15.3.10

para reter - post dedicado- ainda do fim de semana


[-Cerelac não serve para fazer caipirinhas]

e quando falta um dia para completar 3 anos e meio

Toma o primeiro duche sozinho (*)

- 'Tou quescido, tomei banho xozinho! Tu ensinaste a mim.


(*) a minha mão apenas ajudava a que o chuveiro não ganhasse vida própria.

filmes

Há filmes de vidas e há filmes que nos fazem desejar mudar de vida.
Eu quero uma vida doce.

monday

Depois do fim de semana maravilhoso, deitar-me cedo num domingo, acordar com sol... melhor só começar a semana com um pequeno almoço numa esplanada, sem pressas, sem relógio em boa companhia.

foto: olhares


[Dias doces aquecem-me a alma e eu tenho a alma quente]

11.3.10

chato




















Estar a contar com a entrega de várias embalagens para as sobremesas e o Jumbo Online telefonar a informar que não tem.


10.3.10

o melhor da vida

No sofá encostado a mim enquanto faço compras no Jumbo Online:

- Isto é mesmo o melhor da vida, mamã...
- O quê T?
- Isto... estar aqui assim contigo e com o D.

[suspiro]

8.3.10

a Rita explica

"O pior são os pais. Há pais verdadeiramente insuportáveis e sobre esses ninguém me perguntou nada. Logo eu, que tinha tanto para dizer… Antes de mais nada, dizer que quase todos os miúdos menos “educados” deviam apontar o dedo aos pais.

A maior parte das crianças difíceis vivem com mães e/ou pais que não sabem impor regras, que se desautorizam mutuamente, que usam as crianças como estratégias de arremesso de emoções, que querem os filhos construídos à imagem das suas expectativas, que não exigem respeito, nem autonomia, nem nada."


[subscrevo tudo o que a Rita Quintela escreveu]

saturação colectiva

Já ninguém aguenta este tempo.

identidades

Das coisas mais parvas que se pode fazer quando se casa é adoptar o apelido do outro. Em primeiro lugar porque quer queiramos quer não, se ainda por cima for colocado no final do nome, perde-se alguma identidade, deixamos de ser chamados de x y e passamos a ser x z, é estranho. Vinte ou trinta anos com um nome e de repente parece que somos outro. Sentamo-nos à espera que chamem o nosso nome, ouvimos um nome parecido com o nosso e de repente realizamos que a srª do guichet já nos chamou três ou quatro vezes enquanto lhe rogávamos pragas por estar ali a repetir incessantemente um nome que afinal era o nosso. Além da fase inicial de habituação, existe uma outra, mais chata e que regra geral as pessoas não pensam, é que pode dar para o torto e quando dá para o torto é uma chatice pegada e um gasto de dinheiro fútil como tudo.
Por isso, aconselho-vos, casem-se à vontadinha, mas por amor à vossa paciência, deixem lá ficar o nome sossegado.

7.3.10

ah Leão


[percebes agora, Sá Pinto? É no relvado que se mostra a garra, não na bancada da claque.]

a ler, claro!

"Mesmo que por fora endureçam, não percam a sensibilidade! Só quem se mantém sensível à vida permanece aberto à felicidade e ao amor"







[obrigada, Mikas]

o sexo e a cidade

Não somos quatro, mas três e há semelhança da série, somos amigas e hoje jantámos juntas. Não conversamos sobre temas como política ou economia. Falamos de nós, não falamos de sexo [quase nada, vá], mas falamos de homens, dos nossos, de roupa [na versão what not to ware - calções, não, definitivamente]. Somos muito diferentes umas das outras, mas temos um entendimento invejável. Apaziguamos as dores umas das outras, mesmo quando não as entendemos. Brincamos e há até quem meta o casalinho da mesa ao lado ao barulho no meio de uma brincadeira de telemóveis dando motivo para muitas gargalhadas.
Eu que raramente bebo e quando o faço é de forma muito comedida, porque para além de já ter cometido os meus excessos numa outra vida, tenho sempre presente que vou conduzir, fiquei "entornada" na primeira caipirosca mas rapidamente cheguei à segunda, já que os empregados do Estado Líquido deviam estar a achar graça à nossa mesa e resolveram entregar o nosso pedido a outras pessoas, retendo-nos nas saikirinhas e caipiroscas, nem vou mencionar o estado em que eu estava quando finalmente a comida chegou.
E a amizade é isto mesmo, e temos conversas sérias e a seguir rimos com um disparate qualquer que manda embora a nuvem que se aproximava. E é bom, é muito bom o que sentimos nestes dias, quando cada uma regressa à sua casa, à sua vida, porque quando estamos juntas sentimos sempre vontade de repetir.

[Se eu podia viver sem a M. e sem a Princesa? Podia, mas não era a mesma coisa]

5.3.10

não é só a falta de tempo

Claro que se jogasse menos bubbles, se deixasse as vacas e as galinhas em paz e sossego, se não tivesse compras para fazer no Jumbo Online ou se não andasse a ver mil e uma coisas em que acabo por não ver nada, talvez eu conseguisse escrever qualquer coisinha. Tantas coisas na cabeça para fazer comboios de caracteres, filas e filas de comboios. Mas não é só a falta de tempo é também a auto-censura, eu escrevo sobre mim, sobre os meus filhos ou opino sobre algo que pode ter a ver comigo, com A B ou C, mas também tem a ver com milhares de pessoas por esse mundo fora ou então são dedicados a alguém e nesse caso é perfeitamente identificável [mais não seja pelo próprio]. E o que expresso aqui é apenas a minha opinião que vale o que vale e quem não lhe quiser dar valor, pode sempre dar meia volta e apagar-me dos favoritos que eu não me importo, porque também não me enfio na casa de alguém que sei que me vai dizer o que não quero ouvir [a não ser que tenha mesmo de ser, o que aqui não me parece - de todo- o caso].
Posto isto está mesmo quase a sair do draft um post dedicado [senão ainda acordo sem cabelo] e talvez este fim de semana ponha a escrita em dia porque não me parece que esteja tempo para sair de casa.

4.3.10

tantos

Tenho tantos posts na cabeça, mas não tenho tempo para respirar, quanto mais para escrever.

