17.8.10

abençoadas férias



Não sei se foi do calor, dos banhos na piscina, do som dos grilos à noite, dos grelhados, dos livros que li, das gargalhadas deles, dos mortais para a piscina do mais velho ou se foi apenas a paz que tomou conta de mim durante as férias. Sinto-me diferente.
Uma semana de trabalho após o regresso das abençoadas férias. Estou diferente.
Existem pessoas que valem a pena. Existem pequenos nadas que valem sorrisos. Existem momentos para serem vividos. Tudo o resto é passageiro como uma chuva de verão. Não vale a pena. Uma lavagem e fica limpo e se não apetecer ter o trabalho, é olhar para o lado e ignorar.
Estou, mais uma vez, diferente.
Deve ser isto que é ser adulto. Problemas, preocupações e resoluções em catadupa. Umas atrás das outras. Mal resolvemos um e aparece logo outro. Uma responsabilidade, uma exigência. Ser adulto cansa. É tão mais fácil não termos de resolver, haver quem resolva, quem pense, quem se preocupe. Quando se é Adulto, não há. Somos nós. É connosco. Não dá para assobiar para o lado.
A minha visão da vida está diferente.
Nem tudo tem de ser resolvido. Nem tudo são preocupações. E, como eu também já sabia, mas por vezes ignoro, há sempre um lado B [ou A, de alternativa] que nem sempre é mau. A maior parte das vezes não é mau, é diferente, é desconhecido.
Estou diferente. Serenei. E se não vale a pena nem me dou ao trabalho. Finalmente, interiorizei, e por muito certas que sejam as minhas convicções, há guerras em que não vale a pena entrar. É desgastante e o resultado, mesmo que favorável, fica aquém da energia despendida.
Estou diferente. Estou serena.
Abençoado calor, abençoados banhos na piscina, abençoado som dos grilos à noite, abençoados grelhados, abençoados livros que li, abençoadas gargalhadas deles, abençoados mortais para a piscina do mais velho. Abençoada paz que se apoderou de mim.

Félicitations pour une petite gamine

[porque existem momentos inesquecíveis e pessoas incomparáveis]


Lipstick Jungle [versão melhorada] I

E lá estava eu, no sítio combinado, a ligar-lhe para saber onde ela estava, quando me aparece ele pela frente. [E que saudades que já não o via há tanto tempo]. E finalmente encontramo-nos, os três e, ela e ele conheceram-se, finalmente. E sentimos os três que nos conhecemos desde sempre. E decidimos onde vamos almoçar. E estamos os três de acordo. E nós as duas, [que afinal somos apenas uma], fazemos dele gato-sapato [ele reclama, mas gosta]. E falamos das nossas coisas, daquelas que não assumimos a mais ninguém. E brincamos e rimos, uns dos outros e de nós próprios. E vamos fumar um cigarro, porque nenhum de nós ultrapassou a fase oral [mais uma em comum]. E temos que ir embora, porque uma tem uma revista para pôr nas bancas e ele um filme para produzir e a outra uma colecção para desenhar. E beijos, até já.
E eu quero mais almoços assim.

Lipstick Jungle [versão melhorada] II

"E lá estava eu, no sítio combinado. Estava ao telefone ali mesmo à minha frente. Caramba que saudades, e está gira que se farta. Quem sabe no meu próximo filme. Aposto que aceita. Vamos lá quero conhecê-la. Degraus e degraus, lá está ela, e diabos me levem se aqueles olhos existem. Conhecemo-nos enfim, bate tão certo. Restaurante escolhido, fazem-me de gato sapato e eu finjo que não gosto. Gosto da cumplicidade entre elas, e da que nasce a três assim genuína e saboreada. Soltam-se risos e conversas, e (re)descobrimo-nos aos poucos. Que querem que faça, estão tão juntas na minha zona de afectos, daqueles que nem vale a pena disfarçar. Café e cigarros e outras conversas, quase sérias por vezes. Voltamos, de encantos rendidos (será que gostou de mim?) ao dia a dia. A minha produção, a revista de uma e a colecção de outra. E aqueles olhos, que nem sei se existem… no meu próximo filme. E eu quero mais almoços assim."

Lipstick Jungle [versão melhorada] III

"E lá estava eu no sítio combinado. Aparecem os dois [ena, o tipo é alto...], chama-me parva com um sorriso maroto. Boa. Não se intimida. Posso baixar as defesas. É cá dos meus. Restaurante em concordância, lá vamos nós. Afinal não altera nada. Dar um rosto a alguém que nos liga na noite de Natal, que nos conta a vida, que nos protege ao negar uma realidade que nada muda o nosso estado não altera nada.
E é tudo tão simples, Tudo tão fluído. Os risos e as confidências e o bife e as meias palavras que não precisam de continuar porque o outro já entendeu, a falta de necessidade de agradar porque já nos conhecem, já gostam, já sabem, já tudo.
E o tempo aqui é contado não por dias mas por situações. Por estar ao lado quando necessário. Pelo comer das passas à meia-noite. Pelo pensar no terceiro quando ele nos falta. E eu, que os conheci com as mãos frias, saí deste almoço com o coração bem quente.
E eu quero mais almoços assim."

24.7.10

e finalmente

Exausta de um dia demasiado longo a apagar pequenos fogos e a apanhar demasiadas pontas soltas onde não existem novelos insubstituíveis, mas onde pelos vistos há uns mais substituíveis do que outros. Apesar do caos de trabalho dos últimos dois dias de preparação para sair para férias está tudo pronto para rumarmos ao nosso templo zen. E a semana pareceu-me demasiado comprida para um período de férias que me parece que vai passar demasiado rápido. Resta-me aproveitar ao máximo o sol e a paz.

23.7.10

regressos

foto: Olhares

E a casa enche-se outra vez. E passamos do som de fundo da televisão num qualquer canal de séries para passar a ter sirenes, gargalhadas, risinhos, cumplicidades e até a choradeira do A. vinda do quarto do Nemo e que se espalha pela casa toda. E a alegria à chegada...tão grande, os abraços vão-me ficar marcados para sempre na memória. Tantas saudades. E correm pela casa numa brincadeira constante e incansável. E atropelam-se a falar, sequiosos que vinham uns dos outros e de nós e nós deles.
Temos a casa cheia outra vez.

