Não é fácil escolher caminhos, menos ainda percorre-los, existem obstáculos, peões a atrapalhar, camiões à frente que não nos deixam vislumbrar o horizonte na vã tentativa de encontrar uma placa com o nome do destino a aproximar-se, quando afinal, muitas vezes andamos às voltas, perdidos.
14.4.10
ciclos
E quando se julga estar a fazer o certo, que a estrada é a que nos leva ao sítio onde gostaríamos de estar, surgem encruzilhadas que baralham tudo.
Amar um Ser é Matar Todos os Outros
Não há uma coisa que se faça por um ser (que se faça verdadeiramente) que não negue um outro. E quando não nos podemos resignar a negar os seres, há uma lei que nos esteriliza para sempre. De certo modo, amar um ser é matar todos os outros.
Albert Camus, in 'Cadernos'
Albert Camus, in 'Cadernos'
13.4.10
um...dois...três... estou doida!
Entro no carro, ligo o rádio. Comercial, músiquinha da treta. Mudo de estação. RFM, a mesma musiquinha da treta uns segundos à frente. Mudo de estação. Capital, - não pode ser! A mesma?
Volto para trás uma a uma. Ou estou doida ou estou mesmo a ouvir a mesma música em três estações diferentes. Não tentei as outras memórias porque alguém [engraçadinho] me memorizou a Rádio Miramar nos restantes e eu ainda não tive pachorra para mudar.
Final da história: Frank Sinatra em CD. Muito melhor.
Volto para trás uma a uma. Ou estou doida ou estou mesmo a ouvir a mesma música em três estações diferentes. Não tentei as outras memórias porque alguém [engraçadinho] me memorizou a Rádio Miramar nos restantes e eu ainda não tive pachorra para mudar.
Final da história: Frank Sinatra em CD. Muito melhor.
12.4.10
voyeurismos
Já tive como passatempo observar os cestos e carros de supermercado enquanto esperava na fila para pagar, como se o seu interior desvendasse algo sobre as pessoas. Deixei-me disso, é raro ir ao supermercado e quando vou tenho outros dois entreténs que não me permitem deixar que a minha imaginação deambule durante muito tempo. Mas quando temos uma mania e deixamos de ter oportunidade de a alimentar arranja-se substitutos e a janela da minha cozinha faz as delícias de qualquer voyeur que se preze. Ainda não percebi se as pessoas que vivem no prédio da frente possuem uma descontracção fora do normal e, casualmente foram todas viver para o mesmo prédio, se vivem na ilusão que os vidros escurecidos, que durante o dia lhes preservam a intimidade, funcionam durante a noite com as luzes acesas. Nada mais errado, vê-se de tudo e, quando eu digo de tudo, é de tudo mesmo.
Se ao olhar para um cesto de supermercado se tentam desvendar vidas, imaginem através de uma janela paradentro de casa as vidas que se desvendam.
e eu com ar muito parvo a ouvir isto
[Eu a apoderar-me da televisão da sala]
T.: - Déde, anda, vamos para o quarto.
A.: - Não tá a dar...
T.: - Tá, tá!
A.: - Não tá. Vai uma apossta?
[três anos e já aposta? Aos 6 está no casino, não?]
e antes que comecem com devaneios
Não, não estou a pensar noutro bebé, já estou tão bem servida que até me posso gabar de dizer que tenho um que vai ser sempre o meu bebé.
[Sim, há-de ter 40 anos, barba e cabelos brancos e será sempre o meu bebé, o meu desenho animado!]
memórias de um útero
Há 4 anos atrás também eu estava às voltas com a panóplia de acessórios e detalhes que fazem falta a uma quase-mãe-de-criancinha-cá-fora. Se há 4 anos já era marinheira de segunda viagem, há 8, também nesta altura, era de primeira e tinha lido todas as Pais & Filhos e afins desde que pensei em engravidar, também uns anos antes me tinham passado muito perto 3 bebés, por isso, não é que não houvessem segredos por desvendar ou dicas por descobrir, porque essas há sempre, mas a coisa estava desmistificada. Se achava que tinha um sentido prático aguçado, no meu primeiro filho tive o teste de fogo. Talvez porque nunca gostei de brincar com bonecas, nunca tive aquela coisa do enxoval cheio de trapinhos sóporquesãoamorososeomeufilhopareceumboneco. Os bebés crescem a olhos vistos e o que serve hoje amanhã já não dá e, odeio, meu Deus se odeio, pegar num bebé e não perceber onde acaba a roupa e começa o próprio do bebé, por isso sempre tive a roupa à conta, mas para o tamanho da altura e não para durar até começar a andar. A roupa dos meus filhos sempre teve de ser para facilitar e não para complicar, vestidos sim e sobretudo, confortáveis e sem ter de lhes dar muitas voltas, porque quem já teve bebés sabe bem que depois de comer, vem a fralda e depois da fralda se houver muitas voltas raramente nos livramos da bela bolsadela, por muito bem que tenham arrotado. E isto tudo para dizer que sim que o meu útero também não se esqueceu e que a conversa de dicas que tive hoje com a Mary teve sabor de nostalgia. Talvez porque à 8 anos por esta altura andava às voltas com o mesmo tema e, porque há 4 voltava ao mesmo, o meu útero cérebro ande para aqui num misto de saudade e de alívio em que, sem sombra de dúvida, ganha a saudade loucura.
podia repetir todos os dias
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
[se não o fizesse já]
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
[se não o fizesse já]
recadinho
Caro S. Pedro,
lá por casa já se fez a mudança de colecção. A roupinha de inverno está toda devidamente escondida do meu campo de visão. As botas ainda resistem nos meus pés, mas as sandálias já estão à mão de semear. Deixe-se lá, por isso, de invenções e estabilize de uma vez por todas as temperaturas e o céu azul, sim?
Agradecida
lá por casa já se fez a mudança de colecção. A roupinha de inverno está toda devidamente escondida do meu campo de visão. As botas ainda resistem nos meus pés, mas as sandálias já estão à mão de semear. Deixe-se lá, por isso, de invenções e estabilize de uma vez por todas as temperaturas e o céu azul, sim?
Agradecida
11.4.10
9.4.10
a minha memória
Ao contrário do que [tantas] vezes gostaria, a memória não me atraiçoa, sobressalta-me.
tic tac
Será que a tarde não acaba?
Preciso de parar de olhar para o relógio, melhor, não ter relógio.
Sair daqui a correr sem ter onde ir. Sem obrigações.
Apetece-me aproveitar os dias, apanhar sol, dormir, ver um bom filme, ouvir as gargalhadas que vêm do quarto deles.
Pairar, apetece-me pairar sobre os dias e deixar que tudo ande à minha volta, mas devagarinho.
Preciso de parar de olhar para o relógio, melhor, não ter relógio.
Sair daqui a correr sem ter onde ir. Sem obrigações.
Apetece-me aproveitar os dias, apanhar sol, dormir, ver um bom filme, ouvir as gargalhadas que vêm do quarto deles.
Pairar, apetece-me pairar sobre os dias e deixar que tudo ande à minha volta, mas devagarinho.
lógica
e se hoje é sexta-feira, mais logo ao final da tarde é fim de semana e vai estar sol e tudo, vai ser excelente.
8.4.10
mãe má!
"Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:
- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?
- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).
- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.
Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:
- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.
- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.
- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.
- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.
- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.
- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.
- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.
- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.
- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram."
(Dr. Carlos Hecktheuer - Psiquiatra)
- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?
- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.
- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).
- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.
Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:
- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.
- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.
- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.
- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.
- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.
- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.
- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.
- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.
- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram."
(Dr. Carlos Hecktheuer - Psiquiatra)
que se parta a loiça toda
A sério que acho giro aquelas pessoas que têm serviços vista alegre e copos de cristal e faqueiros em prata e toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, tudo encafoadinho no louceiro à espera "daquele" jantar ou almoço que justifique ter a trabalheira de tirar de lá tudo e pôr a mesa a preceito com a jarra de flores, também de cristal com um lindo ramo no centro da mesa. São rituais que se herdaram de outros tempos, de outras mentalidade, de uma outra sociedade em que nada era descartável e em que o enxoval acumulado antes do casamento iria durar o resto da vida [assim como o próprio do casamento]. E não, não tenho nada contra o ter serviços da Vista alegre, ou copos de cristal ou faqueiros de prata e muito menos toalhas bordadas com guardanapos a fazerem pandan, o que eu acho mesmo mal é a parte do encafoadinho no louceiro [já para não falar na parte do louceiro, mas isso são gostos e não se discutem]. Lá em casa os pratos são Ikea, servem todos os dias quer haja visitas ou não. Os copos de vinho são da Marinha Grande [do tempo em que os copos do Depósito da Marinha Grande eram ainda mais caros do que são agora] e servem quer seja dia de festa quer me apeteça beber um copo de vinho sozinha. Lá em casa come-se com talheres de peixe quer haja convidados ou não. Já os talheres de prata, isso não entra lá em casa, porque na minha mesa ou na minha cozinha só entram coisas que possam ser lavadas na máquina, que é para isso que ela serve, já me basta a saladeira que achei tão gira tão gira, que comprei e depois descobri que não só não pode ir à máquina como não pode conter alimentos quentes, saladas só frias, portanto. As toalhas bordadas, lamentavelmente ficaram pelo caminho num azar há uns anos atrás, mas felizmente ainda sobreviveu uma cuidadosamente bordada pela minha avó, os guardanapos é que não sei o que lhe fizeram, mas para todos os efeitos é tão usada como qualquer uma das outras sem bordados.
E sim, o que acho mesmo giro é guardarem-se coisas "especiais" para "momentos especiais" [não se vá partir o cristal ou entornar qualquer coisa em cima da toalha] quando o mais importante é tornar especial o que existe à nossa volta e usufruir porque o bom, para mim, não serve para mostrar aos outros, serve acima de tudo para mim e se serve para mim serve para quem se senta à minha mesa.
E sim, o que acho mesmo giro é guardarem-se coisas "especiais" para "momentos especiais" [não se vá partir o cristal ou entornar qualquer coisa em cima da toalha] quando o mais importante é tornar especial o que existe à nossa volta e usufruir porque o bom, para mim, não serve para mostrar aos outros, serve acima de tudo para mim e se serve para mim serve para quem se senta à minha mesa.
é que já mete pena
Eu às vezes [e é só às vezes porque de facto tenho mais com que ocupar os meus neurónios], pergunto-me se certas pessoas têm noção.
Só isso: se têm noção.
-E noção de quê? Poderiam perguntar.
E eu responderia: - De tudo.
Porque é de tudo mesmo, porque não dão uma para a caixa. E é tão triste ver certas figurinhas que, quer se goste ou não das pessoas, fica-se assim com aquele sentimento de vergonha alheia.
Custa-me perceber como é que as pessoas não param, por um minuto que seja [horas, vá, ou mesmo dias] e pensem na tristeza que é viver assim. Em que não produzem nada de bom, em que deixam que tudo lhes passe ao lado, em que todos os dias se enterram um pouco mais no lamaçal que criaram nas suas vidas. E depois dizem e fazem uma coisa num dia e no dia seguinte já é tudo ao contrário. E o discurso começa a ser desconexo, não das acções porque esse sempre foi, mas desconexo entre si, no espaço temporal ou no espaço entre estados de espírito.
Vá lá... haja coerência, definição, pudor, qualquer coisinha do género [vergonha na cara?], porque não havendo fica à volta a imagem de falta de personalidade ou, pior, de desequilibro mental e, convenhamos, ninguém quer ser visto assim.
Assumam-se, porra, ou é ou não é!
Só isso: se têm noção.
-E noção de quê? Poderiam perguntar.
E eu responderia: - De tudo.
Porque é de tudo mesmo, porque não dão uma para a caixa. E é tão triste ver certas figurinhas que, quer se goste ou não das pessoas, fica-se assim com aquele sentimento de vergonha alheia.
Custa-me perceber como é que as pessoas não param, por um minuto que seja [horas, vá, ou mesmo dias] e pensem na tristeza que é viver assim. Em que não produzem nada de bom, em que deixam que tudo lhes passe ao lado, em que todos os dias se enterram um pouco mais no lamaçal que criaram nas suas vidas. E depois dizem e fazem uma coisa num dia e no dia seguinte já é tudo ao contrário. E o discurso começa a ser desconexo, não das acções porque esse sempre foi, mas desconexo entre si, no espaço temporal ou no espaço entre estados de espírito.
Vá lá... haja coerência, definição, pudor, qualquer coisinha do género [vergonha na cara?], porque não havendo fica à volta a imagem de falta de personalidade ou, pior, de desequilibro mental e, convenhamos, ninguém quer ser visto assim.
Assumam-se, porra, ou é ou não é!
[suspiro]
Há dias assim.
Não sei se é por estar sol, se é por hoje ser 5º feira, se é por ter dormido bem, se é por ter acordado bem, se por estar quase de férias.
Não sei porque é.
E não querendo testar a Divina Providência, arrisco dizer que hoje é difícil chatearem-me e, acreditem, que já fui posta à prova.
Não sei se é por estar sol, se é por hoje ser 5º feira, se é por ter dormido bem, se é por ter acordado bem, se por estar quase de férias.
Não sei porque é.
E não querendo testar a Divina Providência, arrisco dizer que hoje é difícil chatearem-me e, acreditem, que já fui posta à prova.
7.4.10
provavelmente
está na hora de tirar da gaveta um certo e determinado projecto que atirei para o fundo de uma das tantas que tenho em casa.
A ver, a ver. Mas que me apetece, apetece e eu não gosto de me contrariar.
A ver, a ver. Mas que me apetece, apetece e eu não gosto de me contrariar.
obrigada, mas não era bem isso
Eu não preciso de um serviço de baby-sitting especializado, não preciso de ganhar mais dinheiro para poder ter alguém que me vá buscar os meus filhos à escola, ou pagar a uma empregada que me arrume e limpe a casa e ainda faça o jantar e dê banho aos miúdos e os ajude a fazer os trabalhos de casa e os meta na cama. Não, não é nada disto que preciso e, todo o dinheiro que possa ganhar a mais não é para ser gasto desta forma.
O que eu preciso mesmo é de ter tempo para ser mãe, mais mãe ainda. Sim, dá-me jeito ganhar mais para fazer face aos sobressaltos, para pagar a natação, a capoeira, o futebol, os dvds, os jogos, os livros, as camas novas porque já não cabem nas antigas, pagar a conta da EDP porque o aquecedor ficou ligado toda a noite porque estava um frio de rachar, para encher o depósito de gasolina e andarmos a passear, para não ter de me preocupar com as contas.