2.3.10

afectos

Existem pessoas verdadeiramente queridas, doces, assim daquelas que dá vontade de guardar na caixa mais reservada dos afectos. Falo de pessoas sãs [apesar da sua loucura contagiante], boas, com bom fundo, verdadeiras. Pessoas que não conhecendo desde sempre, despertam a vontade de abrir o coração e conversar sem as reservas que tantas vezes imponho. Há pessoas com quem consigo falar de tudo, enquanto as ameijoas cozem numa frigideira e o martini vai diminuindo no copo, com quem rio e com quem falo com a lágrima a querer saltar do olho. Há pessoas verdadeiramente queridas com quem gosto de partilhar o meu tempo, que sabe sempre a pouco, que custa vir embora, que me deixa a desejar por novo encontro, porque parece-me sempre que perdi tanto tempo antes de as conhecer e de as guardar na caixa mais reservada dos afectos.

26.2.10

verdades

Se me fizessem determinado tipo de perguntas, se eu respondesse com a verdadinha, ninguém acreditava.

25.2.10

facto do dia

A blogoesfera é muito pequena [demasiado pequena].


[era só isto]

mais dois fãs

Ontem em vez de um Mc Donalds comeram um H3. O T. diz que lhe faz lembrar a carne que comia nas férias do Alentejo e gostou, claro. Adorou o molho, as batatas e a limonada. O A. que é o esquisitinho da família comeu a metade do hamburguer que lhe calhou e gostou.

- Mamã, estes são muito melhores dos que o do McDonalds, mas de vez em quando tenho de comer um dos outros para me lembrar que estes são melhores. [T.]

24.2.10

evitar a dor

Habituei-me desde muito cedo a contar só comigo. É muito difícil andar a bater a portas e levar com portas na cara, doi. Não peço ajuda, desenrasco-me. Não me queixo, levanto-me. Não é uma questão de orgulho, é uma questão de sobrevivência, de dignidade. Não conto com os outros, perto ou longe, não conto, preciso estar a afundar-me para pôr um braço de fora a pedir socorro. Não gosto de dependências, não gosto de esperar que os outros possam/queiram/tenham disponibilidade. Quem está longe provavelmente não pode ajudar, quem está perto consegue ver e se quiser chega-se à frente. É isso que eu faço e, eu sei que não somos todos iguais e se eu me viro do avesso por alguém é um problema meu, não posso exigir que o façam por mim, não posso e não quero, talvez com medo do retorno que possa vir. Não gosto de criar expectativas, prefiro as surpresas e perante a incerteza perfiro a ignorância.
Claro que há quem não entenda este meu lado demasiado independente, mas não sei funcionar de outra forma. Acham-me desligada, orgulhosa, teimosa, cheia de mim, talvez, mas a verdade é que não sou e por vezes mordo-me toda para não esticar o braço até chegar à conclusão que tenho de o fazer senão a subida é muito mais difícil, dolorosa e qui çá as voltas e o tempo que demorarei até voltar à tona e conseguir voltar a respirar, o problema é que a dor de esticar o braço é ainda maior, porque quando estico o braço, para me verem tenho de o passar por lâminas afiadas que cortam e, nessa altura sangro.

21.2.10

da vida

E andamos nós sempre numa correria desenfreada por coisinhas de nada, ninharias, porque o supermercado está a fechar e apetece-nos fazer não sei o quê para o jantar ou, comprar apenas uma tablete de chocolate. Chateamo-nos porque deixamos que pessoas e coisas sem importância vital nos tire o sono, em vez de dormirmos descansados porque no dia seguinte afinal aquele drama já não passa de uma tragiocomédia e perdemos mais não sei quantas horas de sono, inutilmente, estupidamente. E nem o facto de saber que tenho a despensa cheia de pacotes de leite e enlatados, que a caixa de primeiros socorros está devidamente apetrechada, que as minhas lanternas têm pilhas, me deixam descansada quando sou acordada do sonho mais ou menos cor-de-rosa que é a minha vida, pelas imagens de tragédia que num ápice podem assolar qualquer um em vez de nos entrarem pela porta da sala para o mundo e, sentir o quão frágil é esta bolha que envolve a minha vida e a dos meus filhos e de todos os que me são queridos e, que num abrir e fechar de olhos para quem vê de fora e numa eternidade agonizadora para quem a vive ao vivo, tudo pode desmoronar. Como se não bastasse o filme de horror que se vive depois, depois ainda se tem de reconstruir ao mesmo tempo que se aplaca a dor, porque desaparecer não desaparece.

Tão frágeis que somos e, mais ainda, quando vivemos cheios de tudo com uma segurança que impomos a nós próprios tão longe da segurança que realmente precisamos.

20.2.10

sessão da noite

com agradecimento especial à Margarida

[GUN em fundo enquanto escrevo o post e o filme não começa]

17.2.10

turnos

Primeiro foi o mais velho, andava a modos que insuportável de parvo. "Típico da idade", dizem uns, "típico dos rapazes" dizem outros, "típico de má educação", digo eu! Lavagens cerebrais acompanhadas de castigos e alguns estalos que ficaram só na vontade [que horror, eu sei, mas a má criação era mais que muita e dá-me freniquitins a cada resposta torta]. Durante esse período, nalguns dias o mais novo também se transcendia, mas ainda assim parecia um anjinho ao pé do irmão. Como sou uma mãe chatacomócaraçasperitaemchantagememocionalelavagenscerebrais a coisa passou, passou de tal maneira que de repente tenho o mais velho a "condenar" atitudes do mais novo. Mas não se julgue que a paz se instalou aqui no palácio, não, claro que não, era bom demais. Tenho uma criança que de repente se transformou em cachorro, se não estivesse tanto frio acho que o ia passear à rua. Não é que o A. para não parar de jogar nintendo, ou psp, ou ps2 ou o raio que o parta faz chichi onde estiver? Ainda hoje, quando lhe ia vestir o pijama, dei com ele sentado muito sossegado na beira da cama de nintendo a mão, ao lado uma poça de chichi. Tão bom. Relembrei rapidamente os velhos tempos de ter um cachorro em casa. Resultado, balde e esfregona, um raspanete de todo o tamanho, castigo que não toca mais em jogos enquanto tiver deslizes [sim, eu sei, os deslizes são por causa do jogo por isso se não houver jogo não há deslizes] por isso vai amargar durante o resto da semana sem aparelhómetros de jogatana. Desata numa gritaria desgraçada quando se apercebe do castigo, sim porque o raspanete só fere o ego, mais castigo que hoje não há história para ninguém por causa da gritaria e tudo enfiado na cama num abrir e fechar de olhos.
Hoje pela primeira vez não se voltou a levantar depois de os deitar, não fosse eu cumprir a ameaça de acabar com a música para adormecer.

os gostos também se mudam



É oficial! Passei a gostar de chá.

15.2.10

já nem em casa me safo


E sem sair de casa [está frio, deram conta?] acabei de comprar [mais] umas botas em saldos.

[Tenho de passar a deixar o visa no carro!]

a propósito do frio

já bebi mais chá hoje do que num ano inteiro.