Se o próximo inverno for tão frio como o último sou menina para comprar umas destas

se fossem Ferrari...



[nós aos olhos de quem nos vê] - Ainda existem histórias de amor

Parvos, andamos parvos (já ninguém nos aguenta). Esfregamos a felicidade na cara dos outros, esborratamo-los de impaciência, piedade e escárnio. Ele é meu querido para aqui meu amor pracoli e todos à nossa volta esbracejam e se afogam neste mar delicodoce, como se uma novela brasileira em que elas são fáceis e dengosas, ou como se um casalinho da Rinchoa que se abraça aos solavancos na carruagem da linha de Sintra, ela pra mais um dia de nariz enfiado nos calos das doutoras e ele, sem ocupação definida, mas acompanhando-a com esmero à porta do cabeleireiro, onde por fim e a custo a desenlaça. Amor, meu amor, bebé, minha princesa, e as pessoas à volta riem baixinho, que falta de senso, de decoro, a bem dizer já não são miúdos, pais de filhos ainda por cima, e nós aos beijos, melosos, molhados, babados, as línguas expostas que se enroscam desabridas, temos pena se têm nojo, se sentem inveja ou pudor (já ninguém nos atura). Alegres e amantíssimos, lastramos o carnaval pelos lugares por onde passamos e desfiamos um ror de carinho imenso, nas ruas, nos restaurantes, na cama, estarrecidos, aparvalhados com isto que nos aconteceu, quem sou eu que já não sou eu? Para onde foi o que me amargava os dias, já agora deixa-me ver se se esconde entre as tuas pernas ou no fim das tuas costas. Somos sem os demais e sem-vergonha, ignoramos quem nos interpela e fitamo-nos aparvalhados, desconfiados e à espreita: o que me dizem hoje os teus olhos que ontem não me disseram? (já ninguém pode connosco). Andamos de mãos dadas, prerrogativa de crianças e velhos, com dedos que se esfregam e apertam, não vá a gente perder-se, afastados por meio metro. Ou então abraçados, agarrados como lapas, tu a cobrires-me com os braços, os ombros, contigo todo, como se a monção estivesse pra vir e me fosse levar, para lá do pontão, para além do mar. Fazemos um grupinho à parte, desdizendo-os e mal-dizendo-os, a minha mão em concha na tua orelha e a minha boca escondida, que tanto te lambe o after-shave como arrasa as personalidades presentes, aquela ali é mesmo parva, não é? e aquele? um imbecil! (já ninguém nos suporta). Enjoativos e incómodos, num deleite infantil, respondemos torto e a más horas e achamo-nos o máximo, ancorando-nos na protecção do outro. Somos bons, somos os melhores, e estamos plenamente concentrados na arrogância superlativa do Amor, com tudo o que esta traz de kitsch, de excessivo, de deselegante. Respiramos um outro oxigénio, digerimos de maneira diferente, os nossos ossos têm diversa composição, a nossa pele desenvolve uma textura única e os nossos cabelos fomentam toques subversivos, revolucionários, invisíveis ao olho humano. O mundo é o nosso recreio (já ninguém nos convida para as festas).

20.7.10

viagens


Está quase a fazer 3 anos que estive em Milão em trabalho durante uma semana. Passei os dias fechada num escritório a 5 minutos a pé do hotel, ao final da tarde e à noite aproveitava para conhecer um pouco da cidade da moda. Não "cheirei" nenhuma loja de griffe porque à hora a que chegava ao centro já estavam fechadas e muitas estavam fechadas para férias. Ainda assim, consegui sentir-me pequenina junto da Piazza del Duomo e fiquei fascinada com a Galleria Vittorio Emanuele e as suas lojas. Adorei a "fauna" apesar de a maioria das pessoas estarem para Sul de férias e Milão se assemelhar um pouco a uma Lisboa domingueira deserta, a verdade é que os bares e restaurantes tinham sempre muito por onde entreter a vista, muito pelas poses descontraídas mas principalmente pelas italianas [sim, fazem justiça à fama que têm, é muito difícil não virar o pescoço ao cruzarmos-nos com uma].
Coincidência ou não, quando regressei de Milão o livro que me esperava à cabeceira tinha como pano de fundo Milão e Roma. Este fim de semana acabei de ler um outro da mesma autora em que grande parte da história se passa em Milão. É sem dúvida uma cidade a voltar, a percorrer as ruas e ruelas, a "cheirar" as lojas todas e também a deliciar-me com a comida.

cores da minha vida

#1 nota do dia


Nem sempre os que chegam primeiro são os verdadeiros vencedores, mas chegar primeiro pode ter muitas vantagens.

19.7.10

Quico de gente

Faz hoje um mês que nasceu o "meu" Quico. E escrevo "meu" sem pudores, porque ele também é um bocadinho meu.
O Quico lembra-me os meus filhos, mínimos, quando me sobra mão à volta da sua pequena e redondinha cabeça parca de cabelo, quando o deito nas minhas pernas e ele fica ali encaixado como se ali fosse o lugar dele. Vejo-o dormir sossegado, vestido de branco como se de um anjo se tratasse e, trata-se. Poucas coisas se comparam à serenidade transmitida por um recém nascido, a vontade de perpetuar a aura que os envolve e a nós também. Sentir o pequeno corpo encostado ao nosso, os olhar que entra pelos nossos olhos, o cheiro, ahhh... o cheiro.
Gosto de bebés, adorei e vivi intensamente cada novo dia após o nascimento dos meus filhos, adorei-os minutos e horas sem fim. Perdia-me a olhar para eles, como me perco agora com o "meu" Quico no colo.