O meu papel de mãe não está à venda. Eu não quero poder trabalhar mais horas, eu quero é poder ser mãe mais horas. Quero poder, nem que seja só quando o rei faz anos, ir buscar os meus filhos a meio da tarde, só porque sim e, acabarmos o dia no parque ou na praia ou no cinema. Quero poder ir todos os dias à capoeira, ao futebol, à natação ou ao piano, quero lá estar, a ver, a incentivar ou mesmo a "secar". Quero poder chegar a casa e demorar uma hora e meia a fazer um jantar que é comido em 15 minutos. Quero poder sentar-me com ele a fazer os trabalhos de casa ou a ver um filme antes do jantar. Quero poder ficar sentada na tampa da sanita a conversar enquanto ele toma banho. Quero continuar a ser eu a deitá-los, quero dar o beijo de boa noite com eles ainda acordados. Quero ser eu a enchê-los de beijos ao acordar e se tiver de os stressar de vez em quando para não me atrasarem, seja, mas o meu papel de mãe não se troca e não há dinheiro que me pague para eu abdicar do pouco que consigo.
Eu não preciso de muito para ser feliz, é um facto, mas com mais tempo eu seria muito mas muito mais feliz.
O que eu preciso mesmo é de ter tempo para ser mãe, mais mãe ainda. Sim, dá-me jeito ganhar mais para fazer face aos sobressaltos, para pagar a natação, a capoeira, o futebol, os dvds, os jogos, os livros, as camas novas porque já não cabem nas antigas, pagar a conta da EDP porque o aquecedor ficou ligado toda a noite porque estava um frio de rachar, para encher o depósito de gasolina e andarmos a passear, para não ter de me preocupar com as contas.
O meu papel de mãe não está à venda. Eu não quero poder trabalhar mais horas, eu quero é poder ser mãe mais horas. Quero poder, nem que seja só quando o rei faz anos, ir buscar os meus filhos a meio da tarde, só porque sim e, acabarmos o dia no parque ou na praia ou no cinema. Quero poder ir todos os dias à capoeira, ao futebol, à natação ou ao piano, quero lá estar, a ver, a incentivar ou mesmo a "secar". Quero poder chegar a casa e demorar uma hora e meia a fazer um jantar que é comido em 15 minutos. Quero poder sentar-me com ele a fazer os trabalhos de casa ou a ver um filme antes do jantar. Quero poder ficar sentada na tampa da sanita a conversar enquanto ele toma banho. Quero continuar a ser eu a deitá-los, quero dar o beijo de boa noite com eles ainda acordados. Quero ser eu a enchê-los de beijos ao acordar e se tiver de os stressar de vez em quando para não me atrasarem, seja, mas o meu papel de mãe não se troca e não há dinheiro que me pague para eu abdicar do pouco que consigo.
Eu não preciso de muito para ser feliz, é um facto, mas com mais tempo eu seria muito mas muito mais feliz.
6.4.10
a vida é demasiado curta para perdermos tempo a entediarmo-nos
Descobri aqui esta pérola de Inês Pedrosa
[não podia concordar mais...]
[não podia concordar mais...]
5.4.10
5 sentidos
Apetece-me ter a casa a cheirar a doce.
Desde ontem que ando a pensar no mesmo, mas faltavam-me ingredientes.
Quando chegar a casa vou fazer pão e um bolo.
Sol e doce
Depois de um fim de semana maravilhoso está um dia lindo, já falta pouco para ir de férias e só me ocorre dizer: Sou tão feliz!


Foto: Olhares
4.4.10
Viagens [ou como a vida pode ser doce]
Uma das grandes vantagens de um divórcio são, sem sombra de dúvida, os recomeços. Permitem-nos renascer, renovar, recriar e sobretudo reencontrarmos-nos.
Na primeira viagem cometem-se erros, atiramos-nos de cabeça só porque sim, porque é normal, porque é o que temos como certo que se deve fazer, assim a modos que um inter-rail de mochila às costas e logo se vê onde nos leva. [Nem sempre é onde queríamos ir]. Depois de uma longa viagem cheia de bagagem pesada, em que um carrega mais do que o outro, com destinos mal estudados em que nos deixamos ir só porque é mais cómodo ou porque por uma série de outras razões não conseguimos mostrar o nosso destino pretendido.
Afinal a vida não passa disso mesmo, uma série de viagens que temos pela frente, umas mais curtas, outras mais longas, mas não deixam de ser viagens.
Na segunda viagem preparamos-nos, olhamos para o mapa, analisamos o percurso, as estações, a meteorologia e só nos metemos a caminho quando temos a certeza de que vale a pena. E falo de viagens a dois, logo a escolha do ou da companheira de viagem é, provavelmente, o pormenor mais importante. Quem não achou que a primeira grande viagem da sua vida foi de facto "a viagem da sua vida", vai concerteza tentar fazê-la na primeira oportunidade em que lhe surja um destino que afinal era mesmo aquele onde sempre quis ir, a companhia que sempre idealizou mas não sabia que existia e o tempo até está bom para viajar e instala-se o frenezim de uma nova viagem, agora sem artigos desnecessários na bagagem, só o necessário e imprescindível para iniciar uma nova aventura acompanhados de quem vale mesmo a pena.
em repeat mode
3.4.10
fio de ouro

Devo responder a 3 questões e passar a três outros blogues que considere merecedores.
1. Por que acha que mereceu este selo?
R: segundo as palavras do Pedro "Porque a Ana tem gestos maravilhosos e porque escreve bem, de forma simples, bonita e tem muita piada. [Obrigada Pedro!]
2. Na sua opinião, qual o post do seu blogue que acha merecedor de um prémio?
R: merecedor não sei, dos meus preferidos: este
3. Do blogue que me indicou, o que mais me agrada? Ele merecia o blog de ouro?
R: a sensibilidade das palavras.
E passo este prémio a.....
como não podia deixar de ser os eleitos do costume:
100Nada Porque mal a Cat posta eu estou lá e porque tenho muitas saudades de posts nos semáforos vermelhos.
Caixa de Costura Porque o André tem o Blog onde faço mais copy paste de posts e envio por email para partilhar as gargalhadas que me provocam.
Dias de uma princesa Porque é o blog da minha princesa. Porque os posts do G. são deliciosos.
ainda com muitas em atraso
Se há coisa de que gosto mesmo é dormir e uma sesta vale-me por noites inteiras. Hoje dormi desde as 6 e tal da tarde e só acordei às 10 da noite, renovada.
1.4.10
31.3.10
a minha princesa
"Eu tenho uma princesa. Verdade. Sem familiares reais, nem títulos de nobreza.
Eu tenho uma princesa. Porque tu me disseste": É muito importante ter-te na minha vida.
Antes de conhecer a minha princesa, eu já a conhecia, faltava-me uma voz, um cheiro, um conhecer de toque. A minha princesa é doce.
É um enorme orgulho, para mim, tê-la como amiga e ser sua amiga. Ela sabe, eu digo-lho muitas vezes, de muitas maneiras e ela diz-mo a mim. Nas confidências que fazemos ao telefone, nas conversas à mesa, nos abraços que trocamos, na cumplicidade que temos, nas sms "gosto muito de ti", só porque sim.
A minha princesa, que tem uma adolescente dentro dela é mulher, é mãe e é a melhor amiga que se pode ter.
A minha princesa não gosta do mês de Março que é o mês de que mais gosto e Março acaba hoje.
Eu tenho uma princesa. Porque tu me disseste": É muito importante ter-te na minha vida.
Antes de conhecer a minha princesa, eu já a conhecia, faltava-me uma voz, um cheiro, um conhecer de toque. A minha princesa é doce.