[não gosto de chá, mas está frio cumó raio e não dá jeito trabalhar de saquinho de água quente]

[prazeres]

ando para aqui a salivar pela sobremesa de ontem. Tenho de a repetir, rapidamente.

14.2.10

se pudesse ser diferente

Hoje seria um bom dia [este ou outro]. Seria um dia lembrado com alegria, como o início de algo, em vez disso é um dia lembrado com tristeza por ter sido o final de algo que mal se iniciou. Há presentes que não estamos preparados para receber [não queremos] e por isso despachamo-los na primeira oportunidade, sem pensar muito no assunto, porque o simples acto de pensar pode ser tão problemático que nós, cobardes, preferimos despachar a enfrentar e, sobretudo, aceitar o que nos é dado.
Hoje é um dia triste e nem o cor de rosa e vermelho com que se dá cor a tudo à nossa volta o consegue alegrar, do cheiro e do sabor doce de guloseimas que se partilham eu apenas sinto um amargo de boca. Talvez um dia limpe esta ferida com algodão-doce.

Gostar de cozinhar

Para os meus e para os que me são queridos. Cozinhar para alguém é um acto de carinho, claro que já servi muitas refeições compradas fora, porque o tempo era escasso ou porque a disposição de me entregar aos tachos era nenhuma. Mas gosto muito de cozinhar, com o cuidado de preparar mentalmente as compras, escolher os ingredientes certos e fechar-me [se tivesse portas] na cozinha durante horas se fosse preciso a preparar pratos deliciosos para serem degustados à mesa com uma boa conversa e regados com bom vinho. Gosto. O que eu não gosto é de cozinhar por obrigação, faço-o com muito esforço, chegar a casa e preparar à pressa qualquer coisa porque tenho jantares para servir é um tormento. Perfiro mil vezes ter de sair de casa enquanto as batatas estão ao lume e a carne está no forno, para ir à mercearia da esquina comprar aquele ingrediente que faz falta para experimentar uma nova sobremesa. Não, não há melhor do que a surpresa de provar algo novo que é delicioso e que rapidamente entra no rol de pratos ou sobremesas que faço de cabeça e que deixa sempre os convivas deliciados.

Agradeço à Nigella e ao Olivier as maravilhosas receitas que vou tendo o prazer de experimentar e com que delicio os meus amigos.

[A famosa receita da salada de espinafres com morangos não faço a mínima ideia a quem agradecer.]


11.2.10

perdas

sou pelos direitos

ano novo

Se para uns hoje é segunda-feira [-boa semana M!], para mim hoje é dia de ano-novo. E isto até pode parecer uma coisa sem sentido nenhum, mas não, para mim, faz todo o sentido.
Qualquer dia do ano é um bom dia para mudar, melhorar o que achamos estar mal, [menos bem, vá!] na nossa vida. Ando há demasiado tempo às cabeçadas comigo própria, culpa do pouco tempo que tenho, culpa minha pela forma como o aproveito.
Têm-me feito falta muitas horas de sono desperdiçadas, tantas vezes inutilmente. Estou cansada de acordar a esfofetear-me e a jurar "hoje deito-me cedo". Chega! Basta! Hoje é ano novo e começa uma nova vida e, irá mudar muito mais ao longo do ano porque qualquer dia é bom para o fazer. Adiei tempo demais o que já devia ter feito há muito, perdi tempo demais a pregar que tinha de mudar, chegou a hora e como eu costumo dizer, só custa ao princípio, mas no dia seguinte vai ser muito melhor.
A minha sanidade mental agradece, tenho sido demasiado pressionada, têm puxado demais, estiquei demais e quando achava que alguém me podia dar uma folga na pressão tenho ainda mais um puxão que não esperava.
Novos hábitos há muito pensados me esperam, quando estiverem bem interiorizados há que passar à fase seguinte e começar mais uma ano-novo.
Hoje é ano novo!

egocentrismos

[ao telefone]

- Eu senti!
- Tu sem mim o quê?

best friends I

é aquele que depois de um dia muito merdoso e de uma noite enfiada no sofá numa neura descomunal que tentei, sem sucesso, apaziguar com uma tentativa, também ela falhada de organizar as centenas de fotos que tenho enfiadas no pc, me faz chorar de tanto rir.

Com amigos assim, ninguém precisa de Baby Blues.

Obrigada André!

9.2.10

Girls weekend

post gerado por causa dos comentos no post abaixo

sportiiiiinnnngggggggggggg

Para bem da Margarida espero que o sporting se mantenha igual a si mesmo - [Nunca pensei dizer isto, vou-me ali chicotear violentamente por ter escrito tamanha barbaridade]

2.2.10

mais sol [em Lisboa]

Dou uma vista de olhos pelos meus fios de estimação e dou de caras com o post da princesa e de repente tenho uma vontade enorme de largar tudo, e passar o dia a apanhar sol e sentir o pulsar de Lisboa.

foto: olhares

[sim, também tenho saudades de morar na cidade]

1.2.10

a esperança não é verde, é da cor dos dias com sol

foto: Olhares

E basta-me um dia de sol e céu azul para me sentir viva. Por muito entalada que esteja há luz, há sol, há azul e eu mudo, por dentro e reflete-se por fora.
Há muito que sei que a cor dos dias tem uma forte influência no meu bem ou mal-estar. O meu humor muda, não com o avançar das horas mas de acordo com a palete do céu.
Com dias de sol fico renovada, de baterias carregadas, sou eu.

28.1.10

gostar de [outras] máquinas



e tão bem que me dou com estas.

fragilidades

De repente tanta coisa com sentido deixa de o fazer. Anos de luta, de afirmação, de construção, que afinal são frágeis como papel. Rasga-se a paciência, esquece-se a dedicação. De repente a vontade de abrir gavetas e rasgar papel. As construções humanas são frágeis, as construções das relações humanas mais frágeis são. Confesso, que apesar de não me surpreender, não entendo. Como conseguem as pessoas tornarem-se em seres tão despreziveis. Quantas pessoas conhecerei eu, que por detrás do ar cândido com que as reconheço, por trás englobarão este mesmo naipe de seres? Muitas, presumo eu. Eu, logo eu, uma eterna crente no bom fundo das pessoas, nas pessoas com coração, em reflexos de corpo inteiro e não apenas em reflexos do seu próprio úmbigo. Há pessoas que têm fins tristes, muito tristes, conhecemos-lhes o fim e temos pena, roemo-nos de comiseração, ignorantes, esquecemo-nos da justiça, divina, ou seja qual fôr. Tudo se paga e, o preço das acções contra os outros pagam-se caras, não na hora devida, mais tarde, bem mais tarde quando os juros são mais altos, acumulados durante anos de umbiguismos, anos de eu, mais eu e eu primeiro. Acabam mal, aos olhos de piedade de quem lhes conhece o fim, aos olhos de justiça de quem lhes sentiu as acções, as palavras execráveis.
Um dia alguém grita: - Chega! Basta! - e vira costas, porque qualquer coisa é melhor e, finalmente, por fim, respira-se.
E um dia, pagam tudo, com os juros devidos e todo o império de prepotência, de poder, de trunfo na manga, já não lhes serve para nada.
Mais cedo ou mais tarde somos todos frágeis.