18.7.10

Lisboa, a minha cidade

foto: Nocturno


Há 11 anos comecei a sair de Lisboa de manhã e só regressava à noite. Há 9 deixei definitivamente de lá ir dormir. Mudei-me de armas e bagagens para outras paragens. Mas Lisboa, para mim, é a minha cidade, a minha terra. Foi lá que nasci, foi lá que cresci. Habituei-me muito cedo a sair dela, mas voltava sempre. Agora, passados 9 anos de lá ter deixado de morar sinto-lhe a falta. Gostava de morar e trabalhar em Lisboa. Gosto do movimento das ruas, das pessoas, da calçada que me dá cabo dos saltos, gosto da calma dos bairros ao fim de semana, do ar, dos autocarros, do metropolitano, dos jardins, das esplanadas,do céu, dos gatos vadios,dos prédios, das ruas e das das suas cores.
Sempre que saio, quer para norte, quer para sul, quer para fora, o regresso é sempre feito a Lisboa. Lisboa é sempre o destino, quer seja na placa da auto-estrada, do placar electrónico da estação de comboios ou do aeroporto. Voltar a Lisboa é sempre um regresso a casa. À minha casa.

mensagens



[o chat do facebook tem o mesmo efeito]

16.7.10

somos tão frágeis

Num dos pontos de fumadores da empresa onde trabalho costumava encontrar uma colega do departamento finaceiro. Baixinha de ar frágil, simpática, querida no trato. Mãe de um filho desportista que passava a vida entre nódoas negras e ossos partidos. Conversámos muitas vezes naqueles minutos que se demora a queimar um cigarro. Numa empresa com tanta gente conhecemos as pessoas e as histórias que partilham, o nome, esse, fica muitas vezes no desconhecimento. Não sei se ela sabia o meu, o dela soube hoje através da newsletter dos recursos humanos. Isabel. Chama-se Isabel, teve dois aneurismas. Assim de repente, fiquei a saber o nome dela, no meio de um pedido de uma cama articulada e uma cadeira de rodas. Não sei detalhes e também não seriam para aqui chamados. O que sei é que a Isabel, que fumava cigarros comigo enquanto falávamos dos desportos dos miúdos, de um momento para o outro ficou confinada a uma cadeira de rodas. O que sei é que nos chateamos com merdinhas, deixamos que outras pessoas nos estraguem dias, momentos. Passamos tanto tempo a fazer planos e a livrarmos-nos de obstáculos. Queixamos-nos do tempo, do trabalho, do trânsito, do chefe e dos colegas. Merdinhas. Insignificâncias. Não vivemos com o que temos, está-nos no sangue querer mais, querer melhor. Eu há muito que apregoo o mesmo: quero mais tempo, quero ter tempo para viver. A Isabel, não sei o que quer, mas imagino que quereria que o estupor do aneurisma não lhe tivesse sido oferecido e a tivesse deixado no estado que ficou.

Somos tão frágeis.

gostar de máquinas




[não preciso, mas quero-o]

vicíos

Os vícios são lixados. Sabemos que nos faz mal, nalguns casos sabemos que nos podem matar, mas continuamos, uma e outra vez, alimentamos o bicho que nos corrói por dentro com desculpas esfarrapadas, mentimos a nós próprios. É só mais esta vez! Juro que é a última! E uma, outra e outra vez injectamos o veneno que nos mata por dentro, que nos seca, que nos amarga. Só mais uma vez, porque a força do vício é maior, porque a força para matar é sempre maior do que para viver.



evolução

Fátima Lopes

-Como é que se emagrece daquela maneira depois de ter um filho?

[além disso é gira]

8.6.10

"Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

Antoine de Saint-Exupèry

9.5.10

do nosso fim de semana

Medos vencidos e obstáculos ultrapassados. O meu infante mais velho faz-se.

Os infantes, a minha cara metade e os nossos amigos são o melhor da vida.

7.5.10

sinónimos

sarna
s. f.
1. (...)
2. (...)
3. (...)
s. 2 gén.
4. Pessoa impertinente, pegadiça.

5.5.10

tenho um perfume novo

à conta desta brincadeira o meu perfume habitual foi substituído por este:


[Não recomendo, a não ser que precisem de desentupir o nariz.]

4.5.10

ando armada em jogador da bola

Tendinite crónica do ombro direito.
Ruptura dos ligamentos da rótula nos dois joelhos.

[Acho que vou adiar as análises que me mandaram fazer na 5ª feira, esta semana não aguento mais notícias destas]

3.5.10

a felicidade da ignorância

O T. e o A. têm de ir levar a segunda dose de uma vacina, ontem a combinar com o T.:

Eu - Vocês têm de ir tomar a segunda vacina, quando queres ir?
T. - Até quando é que se pode levar?
Eu - Até final de Maio, T.
T. - Hummmm
Eu - Não queres levar já e despachas-te já da vacina?
T. - Sim, é melhor mamã.
Eu - Amanhã?
T. -A., vamos amanhã à vacina?
A. - Yeahhhh

Hoje de manhã no carro.
T. - A. hoje a mamã não nos vai buscar tão cedo como na semana passada.
A. - Oh...
Eu - Mas vou buscar-vos mais cedo para irmos à vacina.
T. - A. vamos à vacina logo?
A. - Yeahhhh
Eu - A. tu sabes o que é a vacina?
A. - Não...
Eu - Logo vi!

2.5.10

ainda do dia da mãe

O meu infante mais velho recusou-se a fazer-me o presente do dia da mãe. A auxiliar do ATL deu-me a notícia completamente escandalizada.
No carro perguntei-lhe porque não fazia o presente.

- Porque não serve para nada, mamã.
- Mas o que é o presente?
- Hummm... Bem, como não vou fazer posso-te contar.
- Claro que podes, diz lá.
- É um caderno com uma receita copiada de uma revista para tu escreveres as tuas receitas.
- Mas tu gostas tanto de cozinhar e não queres fazer?
- Não mamã, tu tens livros e um caderno de receitas muito mais giro.
-É justo.

[Decididamente o T. tem a quem sair.]

dia da Mãe?

Dizem que o primeiro domingo de Maio é o dia de Nossa Senhora e também dia da mãe.
Gostava é que me dissessem o que são os outros todos.

Hoje dia da mãe os meus filhos estão com o pai, porque dia da mãe, para mim, são todos os dias em que estou com eles.