É um enorme orgulho, para mim, tê-la como amiga e ser sua amiga. Ela sabe, eu digo-lho muitas vezes, de muitas maneiras e ela diz-mo a mim. Nas confidências que fazemos ao telefone, nas conversas à mesa, nos abraços que trocamos, na cumplicidade que temos, nas sms "gosto muito de ti", só porque sim.
A minha princesa, que tem uma adolescente dentro dela é mulher, é mãe e é a melhor amiga que se pode ter.
A minha princesa não gosta do mês de Março que é o mês de que mais gosto e Março acaba hoje.
doce
Chegar à cama e ver o A. deitado na minha cama com o seu pateta bebé e a sua fraldinha. Deitar-me, senti-lo enroscar-se em mim.
Adormeci agarrada a ele e a sentir o cheiro a papa.
Adormeci agarrada a ele e a sentir o cheiro a papa.
30.3.10
lembrete [porque há sempre um por perto]
"Nunca discutas com um idiota, pois ele arrasta-te até ao nível dele e ainda te ganha aos pontos."
[autor desconhecido]
29.3.10
factos comprovados
sobre o [mau] funcionamento da minha vesícula:
- dá-se mal com gorduras e doces
- o molho do H3 não lhe agrada, o de bifes Portugália ou Lusitana é uma desgraça
- vinho tinto nem vê-lo [do branco não gosto]
a boa notícia acabadinha de comprovar no fim de semana é que a dita não tem nada contra vodka, açúcar e limas.
- dá-se mal com gorduras e doces
- o molho do H3 não lhe agrada, o de bifes Portugália ou Lusitana é uma desgraça
- vinho tinto nem vê-lo [do branco não gosto]
a boa notícia acabadinha de comprovar no fim de semana é que a dita não tem nada contra vodka, açúcar e limas.
o meu agradecimento à Sony
Que não deu resposta à Worten em tempo útil [31 dias] o que fez com que o príncipe mais velho tivesse direito a uma PSP novinha em folha e eu ao reembolso da diferença de preço.
facelift
A casa é praticamente nova, a quinta dá uma trabalheira do caraças [tem muitas árvores e animaizinhos para mudar de sítio], o meu carro está arrumadinho e não dá jeito mudar de cor e a arrecadação é demasiado pequena para estas avarias, mas a verdade é que me apetece mudar algo, tenho a criatividade a borbulhar. Olho para o fios... hum... já ia um faceliftzinho... Depois vem o raispartadogrilo buzinar-me que ofioséassimeperdeidentidadeedepoisnãoconseguesescreverporquenãoéomesmoetaletal.
Para já escapa, vou entreter-me com o armário do escritório e logo, quiçá, uns armários lá de casa, pode ser que me passe o frenezim.
Para já escapa, vou entreter-me com o armário do escritório e logo, quiçá, uns armários lá de casa, pode ser que me passe o frenezim.
cavalinho à chuva
O T. sempre foi amigo de dormir, o A. nem por isso, descobriu o prazer do sono no último ano. Acorda cedo, mas muda-se para a minha cama e dorme, com ou sem a minha presença, até o acordar.
Quando o A. era bebé fartei-me de praguejar porque estava [e bem] habituada a um bebé dorminhoco.
Hoje de manhã, ao ver o irmão enroscado na minha cama como se fosse uma minhoca a tentar resistir à minha investida de beijos para o acordar, o T. começou a divagar:
- Mamã, o A. é um dorminhoco. Olha para ele, nem quer acordar.
- Pois é, é a minhoca dorminhoca.
- Mamã, lembras-te quando ele era bebezinho e não gostava de dormir e acordava sempre cedo?
- Lembro, claro que me lembro.
- Mamããã... [o mamã arrastado é o tom de pedido lamuriento]
- Sim, T.
- Agora que o A. já é dorminhoco podias ter outro bebé.
- Não, não podia.
- Porquê?
- Porque em primeiro lugar não quero ter outro bebé e em segundo porque agora que o teu irmão dorme não preciso arranjar outro que me estrague as manhãs, não te parece?
- Oh, mamããã... mas já pensaste se o próximo gosta de dormir? Olha... eu gostava, o A. não gosta, o próximo tem de gostar e a seguir não tinhas mais bebés.
- Vai sonhando, vai.
[De repente tive a sensação que o T. me vê como fábrica de irmãos, o que não é bonito.]
Quando o A. era bebé fartei-me de praguejar porque estava [e bem] habituada a um bebé dorminhoco.
Hoje de manhã, ao ver o irmão enroscado na minha cama como se fosse uma minhoca a tentar resistir à minha investida de beijos para o acordar, o T. começou a divagar:
- Mamã, o A. é um dorminhoco. Olha para ele, nem quer acordar.
- Pois é, é a minhoca dorminhoca.
- Mamã, lembras-te quando ele era bebezinho e não gostava de dormir e acordava sempre cedo?
- Lembro, claro que me lembro.
- Mamããã... [o mamã arrastado é o tom de pedido lamuriento]
- Sim, T.
- Agora que o A. já é dorminhoco podias ter outro bebé.
- Não, não podia.
- Porquê?
- Porque em primeiro lugar não quero ter outro bebé e em segundo porque agora que o teu irmão dorme não preciso arranjar outro que me estrague as manhãs, não te parece?
- Oh, mamããã... mas já pensaste se o próximo gosta de dormir? Olha... eu gostava, o A. não gosta, o próximo tem de gostar e a seguir não tinhas mais bebés.
- Vai sonhando, vai.
[De repente tive a sensação que o T. me vê como fábrica de irmãos, o que não é bonito.]
26.3.10
petit chef
O T. sempre teve uma atracção pela cozinha. Por volta dos 2/3 anos enfiava-se na cozinha comigo e arrumava a loiça da máquina que conseguia chegar aos armários, a outra deixava em cima da bancada para eu arrumar e os talheres estavam interditos. Aos 4 anos estava sempre a perguntar-me se podia partir os ovos, mexer o tacho, qualquer coisa que pudesse ser ele a fazer, com o passar do tempo e aparecimento de novos entretenimentos e tpc's para fazer foi-se afastando da cozinha. Sabe preparar o leite para ele e para o irmão e atacar a caixa das bolachas não tem segredos para ele. Mas a verdade é que ele gosta de cozinha e pergunta-me muitas vezes se pode fazer alguma coisa para ajudar, geralmente "corro" com ele, é mais rápido se ele não estiver a atrapalhar, mas também é muito pouco pedagógico, por isso a partir de agora vou promovê-lo a ajudante e as refeições cozinhadas lá em casa passarão a ser feitas a quatro mãos.
Eu, que sou uma fervorosa adepta da independência só o posso ensinar e incentivar a que aprenda mais umas coisinhas e, quiçá, se não é na cozinha que descobre a sua verdadeira vocação?
[Claro que o aparecimento de um filme como o Ratatui, só veio apimentar ainda mais a vontade dele se entregar aos tachos]
Eu, que sou uma fervorosa adepta da independência só o posso ensinar e incentivar a que aprenda mais umas coisinhas e, quiçá, se não é na cozinha que descobre a sua verdadeira vocação?
[Claro que o aparecimento de um filme como o Ratatui, só veio apimentar ainda mais a vontade dele se entregar aos tachos]
25.3.10
24.3.10
da estupidez masculina
Há homens que são parvos, pronto! Nem tenho adjectivos originais.
Não estou a generalizar e muito menos a atacar o género, felizmente conheço poucos destes.