gostar de máquinas

foto: olhares

24.1.10

amor é:

passar o fim de semana a "fazer Legos".

saudades

de sol
de praia
de calor
de sabor a sal
de dias sem horas
de horas sem minutos
de segundos sem frames
da água salgada
da água da piscina
do céu estrelado
de estrelas cadentes
de lençois de linho
de verde
de amarelo
de vacas pretas e brancas
de vacas castanhas
de azedas
de uvas morangueiras
de cães Serra da Estrela
de gatos sem marca
de campo
de alpendre
de latada
de montar
de jogar crapô
de jogar scrable
de palavras cruzadas
de exercícios de lógica
de fotos a preto e branco
de foto-retratos
de flores
de ervas pelo joelho
do grilar dos grilos
do cantar das cigarras
de melros
dos pardais
de gansos
de galinhas
do Jardim Zoológico
de água cristalina
de mata
de brunch no Chiado
de barcos no rio
de dormir numa rede
de pastéis de Belém
de "livros do Patinhas"
da "Mônica"
da "Luluzinha"
do Snoopy
do Garfield
do Calvin
de dormir muito
de me deitar ao amanhecer
de conversas nos degraus
de esplanada ao sol
de S. João
de vestidos
de sandálias
de viajar
de vegetar
de "não estar"
de salada de espinafres
de morangos
de batido banana-laranja
de ter os pés enterrados na areia
de eléctricos amarelos
de autocarros vermelhos
de castelos
de Igrejas
de planície
de me arrepiar a entrar no mar
de mergulhar
de cheiro a bebé
de jogar à bola
dos comboios com automotora
de pão quente
de cigarros à janela
de não fumar
de aeroportos
de andar de avião
de Londres
de Barcelona
de Loivo
de Viana
de Palmela
de Lisboa
da rua do Monopoly
de séries em série
de mascarpone com morangos
de gelado de manga
de varanda
de arroz de cabidela
de souflé de peixe
de correr de manhã

...saudades... tantas... e muitas, muitas mais.

21.1.10

do Sporting

Ando tão a leste do que se passa fora da minha esfera que foi num blog habitué que me dei conta do que se passou. Procurei as notícias relativas ao assunto e concluo.

- Um jogador que se insurge contra os adeptos [deve ter sido claque, talvez a Juve Leo?!?] para defender um colega que cometeu um erro merece todo o meu respeito.
- Um director desportivo que se insurge contra o jogador que defendeu o dito colega não merece nada.
- Lamento que o Sá Pinto tenha tido tão infeliz atitude ao serviço do Sporting.

[Levezinho, estou contigo.]

just breathe



[linda, linda!]

Stay with me,..
You’re all I see.
Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see,..
No one knows this more than me.

pausa


Entre dias de tempestade também faz sol.

20.1.10

[des]larguem-me

E eu que sempre fugi de holofotes agora ando na berlinda? Será possível que me saía bolinha preta todos os dias?

factos IV

Assim para já, vou deixar o raio do novelo como está. Há-de ficar direito. Afinal, como diz a minha amiga Princesa: A vida resolve-se sozinha.

[e se a vida não lhe tratar da saúde, deito-o fora]

17.1.10

batalhas

Não sei se estou preparada para as consequências a que estarei sujeita na batalha da manutenção da minha sanidade mental, mas sei que não estou preparada para as consequências da insanidade. Já é um princípio.

14.1.10

Os meus filhos são [mesmo] lindos

Os meus filhos são um espectáculo.

O T. há duas semanas que não vai à capoeira, não que não queira, mas porque a mãe dele [eu] não o consegue ir buscar a horas. O T. é o último a sair da escola porque a mãe dele [eu] sai do trabalho à hora do fecho do atl.

O A. é o último a sair da escola, porque a mãe dele [eu] tem de ir buscar o T. antes de o ir buscar a ele. O A. fica uma hora sozinho com a auxiliar à espera que a mãe dele [eu] o vá buscar.

Ontem, quando a mãe do T. e do A. [eu] os foi buscar não foi para casa, pegou nos filhos e voltou para o emprego porque tinha trabalho para fazer e não podia ir para casa.

Ontem, o T. e o A. não jantaram com a mãe [eu], jantaram no Mc Donalds com uma colega-amiga da mãe deles].

A mãe do T. e do A. [eu], tem muita sorte, os filhos são bem educados e comportados e a colega-amiga da mãe não se importou nada de os levar ao Mc Donalds.

A mãe do T. e do A. [eu] tem muita sorte, porque os filhos aceitam e pelo menos um deles, o mais velho, entende que a mãe [eu] tem de trabalhar nas horas que devia estar com eles.

Ontem o T. e o A. sairam do emprego da mãe [eu] à hora que deviam estar a ouvir a história para de seguida irem dormir.

O T. e o A., ontem dormiram com a mãe [eu] depois de ouvirem uma história.

A mãe do T. e do A. [eu], tem muita sorte por ter os filhos que tem, que compreendem e aceitam.

O T. e o A. vão ter muita sorte no dia em que a mãe deles [eu], compreender mas não aceitar.

12.1.10

[juro que me habituava]

Eu podia chegar a casa muito mais cedo.
Eu podia chegar a casa e ter tudo arrumado.
Eu podia chegar a casa e ter a roupa nos devidos lugares.
Eu podia chegar a casa e ter o jantar feito.


Foto: Olhares

Eu Juro que me habituava.

e finalmente div[ertida]

um dia de chuva pode ser um bom dia.
Já está! Bastou uma assinatura e ficou feito.

e

muito farta de chuva e frio.