1.5.10

ícone

por mim era cortá-los às postas e atirá-los aos porcos

Nunca escrevi sobre este tema, não porque assobio para o lado e finjo que não existe, mas porque me dói e revolta-me de uma forma indescritível, nauseia-me ao ponto de ficar mal disposta por vários dias.
Conheço histórias contadas por quem viu o estado em que algumas crianças chegaram ao hospital, muitas vezes levadas pelos próprios agressores. Quando oiço histórias assim, lembro-me do quanto gostaria de me ter formado em medicina, mas nunca, nunquinha em nada que tivesse a ver com crianças. Não conseguiria, juro que não conseguiria, ver uma criança naquele estado, ainda mais se lá estivesse o agressor ou alguém que não tivesse impedido a agressão sem que eu própria saísse do meu estado racional e o/a esquartejasse com um bisturi.
Não entendo como é que alguém consegue ver uma criança a chorar e não fazer nada, não consigo encaixar como é que alguém consegue infligir dor a uma criança. Não consigo, é mais forte do que eu.
Hoje uma amiga colocou no FB uma foto de uma criança com a sua cara feita em papa por um agressor e eu estou aqui a remoer de nauseada e revoltada que me sinto. Por mim qualquer agressor ou espectador que assista a uma agressão a uma criança devia ser cortadinho em postas e dado aos porcos. É inadmissível que alguém o possa fazer e que seja tão levemente punido, ou que se permita que a criança saia do hospital pela mão do agressor. Mães, pais, avós, tios, o que sejam que cometam atrocidades destas ou que permitam que outros as cometam deviam ser-lhes retirada a guarda destas crianças porque se o fizeram uma vez vão torná-lo a fazer e o papel de um adulto, qualquer que seja o laço parental ou mesmo sem laço parental devia ser sempre o de proteger e nunca, nunca de infligir dor.

[um dia escrevo um post igual para os maus-tratos psicológicos porque hoje chega-me este para ter vontade de vomitar]

17.4.10

eu tinha razão

I told you
That we could fly
Cause we all have wings
But some of us don't know why

15.4.10

desintoxicar

Desde ontem que a base da minha alimentação é bolo de chocolate, acho que está na hora de mudar para algo mais saudável, não?


eu acredito

Eu acredito em histórias de amor. Acredito que em qualquer lado do mundo, ou mesmo mais perto do que imaginamos, existe a outra metade. Acredito em amores de e para a vida. Acredito que existe alguém que enche o vazio que outros deixam por muito que se tentem ajustar. Acredito no amor à primeira vista como acredito no amor à 100001 vista. Acredito que o amor vence barreiras. Acredito que o amor nos muda para melhor. Acredito que por amor vale a pena mudar. Acredito que por amor vale a pena virar a vida de pernas para o ar. Acredito que se pode dar a vida por amor. Acredito que se pode morrer de e por amor.
Eu não acredito na vida sem amor.


Foto: Dalila


14.4.10

[post dedicado]

Estou de neura, estive todo o dia assim.
Acordar hoje foi um verdadeiro tormento, fazem-me falta os sinais. Não sei se ainda respiras eu faço-o com alguma dificuldade.
Apetece-me agarrar no telemóvel e desencadear uma sessão de troca de sms, seguro-me. Tenho de me segurar. Quiseste ir. Vai.
Racional, radical, seja. Sou assim, assim me manterei até que alguém me consiga convencer do contrário. Ainda não conheci ninguém com essa capacidade.
Sou forte, demasiado forte, assusto quem não o é na mesma medida, a imagem que de mim projecto é aumentada não sei bem quantas vezes aos olhos dos outros. Não serei tão grande como me vêem, mas não me importo.
Sou grande, mas sou menina, preciso de colo e enquanto não surgir alguém digno de me abraçar, manter-me-ei enroscada em mim mesma.

ciclos

E quando se julga estar a fazer o certo, que a estrada é a que nos leva ao sítio onde gostaríamos de estar, surgem encruzilhadas que baralham tudo.
Não é fácil escolher caminhos, menos ainda percorre-los, existem obstáculos, peões a atrapalhar, camiões à frente que não nos deixam vislumbrar o horizonte na vã tentativa de encontrar uma placa com o nome do destino a aproximar-se, quando afinal, muitas vezes andamos às voltas, perdidos.
Amar um Ser é Matar Todos os Outros

Não há uma coisa que se faça por um ser (que se faça verdadeiramente) que não negue um outro. E quando não nos podemos resignar a negar os seres, há uma lei que nos esteriliza para sempre. De certo modo, amar um ser é matar todos os outros.

Albert Camus, in 'Cadernos'

13.4.10

entre o gostar e o precisar

gosto deste

mas preciso deste

um...dois...três... estou doida!

Entro no carro, ligo o rádio. Comercial, músiquinha da treta. Mudo de estação. RFM, a mesma musiquinha da treta uns segundos à frente. Mudo de estação. Capital, - não pode ser! A mesma?
Volto para trás uma a uma. Ou estou doida ou estou mesmo a ouvir a mesma música em três estações diferentes. Não tentei as outras memórias porque alguém [engraçadinho] me memorizou a Rádio Miramar nos restantes e eu ainda não tive pachorra para mudar.

Final da história: Frank Sinatra em CD. Muito melhor.

para começar bem o dia



[pela mão do H.]

12.4.10

voyeurismos

Já tive como passatempo observar os cestos e carros de supermercado enquanto esperava na fila para pagar, como se o seu interior desvendasse algo sobre as pessoas. Deixei-me disso, é raro ir ao supermercado e quando vou tenho outros dois entreténs que não me permitem deixar que a minha imaginação deambule durante muito tempo. Mas quando temos uma mania e deixamos de ter oportunidade de a alimentar arranja-se substitutos e a janela da minha cozinha faz as delícias de qualquer voyeur que se preze. Ainda não percebi se as pessoas que vivem no prédio da frente possuem uma descontracção fora do normal e, casualmente foram todas viver para o mesmo prédio, se vivem na ilusão que os vidros escurecidos, que durante o dia lhes preservam a intimidade, funcionam durante a noite com as luzes acesas. Nada mais errado, vê-se de tudo e, quando eu digo de tudo, é de tudo mesmo.
Se ao olhar para um cesto de supermercado se tentam desvendar vidas, imaginem através de uma janela paradentro de casa as vidas que se desvendam.

e eu com ar muito parvo a ouvir isto

[Eu a apoderar-me da televisão da sala]

Eu: -T., liga a televisão do vosso quarto para verem o Martim Manhã.
T.: - Déde, anda, vamos para o quarto.
A.: - Não tá a dar...
T.: - Tá, tá!
A.: - Não tá. Vai uma apossta?

[três anos e já aposta? Aos 6 está no casino, não?]

e antes que comecem com devaneios

Não, não estou a pensar noutro bebé, já estou tão bem servida que até me posso gabar de dizer que tenho um que vai ser sempre o meu bebé.

