar, as portagens da crel tinham passado a ser pagas, a gasolina tinha começado a aumentar estupidamente e o orçamento familiar ressentia-se. O cansaço de filas e acidentes na ponte, também.
Como em quase tudo na minha vida a coisa complicou-se quando quase um ano depois de pôr a casa à venda aparece um casal que a compra... a menos de um mês do Natal e eu com um bebé de 3 meses colado a mim e um filho com 4 anos. Passei o Natal e a passagem de ano com tudo no sítio. Os meus primeiros dias do ano foram passados a encaixotar as coisas entre mudas de fralda e mamadas. Para ajudar à festa, nós tínhamos tido vários falsos alarmes relativamente à venda da casa e decidimos que só procurávamos outra quando a casa à venda tivesse a escritura marcada. Logo, além dos caixotes e de um bebé com quase 4 meses eu ainda tinha de fazer 120 km quase todos os dias para ver casas, muitas casas. Foi mais uma saga de bebé no ovo para cima e para baixo. Muitas foram as vezes em fui a correr à escola da minha mãe para tirar leite e dar ao bebé entre duas visitas a casas.
No dia que encontrei a casa que queria e que podíamos pagar, telefonei ao pai, a resposta ao meu pedido para vir ver a casa foi: -mas tem de ser hoje? Acabou por vir e comprámos a casa. A seguir à compra da casa vieram as obras. Escolher materiais, pensar nas tomadas, comprar electrodomésticos, supervisionar a obra, pagar ao empreiteiro, discutir com o electricista, tudo ficou a meu cargo que continuava com o bebé no ovo atrelado a mim. Desta vez o pai pintou o quarto comigo.
Até há uns meses atrás eu era uma mulher casada, mãe de dois filhos, trabalho das 9h30 às 19h, muitos dos dias era eu que ia buscar os miúdos à escola, aos fins de semana de manhã vinha com os dois para a rua para o pai dormir um bocadinho mais, mantive sempre a minha casa arrumada e organizada. Das poucas vezes que saía, vinha a casa preparar jantares e ajudar nos banhos.
Neste momento reorganizei a minha vida, vivo sozinha com os meus dois filhos, que vou buscar à escola, preparo jantares, dou banhos, preparo mochilas e mantenho tudo organizado como sempre fiz. Continuo como sempre a ser eu a pôr gasolina no carro, a ver a pressão dos pneus e a verificar o nível do óleo.
Estes episódios da minha vida são apenas uma pequena parte de tantos porque passei. Não foram os mais dolorosos, os mais trabalhosos nem os mais penosos, foram escolhidos aleatoriamente dum saco onde estão muitos mais guardados.
Nunca quis que tivessem pena de mim. Lutei muito para ser independente e é assim que gosto de ser e que me vejam. Sou pacífica e não gosto da expressão "mulher de armas". Dou o meu melhor em tudo o que me proponho e poucas são as vezes em que me permito falhar. Mas como em tudo na vida há alturas em que paramos para pensar e neste momento pergunto-me se não teria valido a pena esperar que alguém fizesse por mim. Olho à minha volta e vejo o mundo cheio de coitadinhos. Pessoas que se encostam, que esperam que alguém faça, que alguém diga, alguém se mexa por elas. Tenho a minha consciência tranquila, mas também tenho o corpo cansado de andar sempre para a frente com um mundo de tarefas e papéis para desempenhar. Não é valor que busco. Eu sei muito bem qual é o meu e a quem o devo. É alívio! É por uma vez na vida ter alguém que trate das coisas por mim.
A sociedade tem tendência a beneficiar infractores. Não se dão determinadas tarefas a pessoas porque são lentas, incapazes, trapalhonas e irresponsáveis. Sobrecarregam-se as que cumprem. Perdoa-se a que não faz nada no trabalho a não ser gastar recursos da empresa e minar o relacionamento entre colegas porque está a atravessar um período difícil. Os maridos mimam as mulheres que andam sempre debaixo da alçada deles, porque eles assim sentem-se protectores.
E eu estou cansada. Cansada de ser "tudo eu, tudo eu". Eu tenho sempre que ter tempo para tudo e todos, a mim não me desculpam nada e ainda exigem porque eu aguento.
E eu, estou cansada e farta de coitadinhos.