11.1.10

quase, quase a cair para o lado

Foto: Olhares

Uma semana, tal como previa, com um volume exagerado de trabalho, solicitações que não acabam [nunca ouvi tantas vezes o meu nome], bugs para reportar, erros humanos para corrigir, reuniões atrás de reuniões, decisões para tomar, um sem fim de... tudo. Só os dias continuam a ter 24 horas. Sexta-feira, após uma semana de loucos, chego a casa de madrugada, sábado, dia de acordar cedo e nova tirada até de madrugada. Domingo [estou repetitiva, eu sei] levantar cedo e trabalhar até às 5 da tarde, nem parei para almoçar, queria mesmo era vir-me embora. Há muitas noites que não dormia tantas horas seguidas, estava tão cansada que nem me devo ter mexido durante a noite a ver pelas dores que tinha no braço sobre o que supostamente dormi. Mas se há 10 anos atrás tinha a "pica" toda para estas coisas, 10 anos volvidos e a coisa pia de outra forma. Já não tenho a paciência que tinha, a minha cabeça também já não tem neurónios para tudo [eu bem digo que morreram muitos nos partos, mas ninguém acredita] e cada vez que passo no corredor oiço pelo menos 3 vozes diferentes a chamar pelo meu nome e a minha vontade é fugir, mas não sem antes atirar o pc pela janela.
Quero que esta fase acabe, quero [preciso, desesperadamente] de entrar em velocidade cruzeiro, voltar a ter o trabalho sob controlo, o meu e o dos outros. Estou cansada, exausta, mesmo, preciso de ver luz ao fundo do túnel.
Eu sei que há dois anos quando me atiraram para o projecto fiquei muito entusiasmada. Tinha acabado de chegar de férias quando me disseram que tinha sido escolhida para o desenvolvimento deste monstro que agora me atormenta. De 20 e tal pessoas escolheram-me a mim. Tinha provas dadas, conhecia o sistema melhor do que ninguém, gosto de "fuçar" até encontrar o que faz falta, a funcionalidade que permite optimizar ou maximizar uma tarefa. Gosto de conhecer e melhorar processos de trabalho e atirei-me com tudo o que sabia e estava disposta a aprender. Tive altos e baixos, muitas reuniões, expliquei um sem número de vezes a mesma coisa em duas línguas e de formas diferentes, revi muitos documentos, "levei" com muitos powerpoints e pontos de situação [perde-se muito tempo em reuniões], discussões acesas, tive muitas vezes vontade de desistir, fiz muitos testes, repeti o mesmo teste vezes sem conta para obter o mesmo resultado. É o que acontece com quem tapa a cabeça e destapa os pés e vice-versa, uma, outra e outra vez. Perdi a paciência muitas, muitas vezes. Barafustei muito.
Dois anos passaram e chegou a hora da verdade. Sei que fiz o meu melhor, ainda não acabou, chegaram os dias do pesadelo, os dias sem horas para acabar, as noites em casa com a cabeça a borbulhar, efeitos de demasiada cafeína e de cabeça demasiado cansada para ordenar ideias. Mas repito para mim mesma, fiz um grande trabalho e, hoje, quando olham para o monitor e tentam fazer alguma coisa que até agora não era possível, podem não saber, mas eu sei, fui eu que levantei a lebre, fui eu que disse que precisava disto ou daquilo, mas nada é fácil e a na maioria das coisas tive de "desenhar" o caminho para lá chegar. Quando olham para o monitor, podem não saber, podem não conseguir imaginar todo o trabalho que esteve por trás, mas eu sei, fui eu, foi da minha cabeça que saiu e foi um grande trabalho. E, claro que se não fosse eu podia ter sido outro qualquer [ou não], mas fui eu que lá estive e foram os meu neurónios sobreviventes que se espremeram.

[Agora só falta entrar em Go-live, abençoado!]

7.1.10

Uma questão de entoação [post em atraso]

Já descobri um blog no programa "o meu blog dava um programa de rádio", apanhei-o sem querer no rádio do carro, gostei do que ouvi e fui à procura do blog que passei a seguir regularmente.

Quando há uns tempos a minha amiga M. me enviou uma sms a dizer que o blog dela ia ser lido no mesmo programa, como é óbvio fiquei em pulgas, afinal, ela é minha amiga e o blog dela [o actual e todos os anteriores] pertence ao meu núcleo duro de blogs a seguir, que é como quem diz, ela posta e eu leio. Claro que à hora a que deu o programa eu não pude ouvir, nem no dia, nem na repetição no dia seguinte, por isso fiquei à espera que a Rádio Comercial colocasse o dito programa no site para o ouvir. -Que decepção! É que eu conheço a M., sei o sentimento que ela coloca em cada palavra escrita e, quando a estou a ler, oiço-a. A locutora da RC quis dar um ar alegre aos posts [como se fossem tristes... parva, estragou tudo!] Ouvi o programa e conhecia os textos que estava a ouvir, mas faltava-lhe a entoação certa, não soava, deve ser como tocar fora do tom [não faço ideia que não percebo nada de música]. Mas eu que gosto tanto do que aquela mente retorcida [descupa, M, mas é verdade] escreve, odiei o programa, tanto que desisti a meio e reli os posts para voltar a repor na minha mente a entoação correcta. Para mim, os posts da M. têm de ser lidos quer a sós, quer quando ela com o entusiasmo que a caracteriza me telefona e pergunta: - estás no computador? Vai ao meu blog ler o meu post. Lê alto!. Ou ouvidos pela própria quando não estou perto de um pc.

E isto faz com que me interrogue, até que ponto é que me lerão com a entoação certa? Que entoação dará quem me lê a cada um dos meus textos? Serei bem interpretada?

[Para ti M. : Tu escreve, escreve muito, amarga ou doce, feliz ou magoada, mas por favor não voltes a deixar que transformem os teus textos numa banalidade.]

foto: olhares

5.1.10

frequência

Eu tenho uma antena. O que até é bom, permite-me por um lado, fazer-me de estúpida quando quero e por outro impedir que me enfiem mãos inteiras pelos olhos [e que deve doer como o raio].

1.1.10

Ajuda precisa-se

Apelo da UNIÃO ZOÓFILA: ***Mantas quentinhas, tapetes e cartões.**** Precisamos muito de mantas quentinhas para ajudar os nossos cães e gatos a combater o frio que se faz sentir. A chuva não tem dado descanso, e praticamente não temos mantas secas para os aquecer. A entregar na União Zoofilia.

[caso não seja possível a entrega directa por favor enviem email para a Madalena - mad.vidal@hotmail.com - que ela faz recolhas em Lisboa e arredores]

- Vá lá, nada como começar o ano sem aqueles cobertores e mantas velhas que só estão a ocupar espaço nos armários, além disso o IKEA está em saldos o que é sempre um bom motivo para substituir alguns tapetes.



Foto: Olhares

sorria-se, sff

Se 2008 foi o ano do meu grito de liberdade, 2009 foi o ano da guerra pela liberdade gritada, 2010 será o ano da reconstrução entretanto iniciada após a vitória.