Mas são parvos, quer na forma como abordam as mulheres, quer na forma como se referem às mulheres quando falam com outros homens. Tentado fazer graçolas parvas a única coisa que conseguem é fazer figura de estúpidos. Não fosse a vontade de lhes atirar com a primeira coisa aguçada à cabeça e seriam dignos que sentisse vergonha alheia, mas nem isso. O mais triste é que a estupidez é tanta que mesmo que se gravasse a figura triste que fazem e os obrigasse a ver ainda achavam que tinham graça. Não têm, nem aos olhos das mulheres nem aos olhos dos pares imunes da tal estupidez, graças a Deus.
Não estou a generalizar e muito menos a atacar o género, felizmente conheço poucos destes.
Mas são parvos, quer na forma como abordam as mulheres, quer na forma como se referem às mulheres quando falam com outros homens. Tentado fazer graçolas parvas a única coisa que conseguem é fazer figura de estúpidos. Não fosse a vontade de lhes atirar com a primeira coisa aguçada à cabeça e seriam dignos que sentisse vergonha alheia, mas nem isso. O mais triste é que a estupidez é tanta que mesmo que se gravasse a figura triste que fazem e os obrigasse a ver ainda achavam que tinham graça. Não têm, nem aos olhos das mulheres nem aos olhos dos pares imunes da tal estupidez, graças a Deus.
22.3.10
[faz-me falta]
Não me consigo lembrar do seu cheiro, nem do som da sua voz, lembro-me das mãos, grandes, de dedos longos, já pele e osso de veias salientes. Lembro-me da sua ainda farta cabeleira branca, da barba de três dias grisalha, muito grisalha, das bochechas muito encovadas, do olhar sofredor. Lembro-me do frasco de morfina que a minha mãe e a minha avó guardaram longe do meu alcance [na última prateleira da despensa, o meu esconderijo favorito]. Lembro-me de atravessar 11 metros de corredor com o seu metro e oitenta de corpo morto apoiado em mim [como pesava], lembro-me de o ajudar a levantar do sofá, colocava uma perna no meio das dele, com cuidado colocava as mãos por baixo dos seus braços e fazia força para o ajudar a levantar, eu tinha 10 anos.
Lembro-me dos dias que passou na cama, de já nem se poder levantar, de eu já não poder jogar à bisca do nove porque a falta de forças não lhe permitia sequer segurar nas cartas. Lembro-me de o ver definhar dentro de um corpo que não era o dele [tão alto, tão vigoroso, tão forte, tão Senhor], transformado num resto de alguém pelo maldito cancro que o consumiu.
Lembro-me da impotência que sempre senti ao olhar para ele, de fazer força para não ter pena, ele não teria gostado de saber que eu tinha pena, mas tinha, não dele, mas de mim, por o ver assim e não poder fazer nada.
Lembro-me da manhã em que morreu, lembro-me exactamente de cada segundo, de cada palavra que me disseram, de cada palavra que disse. Lembro-me que chorei, chorei muito, lembro-me de estar agarrada a ele, abraçada a ele, lembro-me que chorei por ele e chorei por mim.
Só não me lembro do seu cheiro, nem da sua voz. E, às vezes faz-me falta conseguir recordar a sua voz e o seu cheiro.
Lembro-me dos dias que passou na cama, de já nem se poder levantar, de eu já não poder jogar à bisca do nove porque a falta de forças não lhe permitia sequer segurar nas cartas. Lembro-me de o ver definhar dentro de um corpo que não era o dele [tão alto, tão vigoroso, tão forte, tão Senhor], transformado num resto de alguém pelo maldito cancro que o consumiu.
Lembro-me da impotência que sempre senti ao olhar para ele, de fazer força para não ter pena, ele não teria gostado de saber que eu tinha pena, mas tinha, não dele, mas de mim, por o ver assim e não poder fazer nada.
Lembro-me da manhã em que morreu, lembro-me exactamente de cada segundo, de cada palavra que me disseram, de cada palavra que disse. Lembro-me que chorei, chorei muito, lembro-me de estar agarrada a ele, abraçada a ele, lembro-me que chorei por ele e chorei por mim.
Só não me lembro do seu cheiro, nem da sua voz. E, às vezes faz-me falta conseguir recordar a sua voz e o seu cheiro.
21.3.10
no mínimo, relaxante
Passo a vida a correr de um lado para o outro, horas e minutos contados para tudo, afazeres e coisinhas que quando adio é porque surgiram outras.Ter um fim de semana de mapling, sem horas, sem compromissos, com filmes a sucederem-se uns aos outros. No mínimo, era mesmo o que eu estava a precisar.
20.3.10
what not to watch on tv

Durante muito tempo "papei" tudo o que era episódios de fashion style, em primeiro lugar porque há sempre qualquer coisa a aprender, em segundo e muito menos importante, porque não havia mais nada para ver nas tardes que tive de passar em casa à espera que o rebento quisesse nascer.
Vi a versão inglesa. Achei muito boa, com conselhos muito sábios de duas mulheres que percebem do assunto e que conseguem dar dicas fantásticas para corpos complicados.
Vi a versão americana. Homem e mulher, experts no assunto do estilo, além de conseguirem fazer um programa divertido tinham um sentido de estilo muito bom. As dicas também eram boas.
Hoje e, já não é a primeira vez, vi um episódio da versão-imitação-portuguesa. Pamordeus! Quem se coloca de livre e expontânea vontade nas mãos dum tipo armado em estiloso sem qualquer sentido de estilo para si próprio, quanto mais para os outros. O programa é fraquinho, fraquinho, o resultado da suposta "transformação" fica muito aquém do esperado, dicas e conselhos, nem vê-los. Nas versões estrangeiras as "cobaias" eram inscritas por amigos ou familiares, aqui são os próprios. Quer na britânica, quer na americana as pessoas eram expostas ao ridículo sendo filmadas por câmaras ocultas e mais tarde, já em estúdio, vestindo a sua própria roupa, para que os apresentadores lhes dissessem o quão mal lhes ficava ou era desadequado.
Havia a parte do rídiculo, claro que sim, mas o resultado era sempre melhor do que o ponto de partida, algo que é completamente invertido na versão portuguesa. Venham por favor as versões estrangeiras que se aprende muito mais, sim?
19.3.10
das palhaçadas
[conversa entre os dois no carro]
A. - Xou palhaxinho do chapitô!
T. - Mamã... o que é o chapitô?
A. - É a escola dos palhaxos.
A. - Xou palhaxinho do chapitô!
T. - Mamã... o que é o chapitô?
A. - É a escola dos palhaxos.
16.3.10
na rua do monopoly
Eu gostava de viver na rua do monopoly. Eu gostava de viver na casa da esquina, voltada a sul para ter sol todo o dia a entrar pelas janelas, no terceiro andar, para que as copas das árvores não me fizessem sombra. Eu gostava de viver na casa que tem o chão em madeira de tábua corrida e uma cozinha de 60m2 para caberem lá todos os meus amigos enquanto faço experiências de novos pratos do Oliver ou da Nigela sem ter de correr com metade para a sala. Eu gostava de decorar uma casa antiga e viver nela.
Gosto da cidade nos dias de semana, o rebuliço, o misto de calma e agitação a meio da manhã, a saída dos empregos para ir almoçar, os restaurantes cheios, os bancos de jardim. Gosto da sensação de bairro no meio da cidade. As lojas, as mercearias, o mercado, as pessoas.
Gostava de viver na rua do monopoly como gostava de poder sentar-me num banco de jardim no meio da cidade numa hora de almoço de um dia de sol e sem relógio.