Lembro-me de ser teenager, na altura usavam-se os célebres tijolos, para quem não se lembra, eram uns rádios com leitor de cassetes que em cada ponta tinham uma coluna. Pois um belo dia o meu tijolo pifou e deixou de ler cassetes, mandar arranjar era demasiado caro, mas eu rapidamente arranjei uma alternativa; desmontei-o. O problema estava numa correia que saiu do encaixe, ao voltar a montar sobraram-me peças (espanto!) mas a verdade é que funcionava e sem querer acabei com um ruído parvo que ficava nas gravações. Moral da história, os senhores da Sanyo tinham mesmo colocado peças a mais no meu tijolo.
Alguns anos mais tarde decidi que queria uma mota, sonhava com uma Yamaha LC 50, andei a juntar dinheiro, vendi as minha férias ao patrão e consegui comprar a bendita mota.
Quando chegou a altura de alugar uma casa, não tinha mais do que o suficiente para pagar umas águas furtadas em mau estado em sapadores. A casa era irreal, a cozinha era a entrada de casa e era minúscula, o wc ficava na varanda e não tinha porta. Empatei todo o dinheiro que tinha nas rendas adiantadas ao senhorio e nas seguintes até ter o apoio do IGAPHE. Tomei banho meses a fio com água fria (durante o inverno), lembro-me de sair do duche e ir a correr para debaixo do edredão para me vestir. Não apanhei nenhuma pneumonia e resisti.
A minha vida foi melhorando e decidi mudar de casa, mudei para duas ruas abaixo. Casa normal, não havia partes esconsas e o wc além de ser dentro de casa até tinha banheira.
Pelo meio passei por situações problemas no trabalho, de desemprego, desavenças com o namorado, sonhos que nunca mais concretizava e muitos meses em que o dinheiro não me chegava sequer para as despesas. Amigos, tinha poucos mas bons e estava separada da minha família há já algum tempo, as mãos disponíveis ajudavam no que podiam, mas havia muito a fazer. Foram anos duros e difíceis.
Pouco a pouco as coisas foram-se compondo, mas nem por isso alguma vez senti que me facilitassem a vida de alguma forma. Todos os meus fardos carreguei-os sozinha e não foram poucas as vezes em que tive cargas maiores do que as forças. Nestas alturas em vez de ser aliviada colocaram-me foi mais peso em cima. Sempre todos muito exigentes. Ela é forte, aguenta!
Habituada a contar apenas comigo e a dar sempre o meu melhor nunca esperei ajudas, nunca esperei que alguém fizesse por mim. Tenho há muito tempo como máxima: "se é para fazer, faço bem feito, porque se for uma estucha só a faço uma vez, se não, faço bem feito o que gosto". Isto é tão válido no campo pessoal como no profissional. Gosto de ser desenrascada, gosto de aprender, gosto de me aplicar. Se tropeço, levanto-me, sacudo as pernas e sigo em frente.
Já passei por períodos de grande carga de trabalho e de assuntos pessoais por resolver. Organizei todo o meu casamento até ao mais ínfimo pormenor. Igreja, copo-d’água, burocracias, convites, lista de casamento, missais, ementas, lembranças, fotógrafo, flores, música, vestido, lua-de-mel e até a roupa do noivo, tudo tratado por mim.
Fiz a primeira mudança de casa a dois, o futuro noivo teve de vir a casa da mãe buscar umas coisas, ficou preso na Vasco da Gama e quando chegou já estava tudo nos seus devidos lugares. Nem parecia que tinha tudo entrado em casa naquele mesmo dia.
Grávida de quase 9 meses do Infante mais velho e cansada de esperar pela ajuda do pai, deitei mãos à obra e a pouco e pouco pintei os móveis do quarto, continuei à espera do dia em que o pai ia ajudar a pintar as paredes, até ao dia em que as pintei eu. Ainda me lembro de estar sentada na caixa das ferramentas com uma barriga maior do que eu a pintar o verde que ia ficar abaixo da barra de papel com os ursos.
Quando o T nasceu, saia todos os dias sempre com ele atrelado a mim. Nunca o deixei com ninguém, não por medo, ou por não me conseguir separar dele, mas porque estava habituada a contar só comigo. Era bebé no ovo para cima e para baixo, põe no carro, tira do carro. Pormenores que só quem já andou com bebés atrás entende a dimensão da logística.