[Sim, há-de ter 40 anos, barba e cabelos brancos e será sempre o meu bebé, o meu desenho animado!]

memórias de um útero

Há 4 anos atrás também eu estava às voltas com a panóplia de acessórios e detalhes que fazem falta a uma quase-mãe-de-criancinha-cá-fora. Se há 4 anos já era marinheira de segunda viagem, há 8, também nesta altura, era de primeira e tinha lido todas as Pais & Filhos e afins desde que pensei em engravidar, também uns anos antes me tinham passado muito perto 3 bebés, por isso, não é que não houvessem segredos por desvendar ou dicas por descobrir, porque essas há sempre, mas a coisa estava desmistificada. Se achava que tinha um sentido prático aguçado, no meu primeiro filho tive o teste de fogo. Talvez porque nunca gostei de brincar com bonecas, nunca tive aquela coisa do enxoval cheio de trapinhos sóporquesãoamorososeomeufilhopareceumboneco. Os bebés crescem a olhos vistos e o que serve hoje amanhã já não dá e, odeio, meu Deus se odeio, pegar num bebé e não perceber onde acaba a roupa e começa o próprio do bebé, por isso sempre tive a roupa à conta, mas para o tamanho da altura e não para durar até começar a andar. A roupa dos meus filhos sempre teve de ser para facilitar e não para complicar, vestidos sim e sobretudo, confortáveis e sem ter de lhes dar muitas voltas, porque quem já teve bebés sabe bem que depois de comer, vem a fralda e depois da fralda se houver muitas voltas raramente nos livramos da bela bolsadela, por muito bem que tenham arrotado. E isto tudo para dizer que sim que o meu útero também não se esqueceu e que a conversa de dicas que tive hoje com a Mary teve sabor de nostalgia. Talvez porque à 8 anos por esta altura andava às voltas com o mesmo tema e, porque há 4 voltava ao mesmo, o meu útero cérebro ande para aqui num misto de saudade e de alívio em que, sem sombra de dúvida, ganha a saudade loucura.

podia repetir todos os dias

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

[se não o fizesse já]

recadinho

Caro S. Pedro,

lá por casa já se fez a mudança de colecção. A roupinha de inverno está toda devidamente escondida do meu campo de visão. As botas ainda resistem nos meus pés, mas as sandálias já estão à mão de semear. Deixe-se lá, por isso, de invenções e estabilize de uma vez por todas as temperaturas e o céu azul, sim?

Agradecida

"nunca esquecerei Barcelona"

9.4.10

a minha memória

Ao contrário do que [tantas] vezes gostaria, a memória não me atraiçoa, sobressalta-me.

tic tac

Será que a tarde não acaba?
Preciso de parar de olhar para o relógio, melhor, não ter relógio.
Sair daqui a correr sem ter onde ir. Sem obrigações.
Apetece-me aproveitar os dias, apanhar sol, dormir, ver um bom filme, ouvir as gargalhadas que vêm do quarto deles.

Pairar, apetece-me pairar sobre os dias e deixar que tudo ande à minha volta, mas devagarinho.

lógica

e se hoje é sexta-feira, mais logo ao final da tarde é fim de semana e vai estar sol e tudo, vai ser excelente.

8.4.10

mãe má!

"Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:
- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?
- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).
- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.
- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.
- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.
- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.
- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.
- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.
- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.
- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.
- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram."


(Dr. Carlos Hecktheuer - Psiquiatra)

que se parta a loiça toda

A sério que acho giro aquelas pessoas que têm serviços vista alegre e copos de cristal e faqueiros em prata e toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, tudo encafoadinho no louceiro à espera "daquele" jantar ou almoço que justifique ter a trabalheira de tirar de lá tudo e pôr a mesa a preceito com a jarra de flores, também de cristal com um lindo ramo no centro da mesa. São rituais que se herdaram de outros tempos, de outras mentalidade, de uma outra sociedade em que nada era descartável e em que o enxoval acumulado antes do casamento iria durar o resto da vida [assim como o próprio do casamento]. E não, não tenho nada contra o ter serviços da Vista alegre, ou copos de cristal ou faqueiros de prata e muito menos toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, o que eu acho mesmo mal é a parte do encafoadinho no louceiro [já para não falar na parte do louceiro, mas isso são gostos e não se discutem]. Lá em casa os pratos são Ikea, servem todos os dias quer haja visitas ou não. Os copos de vinho são da Marinha Grande [do tempo em que os copos do Depósito da Marinha Grande eram ainda mais caros do que são agora] e servem quer seja dia de festa quer me apeteça beber um copo de vinho sozinha. Lá em casa come-se com talheres de peixe quer haja convidados ou não. Já os talheres de prata, isso não entra lá em casa, porque na minha mesa ou na minha cozinha só entram coisas que possam ser lavadas na máquina, que é para isso que ela serve, já me basta a saladeira que achei tão gira tão gira, que comprei e depois descobri que não só não pode ir à máquina como não pode conter alimentos quentes, saladas só frias, portanto. As toalhas bordadas, lamentavelmente ficaram pelo caminho num azar há uns anos atrás, mas felizmente ainda sobreviveu uma cuidadosamente bordada pela minha avó, os guardanapos é que não sei o que lhe fizeram, mas para todos os efeitos é tão usada como qualquer uma das outras sem bordados.
E sim, o que acho mesmo giro é guardarem-se coisas "especiais" para "momentos especiais" [não se vá partir o cristal ou entornar qualquer coisa em cima da toalha] quando o mais importante é tornar especial o que existe à nossa volta e usufruir porque o bom, para mim, não serve para mostrar aos outros, serve acima de tudo para mim e se serve para mim serve para quem se senta à minha mesa.

é que já mete pena

Eu às vezes [e é só às vezes porque de facto tenho mais com que ocupar os meus neurónios], pergunto-me se certas pessoas têm noção.
Só isso: se têm noção.
-E noção de quê? Poderiam perguntar.
E eu responderia: - De tudo.
Porque é de tudo mesmo, porque não dão uma para a caixa. E é tão triste ver certas figurinhas que, quer se goste ou não das pessoas, fica-se assim com aquele sentimento de vergonha alheia.

Custa-me perceber como é que as pessoas não param, por um minuto que seja [horas, vá, ou mesmo dias] e pensem na tristeza que é viver assim. Em que não produzem nada de bom, em que deixam que tudo lhes passe ao lado, em que todos os dias se enterram um pouco mais no lamaçal que criaram nas suas vidas. E depois dizem e fazem uma coisa num dia e no dia seguinte já é tudo ao contrário. E o discurso começa a ser desconexo, não das acções porque esse sempre foi, mas desconexo entre si, no espaço temporal ou no espaço entre estados de espírito.