Mas não tenho ilusões, se ontem era 2009 e hoje é 2010, também sei que ontem era quinta-feira e hoje é sexta. Um novo ano, além de uma mudança numérica, apenas pode trazer mudanças se as quisermos fazer. Porém a vontade de realizar, qualquer que seja a mudança, não é maior só porque uma parte da data se escreve com outros números. Outro ano pode, de certa forma, ser visto como um recomeço, mas não se reescreve a história, essa mantém-se, não se apagam erros cometidos, aprende-se com eles, não se retiram palavras que se disseram, pede-se desculpa, não se retiram palavras ouvidas, perdoam-se. Além de achar que estar feliz só porque uma determinada data do calendário assim o exige é uma perfeita parvoíce, porque a felicidade não aparece por carregarmos num botão [ahetalédiadepassagemdeanoestouarebentardefelicidade, bah!] não há mal nenhum em não nos sentirmos assim tãããoooo felizes. A infelicidade faz parte. A infelicidade e o desconforto são os ingedientes base que nos fazem querer mudar algo e não as passas, o fogo de artifício ou o champanhe.

Disse adeus a 2009 sem saudade relevante. As batalhas que travei desgastaram-me acima do desejável. Devo ter chorado mais este ano do que em vários anos somados da minha vida. Chorei de raiva, de ódio, de saudade, por amor, mas felizmente também chorei de alegria.
Este ano "construi" o meu lar, engoli muito pó, vivi no caos, mas está cá, é meu e para os meus.
Fui promovida em trabalho e responsabilidade como forma de reconhecimento do meu esforço ao longo dos anos.
Foi um ano de mudança e de cortes, mudei o que podia mudar, cortei o que me faz mal, porque de nada vale insistir no que não tem remédio e só traz amargos de boca.
2009 foi um ano de realizações e de desistências. Realizei a minha casa, o meu ninho, viajei acompanhada, viajei sozinha, tive dias de casa cheia e dias de sossego, dias a dois e dias a sós, dei sangue as duas vezes que me são permitidas, com muita ajuda ajudei ainda mais crianças, pedi ajuda e dei a minha mão a quem dela precisou. E se realizei sonhos antigos ou recentes, também desisti de outro que nem sabia que tinha. Não será um ano para esquecer, mas também não é ano para pendurar na parede das melhores memórias [pelo menos para já].

Para 2010 não tenho nenhum wich-to-do de monta. Espero que seja um ano tranquilo, porque de agitação já tenho tido e em doses reforçadas. As grandes metas da minha vida já foram alcançadas, resta-me, apenas [o que por si só já é tarefa bem árdua] manter a rota e a velocidade cruzeiro. "Um dia mudo de vida" é frase de pacote de açúcar que ainda não posso abrir, esse mantenho-o guardado até à altura em que mexerei o meu café com o seu conteúdo e sorrirei com um sorriso tranquilo.
As pequenas coisas que muitas vezes tenho como resolução em qualquer altura do ano mantêm-se, porque qualquer dia é bom dia para acordar e ser melhor pessoa, deixar de fumar, beber mais água, fazer mais exercício, ler mais, escrever mais, telefonar mais ou deitar-me mais cedo.

Da minha passagem de ano, retenho que a passei com as pessoas mais importantes e queridas na minha vida. Trepei à cadeira, comi as passas, pedi os meus desejos e brindei com vinho tinto porque não gosto de champanhe. Foi uma passagem de ano com o coração quente numa noite fria.

[Sorrir mais, é a minha grande ambição para 2010.]



afinal

[Eu queria que todos os meus fantasmas tivessem ficado presos em 2009, mas eles seguiram-me e passaram o ano também.]

e há melhor

do que começar o ano a ler o que os astros supostamente têm reservado para mim e, um após o outro, revelarem que o ano que se avizinha vai ser o ano da minha vida?

- Melhor, só mesmo ser verdade.

Foto: Olhares

28.12.09

tomar balanço para balanços

Já fiz os risquinhos da praxe na minha wich-to-do-list de 2009, agora é arranjar tempo para fazer a 2010.
[Não esquecer: 1º ponto para 2010 - arranjar mais tempo]

27.12.09

26.12.09

O Natal [quase] perfeito

Quando era miúda era a única criança da família chegada, primos havia muitos, afastados em km e em grau de parentesco, sempre quis ter um irmão, não aconteceu. Cresci numa família grande e no meio dos grandes, salvavam-me os meus vizinhos, a família do Sr. Engenheiro do rés-do-chão. A Dona Fernanda e o Sr. Engenheiro [não me lembro do nome do Sr.] eram pais de cinco, três raparigas, a Rita, a Catarina e a Cristina e dois rapazes, o Chico e o Zé. Elas, todas mais velhas do que eu, o Chico um ano mais velho e o Zé que tinha menos três ou quatro anos que eu.
Esta foi a minha família adoptiva durante a minha infância. Mas se foi adoptiva, também foi o meu ideal de família durante muito tempo. Para alguém que crescia numa família disfuncional e com falta de seres do mesmo tamanho, hoje não me espanta nada este ideal criado. A Dona Fernanda não trabalhava, ao contrário da minha mãe, estava sempre por perto, fazía-nos lanches de mesa posta e tricotava camisolas na esplanada do parque Eduardo VII enquanto nós, eu o Chico e o Zé esmurravámos joelhos e cotovelos na bicicleta, no skate e no carrinho de esferas em corridas até ao Marquês de Pombal. Depois do parque ajudavá-nos com os trabalhos de casa para podermos ir para o quintal jogar à bola. A casa da Dona Fernanda cheirava sempre a bolo ou a estufado e, se cheirava bem sabia ainda melhor. Nas refeições no rés-do-chão éramos muitos à mesa. Quando a Dona Fernanda ia às compras iam também os três estarolas para ajudar. Costumávamos ir ao Pão de Açucar em Alcântara, julgo que devia ser o maior supermecado de Lisboa na altura. À excepção do Zé cada um de nós levava um carrinho. Sim, as compras do rés-do-chão eram feitas em três carrinhos apinhados que quando chegávamos a casa ajudávamos a arrumar na despensa em tudo igual à do 2º direito à excepção da quantidade de bens adquiridos.
Aquela casa vivia em permanente corropio, eram as amigas da Catarina e da Cristina, as colegas de curso da Rita, as amigas de esplanada da Dona Fernanda, a empregada e eu. Ah... tinham um Cocker Spagniel cor de caramelo. Casa cheia, portanto.

E eu? Eu cresci em dois mundos completamente diferentes um do outro. Entre o sossego que cortava no 2º Dtº e a alegria e discussões de uma família numerosa.