Gosto da cidade nos dias de semana, o rebuliço, o misto de calma e agitação a meio da manhã, a saída dos empregos para ir almoçar, os restaurantes cheios, os bancos de jardim. Gosto da sensação de bairro no meio da cidade. As lojas, as mercearias, o mercado, as pessoas.
Gostava de viver na rua do monopoly como gostava de poder sentar-me num banco de jardim no meio da cidade numa hora de almoço de um dia de sol e sem relógio.
15.3.10
e quando falta um dia para completar 3 anos e meio
Toma o primeiro duche sozinho (*)
- 'Tou quescido, tomei banho xozinho! Tu ensinaste a mim.
(*) a minha mão apenas ajudava a que o chuveiro não ganhasse vida própria.
- 'Tou quescido, tomei banho xozinho! Tu ensinaste a mim.
(*) a minha mão apenas ajudava a que o chuveiro não ganhasse vida própria.
monday
Depois do fim de semana maravilhoso, deitar-me cedo num domingo, acordar com sol... melhor só começar a semana com um pequeno almoço numa esplanada, sem pressas, sem relógio em boa companhia.
[Dias doces aquecem-me a alma e eu tenho a alma quente]
[Dias doces aquecem-me a alma e eu tenho a alma quente]
14.3.10
11.3.10
chato
10.3.10
o melhor da vida
No sofá encostado a mim enquanto faço compras no Jumbo Online:
- Isto é mesmo o melhor da vida, mamã...
- O quê T?
- Isto... estar aqui assim contigo e com o D.
[suspiro]
- Isto é mesmo o melhor da vida, mamã...
- O quê T?
- Isto... estar aqui assim contigo e com o D.
[suspiro]
9.3.10
8.3.10
a Rita explica
"O pior são os pais. Há pais verdadeiramente insuportáveis e sobre esses ninguém me perguntou nada. Logo eu, que tinha tanto para dizer… Antes de mais nada, dizer que quase todos os miúdos menos “educados” deviam apontar o dedo aos pais.
A maior parte das crianças difíceis vivem com mães e/ou pais que não sabem impor regras, que se desautorizam mutuamente, que usam as crianças como estratégias de arremesso de emoções, que querem os filhos construídos à imagem das suas expectativas, que não exigem respeito, nem autonomia, nem nada."
[subscrevo tudo o que a Rita Quintela escreveu]
A maior parte das crianças difíceis vivem com mães e/ou pais que não sabem impor regras, que se desautorizam mutuamente, que usam as crianças como estratégias de arremesso de emoções, que querem os filhos construídos à imagem das suas expectativas, que não exigem respeito, nem autonomia, nem nada."
[subscrevo tudo o que a Rita Quintela escreveu]
identidades
Das coisas mais parvas que se pode fazer quando se casa é adoptar o apelido do outro. Em primeiro lugar porque quer queiramos quer não, se ainda por cima for colocado no final do nome, perde-se alguma identidade, deixamos de ser chamados de x y e passamos a ser x z, é estranho. Vinte ou trinta anos com um nome e de repente parece que somos outro. Sentamo-nos à espera que chamem o nosso nome, ouvimos um nome parecido com o nosso e de repente realizamos que a srª do guichet já nos chamou três ou quatro vezes enquanto lhe rogávamos pragas por estar ali a repetir incessantemente um nome que afinal era o nosso. Além da fase inicial de habituação, existe uma outra, mais chata e que regra geral as pessoas não pensam, é que pode dar para o torto e quando dá para o torto é uma chatice pegada e um gasto de dinheiro fútil como tudo.
Por isso, aconselho-vos, casem-se à vontadinha, mas por amor à vossa paciência, deixem lá ficar o nome sossegado.
Por isso, aconselho-vos, casem-se à vontadinha, mas por amor à vossa paciência, deixem lá ficar o nome sossegado.
7.3.10
a ler, claro!
"Mesmo que por fora endureçam, não percam a sensibilidade! Só quem se mantém sensível à vida permanece aberto à felicidade e ao amor"

[obrigada, Mikas]

[obrigada, Mikas]
o sexo e a cidade
Não somos quatro, mas três e há semelhança da série, somos amigas e hoje jantámos juntas. Não conversamos sobre temas como política ou economia. Falamos de nós, não falamos de sexo [quase nada, vá], mas falamos de homens, dos nossos, de roupa [na versão what not to ware - calções, não, definitivamente]. Somos muito diferentes umas das outras, mas temos um entendimento invejável. Apaziguamos as dores umas das outras, mesmo quando não as entendemos. Brincamos e há até quem meta o casalinho da mesa ao lado ao barulho no meio de uma brincadeira de telemóveis dando motivo para muitas gargalhadas.
Eu que raramente bebo e quando o faço é de forma muito comedida, porque para além de já ter cometido os meus excessos numa outra vida, tenho sempre presente que vou conduzir, fiquei "entornada" na primeira caipirosca mas rapidamente cheguei à segunda, já que os empregados do Estado Líquido deviam estar a achar graça à nossa mesa e resolveram entregar o nosso pedido a outras pessoas, retendo-nos nas saikirinhas e caipiroscas, nem vou mencionar o estado em que eu estava quando finalmente a comida chegou.
E a amizade é isto mesmo, e temos conversas sérias e a seguir rimos com um disparate qualquer que manda embora a nuvem que se aproximava. E é bom, é muito bom o que sentimos nestes dias, quando cada uma regressa à sua casa, à sua vida, porque quando estamos juntas sentimos sempre vontade de repetir.
[Se eu podia viver sem a M. e sem a Princesa? Podia, mas não era a mesma coisa]
Eu que raramente bebo e quando o faço é de forma muito comedida, porque para além de já ter cometido os meus excessos numa outra vida, tenho sempre presente que vou conduzir, fiquei "entornada" na primeira caipirosca mas rapidamente cheguei à segunda, já que os empregados do Estado Líquido deviam estar a achar graça à nossa mesa e resolveram entregar o nosso pedido a outras pessoas, retendo-nos nas saikirinhas e caipiroscas, nem vou mencionar o estado em que eu estava quando finalmente a comida chegou.
E a amizade é isto mesmo, e temos conversas sérias e a seguir rimos com um disparate qualquer que manda embora a nuvem que se aproximava. E é bom, é muito bom o que sentimos nestes dias, quando cada uma regressa à sua casa, à sua vida, porque quando estamos juntas sentimos sempre vontade de repetir.
[Se eu podia viver sem a M. e sem a Princesa? Podia, mas não era a mesma coisa]
5.3.10
não é só a falta de tempo
Claro que se jogasse menos bubbles, se deixasse as vacas e as galinhas em paz e sossego, se não tivesse compras para fazer no Jumbo Online ou se não andasse a ver mil e uma coisas em que acabo por não ver nada, talvez eu conseguisse escrever qualquer coisinha. Tantas coisas na cabeça para fazer comboios de caracteres, filas e filas de comboios. Mas não é só a falta de tempo é também a auto-censura, eu escrevo sobre mim, sobre os meus filhos ou opino sobre algo que pode ter a ver comigo, com A B ou C, mas também tem a ver com milhares de pessoas por esse mundo fora ou então são dedicados a alguém e nesse caso é perfeitamente identificável [mais não seja pelo próprio]. E o que expresso aqui é apenas a minha opinião que vale o que vale e quem não lhe quiser dar valor, pode sempre dar meia volta e apagar-me dos favoritos que eu não me importo, porque também não me enfio na casa de alguém que sei que me vai dizer o que não quero ouvir [a não ser que tenha mesmo de ser, o que aqui não me parece - de todo- o caso].