Vá lá... haja coerência, definição, pudor, qualquer coisinha do género [vergonha na cara?], porque não havendo fica à volta a imagem de falta de personalidade ou, pior, de desequilibro mental e, convenhamos, ninguém quer ser visto assim.

Assumam-se, porra, ou é ou não é!

[suspiro]

Há dias assim.
Não sei se é por estar sol, se é por hoje ser 5º feira, se é por ter dormido bem, se é por ter acordado bem, se por estar quase de férias.
Não sei porque é.
E não querendo testar a Divina Providência, arrisco dizer que hoje é difícil chatearem-me e, acreditem, que já fui posta à prova.

7.4.10

provavelmente

está na hora de tirar da gaveta um certo e determinado projecto que atirei para o fundo de uma das tantas que tenho em casa.

A ver, a ver. Mas que me apetece, apetece e eu não gosto de me contrariar.

obrigada, mas não era bem isso

Eu não preciso de um serviço de baby-sitting especializado, não preciso de ganhar mais dinheiro para poder ter alguém que me vá buscar os meus filhos à escola, ou pagar a uma empregada que me arrume e limpe a casa e ainda faça o jantar e dê banho aos miúdos e os ajude a fazer os trabalhos de casa e os meta na cama. Não, não é nada disto que preciso e, todo o dinheiro que possa ganhar a mais não é para ser gasto desta forma.
O que eu preciso mesmo é de ter tempo para ser mãe, mais mãe ainda. Sim, dá-me jeito ganhar mais para fazer face aos sobressaltos, para pagar a natação, a capoeira, o futebol, os dvds, os jogos, os livros, as camas novas porque já não cabem nas antigas, pagar a conta da EDP porque o aquecedor ficou ligado toda a noite porque estava um frio de rachar, para encher o depósito de gasolina e andarmos a passear, para não ter de me preocupar com as contas.
O meu papel de mãe não está à venda. Eu não quero poder trabalhar mais horas, eu quero é poder ser mãe mais horas. Quero poder, nem que seja só quando o rei faz anos, ir buscar os meus filhos a meio da tarde, só porque sim e, acabarmos o dia no parque ou na praia ou no cinema. Quero poder ir todos os dias à capoeira, ao futebol, à natação ou ao piano, quero lá estar, a ver, a incentivar ou mesmo a "secar". Quero poder chegar a casa e demorar uma hora e meia a fazer um jantar que é comido em 15 minutos. Quero poder sentar-me com ele a fazer os trabalhos de casa ou a ver um filme antes do jantar. Quero poder ficar sentada na tampa da sanita a conversar enquanto ele toma banho. Quero continuar a ser eu a deitá-los, quero dar o beijo de boa noite com eles ainda acordados. Quero ser eu a enchê-los de beijos ao acordar e se tiver de os stressar de vez em quando para não me atrasarem, seja, mas o meu papel de mãe não se troca e não há dinheiro que me pague para eu abdicar do pouco que consigo.

Eu não preciso de muito para ser feliz, é um facto, mas com mais tempo eu seria muito mas muito mais feliz.

diz quem sabe

Fiz a melhor lasanha jamais experimentada.

5.4.10

petit chef

a nossa casa cheira a bolo e a pão.

5 sentidos

Apetece-me ter a casa a cheirar a doce.
Desde ontem que ando a pensar no mesmo, mas faltavam-me ingredientes.
Quando chegar a casa vou fazer pão e um bolo.


Sol e doce

Depois de um fim de semana maravilhoso está um dia lindo, já falta pouco para ir de férias e só me ocorre dizer: Sou tão feliz!

Foto: Olhares

4.4.10

Viagens [ou como a vida pode ser doce]

Uma das grandes vantagens de um divórcio são, sem sombra de dúvida, os recomeços. Permitem-nos renascer, renovar, recriar e sobretudo reencontrarmos-nos.
Na primeira viagem cometem-se erros, atiramos-nos de cabeça só porque sim, porque é normal, porque é o que temos como certo que se deve fazer, assim a modos que um inter-rail de mochila às costas e logo se vê onde nos leva. [Nem sempre é onde queríamos ir]. Depois de uma longa viagem cheia de bagagem pesada, em que um carrega mais do que o outro, com destinos mal estudados em que nos deixamos ir só porque é mais cómodo ou porque por uma série de outras razões não conseguimos mostrar o nosso destino pretendido.
Afinal a vida não passa disso mesmo, uma série de viagens que temos pela frente, umas mais curtas, outras mais longas, mas não deixam de ser viagens.
Na segunda viagem preparamos-nos, olhamos para o mapa, analisamos o percurso, as estações, a meteorologia e só nos metemos a caminho quando temos a certeza de que vale a pena. E falo de viagens a dois, logo a escolha do ou da companheira de viagem é, provavelmente, o pormenor mais importante. Quem não achou que a primeira grande viagem da sua vida foi de facto "a viagem da sua vida", vai concerteza tentar fazê-la na primeira oportunidade em que lhe surja um destino que afinal era mesmo aquele onde sempre quis ir, a companhia que sempre idealizou mas não sabia que existia e o tempo até está bom para viajar e instala-se o frenezim de uma nova viagem, agora sem artigos desnecessários na bagagem, só o necessário e imprescindível para iniciar uma nova aventura acompanhados de quem vale mesmo a pena.

em repeat mode


Quinta feira jantei o melhor bife que se pode imaginar, acompanhado de caipiroskas, sevilhanas em som de fundo e a melhor companhia que posso ter.

Sábado jantei sushi, no meu restaurante de sushi preferido, acompanhado de caipiroskas e boa conversa.

[a vida é doce]

3.4.10

fio de ouro


Devo responder a 3 questões e passar a três outros blogues que considere merecedores.

1. Por que acha que mereceu este selo?

R: segundo as palavras do Pedro "Porque a Ana tem gestos maravilhosos e porque escreve bem, de forma simples, bonita e tem muita piada. [Obrigada Pedro!]

2. Na sua opinião, qual o post do seu blogue que acha merecedor de um prémio?

R: merecedor não sei, dos meus preferidos: este

3. Do blogue que me indicou, o que mais me agrada? Ele merecia o blog de ouro?

R: a sensibilidade das palavras.