Quando engravidei do A. decidimos que tínhamos de morar mais perto do trabalho de ambos e da escola do T. Eu fazia 120 km por dia para vir trabalhar, as portagens da crel tinham passado a ser pagas, a gasolina tinha começado a aumentar estupidamente e o orçamento familiar ressentia-se. O cansaço de filas e acidentes na ponte, também.
Como em quase tudo na minha vida a coisa complicou-se quando quase um ano depois de pôr a casa à venda aparece um casal que a compra... a menos de um mês do Natal e eu com um bebé de 3 meses colado a mim e um filho com 4 anos. Passei o Natal e a passagem de ano com tudo no sítio. Os meus primeiros dias do ano foram passados a encaixotar as coisas entre mudas de fralda e mamadas. Para ajudar à festa, nós tínhamos tido vários falsos alarmes relativamente à venda da casa e decidimos que só procurávamos outra quando a casa à venda tivesse a escritura marcada. Logo, além dos caixotes e de um bebé com quase 4 meses eu ainda tinha de fazer 120 km quase todos os dias para ver casas, muitas casas. Foi mais uma saga de bebé no ovo para cima e para baixo. Muitas foram as vezes em fui a correr à escola da minha mãe para tirar leite e dar ao bebé entre duas visitas a casas.
No dia que encontrei a casa que queria e que podíamos pagar, telefonei ao pai, a resposta ao meu pedido para vir ver a casa foi: -mas tem de ser hoje? Acabou por vir e comprámos a casa. A seguir à compra da casa vieram as obras. Escolher materiais, pensar nas tomadas, comprar electrodomésticos, supervisionar a obra, pagar ao empreiteiro, discutir com o electricista, tudo ficou a meu cargo que continuava com o bebé no ovo atrelado a mim. Desta vez o pai pintou o quarto comigo.
Até há uns meses atrás eu era uma mulher casada, mãe de dois filhos, trabalho das 9h30 às 19h, muitos dos dias era eu que ia buscar os miúdos à escola, aos fins de semana de manhã vinha com os dois para a rua para o pai dormir um bocadinho mais, mantive sempre a minha casa arrumada e organizada. Das poucas vezes que saía, vinha a casa preparar jantares e ajudar nos banhos.
Neste momento reorganizei a minha vida, vivo sozinha com os meus dois filhos, que vou buscar à escola, preparo jantares, dou banhos, preparo mochilas e mantenho tudo organizado como sempre fiz. Continuo como sempre a ser eu a pôr gasolina no carro, a ver a pressão dos pneus e a verificar o nível do óleo.
Estes episódios da minha vida são apenas uma pequena parte de tantos porque passei. Não foram os mais dolorosos, os mais trabalhosos nem os mais penosos, foram escolhidos aleatoriamente dum saco onde estão muitos mais guardados.
Nunca quis que tivessem pena de mim. Lutei muito para ser independente e é assim que gosto de ser e que me vejam. Sou pacífica e não gosto da expressão "mulher de armas". Dou o meu melhor em tudo o que me proponho e poucas são as vezes em que me permito falhar. Mas como em tudo na vida há alturas em que paramos para pensar e neste momento pergunto-me se não teria valido a pena esperar que alguém fizesse por mim. Olho à minha volta e vejo o mundo cheio de coitadinhos. Pessoas que se encostam, que esperam que alguém faça, que alguém diga, alguém se mexa por elas. Tenho a minha consciência tranquila, mas também tenho o corpo cansado de andar sempre para a frente com um mundo de tarefas e papéis para desempenhar. Não é valor que busco. Eu sei muito bem qual é o meu e a quem o devo. É alívio! É por uma vez na vida ter alguém que trate das coisas por mim.
A sociedade tem tendência a beneficiar infractores. Não se dão determinadas tarefas a pessoas porque são lentas, incapazes, trapalhonas e irresponsáveis. Sobrecarregam-se as que cumprem. Perdoa-se a que não faz nada no trabalho a não ser gastar recursos da empresa e minar o relacionamento entre colegas porque está a atravessar um período difícil. Os maridos mimam as mulheres que andam sempre debaixo da alçada deles, porque eles assim sentem-se protectores.
E eu estou cansada. Cansada de ser "tudo eu, tudo eu". Eu tenho sempre que ter tempo para tudo e todos, a mim não me desculpam nada e ainda exigem porque eu aguento.
E eu, estou cansada e farta de coitadinhos.
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