Posto isto está mesmo quase a sair do draft um post dedicado [senão ainda acordo sem cabelo] e talvez este fim de semana ponha a escrita em dia porque não me parece que esteja tempo para sair de casa.
Posto isto está mesmo quase a sair do draft um post dedicado [senão ainda acordo sem cabelo] e talvez este fim de semana ponha a escrita em dia porque não me parece que esteja tempo para sair de casa.
4.3.10
2.3.10
afectos
Existem pessoas verdadeiramente queridas, doces, assim daquelas que dá vontade de guardar na caixa mais reservada dos afectos. Falo de pessoas sãs [apesar da sua loucura contagiante], boas, com bom fundo, verdadeiras. Pessoas que não conhecendo desde sempre, despertam a vontade de abrir o coração e conversar sem as reservas que tantas vezes imponho. Há pessoas com quem consigo falar de tudo, enquanto as ameijoas cozem numa frigideira e o martini vai diminuindo no copo, com quem rio e com quem falo com a lágrima a querer saltar do olho. Há pessoas verdadeiramente queridas com quem gosto de partilhar o meu tempo, que sabe sempre a pouco, que custa vir embora, que me deixa a desejar por novo encontro, porque parece-me sempre que perdi tanto tempo antes de as conhecer e de as guardar na caixa mais reservada dos afectos.
28.2.10
26.2.10
verdades
Se me fizessem determinado tipo de perguntas, se eu respondesse com a verdadinha, ninguém acreditava.
25.2.10
mais dois fãs
Ontem em vez de um Mc Donalds comeram um H3. O T. diz que lhe faz lembrar a carne que comia nas férias do Alentejo e gostou, claro. Adorou o molho, as batatas e a limonada. O A. que é o esquisitinho da família comeu a metade do hamburguer que lhe calhou e gostou.- Mamã, estes são muito melhores dos que o do McDonalds, mas de vez em quando tenho de comer um dos outros para me lembrar que estes são melhores. [T.]
24.2.10
evitar a dor
Habituei-me desde muito cedo a contar só comigo. É muito difícil andar a bater a portas e levar com portas na cara, doi. Não peço ajuda, desenrasco-me. Não me queixo, levanto-me. Não é uma questão de orgulho, é uma questão de sobrevivência, de dignidade. Não conto com os outros, perto ou longe, não conto, preciso estar a afundar-me para pôr um braço de fora a pedir socorro. Não gosto de dependências, não gosto de esperar que os outros possam/queiram/tenham disponibilidade. Quem está longe provavelmente não pode ajudar, quem está perto consegue ver e se quiser chega-se à frente. É isso que eu faço e, eu sei que não somos todos iguais e se eu me viro do avesso por alguém é um problema meu, não posso exigir que o façam por mim, não posso e não quero, talvez com medo do retorno que possa vir. Não gosto de criar expectativas, prefiro as surpresas e perante a incerteza perfiro a ignorância.
Claro que há quem não entenda este meu lado demasiado independente, mas não sei funcionar de outra forma. Acham-me desligada, orgulhosa, teimosa, cheia de mim, talvez, mas a verdade é que não sou e por vezes mordo-me toda para não esticar o braço até chegar à conclusão que tenho de o fazer senão a subida é muito mais difícil, dolorosa e qui çá as voltas e o tempo que demorarei até voltar à tona e conseguir voltar a respirar, o problema é que a dor de esticar o braço é ainda maior, porque quando estico o braço, para me verem tenho de o passar por lâminas afiadas que cortam e, nessa altura sangro.
Claro que há quem não entenda este meu lado demasiado independente, mas não sei funcionar de outra forma. Acham-me desligada, orgulhosa, teimosa, cheia de mim, talvez, mas a verdade é que não sou e por vezes mordo-me toda para não esticar o braço até chegar à conclusão que tenho de o fazer senão a subida é muito mais difícil, dolorosa e qui çá as voltas e o tempo que demorarei até voltar à tona e conseguir voltar a respirar, o problema é que a dor de esticar o braço é ainda maior, porque quando estico o braço, para me verem tenho de o passar por lâminas afiadas que cortam e, nessa altura sangro.
21.2.10
da vida
E andamos nós sempre numa correria desenfreada por coisinhas de nada, ninharias, porque o supermercado está a fechar e apetece-nos fazer não sei o quê para o jantar ou, comprar apenas uma tablete de chocolate. Chateamo-nos porque deixamos que pessoas e coisas sem importância vital nos tire o sono, em vez de dormirmos descansados porque no dia seguinte afinal aquele drama já não passa de uma tragiocomédia e perdemos mais não sei quantas horas de sono, inutilmente, estupidamente. E nem o facto de saber que tenho a despensa cheia de pacotes de leite e enlatados, que a caixa de primeiros socorros está devidamente apetrechada, que as minhas lanternas têm pilhas, me deixam descansada quando sou acordada do sonho mais ou menos cor-de-rosa que é a minha vida, pelas imagens de tragédia que num ápice podem assolar qualquer um em vez de nos entrarem pela porta da sala para o mundo e, sentir o quão frágil é esta bolha que envolve a minha vida e a dos meus filhos e de todos os que me são queridos e, que num abrir e fechar de olhos para quem vê de fora e numa eternidade agonizadora para quem a vive ao vivo, tudo pode desmoronar. Como se não bastasse o filme de horror que se vive depois, depois ainda se tem de reconstruir ao mesmo tempo que se aplaca a dor, porque desaparecer não desaparece.
Tão frágeis que somos e, mais ainda, quando vivemos cheios de tudo com uma segurança que impomos a nós próprios tão longe da segurança que realmente precisamos.
Tão frágeis que somos e, mais ainda, quando vivemos cheios de tudo com uma segurança que impomos a nós próprios tão longe da segurança que realmente precisamos.
20.2.10
19.2.10
17.2.10
turnos
Primeiro foi o mais velho, andava a modos que insuportável de parvo. "Típico da idade", dizem uns, "típico dos rapazes" dizem outros, "típico de má educação", digo eu! Lavagens cerebrais acompanhadas de castigos e alguns estalos que ficaram só na vontade [que horror, eu sei, mas a má criação era mais que muita e dá-me freniquitins a cada resposta torta]. Durante esse período, nalguns dias o mais novo também se transcendia, mas ainda assim parecia um anjinho ao pé do irmão. Como sou uma mãe chatacomócaraçasperitaemchantagememocionalelavagenscerebrais a coisa passou, passou de tal maneira que de repente tenho o mais velho a "condenar" atitudes do mais novo. Mas não se julgue que a paz se instalou aqui no palácio, não, claro que não, era bom demais. Tenho uma criança que de repente se transformou em cachorro, se não estivesse tanto frio acho que o ia passear à rua. Não é que o A. para não parar de jogar nintendo, ou psp, ou ps2 ou o raio que o parta faz chichi onde estiver? Ainda hoje, quando lhe ia vestir o pijama, dei com ele sentado muito sossegado na beira da cama de nintendo a mão, ao lado uma poça de chichi. Tão bom. Relembrei rapidamente os velhos tempos de ter um cachorro em casa. Resultado, balde e esfregona, um raspanete de todo o tamanho, castigo que não toca mais em jogos enquanto tiver deslizes [sim, eu sei, os deslizes são por causa do jogo por isso se não houver jogo não há deslizes] por isso vai amargar durante o resto da semana sem aparelhómetros de jogatana. Desata numa gritaria desgraçada quando se apercebe do castigo, sim porque o raspanete só fere o ego, mais castigo que hoje não há história para ninguém por causa da gritaria e tudo enfiado na cama num abrir e fechar de olhos.