Nas minhas memórias do Natal também figuram todos estes personagens de história real. A casa era toda enfeitada, o pinheiro vinha sempre num vaso em vez de cortado e chegava ao tecto [e se os tectos eram altos] que nós entulhavamos de enfeites e atirávamos fitas como se fossem serpentinas. Só lá passei um Natal porque a família do Sr. Engenheiro tinha por tradição ir passá-la a Vila Nova de Mil-Fontes. Era um dia triste o dia em que da janela do 2ºDtº os via a carregar os carros com malas e sacos de presentes para os só voltar a ver no Ano Novo. Mas o Natal que vivi naquela casa foi a realização do Natal do meu imaginário. A casa estava cheia, a mesa transbordava de iguarias da época, havia alegria, gargalhadas e presentes abertos ou por abrir misturados com papel de embrulho rasgado. Os presentes eram só os dos adultos, porque nós crianças só abríamos os presentes no dia 25 de manhã e eu, a correr escada a baixo de pijama porque era Natal e tinha de ir abrir os meus presentes. Eu e a Dona Fernanda acordámos os dois estarolas que faltavam e fomos para a sala repetir a cena dos crescidos na noite anterior com o cheiro de torradas e bolo à volta.

Este foi sempre, para mim o cenário idílico de Natal, não foi imaginado, foi vivido e todos os Natais me lembro do Natal da família do Sr. Engenheiro, do quão quente e colorido era.

25.12.09

a quem?

Com toda a falta de modéstia, assumo-me como uma pessoa civilizada. Como tal, e já o disse aqui n vezes, o meu espelho não mostra apenas o reflexo do meu umbigo. Mas eu, às vezes, até percebo as pessoas que se estão a marimbarporquequemvieratráséquefechaaporta, percebo, mas irrita-me. Irrita-me porque acho que se todos nós fizessemos um bocadinho que fosse, se todos pusessem o nariz de fora da bolhinha onde vivem, tudo era mais fácil PARA TODOS.
Mas como eu dizia, às vezes até percebo a capacidade de abstração de algumas pessoas, ora porque sabem à partida que ninguém faz nada ou não sabem a quem recorrer ou porque se estão literalmente nas tintas para os outros [e para si também].

Vinha eu no IC19, [que descobri hoje que se chama Radial de Sintra, mas isso agora não vem ao caso] e vejo um cão de porte médio/grande na berma do lado da estrada. Ora está escuro, está a chover, além de prever um triste fim para o pobre animal, que por si só já era pensamento suficiente para me fazer agir, prever que um carro se pode despistar e sabe-se lá mais o que poderia advir daí, resolvi telefonar para a esquadra da PSP. É claro que o sr. Agente foi muito simpático, mas também o senti à nora sem saber muito bem o que fazer ou se valeria a pena fazer alguma coisa. Eu também entendo que entre assaltantes, possíveis homícidas, violadores e agressores o desgraçado do cão a vaguear em pleno IC19 pode parecer um santinho. Poder, pode, mas se o mesmo desgraçado resolver atalhar caminho pela faixa de rodagem e além de ser atropelado ainda resultarem feridos e quiçá mortos de um hipotético acidente, o mesmo cão deixa de ser tão inóquo, ou não?

E é por estas e por outras que eu até entendo quem vê mas assobia para o lado, entendo, mas não consigo fazer o mesmo, é mais forte do que eu e só me dá vontade de desatar à estalada quando me dou ao trabalho de tentar explicar ao Sr. agente que a coisa pode correr mal e que alguém tem a obrigaçaõ de fazer alguma coisa antes e não só quando são chamados para tomar nota da ocorrência e dos números para aumentar a estatística dos acidentes em época natalícia por culpa do alcool ou do tão afamado excesso de velocidade porque que eu saiba ainda não existe estatística que contabilize o número de acidentes provocados pela inércia das autoridades. Não existe mas devia.

22.12.09

[repost]

Perceber que poucos são os momentos em que o meu pensamento não está em ti. Olhar em volta e perceber que há sempre qualquer pormenor que me leva o pensamento até a ti. Desejar ver o teu nome no telemóvel, para poder ouvir a tua voz, para nos rirmos ou mesmo ficarmos em silêncio, um de cada lado [suspirarmos juntos]. Ler uma mensagem e responder-te de imediato, provocando uma sucessão de frases que nos ecoam muito para além da leitura. Fechar os olhos e sentir o teu toque na minha pele, os teus lábios nos meus. Ouvir as letras das músicas e conseguir juntá-las ao pensamento e ao sentir da pele.

all i want for Christmas is you

17.12.09

Part-time: Rena

unfinished

Se há coisa com que lido mal é com assuntos mal-resolvidos. Não tenho pachorra. Ou bem que se resolve ou não se resolve. Eu até acho que no meu caso é trauma. Quando eu era miúda e a minha mãe me mandava arrumar o quarto eu, armada em chica-esperta, enfiava tudo para dentro do armário ao molho, a cama, puxava a roupa e endireitava muito bem a colcha e estava feito. Ou não. Por fora até parece e, por vezes, até se enganam uns quantos incautos [ou os que fingem que não vêem], por dentro é o caos. Quando eu tinha a triste ideia de fazer destas chicas-espertices, a minha mãe ao deparar-se com o cenário de tudo enfiado no armário tirava tudo cá para fora, mas tudo mesmo, não interessava se havia coisas arrumadas no seu sítio. Era tudo cá para fora e arrumar tudo outra vez e como devia ser. A cama, a mesma coisa, só que em vez de ter de puxar o lençol e cobertores direitinhos, não, tinha até de pôr o resguardo porque ela arrancava-me tudo. Claro que a minha esperteza saloia não foi repetida muitas vezes que eu de parva também só era quando me fazia.
E hoje lembrei-me disto e os assuntos mal-resolvidos não são mais do que tralhas que alguém atirou para dentro de um armário à espera que ninguém mais se lembre delas, o problema está é se alguém se lembra de abrir o armário. Melhor ainda quando o próprio abre o armário e lhe cai tudo em cima. É que mais cedo ou mais tarde é o que acaba por acontecer, por isso mais vale fazer a birra e bater o pé, que não arruma e não arruma porque não quer.