E passo este prémio a.....

como não podia deixar de ser os eleitos do costume:

100Nada Porque mal a Cat posta eu estou lá e porque tenho muitas saudades de posts nos semáforos vermelhos.

Caixa de Costura Porque o André tem o Blog onde faço mais copy paste de posts e envio por email para partilhar as gargalhadas que me provocam.

Dias de uma princesa Porque é o blog da minha princesa. Porque os posts do G. são deliciosos.

ainda com muitas em atraso

Se há coisa de que gosto mesmo é dormir e uma sesta vale-me por noites inteiras. Hoje dormi desde as 6 e tal da tarde e só acordei às 10 da noite, renovada.

1.4.10

contagens

da última lavagem da máquina da roupa tirei:

- 2 jogos da psp
- 1 jogo nintendo

31.3.10

a minha princesa

"Eu tenho uma princesa. Verdade. Sem familiares reais, nem títulos de nobreza.
Eu tenho uma princesa. Porque tu me disseste"
: É muito importante ter-te na minha vida.

Antes de conhecer a minha princesa, eu já a conhecia, faltava-me uma voz, um cheiro, um conhecer de toque. A minha princesa é doce.
É um enorme orgulho, para mim, tê-la como amiga e ser sua amiga. Ela sabe, eu digo-lho muitas vezes, de muitas maneiras e ela diz-mo a mim. Nas confidências que fazemos ao telefone, nas conversas à mesa, nos abraços que trocamos, na cumplicidade que temos, nas sms "gosto muito de ti", só porque sim.
A minha princesa, que tem uma adolescente dentro dela é mulher, é mãe e é a melhor amiga que se pode ter.
A minha princesa não gosta do mês de Março que é o mês de que mais gosto e Março acaba hoje.

doce

Chegar à cama e ver o A. deitado na minha cama com o seu pateta bebé e a sua fraldinha. Deitar-me, senti-lo enroscar-se em mim.
Adormeci agarrada a ele e a sentir o cheiro a papa.

30.3.10

lembrete [porque há sempre um por perto]



"Nunca discutas com um idiota, pois ele arrasta-te até ao nível dele e ainda te ganha aos pontos."

[autor desconhecido]



29.3.10

mimos

declaração

foto: Olhares

factos comprovados

sobre o [mau] funcionamento da minha vesícula:

- dá-se mal com gorduras e doces
- o molho do H3 não lhe agrada, o de bifes Portugália ou Lusitana é uma desgraça
- vinho tinto nem vê-lo [do branco não gosto]


a boa notícia acabadinha de comprovar no fim de semana é que a dita não tem nada contra vodka, açúcar e limas.

o meu agradecimento à Sony

Que não deu resposta à Worten em tempo útil [31 dias] o que fez com que o príncipe mais velho tivesse direito a uma PSP novinha em folha e eu ao reembolso da diferença de preço.

facelift

A casa é praticamente nova, a quinta dá uma trabalheira do caraças [tem muitas árvores e animaizinhos para mudar de sítio], o meu carro está arrumadinho e não dá jeito mudar de cor e a arrecadação é demasiado pequena para estas avarias, mas a verdade é que me apetece mudar algo, tenho a criatividade a borbulhar. Olho para o fios... hum... já ia um faceliftzinho... Depois vem o raispartadogrilo buzinar-me que ofioséassimeperdeidentidadeedepoisnãoconseguesescreverporquenãoéomesmoetaletal.

Para já escapa, vou entreter-me com o armário do escritório e logo, quiçá, uns armários lá de casa, pode ser que me passe o frenezim.

cavalinho à chuva

O T. sempre foi amigo de dormir, o A. nem por isso, descobriu o prazer do sono no último ano. Acorda cedo, mas muda-se para a minha cama e dorme, com ou sem a minha presença, até o acordar.
Quando o A. era bebé fartei-me de praguejar porque estava [e bem] habituada a um bebé dorminhoco.
Hoje de manhã, ao ver o irmão enroscado na minha cama como se fosse uma minhoca a tentar resistir à minha investida de beijos para o acordar, o T. começou a divagar:
- Mamã, o A. é um dorminhoco. Olha para ele, nem quer acordar.
- Pois é, é a minhoca dorminhoca.
- Mamã, lembras-te quando ele era bebezinho e não gostava de dormir e acordava sempre cedo?
- Lembro, claro que me lembro.
- Mamããã... [o mamã arrastado é o tom de pedido lamuriento]
- Sim, T.
- Agora que o A. já é dorminhoco podias ter outro bebé.
- Não, não podia.
- Porquê?
- Porque em primeiro lugar não quero ter outro bebé e em segundo porque agora que o teu irmão dorme não preciso arranjar outro que me estrague as manhãs, não te parece?
- Oh, mamããã... mas já pensaste se o próximo gosta de dormir? Olha... eu gostava, o A. não gosta, o próximo tem de gostar e a seguir não tinhas mais bebés.
- Vai sonhando, vai.

[De repente tive a sensação que o T. me vê como fábrica de irmãos, o que não é bonito.]

26.3.10

beba leite [post dedicado]

[Jennifer Aniston roubada daqui]

petit chef

O T. sempre teve uma atracção pela cozinha. Por volta dos 2/3 anos enfiava-se na cozinha comigo e arrumava a loiça da máquina que conseguia chegar aos armários, a outra deixava em cima da bancada para eu arrumar e os talheres estavam interditos. Aos 4 anos estava sempre a perguntar-me se podia partir os ovos, mexer o tacho, qualquer coisa que pudesse ser ele a fazer, com o passar do tempo e aparecimento de novos entretenimentos e tpc's para fazer foi-se afastando da cozinha. Sabe preparar o leite para ele e para o irmão e atacar a caixa das bolachas não tem segredos para ele. Mas a verdade é que ele gosta de cozinha e pergunta-me muitas vezes se pode fazer alguma coisa para ajudar, geralmente "corro" com ele, é mais rápido se ele não estiver a atrapalhar, mas também é muito pouco pedagógico, por isso a partir de agora vou promovê-lo a ajudante e as refeições cozinhadas lá em casa passarão a ser feitas a quatro mãos.
Eu, que sou uma fervorosa adepta da independência só o posso ensinar e incentivar a que aprenda mais umas coisinhas e, quiçá, se não é na cozinha que descobre a sua verdadeira vocação?