Hoje pela primeira vez não se voltou a levantar depois de os deitar, não fosse eu cumprir a ameaça de acabar com a música para adormecer.
Hoje pela primeira vez não se voltou a levantar depois de os deitar, não fosse eu cumprir a ameaça de acabar com a música para adormecer.
15.2.10
já nem em casa me safo
a propósito do frio
já bebi mais chá hoje do que num ano inteiro.
[não gosto de chá, mas está frio cumó raio e não dá jeito trabalhar de saquinho de água quente]
[não gosto de chá, mas está frio cumó raio e não dá jeito trabalhar de saquinho de água quente]
14.2.10
se pudesse ser diferente
Hoje seria um bom dia [este ou outro]. Seria um dia lembrado com alegria, como o início de algo, em vez disso é um dia lembrado com tristeza por ter sido o final de algo que mal se iniciou. Há presentes que não estamos preparados para receber [não queremos] e por isso despachamo-los na primeira oportunidade, sem pensar muito no assunto, porque o simples acto de pensar pode ser tão problemático que nós, cobardes, preferimos despachar a enfrentar e, sobretudo, aceitar o que nos é dado.
Hoje é um dia triste e nem o cor de rosa e vermelho com que se dá cor a tudo à nossa volta o consegue alegrar, do cheiro e do sabor doce de guloseimas que se partilham eu apenas sinto um amargo de boca. Talvez um dia limpe esta ferida com algodão-doce.
Hoje é um dia triste e nem o cor de rosa e vermelho com que se dá cor a tudo à nossa volta o consegue alegrar, do cheiro e do sabor doce de guloseimas que se partilham eu apenas sinto um amargo de boca. Talvez um dia limpe esta ferida com algodão-doce.
Gostar de cozinhar
Para os meus e para os que me são queridos. Cozinhar para alguém é um acto de carinho, claro que já servi muitas refeições compradas fora, porque o tempo era escasso ou porque a disposição de me entregar aos tachos era nenhuma. Mas gosto muito de cozinhar, com o cuidado de preparar mentalmente as compras, escolher os ingredientes certos e fechar-me [se tivesse portas] na cozinha durante horas se fosse preciso a preparar pratos deliciosos para serem degustados à mesa com uma boa conversa e regados com bom vinho. Gosto. O que eu não gosto é de cozinhar por obrigação, faço-o com muito esforço, chegar a casa e preparar à pressa qualquer coisa porque tenho jantares para servir é um tormento. Perfiro mil vezes ter de sair de casa enquanto as batatas estão ao lume e a carne está no forno, para ir à mercearia da esquina comprar aquele ingrediente que faz falta para experimentar uma nova sobremesa. Não, não há melhor do que a surpresa de provar algo novo que é delicioso e que rapidamente entra no rol de pratos ou sobremesas que faço de cabeça e que deixa sempre os convivas deliciados.
Agradeço à Nigella e ao Olivier as maravilhosas receitas que vou tendo o prazer de experimentar e com que delicio os meus amigos.
[A famosa receita da salada de espinafres com morangos não faço a mínima ideia a quem agradecer.]
Agradeço à Nigella e ao Olivier as maravilhosas receitas que vou tendo o prazer de experimentar e com que delicio os meus amigos.
[A famosa receita da salada de espinafres com morangos não faço a mínima ideia a quem agradecer.]
12.2.10
11.2.10
ano novo
Se para uns hoje é segunda-feira [-boa semana M!], para mim hoje é dia de ano-novo. E isto até pode parecer uma coisa sem sentido nenhum, mas não, para mim, faz todo o sentido.
Qualquer dia do ano é um bom dia para mudar, melhorar o que achamos estar mal, [menos bem, vá!] na nossa vida. Ando há demasiado tempo às cabeçadas comigo própria, culpa do pouco tempo que tenho, culpa minha pela forma como o aproveito.
Têm-me feito falta muitas horas de sono desperdiçadas, tantas vezes inutilmente. Estou cansada de acordar a esfofetear-me e a jurar "hoje deito-me cedo". Chega! Basta! Hoje é ano novo e começa uma nova vida e, irá mudar muito mais ao longo do ano porque qualquer dia é bom para o fazer. Adiei tempo demais o que já devia ter feito há muito, perdi tempo demais a pregar que tinha de mudar, chegou a hora e como eu costumo dizer, só custa ao princípio, mas no dia seguinte vai ser muito melhor.
A minha sanidade mental agradece, tenho sido demasiado pressionada, têm puxado demais, estiquei demais e quando achava que alguém me podia dar uma folga na pressão tenho ainda mais um puxão que não esperava.
Novos hábitos há muito pensados me esperam, quando estiverem bem interiorizados há que passar à fase seguinte e começar mais uma ano-novo.
Hoje é ano novo!
Qualquer dia do ano é um bom dia para mudar, melhorar o que achamos estar mal, [menos bem, vá!] na nossa vida. Ando há demasiado tempo às cabeçadas comigo própria, culpa do pouco tempo que tenho, culpa minha pela forma como o aproveito.
Têm-me feito falta muitas horas de sono desperdiçadas, tantas vezes inutilmente. Estou cansada de acordar a esfofetear-me e a jurar "hoje deito-me cedo". Chega! Basta! Hoje é ano novo e começa uma nova vida e, irá mudar muito mais ao longo do ano porque qualquer dia é bom para o fazer. Adiei tempo demais o que já devia ter feito há muito, perdi tempo demais a pregar que tinha de mudar, chegou a hora e como eu costumo dizer, só custa ao princípio, mas no dia seguinte vai ser muito melhor.
A minha sanidade mental agradece, tenho sido demasiado pressionada, têm puxado demais, estiquei demais e quando achava que alguém me podia dar uma folga na pressão tenho ainda mais um puxão que não esperava.
Novos hábitos há muito pensados me esperam, quando estiverem bem interiorizados há que passar à fase seguinte e começar mais uma ano-novo.
Hoje é ano novo!
best friends I
é aquele que depois de um dia muito merdoso e de uma noite enfiada no sofá numa neura descomunal que tentei, sem sucesso, apaziguar com uma tentativa, também ela falhada de organizar as centenas de fotos que tenho enfiadas no pc, me faz chorar de tanto rir.
Com amigos assim, ninguém precisa de Baby Blues.
Obrigada André!
Com amigos assim, ninguém precisa de Baby Blues.
Obrigada André!
9.2.10
post gerado por causa dos comentos no post abaixo
Para bem da Margarida espero que o sporting se mantenha igual a si mesmo - [Nunca pensei dizer isto, vou-me ali chicotear violentamente por ter escrito tamanha barbaridade]
5.2.10
2.2.10
mais sol [em Lisboa]
Dou uma vista de olhos pelos meus fios de estimação e dou de caras com o post da princesa e de repente tenho uma vontade enorme de largar tudo, e passar o dia a apanhar sol e sentir o pulsar de Lisboa.
[sim, também tenho saudades de morar na cidade]
[sim, também tenho saudades de morar na cidade]
1.2.10
a esperança não é verde, é da cor dos dias com sol
foto: OlharesHá muito que sei que a cor dos dias tem uma forte influência no meu bem ou mal-estar. O meu humor muda, não com o avançar das horas mas de acordo com a palete do céu.
Com dias de sol fico renovada, de baterias carregadas, sou eu.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






























.jpg)