15.12.09

neura de espanador

Normalmente sou o que se pode chamar de gaja-organizada-arrumada. Tenho por hábito ter as minhas coisas arrumadas e a minha casa mesmo com os dois infantes se não estiver num brinco, rapidamente se põe, porque a coisa nunca ultrapassa os limites do aceitável [e o meu aceitável tem uma margem muito pequena]. Por isso também nunca tenho assim muita coisa para organizar. Bem sei que desde a mudança ainda tenho umas gavetas assim meio que desorientadas e papeladas que ultrapassaram os cinco anos obrigatórios à espera que eu esplhe aquilo tudo e me dedique à rasgadela do papel. Resumindo, salvo raras excepções nunca tenho aquelas fobias da arrumação e da limpeza por estar a atingir o caos da desarrumação, até porque tenho um cérebro um bocado gajo que me obriga a viver com tudo à mão de semear, e se à mão de semear é bom para desarrumar, melhor é ainda na hora de arrumar. Portanto, sei [sei, pronto] que esta fobia da arrumação e da limpeza, que me está a causar freniquitins desde que acordei, se deve a n-e-u-r-a. Sim, uma grandessíssima neura que se instalou. É tão grande que hoje, não fosse o facto de ter de ir trabalhar, acho que saía tudo do sítio para voltar a ser arrumado e limpo. É assim como uma espécie de terapia da compensação; e porque há coisas desarrumadas, fora do sítio e muito que limpar e não posso, compenso com a casa.
[mais logo à tardinha vai ser o bom e o bonito em casa, vai, vai...]

Podia dar-me para o chocolate. Poder podia... mas não era a mesma coisa.

14.12.09

Área [bruta] - a saga da mesa

Quando comprei a minha actual casa fiz uma selecção criteriosa do que levaria, até porque 4 ass. cabem em três mas com tudo apertadinho e, apertos dentro de casa, não obrigada. Dei muita coisa que tinha ou porque não ficava bem ou porque estava na hora de substituir. Com tanta "limpeza" acabei por precisar de comprar algumas coisas, uma delas, a mesa da sala. E, eu tinha uma mesa "na cabeça" e até sabia onde a encontrar, mas numa das minhas deambulações vi-a numa loja improvável. Estava alí, à minha frente, o meu sonho tornado realidade e ainda por cima com 50% de desconto, estava mesmo a gritar" leva-me contigo". Comprei-a. Mesa entregue e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-vai-ficar-tão-bem-com-o-chão. Sobreviveu ao pó das obras e serviu de poiso a toda a minha loiça enquanto me desfaziam e refaziam a cozinha. Acabaram as obras e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-fica-tão-bem-com-este-chão. A mesa era gira, ponto. Mas a mesa era também uma grande merda. Sim era de madeira, mas os pés começaram a rachar e sim era pintada de branco, mas não tinha qualquer espécie de verniz e qualquer coisa a manchava. E eu a dizer mal da minha vidinha e eu-a-olhar-para- ela-que-é-tão-gira-e-ficava-tão-bem-com-este-chão.
Email para o serviço pós venda da loja com direito a fotos e tudo a reclamar e que sim, que gosto da mesa e quero uma igual mas em condições. Reponderam que sim, que tenho muita razão, mas mesas iguais não há e perguntam se quero ficar com esta com 30% de desconto sobre o que paguei. Respondi que não e que também não queria mais nada da loja esqueçam lá o vale que não me serve para nada e por isso venha lá o dinheirinho de volta. A transportadora levantou a mesa e eu lá fui à loja pedir o reembolso. Primeiro foi a referência da bendita que dava erro no sistema, depois foram os multibancos que foram alterados e não conseguiam fazer a devolução para o meu cartão. Voltei para casa com carteira ainda leve. Passou uma semana e os senhores da loja mantiveram-se calados. Uma noite, andava eu a por a minha vida burocrática em ordem e resolvi mandar mais um email para o serviço a cliente.Não é preciso dizer que no dia seguinte me telefonaram para voltar à loja para fazer a devolução. Ontem lá fui eu, mais uma aventura para ter o dinheirinho de volta que nem me quero lembrar. Claro que o valor do transporte que paguei porque ia ficar com o artigo, esse não mo devolveram, por isso vou ali fazer mais um email para os meus amigos do apoio ao cliente e explicar-lhes que só paguei o transporte e entrega porque era suposto terem-me vendido uma mesa em condições e que a mesma era suposto estar a fazer o seu papel de tão-gira-e-fica-tão-bem-neste-chão.

[é por estas e por outras que cada vez mais sou fã da Ikea, abençoda!]

seria [ raio do pretérito imperfeito]

Hoje seria o dia D. Não é!

da época

Porque o Natal é das crianças passei o fim de semana nas compras e este ano fui beneficiada, não apanhei enchentes nem filas para pagar. Papéis e presentes espalhados pela mesa da sala, muitos embrulhos feitos [e se eu gosto de fazer embrulhos].
Recolha de presentes para anjinhos com direito a mala do carro cheia.

Logo que entregue todos os presentes ao Exército de Salvação tenho o meu Natal tratado.

11.12.09

fios soltos



A vida é feita de novelos de fios, alguns estão soltos.

De vez em quando lá me aparece um desses vadios cansado de andar a vadiar solto por aí, nessa altura acolho-o, alimento-o e dou-lhe um banho para depois o colocar no novelo respectivo junto dos fios da sua espécie. Menos um fio solto.
Mas os fios que estão nos seus novelos também se soltam, uns com autorização superior para andarem soltos, são bem comportadinhos e nunca se afastam mais do que é desejável, outros soltam-se sem ninguém dar conta e lá ficam mais uns quantos sem se saber do seu paradeiro, uns voltam, outros não.
No meio de tantos fios, também há os fios que tenho de soltar porque deixaram de pertencer ao novelo. Solto-os e muitos provocam-me uma sensação de alívio, outros uma enorme tristeza. Os primeiros, solto-os e pronto, tá feito, com últimos a história é outra, choro e faço o meu próprio luto [sim, tenho uma forma estranha de encapotar o que se passa, mas também ninguém precisa de saber o que se passa cá dentro]. Os que sou obrigada a soltar não os enterro, mas sei que nunca voltarão para o novelo.
Esta semana soltei um fio [e chorei].

9.12.09

Quase Natal - [fio solto]

E eu continuo à espera, à espera que seja este. Espero da mesma forma que esperei tantos outros. A data aproxima-se e, eu espero, acredito, acredito sempre que é este sem nunca pensar que pode não ser, isso só pensei no dia seguinte, antes mesmo de começar a acreditar que é no próximo. Agora penso que será este, acredito que seja este. Já estiveste tão perto, nesse Natal acreditei ainda mais que pudesse ser [-estiveste perto, quase lá, não estiveste?]. Não foi. Vai ser este, acredito que seja este, porque se eu acreditar muito acontece. São muitos anos a acreditar, são muitos anos a desejar o mesmo presente. Vai haver um Natal em que vai ser. Tenho a certeza.