[Claro que o aparecimento de um filme como o Ratatui, só veio apimentar ainda mais a vontade dele se entregar aos tachos]

24.3.10

da estupidez masculina

Há homens que são parvos, pronto! Nem tenho adjectivos originais.
Não estou a generalizar e muito menos a atacar o género, felizmente conheço poucos destes.
Mas são parvos, quer na forma como abordam as mulheres, quer na forma como se referem às mulheres quando falam com outros homens. Tentado fazer graçolas parvas a única coisa que conseguem é fazer figura de estúpidos. Não fosse a vontade de lhes atirar com a primeira coisa aguçada à cabeça e seriam dignos que sentisse vergonha alheia, mas nem isso. O mais triste é que a estupidez é tanta que mesmo que se gravasse a figura triste que fazem e os obrigasse a ver ainda achavam que tinham graça. Não têm, nem aos olhos das mulheres nem aos olhos dos pares imunes da tal estupidez, graças a Deus.

22.3.10

[faz-me falta]

Não me consigo lembrar do seu cheiro, nem do som da sua voz, lembro-me das mãos, grandes, de dedos longos, já pele e osso de veias salientes. Lembro-me da sua ainda farta cabeleira branca, da barba de três dias grisalha, muito grisalha, das bochechas muito encovadas, do olhar sofredor. Lembro-me do frasco de morfina que a minha mãe e a minha avó guardaram longe do meu alcance [na última prateleira da despensa, o meu esconderijo favorito]. Lembro-me de atravessar 11 metros de corredor com o seu metro e oitenta de corpo morto apoiado em mim [como pesava], lembro-me de o ajudar a levantar do sofá, colocava uma perna no meio das dele, com cuidado colocava as mãos por baixo dos seus braços e fazia força para o ajudar a levantar, eu tinha 10 anos.
Lembro-me dos dias que passou na cama, de já nem se poder levantar, de eu já não poder jogar à bisca do nove porque a falta de forças não lhe permitia sequer segurar nas cartas. Lembro-me de o ver definhar dentro de um corpo que não era o dele [tão alto, tão vigoroso, tão forte, tão Senhor], transformado num resto de alguém pelo maldito cancro que o consumiu.
Lembro-me da impotência que sempre senti ao olhar para ele, de fazer força para não ter pena, ele não teria gostado de saber que eu tinha pena, mas tinha, não dele, mas de mim, por o ver assim e não poder fazer nada.
Lembro-me da manhã em que morreu, lembro-me exactamente de cada segundo, de cada palavra que me disseram, de cada palavra que disse. Lembro-me que chorei, chorei muito, lembro-me de estar agarrada a ele, abraçada a ele, lembro-me que chorei por ele e chorei por mim.
Só não me lembro do seu cheiro, nem da sua voz. E, às vezes faz-me falta conseguir recordar a sua voz e o seu cheiro.

21.3.10

no mínimo, relaxante

Passo a vida a correr de um lado para o outro, horas e minutos contados para tudo, afazeres e coisinhas que quando adio é porque surgiram outras.Ter um fim de semana de mapling, sem horas, sem compromissos, com filmes a sucederem-se uns aos outros. No mínimo, era mesmo o que eu estava a precisar.

20.3.10

what not to watch on tv


Durante muito tempo "papei" tudo o que era episódios de fashion style, em primeiro lugar porque há sempre qualquer coisa a aprender, em segundo e muito menos importante, porque não havia mais nada para ver nas tardes que tive de passar em casa à espera que o rebento quisesse nascer.
Vi a versão inglesa. Achei muito boa, com conselhos muito sábios de duas mulheres que percebem do assunto e que conseguem dar dicas fantásticas para corpos complicados.
Vi a versão americana. Homem e mulher, experts no assunto do estilo, além de conseguirem fazer um programa divertido tinham um sentido de estilo muito bom. As dicas também eram boas.
Hoje e, já não é a primeira vez, vi um episódio da versão-imitação-portuguesa. Pamordeus! Quem se coloca de livre e expontânea vontade nas mãos dum tipo armado em estiloso sem qualquer sentido de estilo para si próprio, quanto mais para os outros. O programa é fraquinho, fraquinho, o resultado da suposta "transformação" fica muito aquém do esperado, dicas e conselhos, nem vê-los. Nas versões estrangeiras as "cobaias" eram inscritas por amigos ou familiares, aqui são os próprios. Quer na britânica, quer na americana as pessoas eram expostas ao ridículo sendo filmadas por câmaras ocultas e mais tarde, já em estúdio, vestindo a sua própria roupa, para que os apresentadores lhes dissessem o quão mal lhes ficava ou era desadequado.
Havia a parte do rídiculo, claro que sim, mas o resultado era sempre melhor do que o ponto de partida, algo que é completamente invertido na versão portuguesa. Venham por favor as versões estrangeiras que se aprende muito mais, sim?

19.3.10

espanta espíritos

[Adoro o som. Saudades de ter varanda]

das palhaçadas

[conversa entre os dois no carro]

A. - Xou palhaxinho do chapitô!
T. - Mamã... o que é o chapitô?
A. - É a escola dos palhaxos.

16.3.10

na rua do monopoly

Eu gostava de viver na rua do monopoly. Eu gostava de viver na casa da esquina, voltada a sul para ter sol todo o dia a entrar pelas janelas, no terceiro andar, para que as copas das árvores não me fizessem sombra. Eu gostava de viver na casa que tem o chão em madeira de tábua corrida e uma cozinha de 60m2 para caberem lá todos os meus amigos enquanto faço experiências de novos pratos do Oliver ou da Nigela sem ter de correr com metade para a sala. Eu gostava de decorar uma casa antiga e viver nela.

Gosto da cidade nos dias de semana, o rebuliço, o misto de calma e agitação a meio da manhã, a saída dos empregos para ir almoçar, os restaurantes cheios, os bancos de jardim. Gosto da sensação de bairro no meio da cidade. As lojas, as mercearias, o mercado, as pessoas.

Gostava de viver na rua do monopoly como gostava de poder sentar-me num banco de jardim no meio da cidade numa hora de almoço de um dia de sol e sem relógio.


foto: olhares

e hoje...

foto: olhares
...está um dia lindo!